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Em 2024, Indústria da Construção gera R$ 522,5 bilhões e emprega 2,5 milhões
10/06/2026 10h00 | Atualizado em 10/06/2026 10h15
Destaques
- Em 2024, o país tinha 191 mil empresas de construção, que empregavam 2,5 milhões de pessoas. No ano, essas empresas pagaram R$ 95,6 bilhões em salários.
- O valor gerado em incorporações, obras e/ou serviços da construção pelo setor de construção, em termos nominais, chegou a R$ 522,5 bilhões.
- O segmento de Obras de infraestrutura foi o mais relevante em termos valor de incorporações, obras e/ou serviços da construção, com R$ 200,9 bilhões de reais (ou 38,4% de participação), seguido por Construção de edifícios, com R$ 198,9 bilhões (38,1%) e Serviços especializados para construção, com R$ 122,8 bilhões (23,5%).
- Do total gerado pela indústria da construção, 33,0% tiveram como origem a demanda pelo setor público. No segmento de Obras de infraestrutura, a participação do setor público chegou quase a metade (48,2%) do valor gasto.
- A Região Sudeste concentrou a maior participação tanto no emprego quanto no valor gerado pela indústria da construção, respondendo por 50,0% do pessoal ocupado e 49,4% do valor total das incorporações, obras e serviços da construção.
- Alinhada com outros institutos de estatística, esta edição da PAIC dá início a um novo formato nas pesquisas estruturais econômicas, por meio do painel de dados onde se pode visualizar melhor os resultados. Também está disponível no Sidra.
O setor da Indústria da Construção gerou, em 2024, um valor total em incorporações, obras e/ou serviços de R$ 522,5 bilhões. Reunindo 191 mil empresas no país, empregou 2,5 milhões de pessoas, pagando R$ R$ 95,6 bilhões em salários. No ano, houve equilíbrio dos segmentos de Obras de infraestrutura, com R$ 200,9 bilhões (ou 38,4%) e Construção de edifícios, com R$ 198,9 bilhões (38,1%). Serviços especializados para construção responderam por 23,5% do valor do setor (R$ 122,8 bilhões).
Do total gerado pela indústria da construção, 33,0% tiveram como origem a demanda pelo setor público. No segmento de Obras de infraestrutura, a participação do setor público chegou a quase metade (48,2%) do valor gasto. Essas e outras informações integram a Pesquisa Anual da Indústria da Construção, divulgada hoje (10/06), pelo IBGE. A PAIC traz dados para Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação.
“O principal ponto da Pesquisa em 2024 é o quão importante são as obras de infraestrutura dentro do cenário da Indústria da Construção no Brasil, não somente em termos de valor de obras mas em termos de remuneração paga. Além disso, mostra a importância do setor público nesse segmento, por exemplo, que corresponde a quase 50% das obras de infraestrutura do país”, explicou o gerente da Pesquisa, Marcelo Miranda.
Salários médios da Indústria da Construção vão de 1,8 a 2,6 salários mínimos
A construção de edifícios ocupa o segundo lugar em valor, perdendo para Obras de infraestrutura, mas é o segmento que mais emprega. Do total de empregados, 35,7% estavam na Construção de edifícios, 34,4% em Serviços especializados para construção e 29,9% em Obras de infraestrutura.
Quanto ao valor das remunerações, o setor pratica salários médios mensais que vão de apenas 1,8 a 2,6 salários mínimos. A média do setor da Indústria da Construção foi de 13 pessoas ocupadas por empresa, com remuneração média mensal equivalente a 2,1 salários mínimos (s.m.). As empresas de Obras de infraestrutura apresentaram maior porte médio, com 39 funcionários por empresa, além da maior remuneração média mensal, de 2,6 salários mínimos. Já a Construção de edifícios apresentou média de 13 pessoas ocupadas por empresa e remuneração média de 1,9 salário mínimo. Já Serviços especializados para construção registrou média de 8 funcionários por empresa e remuneração de 1,8 salário mínimo.
