CEMPRE
Cresce o número de empresas no país em 2024, mas salário médio fica estável
25/06/2026 10h00 | Atualizado em 25/06/2026 10h00
Destaques
- Número de empresas e outras organizações aumentou quase em 600 mil em 2024 comparado ao ano anterior.
- Considerando o período de 2022 a 2024, o crescimento do número de empresas e outras organizações no país chegou a 12,5%, passando de 9,4 milhões para 10,6 milhões, o que representa um saldo positivo de aproximadamente 1,2 milhão de empresas.
- Comparado com 2023, o número de pessoal assalariado cresceu 3,0%, passando de 52,6 milhões para 54,2 milhões em 2024, mas o salário médio mensal variou 0,2%.
- Os maiores salários médios mensais foram pagos pelo setor Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais, seguido por Eletricidade e Gás e Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados.
- As empresas e outras organizações com 250 pessoas ou mais concentram o maior quantitativo de pessoal ocupado total (44,4%), pessoal ocupado assalariado (55,7%) e de massa salarial (69,0%).
- O salário médio mensal dos homens permaneceu mais alto que o das mulheres em 2024: R$ 4.206,00 contra R$ 3.608,04.
- Segundo a escolaridade, 76,4% do pessoal ocupado assalariado não tinha nível superior em 2024. Por outro lado, os 23,6% que possuíam nível superior tinham um salário médio mensal de R$ 7.776,59, correspondendo ao triplo do valor do salário médio de quem não tinha nível superior, que recebia R$ 2.742,41.
- Na análise por natureza jurídica e desagregação por sexo, os maiores salários médios foram pagos pela administração pública, tanto para homens (R$ 6.058,19) quanto para mulheres (R$ 4.967,51). Já quando a desagregação ocorre por nível de escolaridade, o salário médio é maior nas entidades empresariais entre os que possuem nível superior (R$ 8.429,42) e menor nas entidades sem fins lucrativos para os que não possuem nível superior (R$ 2.510,32).
- As maiores desigualdades salariais foram encontradas nas entidades empresariais, onde o valor dos salários médios das mulheres corresponde a 78,1% dos salários médios dos homens e o valor dos salários médios dos assalariados sem nível superior corresponde a 31,5% do valor dos salários médios dos com nível superior.
- A Região Sudeste concentrou o maior quantitativo de pessoal ocupado total, 33,3 milhões (49,0%), e assalariado, 26,1 milhões (48,2%), e pagou a maior massa de salários e outras remunerações, R$ 1,5 trilhão (52,3%).
Em 2024, o número de empresas e outras organizações no Brasil cresceu 5,8% em relação a 2023, passando de 10,0 milhões para 10,6 milhões. O quantitativo de pessoal assalariado registrou aumento de 3,0% no mesmo período, indo de 52,6 milhões para 54,2 milhões. Já o salário médio mensal variou 0,2% e passou de R$ 3.924,04 para R$ 3.932,45, mantendo o valor equivalente a 2,8 salários mínimos.
“O crescimento no número de empresas está mais concentrado nas pequenas, de 0 a 9 pessoas. Há um descompasso entre o crescimento de empresas pequenas e a evolução no número de empresas, no número de pessoal pago assalariado, porque as pequenas empresas empregam menos. Então, esse emprego está mais concentrado nas empresas maiores. Apesar de uma alta no número de empresas, a maior parte dela se deve à chegada de novas de pequeno porte, o que gera esse descompasso no emprego”, explica Francisco Marta, coordenador de Cadastros e Classificações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Considerando o período de 2022 a 2024, o crescimento do número de empresas e outras organizações no país chega a 12,5%, passando de 9,4 milhões para 10,6 milhões, o que representa um saldo positivo de aproximadamente 1,2 milhão de empresas. A maior parcela desse aumento veio da seção Saúde humana e serviços sociais, que apresentou um crescimento de aproximadamente 177,7 mil entidades, seguida das seções Atividades profissionais científicas e técnicas (174,0 mil) e Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (166,7 mil).
Os dados são das Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) 2024 divulgados hoje (25) pelo IBGE. O CEMPRE reúne informações cadastrais e econômicas das empresas e outras organizações presentes no território nacional, inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, e de suas respectivas unidades locais.
