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PEERS

IBGE´s unprecedented survey potrays impact of rains in RS in climate disaster in 2024

The data was collected between September 15, 2025 and February 27, 2026.

Section: Social Statistics | Marcos Filipe Sousa

July 01, 2026 10h00 AM | Last Updated: July 01, 2026 01h59 PM

  • Highlights

  • The total number of affected residents in the survey area was estimated at 6,333,727.
  • Regarding where they lived after the climate disaster, it was observed that 14.6% of people changed their address. The change of address caused by the climate disaster affected 37.9% of those residents who changed housing.
  • Altogether, 133 municipalities took part in the survey.
  • The total number of households in the areas most affected by the floods was estimated at 2,328,093.
  • 88.0% of households had incidents caused by the climate disaster; the most incidents were interruption of water and electricity supply, both with 66.3%.
  • 55.5% of residents reported that their homes suffered some type of structural damage after the floods.
  • 67.5% of respondents reported that their mental health was affected.
In addition to investigating the socioeconomic characteristics of affected residents, survey advanced the understanding of damages suffered and degrees of severity experienced. - Picture: Mauricio Tonnetto/ Secom

The change of address caused by the rains that hit Rio Grande do Sul in 2024 affected 37.9% of affected residents. The information was released in the Special Survey on the 2024 Floods in Rio Grande do Sul - PEERS, this Wednesday (1), by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE).

The remainder is temporarily in Portuguese

A operação, experimental e inédita, teve como objetivo produzir informações obtidas nos domicílios sobre os impactos provocados pelo evento climático extremo ocorrido e avaliar a percepção da população afetada quanto à qualidade de vida após o desastre.

Além de investigar as características socioeconômicas dos moradores atingidos, a pesquisa avançou na compreensão dos danos sofridos e dos graus de gravidade vivenciados, possibilitando também conhecer o tipo de suporte demandado e recebido e a opinião sobre as medidas de prevenção e recuperação.

Dessa forma, a PEERS, tal como concebida, possui potencial para oferecer subsídios para a formulação de políticas públicas voltadas às mudanças climáticas, que sejam efetivas na prevenção e enfrentamento de fenômenos dessa natureza, na mitigação de seus efeitos e recuperação de danos.

Através da realização da PEERS, foi desenvolvida uma metodologia de pesquisa para medir impactos em decorrência de desastres climáticos, que poderá ser usada em situações que possam vir a ocorrer em qualquer lugar do país, como explicou a gerente substituta de Estudos e Pesquisas Sociais do IBGE, Juliana Paiva.

“Possibilita respostas rápidas à população frente aos danos decorrentes de desastres naturais e ao enfrentamento de fenômenos dessa natureza. Propicia informação que amplia a conscientização de diferentes atores sociais sobre as graves implicações da inação diante de riscos climáticos. Possui potencial para oferecer subsídios para a formulação de políticas públicas que sejam efetivas na mitigação e recuperação de danos sofridos, bem como na minimização dos impactos de futuros eventos”, disse Juliana sobre a metodologia.

Mais do que um fenômeno climático isolado, a catástrofe revelou a necessidade urgente de ações rápidas, não só de suporte à população atingida, mas também de recuperação e prevenção.

A PEERS corresponde à parte da atuação do IBGE na força-tarefa instituída para apoiar o Estado do Rio Grande do Sul após o desastre climático de 2024. A pesquisa foi desenhada para propiciar a construção de indicadores voltados à mensuração dos efeitos das chuvas intensas sobre a população atingida.

“A PEERS inovou ao capturar dados, pela primeira vez em uma pesquisa domiciliar, através de entrevistas telefônicas assistidas por computador, onde um agente treinado do CETAC, que é o Centro de Entrevista Telefônica Assistida por Computador do IBGE, liga para o informante e realiza a entrevista no mesmo momento. Além dessa coleta rápida e eficiente, esse método possibilita a realização de crítica de dados e gravação da entrevista, facilitando todo o processamento e controle de qualidade da pesquisa”, completou Juliana.

Os resultados da PEERS divulgados apresentam informações referentes às características-gerais dos moradores afetados, aos impactos das chuvas em sua vida, moradias e entorno, às condições de trabalho e estudo antes e depois do evento, bem como à percepção da qualidade de vida no período pós-desastre e ao conhecimento relativo às medidas de prevenção e recuperação.

