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90 anos

Com lançamentos no Itamaraty, IBGE inicia celebrações dos seus 90 anos

Editoria: IBGE | Marcos Filipe Sousa, Sabrina Pirrho, Gabriella Carmo e Ederson Araújo

04/05/2026 15h40 | Atualizado em 13/05/2026 08h11

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deu início às comemorações de seus 90 anos com um evento especial que reuniu mais de 20 representações diplomáticas e organismos internacionais, gestores públicos e privados, nesta segunda-feira (04), em Brasília. A cerimônia, realizada no Palácio do Itamaraty, com apoio do Ministério das Relações Exteriores, marcou o lançamento das publicações Brasil em Números – 2025 e IBGE pelo Mundo, reunindo autoridades, especialistas e convidados.

A iniciativa inaugura o calendário comemorativo das nove décadas do Instituto, com a divulgação das primeiras obras especiais que destacam tanto a produção estatística nacional quanto a atuação internacional do IBGE.

Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou a importância do IBGE para o país. - Foto: Thiago Antunes

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, falou da satisfação em abrir as portas do Palácio do Itamaraty para acolher o evento que inaugura as comemorações dos 90 anos do IBGE. “Instituição cuja história se confunde com a própria construção do Brasil moderno e com o esforço contínuo de compreender a nossa realidade em toda a sua complexidade. Ao longo de sua trajetória, o IBGE consolidou-se como referência na produção de estatísticas e informações geográficas. Seus dados não apenas ajudam a compreender o país, eles revelam tendências e oferecem as bases necessárias para o planejamento de políticas públicas e para a projeção do Brasil no futuro.”

Leia na íntegra o discurso do Ministro Mauro Vieira no evento de lançamento das publicações “Brasil em Números – 2025” e “IBGE pelo Mundo”.

O representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD), Claudio Providas, recordou a celebração de nove décadas do IBGE. “Há 90 anos, o Brasil assumiu um compromisso ousado: conhecer a si mesmo, contar sua população, mapear seu território e basear suas decisões em dados concretos. Esse compromisso deu origem ao IBGE. Hoje, ele está mais forte do que nunca. O PNUD se orgulha de ser parceiro nessa jornada, por meio de projetos de cooperação técnica coordenados com a Agência Brasileira de Cooperação. Estamos trabalhando em conjunto para fortalecer a forma como o conhecimento estatístico e geográfico chega à sociedade — não apenas com dados, mas como uma ferramenta para a cidadania, para as políticas públicas e para o desenvolvimento.”  

Maria Luiza Ribeiro Lopes, diretora-adjunta da Agência Brasileira de Cooperação, destacou a parceria com o IBGE. “Ao longo de décadas de parceria com o IBGE, temos trabalhado na cooperação Sul-Sul. Um exemplo é uma cooperação de mão dupla entre Brasil e Colômbia, envolvendo insumos e produtos cartográficos para a gestão da terra nos dois países. Com alguns países, já temos uma cooperação horizontal muito importante, porque ela significa troca de experiências e aprendizado. Esse é um exemplo do trabalho que desenvolvemos com o IBGE.”

O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, também agradeceu a acolhida neste momento celebrativo. “Nós não apenas estamos abrindo as comemorações dos 90 anos do sistema estatístico e geográfico nacional, como também celebrando os 155 anos desde que as estatísticas oficiais foram estabelecidas no nosso país. As estatísticas foram introduzidas e transformadas em momentos singulares da história do Brasil.”

Presidente do IBGE, Marcio Pochmann, agradeceu a participação de todos. - Foto: Thiago Antunes

Participações Internacionais

Tomaz Correa Mendonça, representante do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), estava entre os presentes e reforçou a parceria dos órgãos com o Instituto.

“Dentro do sistema ONU, tenho acompanhado alguns outros eventos em que o IBGE lidera iniciativas no âmbito do UN Data Hub. Aqui se demonstra a importância que o Brasil tem dado às estatísticas, à evidência e as operações, servindo como referência global. Trabalhamos muito próximos do IBGE no Censo, de forma que o Instituto considere as pessoas refugiadas em suas estatísticas”, destacou.