Da análise de custos e despesas da indústria da construção depreende-se que os gastos com pessoal representaram o maior componente das despesas do setor em 2024, correspondendo a 30,7% do total. Em seguida, o consumo intermediário, exceto material de construção e serviços contratados a terceiros, com 22,5%; consumo de materiais de construção por 22,3%; demais despesas, 14,7%; e despesas com obras e serviços contratados a terceiros corresponderam a 9,7%.
Construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas, obras de arte especiais e obras residenciais foram os grupamentos principais da PAIC
Na PAIC, os produtos e serviços da Indústria da Construção foram organizados em sete grupamentos: Em 2024, construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais representaram o principal produto da construção, com participação de 22,8% do valor total das incorporações, obras e/ou serviços. Em seguida apareceram obras residenciais, com 22,2%, e Serviços especializados para construção, com 19,2% do total do valor gerado pela indústria da construção.
“Os serviços especializados para construção são aquelas atividades auxiliares à Indústria da Construção. Então, uma empresa que vai numa incorporação e faz uma pintura, ela está ali nos serviços. Uma empresa que faz cabeamento, uma empresa que faz a parte de encanamento de uma obra. Não são empresas específicas de construção de edifícios ou de obras de infraestrutura, elas fazem essas atividades auxiliares nas grandes incorporações e nas grandes obras. Embora ocupem a terceira colocação na maioria dessas atividades que a gente está olhando, ela não está muito disparada atrás das outras duas atividades em termos de pessoal ocupado, valor de obras e salários, e sabemos que têm crescido nos últimos anos”, ressaltou Marcelo Miranda.

Já o grau de concentração de mercado, medido pelo indicador Razão de concentração de ordem 8 (R8), que calcula o percentual do valor total das incorporações, obras e/ou serviços gerados pelas oito maiores empresas do setor, alcançou 3,1%, em 2024.
Região Sudeste concentrou maior participação tanto no emprego quanto no valor gerado
Em 2024, a Região Sudeste concentrou a maior participação tanto no emprego quanto no valor gerado pela indústria da construção, respondendo por 50,0% do pessoal ocupado e 49,4% do valor total das incorporações, obras e serviços da construção.
A Região Nordeste ocupou a segunda posição no valor gerado pela construção, com participação de 17,9%, seguida pela Região Sul, com 17,0%. As Regiões Centro-Oeste e Norte responderam por 9,1% e 6,5%, respectivamente. Em relação ao pessoal ocupado, o Sudeste foi seguido pelas Regiões Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte, com participações de 19,6%, 16,2%, 8,2% e 6,0%, respectivamente.
Impacto da mudança da RAIS para eSocial nas pesquisas
A mudança da RAIS para o eSocial impactou o desenho amostral das pesquisas e culminou no início de uma nova série das pesquisas estruturais econômicas, incluindo a PAIC. Isso significa que os dados coletados antes e depois dessas mudanças não são diretamente comparáveis, pois o universo de empresas e os critérios de seleção mudaram.
Nos anos recentes, as pesquisas do IBGE foram impactadas pela mudança na fonte administrativa utilizada na atualização do Cadastro Central de Empresas - Cempre, com a substituição, em 2022, da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) pelo Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial).
A transição gerou uma quebra na série em várias atividades do âmbito das pesquisas, reduzindo temporariamente o número de empresas. Em 2023, foram aplicados ajustes de calibração voltados a mitigar esses efeitos e preservar a coerência das estimativas. Em 2024, houve a quebra definitiva da série histórica das pesquisas com a introdução do novo indicador de atividades oriundo dos registros administrativos da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil.
Outras informações, acesse o Relatório Metodológico.
Mais sobre a pesquisa
A Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) constitui-se em uma importante fonte de informações estatísticas sobre o segmento empresarial da indústria da construção no Brasil. As principais variáveis cobertas pela pesquisa são: emprego e salários; receita, custos e despesas; valor das incorporações, das obras e/ou serviços da construção; tipos de obras e/ou serviços da construção; produtos da construção.
