Nossos serviços estão apresentando instabilidade no momento. Algumas informações podem não estar disponíveis.

90 anos

XVI Seminário Brasil em Números debate dimensões da realidade brasileira

Editoria: IBGE | Irene Gomes

13/05/2026 17h17 | Atualizado em 14/05/2026 16h30

O XVI Seminário Brasil em Números, realizado na Casa Brasil IBGE nesta quarta e quinta-feira (13 e 14), reuniu, em oito mesas temáticas, especialistas e pesquisadores do IBGE que escreveram os 23 capítulos da edição especial de 90 anos do Instituto.

O seminário está diretamente ligado ao lançamento da 33ª edição da publicação “Brasil em Números”, tradicional obra do IBGE, bilíngue (português e inglês), que apresenta um panorama abrangente dos dados sociais, demográficos e econômicos do país. Pela primeira vez, quase todos os artigos foram elaborados por especialistas da própria instituição, sendo apenas o capítulo sobre Poder Judiciário escrito por parceiros externos do Conselho Nacional de Justiça – CNJ.

A publicação foi lançada no dia 04 de maio em um evento que reuniu mais de 20 representações diplomáticas e organismos internacionais, gestores públicos e privados, em Brasília. A cerimônia, realizada no Palácio do Itamaraty, com apoio do Ministério das Relações Exteriores, reuniu autoridades, especialistas e convidados.

Na abertura do primeiro dia, representando o CDDI, o coordenador-adjunto, Leandro Albertini, deu boas-vindas aos presentes. "Espero que todos aproveitem esses dias. É um seminário rico em informações e que marca o início das comemorações da nossa Instituição. A publicação tem uma relevância gigantesca, com 23 artigos."

O coordenador-geral do CDDI, José Daniel Castro, enviou uma mensagem diretamente de Barcarena (PA), onde acompanha a segunda prova piloto do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola: "Quero agradecer a participação de todos que acompanham on-line ou presencialmente, além dos servidores do IBGE que participaram desta edição, e de outras, ao longo desses anos. Esta é uma das publicações mais importantes do IBGE e, nestes 90 anos, traz artigos de ibgeanos. É um presente entregue à população nos formatos impresso e digital."

Leandro Miranda Malavota e Fabio Mauro de Carvalho Leite

O tema da primeira mesa foi Memória Ibgeana. Fabio Mauro de Carvalho Leite, servidor do setor de Memória do IBGE e autor da apresentação "IBGE: A Informação como Patrimônio Público", lembrou que a obra é ilustrada, tradicionalmente, com imagens de acervos de museus nacionais e que, nesta edição, foram utilizadas imagens exclusivamente do acervo do IBGE. Ele fez um paralelo entre o IBGE e a estrutura de um museu, pensando o Instituto como um grande museu nacional. “O IBGE cumpre, com rigor e escala, aquilo que define instituições museológicas: preservar, organizar e tornar público um patrimônio que pertence a todos”, concluiu.

Leandro Miranda Malavota

Nessa edição, o capítulo "Uma breve história do Brasil" foi escrito por Leandro Miranda Malavota, da gerência de Biblioteca. Ele explicou que o objetivo do capítulo é fazer uma síntese histórica a respeito da formação social brasileira a partir de diversas dimensões. Dessa vez, o recorte temático escolhido foram as relações entre a capacitação tecnológica e o desenvolvimento econômico e social de um país, tomando a experiência brasileira como estudo de caso. “A história não é só um aspecto de erudição, ela também oferece ferramentas teórico-metodológicas importantes para se resolver problemas do presente. Ela não se refere somente ao passado, ela se refere também ao presente e ao futuro”, explicou.

Isabela Mateus de Araújo Torres

A mesa 2, sobre Estatísticas Sociais, foi apresentada por Luciene Longo, autora do capítulo de População. Em sua apresentação, Luciene destacou a importância de um país conhecer as características de sua população: “é a partir desse conhecimento que se pode focar em políticas públicas para melhoria das condições de vida”. A pesquisadora enfatizou o processo de envelhecimento populacional como fator que impactará a organização social e econômica do país, explicando o processo de transição demográfica e concluindo que “o envelhecimento populacional no Brasil é um processo em andamento, irreversível e caracterizado por transformações aceleradas e heterogêneas entre diferentes regiões do País e recortes geográficos”.