Embaixador de Moçambique, Alexandre Monjate, destacou a experiência do IBGE. - Foto: Thiago Antunes

O embaixador de Moçambique, Alexandre Monjate, falou sobre as ações que envolvem os dois países. “O IBGE está nos ajudando com sua experiência na área de estatística e, com isso, poderemos munir o governo com dados concretos sobre a nossa população.”

Nicole Naobio, representante do Gabão, ressaltou a conexão entre os institutos e os governos. “Eventos assim melhoram a colaboração entre os países.”

Nicole Naobio, representante do Gabão, falou da integração entre os países. - Foto: Thiago Antunes

IBGE pelo Mundo

A publicação IBGE pelo Mundo, lançada em português, espanhol e inglês, apresenta um panorama das principais ações internacionais realizadas pelo Instituto em 2025, ampliando o acesso às informações e fortalecendo a cooperação com países parceiros.

Nesta edição, merece destaque a Presidência Pro Tempore do Brasil no Brics e no Mercosul, que conferiu ao IBGE a responsabilidade de presidir o Grupo de Chefes de Institutos de Estatística do Brics e a Reunião Especializada de Estatística do Mercosul.

A gerente de Relações Internacionais do IBGE, Andréa Diniz da Silva, destacou que essa é a primeira publicação sobre o tema. “É uma publicação que traz destaques da presença do Brasil no exterior na área de estatísticas e geociências, com enfoques em várias áreas de atuação. O IBGE tem quatro grandes frentes de atuação. Trata-se, portanto, de uma publicação particularmente importante, pois foi lançada no ano em que o Brasil ocupou a presidência pro tempore do BRICS e do Mercosul, dois blocos que reúnem importantes países da cooperação Sul-Sul.”

Em ambas as instâncias, o Instituto participou ativamente, aprovando propostas para a criação de uma Secretaria e de diversos Grupos de Trabalho, com vistas ao aprimoramento dos processos e métodos de trabalho na produção de dados e informações, tanto estatísticos quanto geocientíficos.

Merece destaque também a organização do Triplo Fórum Internacional da Governança do Sul Global, que reuniu representantes dos Institutos Nacionais de Estatística de países do Brics, do Mercosul e da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), com os quais o IBGE mantém colaboração ativa.

A atuação do IBGE no cenário internacional desenvolveu-se em quatro frentes principais: participação em fóruns de estatística e geociências; cooperação técnica; colaboração com organismos internacionais e outros parceiros; e organização de eventos internacionais.

Evento reuniu autoridades e sociedade civil em Brasília. - Fotos: Thiago Antunes
Evento reuniu autoridades e sociedade civil em Brasília. - Fotos: Thiago Antunes
Evento reuniu autoridades e sociedade civil em Brasília. - Fotos: Thiago Antunes
Evento reuniu autoridades e sociedade civil em Brasília. - Fotos: Thiago Antunes
Evento reuniu autoridades e sociedade civil em Brasília. - Fotos: Thiago Antunes
Evento reuniu autoridades e sociedade civil em Brasília. - Fotos: Thiago Antunes
Evento reuniu autoridades e sociedade civil em Brasília. - Fotos: Thiago Antunes
Evento reuniu autoridades e sociedade civil em Brasília. - Fotos: Thiago Antunes
Evento reuniu autoridades e sociedade civil em Brasília. - Fotos: Thiago Antunes

Brasil em Números – 2025

O Brasil em Números – 2025, em sua 33ª edição, traz um retrato abrangente dos dados sociais, demográficos e econômicos do país. Pela primeira vez, os artigos foram elaborados por especialistas do próprio IBGE, e as ilustrações têm como base o acervo institucional.

A cada volume, os assuntos abordados recebem a contribuição de destacados especialistas na área de cada tema contemplado, por meio de comentários e da apresentação de dados, tabelas e gráficos. Trata-se de um valioso instrumento de consulta e de base para análises e planejamento em diversas esferas e finalidades.

Neste ano, trata-se de uma edição comemorativa, e os artigos foram elaborados por profissionais da casa, fazendo parte dos eventos comemorativos dos 90 anos do IBGE. Excetua-se apenas o tema Poder Judiciário, escrito pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A gerente de Recuperação de Informações do IBGE, Isabela Mateus de Araújo Torres, falou sobre a alegria de celebrar os 90 anos da instituição com a entrega dessa publicação.