Ao todo, 133 municípios integraram a pesquisa. A coleta foi realizada entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, com utilização da inédita metodologia na captura de dados. Pela primeira vez no IBGE, em uma pesquisa domiciliar, a coleta de dados telefônica foi centralizada e realizada de acordo com a metodologia Coleta Eletrônica Assistida por Computador, que integra técnicas específicas de abordagem e de monitoramento da captação.

O principal retrato obtido através da PEERS é o relato dos impactos do desastre climático que ocorreu no RS pelo olhar das pessoas que vivenciaram as enchentes. “A pesquisa contemplou entrevistas diretas com a população, o que até então nunca tinha acontecido. Foram ouvidos os próprios moradores dos domicílios e o desenho da amostra assegurou que fossem contemplados aqueles que estavam localizados nas áreas mais atingidas pelas chuvas. Abordaram o que aconteceu no período, desde os impactos físicos nas suas casas e entorno e evacuação, passando pelos impactos na vida pessoal; citaram a saúde e o atendimento médico durante as inundações, por exemplo; condições de trabalho e estudo, até a avaliação a qualidade vida pós-desastre”.

Domicílios nas áreas mais afetadas chegaram a 2.328.093

O total de domicílios nas áreas mais afetadas pelas enchentes foi estimado em 2.328.093. A PEERS investigou a avaliação do morador sobre as condições da estrutura física dos domicílios após as inundações, com os seguintes resultados: “destruídos” 81.272 domicílios (3,5%) e 190.253 como “muito danificados” (8,2%), evidenciando que essas condições de máxima precariedade foram atribuídas a 11,7% dos domicílios.

Já o total de moradores afetados na área da pesquisa foi estimado em 6.333.727. Dentre esses, 24,9% residiam em domicílios em que as condições gerais de vida no momento da coleta eram piores do que as vivenciadas no mês anterior às enchentes, superando o percentual daqueles que moravam em domicílios em que foram avaliadas melhorias (17,3%). A avaliação de que a qualidade de vida permaneceu a mesma foi a percepção correspondente à maioria dos moradores (56,5%).

Ao considerar a renda domiciliar mensal dos moradores na época das enchentes, destaca-se que 4.231.602 ou 66,8% do total estava concentrado na classe de rendimento de até R$5.000,00.

População atingida

Em relação ao sexo de nascimento, 51,9% das pessoas afetadas declararam feminino e 48,1% responderam masculino.

Quando considerada a variável cor ou raça, a branca foi majoritária, registrando 78,5%, seguida da categoria parda, com 14,3%. Os moradores que se afirmaram pretos correspondiam a 6,7%. A distribuição etária nas áreas da pesquisa apontou proximidade entre o percentual de moradores com até 15 anos de idade (19,5%) e o daqueles que tinham mais de 60 anos (20,0%).

Ainda se observa que, do total de moradores investigados, 28,8% afirmaram ter concluído o ensino médio ou possuíam superior incompleto (1.822.001).

55,5% relataram danos estruturais e 14,6% mudaram de endereço

Em relação ao local de moradia após o desastre climático, observa-se que 14,6% de pessoas mudaram de endereço, correspondendo ao contingente de 922.233. Nesse grupo, 28,3% viviam em domicílios com renda de até R$ 2.000,00. Esses dados indicam uma concentração de moradores que mudaram de endereço após as inundações nesses baixos rendimentos, uma vez que, na distribuição de renda do total da população, correspondiam a 24,0%.

O percentual do total de moradores dos domicílios para os quais for relatada a existência de danos na estrutura ficou em 55,5%. Entre aqueles em que não houve relato de estrago estrutural, essa parcela foi de 16,9%.

A existência de impactos causados pelas enchentes no bairro e ruas próximas foi informada por 68,7% do total estimado de domicílios. No exame desses impactos segundo os rendimentos, observa-se que a distribuição foi similar à resultante do total de domicílios, ratificando que as enchentes produziram efeitos nas vizinhanças das residências de diferentes posicionamentos socioeconômicos.

Os domicílios com rendimento de até R$ 3.000,00 correspondiam a 45,4% daquelas moradias em que houve impacto das enchentes em suas proximidades, percentual similar ao do total de moradias nesta faixa de renda (43,4%).