José Antonio Sena do Nascimento e Rodrigo Rachid de Souza

Em seguida, a mesa de Geociências abordou o tema Território, que foi apresentado pelos servidores Rodrigo Rachid de Souza e José Antonio Sena do Nascimento, que falaram sobre aspectos físicos e da estrutura administrativa brasileira, respectivamente. “O território de hoje é fruto de todo um processo social ao longo do tempo”, pontuou Sena no início de sua apresentação, acrescentando que ele “é fundamentalmente um espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder”. Rodrigo mostrou as características das grandes regiões brasileira e falou também sobre a evolução da estrutura administrativa do país, explicando que “o recorte por região é pragmático, visa a chegar de forma otimizada para realidades diferentes”.

José Fernando Pereira Gonçalves

A quarta mesa abordou Estatísticas Econômicas. José Fernando Pereira Gonçalves falou sobre Preços, apresentando os indicadores de preços calculados pelo IBGE, suas diferenças e aplicações. Fernando fez o panorama do comportamento da inflação medida pelo IPCA no ano de 2024. Já os dados de Indústria foram apresentados por Rafael de Lima Monteiro, que falou sobre o diagnóstico de duas décadas de estagnação virtual e os desafios da reconstrução industrial: “a pergunta não é por que a indústria caiu em algum ano específico, mas por que ela não consegue sustentar a trajetória de expansão”, provocou o pesquisador. Em seguida, Marcelo Miranda Freire de Melo falou sobre Comércio e Serviços, apresentando resultados do ano de 2023.

A quinta e última mesa do dia, de Estatísticas de Multidomínio, contou com apresentação de Mauro Emílio Araújo sobre a evolução da divulgação de dados de comércio exterior pelo IBGE. David Montero Dias falou sobre a área de Energia, concluindo que “a descarbonização da economia está em progresso, e, portanto, a gente vive o processo de transição energética no Brasil, e por isso, a necessidade de que a gente monitore e continue essas políticas tecnológicas para poder manter essa tendência”. Nessa mesa, Rafael de Lima Monteiro também falou sobre Ciência e Tecnologia, defendendo que “o principal desafio da pós-graduação brasileira não está na escassez de produção científica nem na falta de financiamento, mas na configuração institucional que estrutura seus incentivos, critérios avaliativos, e sua relação historicamente frágil com o setor produtivo”.

No segundo dia do XVI Seminário Brasil em Números, Isabela Torres, da Gerência de Recuperação de Informações, falou sobre o projeto, fazendo um panorama da publicação. Ela destacou o alcance internacional da obra, que além da edição impressa, tem todas suas edições bilíngues disponíveis na biblioteca do IBGE. “É uma publicação que tem muitas camadas: estatística, geográfica, analítica e, também, a parte artística, com as obras dos museus”, descreveu. Isabela ressaltou ainda a importância das Superintendências Estaduais do IBGE para a divulgação da obra e lembrou que a publicação é "um excelente meio para devolver à sociedade e em especial à academia, os resultados dos trabalhos produzidos pelo IBGE”.

A mesa 1 foi sobre Estatísticas Sociais de Saúde e Trabalho e contou com a participação remota dos servidores Hugo de Paula Oliveira e Jefferson Mariano. Hugo sintetiza que buscou, em seu capítulo, “estabelecer uma relação entre o desenvolvimento e a saúde. São temas intrinsicamente ligados. Quando um país, um estado ou um município tem uma qualidade de saúde oferecida aos cidadãos, isso se reflete em desenvolvimento. E da mesma forma quando uma região tem desenvolvimento melhor, isso também se reflete na saúde”.

Em seguida, Jefferson analisa o comportamento do mercado de trabalho brasileiro no ano de 2024, que caracterizou como “um período marcado por avanços econômicos e recuperação do nível de emprego, em contraste com a permanência de desigualdades estruturais”. Ele destacou que “o comportamento do mercado de trabalho está ligado a outras questões importantes, como a, dinâmica demográfica, da atividade industrial, da agropecuária, serviços, aspectos relacionados à previdência social, ou seja, temas que estão relacionados ao próprio desenvolvimento da economia brasileira”.

A segunda mesa do dia, sobre Estatísticas Sociais trouxe as questões do Poder Judiciário com a participação de Ana Lúcia Aguiar, Juíza Federal do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região; Gabriela Moreira de Azevedo Soares, Diretora Executiva do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ; e Igor Tadeu Silva Viana Stemler, Diretor Técnico do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ. Eles fizeram um panorama sobre os dados do poder judiciário, pontuando a incumbência, prevista em constituição, do CNJ, de divulgar relatórios estatísticos semestrais.

