90 anos
IBGE tem proposta de R$ 9,9 milhões aprovada na Finep para recuperação e disseminação de acervos
01/07/2026 17h30 | Atualizado em 01/07/2026 17h30
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) teve proposta aprovada na Chamada Pública MCTI/FINEP/FNDCT – Identidade Brasil: Recuperação e Preservação de Acervos 2025, voltada ao fortalecimento de iniciativas de recuperação, preservação, digitalização e difusão de acervos científicos, históricos e culturais. O projeto do Instituto, intitulado “Acervos científicos do IBGE: recuperação e disseminação”, recebeu recomendação de investimento de aproximadamente R$ 10 milhões.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, comentou a aprovação do projeto. “Quem perde sua memória renuncia ao futuro. A aprovação do projeto do IBGE junto à Finep/MCTI, com investimento de quase 10 milhões de reais para preservar e recuperar seus acervos científicos, reafirma que a ciência, a memória e a informação pública são ativos estratégicos da soberania e do desenvolvimento nacional.”.
A iniciativa integra um conjunto de ações que buscam fortalecer a infraestrutura de instituições responsáveis pela guarda de acervos no país, como arquivos, bibliotecas, centros de documentação, museus, herbários e institutos de pesquisa. O objetivo da chamada é ampliar o acesso ao patrimônio científico e cultural brasileiro, promovendo sua preservação e difusão para a sociedade.
Os recursos destinados ao edital são provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), reforçando o papel estratégico do financiamento público na valorização da memória científica e cultural nacional.
A aprovação do projeto pela Finep dá continuidade a um movimento mais amplo de resgate da memória institucional do IBGE, intensificado nos últimos três anos. Em maio de 2026, no contexto das comemorações dos 90 anos do Instituto, foi reinaugurada a Biblioteca Isaac Kerstenetzky e o Espaço de Memória e Tecnologia, no Palácio da Fazenda, no Rio de Janeiro, que permaneciam fechados ao público desde 2019.
A reabertura devolveu à sociedade um importante espaço de preservação e difusão do patrimônio documental, bibliográfico e científico do IBGE, marcando a retomada de investimentos na área de memória. Agora, com os cerca de R$ 10 milhões aprovados pela Finep, essa recuperação avança para uma nova etapa: executar um conjunto amplo de ações voltadas à preservação, digitalização e disseminação de seus acervos científicos, documentais, bibliográficos e biológicos.
Entre as iniciativas previstas estão a higienização, conservação, restauração e o acondicionamento adequado de materiais que atualmente enfrentam problemas relacionados às condições ambientais, como temperatura e umidade inadequadas. O projeto também contempla a digitalização, catalogação e indexação de documentos, ampliando a preservação de longo prazo desses conteúdos e garantindo maior acesso da população às informações produzidas pelo Instituto ao longo de sua história.
Na Biblioteca Isaac Kerstenetzky, no Rio de Janeiro, os recursos serão utilizados para modernizar a infraestrutura de guarda do acervo, com a aquisição de mobiliário e equipamentos para controle de temperatura e umidade, fundamentais para a conservação preventiva de obras raras e documentos históricos. Também está prevista a higienização de livros e periódicos, além da instalação de um sistema antifurto por tecnologia RFID. Outra frente estratégica será a digitalização e conversão de documentos produzidos em suporte físico, permitindo que pesquisas realizadas pelo IBGE em décadas anteriores sejam disponibilizadas para consulta online. O projeto prevê ainda a manutenção e o aprimoramento do Repositório/Biblioteca Digital do IBGE, ambiente que reunirá e disponibilizará os materiais digitalizados para pesquisadores e para a sociedade.
Os investimentos também alcançarão o Acervo Especial de Geociências e os acervos biológicos do Instituto. No caso das fotografias aéreas e demais documentos cartográficos, serão realizadas ações de higienização, restauração e conversão digital de materiais armazenados em diferentes suportes, como papel, acetato, películas e vidro. Já os herbários e coleções biológicas mantidos pelo IBGE em Brasília e pelo Herbário RADAMBRASIL, em Salvador, receberão melhorias na infraestrutura de conservação, incluindo equipamentos de controle ambiental, desumidificadores, esterilizadores de ar, freezers e instrumentos ópticos para pesquisa científica.
A gerente da Gerência de Biblioteca, Informação e Memória do IBGE, Gisele Rosa de Oliveira, disse que o recurso vem para o IBGE em um momento muito importante. “Cuidar de um acervo antigo exige investimento. Esse recurso vem num ótimo momento e ele faz parte de um projeto global que pensa desde a conservação, agilização e acondicionamento adequado desses materiais até a sua disseminação para a população brasileira através de ações de digitalização de documentos antigos, de catalogação e indexação desse conteúdo. Vai ser um trabalho grande executar esse projeto, mas a equipe está muito feliz com o resultado e a gente tem certeza de que o IBGE vai retornar em serviço, em informação, todo esse recurso para a sociedade.”.
Já Jeane Ribeiro, coordenadora de Atendimento e Informação do Centro de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE (CDDI/COATI), disse: “Com o apoio da FINEP, vamos modernizar a infraestrutura de guarda dos nossos acervos documentais, bibliográficos e históricos, além de focar fortemente na digitalização e em soluções de preservação digital de longo prazo. Na prática, isso traz dois grandes ganhos: primeiro, a segurança total dessa memória; segundo, a ampliação do acesso. Queremos que pesquisadores, estudantes, órgãos públicos e toda a sociedade consigam acessar esses conteúdos com muito mais facilidade.”.
O coordenador-geral do Centro de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE, José Daniel Castro da Silva, também comemorou a aprovação. “É uma alegria, nos 90 anos do IBGE, ter a aprovação de um importante edital, em especial para a área de memória. Não teríamos 90 anos sem o IBGE focar na área de memória, dar prioridade a ela, reinaugurando o Espaço de Memória no Palácio da Fazenda e, agora, ter esse financiamento para reestruturar uma área tão importante.”.