“Esse lançamento no Palácio do Itamaraty reforça a dimensão internacional da publicação. O Brasil em Números nasce do desejo de apresentar o país, comunicar suas múltiplas dimensões e aproximar o conhecimento estatístico da sociedade. A principal fonte de informações da publicação são os dados das pesquisas realizadas pelo IBGE, além de dados de instituições parceiras, como o Banco Central do Brasil, agências reguladoras, ministérios federais e algumas de suas instituições vinculadas.”

No presente número, a publicação é ilustrada com imagens do acervo do IBGE, minuciosamente selecionadas. Além da capa, cada tema abrangido pelo volume se inicia com imagens das obras existentes no Instituto.

O Brasil em Números é compacto em seu formato, leve e fácil de manusear. Seu conteúdo está disponível em português e inglês, ampliando-se ainda mais o impacto e a abrangência das informações.

Mapas detalhados

Em 22 de maio, celebra-se o Dia Internacional da Diversidade Biológica. A data, estabelecida pelas Nações Unidas, homenageia a aprovação do texto final da Convenção da Diversidade Biológica, em 22 de maio de 1992. O tema da edição de 2026 é “Agir localmente para um impacto global”, incentivando ações comunitárias e práticas locais, como a coleta seletiva e o consumo consciente, que geram impactos positivos em escala global.

Para marcar essa data, o IBGE lança o mapa-múndi “Riqueza de Espécies 2025”, que traz informações sobre a biodiversidade ao redor do mundo, por meio do indicador de riqueza de espécies, que mede a quantidade potencial de espécies de anfíbios, pássaros, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce que ocorrem em cada célula de 100 km².

“O IBGE tem grande expertise na produção de mapas do Brasil, de suas fronteiras internacionais, estaduais e municipais. Entendemos que, no século XXI, é absolutamente compreensível termos uma visão mais ampla do que representa o Brasil no mundo. Foi justamente a partir dessa perspectiva que os colegas do IBGE ajudaram a construir um mapa-múndi de forma diferente daquela que tradicionalmente tem sido apresentada nos últimos 500 anos. Passamos a colocar a América, e sobretudo o Brasil, no centro do mundo e, ao mesmo tempo, a apresentá-lo de forma invertida, porque, como sabemos, estamos falando de um planeta que não é plano e, portanto, permite variações do ponto de vista do seu olhar. Além disso, inovamos e fortalecemos o espírito público de refletir as transformações que estão em curso no mundo e o papel protagonista que o Brasil tem — e pode ter ainda mais”, disse o presidente Marcio Pochmann.

Em termos de representação cartográfica, o mapa traz o Brasil centralizado, como representação de sua importância no atual contexto social e político; apresenta a tradicional orientação Norte–Sul invertida, como um lembrete de que existem diferentes formas de visualizar o mundo; e incorpora a novidade da projeção cartográfica Equal Earth.

Mapa foi lançado durante evento celebrativo. - Foto: Thiago Antunes

Além disso, essa projeção busca promover uma visão mais justa e “descolonizada” do mundo, corrigindo o viés eurocêntrico presente em mapas tradicionais e servindo como uma ferramenta educacional e de representação mais equilibrada.

A projeção de Mercator, a mais comumente utilizada, foi criada no século XVI pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator. Seu objetivo era auxiliar navegadores europeus, permitindo o traçado de rotas em linha reta em mapas planos, mantendo um ângulo constante de bússola, o que facilitava o deslocamento em longas distâncias. No entanto, essa projeção distorce as massas continentais, ampliando regiões próximas aos polos — como a América do Norte e a Groenlândia — e reduzindo a África e a América do Sul.

Na projeção de Mercator, a Groenlândia e a África parecem ter aproximadamente o mesmo tamanho. Já na projeção Equal Earth, que apresenta os continentes em suas proporções reais, seria possível encaixar 14 Groenlândias dentro do continente africano. Confira o mapa na Loja do IBGE.

Acesse as publicações abaixo:
Brasil em Números – 2025
IBGE pelo Mundo