Observando-se as residências que apresentaram algum dano na estrutura e os que identificaram problemas causados pelas chuvas nas redondezas, o percentual foi 65,6%. Quando não houve relato de impactos nos bairros e ruas próximas, segundo domicílios avaliados com danos nas estruturas físicas, a proporção correspondeu a 25,7%.

Saúde metal foi o maior efeito na vida pessoal dos moradores

Para captar a forma como as enchentes afetaram a vida pessoal dos moradores, foram estimados na PEERS, para situações impactantes devidas às fortes chuvas, os totais de domicílios em que pelo menos um morador sofreu tais impactos.

Os maiores percentuais corresponderam às seguintes ocorrências: saúde mental abalada (67,5%); interrupções na vida social ou no convívio com família ou amigos (58,4%) e dificuldade no deslocamento para trabalho, escola ou creche (57,3%).

484.221 domicílios receberam auxílio financeiro pago por ente público

No campo das medidas paliativas, a pesquisa investigou sobre o auxílio financeiro pago por ente público às famílias desabrigadas em razão das enchentes. Foi perguntado se algum morador do domicílio recebeu essa transferência entre abril e maio de 2024. Em 484.221 domicílios, foram reportados o recebimento dessa ajuda por ao menos um morador, representando 20,8% do total.

A análise dessas moradias beneficiárias, segundo os rendimentos, apontou que 52,9% estavam na classe de até R$ 3.000,00. Na distribuição do total de domicílios, esse percentual alcançou 43,4%. Nos domicílios com renda acima de R$ 10.000,00, o índice era de 4,7%. Especificamente nos domicílios em que houve o pagamento do auxílio financeiro público e foi avaliado com algum dano na estrutura, a proporção atingiu 88,7%.

Necessitaram de atendimento médico em razão das enchentes pelo menos um morador de 196.293 domicílios (8,4%) e 56,1% deles tinham rendimentos de até R$ 3.000,00, evidenciando concentração nas classes menos favorecidas. Também sob essa condição, foi elevada a participação de domicílios com registro de danos na estrutura (86,5%).

Transporte aquático foi o principal meio de resgate

O resgate de moradores foi pesquisado para a situação em que os domicílios ficaram impossibilitados de serem acessados, somando 652.107 ou a proporção de 28,0% do total de domicílios estimado na PEERS.

Nesses resgates, os principais meios de transportes utilizados foram o aquático (70,0%) e o terrestre (34,6%). Em relação aos agentes que realizaram os resgates, os voluntários responderam pela maioria absoluta dos domicílios atendidos (74,9%), enquanto os órgãos oficiais (Bombeiros, Forças Armadas, Defesa Civil etc.) atenderam 35,4%.

Impactos na educação e mercado de trabalho

A interrupção das atividades escolares em decorrência das enchentes foi um impacto importante das chuvas. A pesquisa apontou que 1.696.612 pessoas frequentavam a escola em abril de 2024. Não sofreram paralisação à ida escolar 20,5% dos estudantes, enquanto 78,9% deixaram de comparecer, temporária ou permanentemente, à escola à época das enchentes. Dentre esses moradores que interromperam, a quase totalidade (94,8%) tinha retomado a presença na instituição de ensino no período da coleta.

Outro efeito relevante investigado na vida dos moradores em consequência das fortes chuvas diz respeito à situação no mercado de trabalho. Antes das enchentes, desempenhavam trabalho remunerado formal ou informal 3.043.889 moradores nas áreas pesquisadas, que correspondiam a 58,3% das 5.221.594 pessoas com 14 anos ou mais de idade. Interromperam esse exercício de trabalho remunerado durante as enchentes 56,4% ou 1.718.066 dos indivíduos que trabalhavam antes das inundações. No período da coleta, a inserção em trabalho remunerado mostrou recuperação, alcançando total similar ao de antes das enchentes, 3.035.991.

Os percentuais de piora foram superiores aos de melhora para os seguintes itens: acesso aos serviços de saúde (22,3% e 14,7%), fornecimento de água (17,7% e 10,5%), escoamento da água da chuva (29,3% e 14,1%), esgotamento sanitário (17,2% e 8,9%) e transporte coletivo (23,2% e 8,7%). Por outro lado, foram maiores as proporções que incidiram em melhora de fornecimento de energia elétrica (11,7%), iluminação de rua (19,1%) e limpeza das ruas (17,8%). Os percentuais de avaliação de que houve uma piora do atendimento para esses três serviços foram, respectivamente: 10,5%, 11,2% e 14,4%.

