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Conferência Europeia de Estatísticos destaca integração entre geografia e estatística

Há 90 anos, o IBGE adotou uma visão integrada de geografia e estatística que, na 74ª Conferência Europeia de Estatísticos, foi reconhecida internacionalmente como estratégica para enfrentar os grandes desafios globais do século XXI.

Editoria: IBGE | Michel Silva

24/06/2026 14h00 | Atualizado em 24/06/2026 15h43

Abertura da 74ª Sessão Plenária da Conferência dos Estatísticos Europeus. Foto: IBGE

A abertura da 74ª Sessão Plenária da Conferência dos Estatísticos Europeus marcou, no dia de hoje (24.6.26), um novo capítulo na governança global da informação. Reunindo representantes de mais de 60 países e cerca de duas dezenas de organizações multilaterais, o encontro colocou a integração entre estatística e informação geoespacial no centro do debate internacional sobre os grandes desafios do século XXI. 

A discussão temática destacou o papel da geoestatística e das informações geoespaciais para enfrentar questões como a emergência climática, a transição demográfica, as desigualdades regionais, a construção de comunidades resilientes, o desenvolvimento sustentável e a promoção da igualdade de oportunidades. 

O debate evidenciou um consenso crescente entre os organismos internacionais: compreender as profundas transformações econômicas, sociais e ambientais exige, cada vez mais, a integração entre dados estatísticos e informações territoriais, permitindo identificar com precisão onde se concentram vulnerabilidades, oportunidades e desigualdades. 

Nesse contexto, a experiência brasileira ganhou destaque. Para o presidente do IBGE, que participa da Conferência, o Instituto adota, há 90 anos, uma concepção institucional pioneira ao reunir, em um mesmo organismo, a produção de estatísticas e de informações geográficas e cartográficas. O modelo brasileiro, concebido ainda na década de 1930, antecipou em muitas décadas uma tendência que hoje é reconhecida internacionalmente como essencial para a formulação de políticas públicas eficazes. 

A integração entre geografia e estatística permite, por exemplo, mapear os impactos territoriais das mudanças climáticas, identificar áreas mais vulneráveis ao envelhecimento populacional, monitorar desigualdades entre regiões e apoiar estratégias de desenvolvimento sustentável baseadas em evidências.

Durante a sessão plenária, diversos participantes ressaltaram que a produção de dados deixou de ser apenas uma atividade de mensuração para se tornar um instrumento estratégico de planejamento e de fortalecimento da capacidade dos Estados de responder às transformações contemporâneas. 

Apresentação destaca integração entre geografia e estatística no acesso equitativo às oportunidades. Foto: IBGE.

Para o IBGE, a conferência representa também o reconhecimento internacional de uma trajetória institucional construída ao longo de nove décadas. Ao unir geografia e estatística desde sua fundação, o instituto brasileiro consolidou uma visão integrada do território e da sociedade, hoje considerada uma das principais referências para a produção de informações capazes de orientar políticas públicas em um mundo marcado por mudanças aceleradas e desafios cada vez mais complexos. 

A 74ª Sessão Plenária da Conferência dos Estatísticos Europeus aponta, assim, que o futuro das estatísticas oficiais está na convergência entre dados, território e conhecimento. E, nesse caminho, a experiência brasileira demonstra que o IBGE, há 90 anos, já havia compreendido uma lição que agora ganha reconhecimento global: não há como entender uma sociedade sem saber, ao mesmo tempo, quem somos e onde estamos.