Indicadores econômicos
Economia brasileira avançou em 2025, com inflação mais controlada, mostra nova publicação do IBGE
02/07/2026 17h20 | Atualizado em 02/07/2026 17h27
Em 2025, a economia do Brasil cresceu, porém em ritmo menor do que em 2024, em cenário de taxas de juros elevada e inflação mais controlada. Com avanços no emprego, nos serviços e na agropecuária, porém, o ano foi marcado por desaceleração em alguns segmentos do comércio.
Isso é o que mostra a segunda edição da publicação “Indicadores Econômicos do Brasil”, lançada nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O trabalho agrega, em uma publicação, o consolidado das pesquisas conjunturais que o IBGE divulgou sobre o ano de 2025, formando uma espécie de panorama econômico do País.
O material é dividido em duas partes: um informativo, com os principais resultados do estudo, divulgado de forma impressa e digital no portal do IBGE e uma segunda parte, com foco mais técnico, em que notas metodológicas e considerações de natureza econômico-estatística são apresentadas.
Nesta edição, os dados que foram apresentados estão agrupados em quatro grandes eixos: I) Trabalho e rendimento do trabalho; II) Produção das atividades agropecuárias; III) Produção das atividades industrial, comercial e de serviços; e IV) Índices de preços e custos.
Para o assessor da Diretoria de Pesquisas para a área econômica e gerente de Planejamento e Inovação do IBGE, Alessandro de Orlando Maia Pinheiro, o diferencial desta publicação é a possibilidade de um comparativo entre diversas áreas econômicas, com séries históricas e análises dos pesquisadores em um único produto.
“A gente encontra muitas análises, feitas por diversas instituições, mas quando o IBGE se debruça sobre os dados e faz um trabalho de compilação e sistematização, esse trabalho está sendo feito por quem cria a metodologia e por quem constrói o dado, o que é um elemento distintivo importante”, afirmou Pinheiro, lembrando que o formato do material facilita o uso por estudantes, economistas, especialistas, imprensa e outros públicos interessados.
Pelo segundo ano seguido, o informativo foi lançado ao público em um evento aberto na sede do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon-RJ). No local, além de apresentar as pesquisas, os analistas do IBGE fizeram esclarecimentos sobre as metodologias e responderam a perguntas dos presentes.
A presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Tânia Cristina Teixeira, entende que o informativo tem um papel fundamental para que novas evidências da realidade nacional sejam oferecidas a economistas, que poderão avançar nas pesquisas, seja na academia ou nas empresas.
“Esse boletim certamente estará na ordem do dia, circulando nacionalmente, na academia, nas empresas, nas discussões nacionais. Isso vai permitir que se tenha mais conhecimento, principalmente em um período no qual as fake news lideram e no qual a ciência está sendo questionada, nosso papel é dar formação e informação”, afirmou.
Panorama
Com a agregação dos resultados das pesquisas conjunturais, o retrato da economia brasileira ficou mais analítico. A publicação mostra, por exemplo, que os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) indicam que, em 2025, a taxa de desocupação chegou a mínima da série história (5,6%), enquanto o nível de ocupação foi o maior já registrado (59,1%). Pela primeira vez na história, também, o rendimento médio real cresceu pelo terceiro ano seguido (5,8% em 2025).
Esse dinamismo do mercado de trabalho foi sustentado pela atividade econômica que continuou crescendo. No ano passado, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) revelou que a produção de grãos foi a maior da história do país (346,1 milhões de toneladas), em um cenário de aumento da produtividade, já que a área colhida cresceu menos que a produção efetiva.
Já os dados das pesquisas trimestrais de Abate de Animais, da Produção de Ovos de Galinha, do Couro e de Aquisição do Leite indicaram recordes batidos em uma série de atividades da agropecuária, ajudando a explicar o peso do setor para a economia brasileira em 2025.
No eixo das de Produção das atividades industrial, comercial e de serviços, as pesquisas do IBGE mostraram que, em 2025, a indústria a cresceu, impulsionada pela produção de bens de consumo duráveis e intermediários, enquanto a produção de bens de capital e de bens de consumo semi e não duráveis recuou. Os serviços e o comércio também cresceram. Contudo, o comércio varejista ampliado perdeu fôlego e variou 0,1%, interrompendo três anos de alta.
Por fim, no eixo de Índices de preços e custos, a publicação mostrou que Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano em 4,26%, abaixo do registrado em 2024 (4,83%). Vitória (ES) foi a capital com a maior inflação no ano passado (4,99%) e Campo Grande (MS) teve o menor índice (3,14%).
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também foi menor em 2025 (3,9%) do que em 2024 (4,77%). Por outro lado, os custos da produção, mensurados pelo Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI) fechou o ano passado em 5,63%, acima dos 3,98% registrados em 2024.