Opinião sobre trabalho de recuperação foi item pesquisado

Os trabalhos de recuperação realizados nas áreas atingidas pelas enchentes foram considerados satisfatórios pelos moradores entrevistados nos domicílios em que residiam 41,0% da população pesquisada (2.594.761 frente a 6.333.727).

Observando-se os moradores com opinião positiva, 46,9% tinham renda domiciliar até R$ 3.000,00. Quanto à declaração de que os trabalhos não foram satisfatórios, o percentual foi de 39,2%. Em relação à avaliação insatisfatória, 14,5% estão na classe acima de R$10.000,00, enquanto a aprovação nessa classe representou 9,1% de moradores, respectivamente 469.618 e 236.403 pessoas.

Pesquisa destaca Regiões Intermediárias

A pesquisa cobriu oito Regiões Intermediárias (RIs) do Estado, porém, para garantir a precisão das estimativas, foi necessário agregar Uruguaiana, Ijuí e Passo Fundo, resultando em seis RI analisadas: 1. Porto Alegre; 2. Caxias do Sul; 3. Santa Cruz e Lajeado; 4. Pelotas; 5. Santa Maria; 6. Uruguaiana, Ijuí e Passo Fundo.

A RI de Porto Alegre é a mais populosa, correspondendo a 59,3% dos domicílios e 59,0% dos moradores frente à área completa de cobertura da pesquisa, que totalizou 6.333.727 moradores e 2.328.093 domicílios. A RI de Uruguaiana, Ijuí e Passo Fundo apresentou número absolutos de domicílios (41.587) e de moradores (121.260) muito inferiores aos referentes às demais cujos totais de domicílios e moradores superaram, respectivamente, 190.000 e 500.000.

Especificamente na RI de Porto Alegre, a ocorrência de domicílios com danos na estrutura alcançou 55,0% das moradias. Nessa região, observaram-se as condições de danos mais graves dos domicílios: destruídos, com 5,1%, e muito danificados, com 10,9%.

A gravidade do evento climático vivenciado, os relatos de impactos das chuvas nos bairros e arredores dos domicílios alcançaram percentuais superiores a 70% em três Regiões Intermediárias: Santa Cruz do Sul e Lajeado, Porto Alegre e Uruguaiana, Ijuí e Passo Fundo, que resultaram em valores maiores em relação ao da área total pesquisada, 68,7%. As demais RIs ficaram abaixo do geral, porém acima de 50%.

Os percentuais de domicílios que relataram danos nos seus arredores variaram entre 51,1% (RI de Caxias do Sul) e 76,5% (RI Santa Cruz do Sul e Lajeado). Para a cobertura completa da pesquisa, o percentual foi de 68,7%.

Em relação ao tipo de dano, Ruas ou rodovias danificadas, alagadas ou interditadas foi o mais incidente em cinco RI, afetando 57,1% de domicílios na região de Pelotas e 70,6% na RI de Santa Cruz do Sul e Lajeado. Na região de Caxias do Sul (44,1%) essa ocorrência ficou em segunda posição, sendo superada por quedas de árvores e de postes e deslizamentos (47,9%).

Pontes quebradas, destruídas ou interditadas foi o tipo de impacto no bairro ou ruas próximas aos domicílios que apresentou participações mais variáveis entre as RIs. A suspensão do transporte público também afetou diferentemente as regiões. Para cada uma dessas duas situações, foram observadas variações superiores a 20% e 50%.

Comparando o percentual de moradores com trabalho remunerado no período das enchentes com o momento da coleta, observa-se pouca variação nas RIs de Porto Alegre (de 58,3% para 58,2%) e Uruguaiana, Ijuí e Passo Fundo (de 62,8% para 63,0%). Apresentaram crescimento as regiões de Caxias do Sul (61,5% para 64,2%) e Santa Cruz do Sul e Lajeado (de 60,3% para 61,8%) e decresceram Pelotas (de 54,1% para 52,0%) e Santa Maria (de 55,4% para 50,7%). As quatro primeiras regiões registraram padrões consistentes com a recuperação observada para o total da pesquisa, em que foram identificados contingentes de inserção no trabalho praticamente iguais para os dois períodos, 3.043.889 e 3.035.991, correspondendo a 58,3% e 58,1% de moradores.



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