Sobre Participação Política, também na mesa 2, Andrielly Ferreira Silva, Supervisora de Coleta e Qualidade da Agência do IBGE em Eirunepé (AM). A estudante de graduação de Direito explicou que seu trabalho consistiu em “analisar os números da eleição de 2024 à luz da constituição de 1988, buscando entender o que esses números revelam sobre a democracia brasileira, os direitos políticos e a soberania popular”. Andrielly trouxe números de seções eleitorais, eleitores, pluralismo político e concentração partidária, e votos váidos, nulos e brancos, concluindo que “o desafio da democracia brasileira não é apenas garantir o acesso ao voto, mas assegurar que cada voto tenha peso real e se converta em expressão legítima da vontade popular, em conformidade com os princípios constitucionais de eficiência, pluralismo e soberania popular.”

Em seguida, o professor Paulo Wagner Teixeira Marques, que por questões técnicas não participou da mesa para a qual estava previsto no dia anterior, de Estatísticas Multidomínio, fez sua apresentação o capítulo de Transportes, escrito em parceria com Felipe Pires do Rio Mazur, Mauro Sergio Pinheiro dos Santos de Souza e Raphael Rocha dos Reis. Paulo Wagner explicou que o foco do artigo recaiu não só na extensão das malhar rodoviárias, mas também no transporte de carga, destacando que as redes de transporte, para os geógrafos “antes de mais nada, elas fornecem uma interpretação das características do fluxo de pessoas e cargas no território, como corolário de condicionantes históricas, auxiliando o geografo na identificação de centralidades no território”.

O período da tarde se iniciou com a mesa 3, relativa às Estatísticas Econômicas, que trouxe as apresentações sobre Agropecuária, com Evande Praxedes da Silva, e Finanças Públicas, com Alex de Almeida Uchôas. Evande fez um panorama da agropecuária brasileira e seus desafios, como “ampliar a produtividade total dos fatores de produção, promover o uso eficiente de energia e fortalecer sistemas sustentáveis, com conservação ambiental e priorização de cultivos de alto valor agregado”.

Complementando a mesa, Uchôas apresentou seu artigo como uma radiografia profunda das nossas contas públicas na última década. Ele conclui que a experiência do período 2023-2024 sugere que “a sustentabilidade fiscal exigirá a combinação de três eixos: superávits primários consistentes, ancorados em receitas e despesas compatíveis com o ciclo econômico; gestão ativa da dívida, com atenção ao binômio custo-risco; e requalificação da despesa, de modo a ampliar o espaço para investimentos sociais e produtivos que sustentem o crescimento”.

A mesa 4, sobre Estatísticas de Multidomínio, contou com as seguintes apresentações: Turismo, Eyder Mendes Vilanova e Silva; Comunicações, Leandro Queiroz Santos Neves, Previdência Social, Riovaldo Alves de Mesquita e Meio Ambiente, com Neison Cabral Ferreira Freire. Eyder mostrou dados sobre o turismo em 2024, destacando “representa atualmente uma atividade econômica em franca expansão em praticamente todos os países do mundo”. Leandro enfocou seu artigo no tema Conectividade transformada: as mudanças nos usos das tecnologias de difusão da informação e as transformações na conectividade no Brasil contemporâneo, propondo uma reflexão sobre “quais as mudanças nos nossos usos da informação pelos meios de comunicação nessa última década: os serviços postais, a radiodifusão, televisão, banda larga e telefonia”.

Sobre Previdência Social, Riovaldo caracterizou o Regime Geral da Previdência Social (RGPS) e o Benefícios de Prestação Continuada (BPC) como os pilares da seguridade social no Brasil e concluiu que “enquanto nossa desigualdade de renda for elevada, tais benefícios continuarão necessários”.

Em seguida, encerrando o seminário, Neison Cabral falou sobre seu capítulo, intitulado Indicadores geoambientais no Brasil: biodiversidade, deslizamentos e uso do solo (2000-2018). Ele destacou que “a sustentabilidade ambiental no Brasil depende, dentre outros fatores, da articulação entre a conservação da biodiversidade, a gestão de riscos naturais e o monitoramento do uso e ocupação do solo”.