PEERS
IBGE lança Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS)
01/07/2026 15h55 | Atualizado em 01/07/2026 15h55
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quarta-feira (1º), os resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS). A pesquisa experimental e inédita reúne informações diretamente coletadas junto aos domicílios atingidos pelo evento climático. O evento contou com apoio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
O lançamento contou com as presenças de Marcio Pochmann, presidente do IBGE; Luís Eduardo Azevedo Puchalski, superintendente estadual do IBGE no Rio Grande do Sul; Vladimir Gonçalves Miranda, diretor-adjunto da Diretoria de Pesquisas do IBGE; Rosangela Botelho, da Diretoria de Geociências do IBGE; Juliana Paiva Vasconcelos, da Diretoria de Pesquisas do IBGE; Marcos Mazoni, da Diretoria de Tecnologia da Informação do IBGE; e José Daniel Castro da Silva, coordenador do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) do IBGE.
Vladimir Miranda iniciou sua fala citando o ineditismo da PEERS. “É uma pesquisa pioneira. A gente vem vivenciando continuamente os efeitos desses eventos climáticos. Estamos agora sob ameaça de um super El Niño, que vai vir num futuro muito breve. Pelo lado do IBGE, vamos tentar fornecer dados para esse tipo de situação. Muito do que estamos fazendo daqui para a frente tem a ver com a pesquisa que desenvolvemos”, disse.
O diretor-adjunto explicou também sobre como o levantamento foi feito e como a experiência poderá ser utilizada em outras situações climáticas. “Fomos atrás de referências internacionais, das Nações Unidas, do Banco Mundial, de experiências com o furacão Katrina. A partir daí, desenvolvemos um questionário específico para essa situação. Buscamos fazer essa pesquisa diretamente pela nossa central de atendimentos por telefone. Isso foi uma grande inovação e aprendizado das limitações e dificuldades que a gente encontrou nesse processo, mas que é algo fundamental se a gente quiser implementar esse tipo de pesquisa novamente de uma maneira mais ágil. Foi a primeira sondagem que conseguimos levantar diretamente nos domicílios, como as pessoas foram afetadas naquele momento e como está a vida delas a médio prazo com diversos aspectos que nunca tinham sido levantados antes. Como correlacionamos aspectos socioeconômicos da população afetada com a enchente, como foram afetadas em relação ao trabalho, ao acesso à escola, relacionada ao tipo de faixa de renda. Esse pioneirismo e informação são fundamentais e é o que essa pesquisa vai trazer. É um modelo que pode ser replicado em outras situações similares a essa no país”.
Para Luis Eduardo Azevedo Puchalski, a pesquisa serve para documentar a percepção de quem foi atingido pelo evento climático no Rio Grande do Sul. “No momento da enchente, não estávamos preparados. Saber o que fazer nesse momento é fundamental, porque o tempo é algo que faz toda a diferença. O IBGE, ao organizar essa pesquisa, contribui de uma forma significativa porque fica o registro daquilo que aconteceu pelo olhar da população”.
Em seguida, Rosangela Botelho e Juliana Paiva Vasconcelos apresentaram os dados da pesquisa.
Singed Lab Desastres é criado para prevenção de eventos climáticos
O IBGE também apresentou o Singed Lab Desastres, uma ferramenta que busca transformar dados em conhecimento aplicado, fortalecendo as ações de prevenção, preparação, resposta e recuperação frente aos desastres, em benefício da população e do desenvolvimento sustentável do país. No evento, também foi lançada uma capacitação inédita voltada à prevenção de desastres.
Conheça o site do Singed Lab Desastres
José Daniel destacou o uso da ferramenta criada para gestores públicos e privados. “Atendemos mais de 230 municípios, tanto alagados quanto não alagados, porque também tiveram estrada impactada. O Singed Lab Desastres vai prestar uma capacitação antecipada. A ideia é que cada prefeitura, instituição pública ou privada, monte uma comissão de prevenção de desastres e essa comissão possa ser capacitada com todo tipo de informação”.
Marcos Mazoni detalhou o uso da plataforma. “A nossa ideia é dar uma continuidade de formação dos gestores, tanto público quanto privado e organizações sociais, que lidam com o tema para que o nosso conjunto de informações seja oportuno para que eles possam gerar boas políticas públicas, economicamente pertinentes e socialmente importantes. Será gerado um conjunto de políticas que serão testadas ao longo do processo e esses gestores vão precisar estar sempre trocando informações.
Colocaremos no ar uma plataforma de interação, que vai permitir que esses gestores tenham um espaço para debates, pesquisas e reuniões virtuais. Vai ser uma rede permanente para a formação de gestores públicos, com disponibilidade de informações do IBGE sempre atualizadas e com capacitação dos gestores”.
Pochmann destacou a importância da preparação para eventos climáticos. “O Singed Lab nos permite começarmos a oferecer informações para as políticas públicas que vão além da realidade observada. Apresenta-se como perspectiva preditiva para algo que pode vir a acontecer, como o El Niño, preparando os gestores com informação, qualificação e que, de certa maneira, permitirá uma ação de natureza preventiva”.
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