Dentre as empresas e outras organizações existentes em 2024, um total de 3,0 milhões possuíam pessoas assalariados (28,4%). Essas entidades empregavam, em 31 de dezembro de 2024, 68,0 milhões de pessoas, sendo 54,2 milhões (79,7%) como pessoal ocupado assalariado e 13,8 milhões (20,3%) na condição de sócios e proprietários. Os salários e outras remunerações pagos totalizaram R$ 2,8 trilhões.

Três atividades com maiores salários somam apenas 2,6% dos assalariados
Entre as atividades econômicas, os maiores valores de salário médio mensal foram pagos pelo setor Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais (R$ 9.678,61), seguido por Eletricidade e Gás (R$ 8.539,07) e Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (R$ 8.430,55). As três atividades ocuparam, juntas, 1,4 milhão de assalariados, ou seja, somente 2,6% do pessoal ocupado assalariado. Em 2024, o salário médio mensal de todas as atividades ficou em R$ 3.932,45.
Seção de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas registrou maiores participações em três categorias
Entre o número de empresas e outras organizações, a seção Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas registrou a primeira colocação, com 27,4%. Em seguida, ficaram Atividades administrativas e serviços, com 10,1%; e Atividades profissionais, científicas e técnicas, com 9,0%.
Já em pessoal ocupado total, a seção Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas ficou em primeiro lugar, com 20%. Depois, Indústrias de transformação (13,4%); e Administração pública, defesa e seguridade social (12,9%).
Entre o número de pessoal ocupado assalariado, a seção Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas ficou também na primeira colocação (18,2%). Administração pública, defesa e seguridade social ocupou o segundo lugar (16,2%). Em seguida, Indústrias de transformação (15,3%).
Em termos de massa salarial, o primeiro lugar foi da seção Administração pública, defesa e seguridade social (23,0%). Indústrias de transformação ocupou o segundo lugar (16,1%). Depois, Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (13,0%).

Grandes empresas pagam mais que o dobro do salário das que têm até 9 pessoas
Do total de empresas e outras organizações em 2024, 93,4% tinham de 0 a 9 pessoas assalariadas; 5,6%, 10 a 49 pessoas; 0,8%, 50 a 249 pessoas; e 0,2%, 250 pessoas ou mais. O salário médio mensal entre as empresas e outras organizações foi de R$ 3.932,45 e apenas empresas com 250 pessoas ou mais pagaram acima desse valor, R$ 4.913,27, que é mais que o dobro do salário recebido por aquelas com 0 a 9 pessoas ocupadas, R$ 2.116,21.
As empresas e outras organizações com 250 pessoas ou mais concentraram os maiores percentuais de pessoal ocupado total (44,4%), de pessoal ocupado assalariado (55,7%) e de massa salarial (69,0%).
“Tradicionalmente as empresas maiores têm salários melhores. Os setores econômicos que mais concentram empresas de pequeno porte são o Comércio e as Atividades administrativas, as que pagam salários menores que a média. Já as grandes empresas estão concentradas nos setores da indústria que têm salários melhores”, pontua Francisco.
As estatísticas do CEMPRE desconsideram os Microempreendedores Individuais (MEIs) por serem desobrigados de preenchimento dos registros administrativos da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho.
Homens são maioria entre pessoal ocupado assalariado e seguem ganhando mais que as mulheres
Em 2024, o salário médio mensal recebido pelas mulheres (R$ 3.608,04) foi 16% menor que o dos homens (R$ 4.206,00). Ainda em 2024, as mulheres receberam, em média, o equivalente a 85,8% do salário médio mensal dos homens, o que representa uma redução de 0,6 ponto percentual em relação a 2023. Os homens também eram maioria entre o pessoal ocupado assalariado (54,2%).
A mão de obra masculina estava concentrada na seção Indústrias de transformação (19,4%), seguida pelo Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (18,5%) e Administração pública, defesa e seguridade social (13,3%). Porém, a Construção é aquela que apresentava a maior participação de homens no setor (87,2%), seguida das Indústrias extrativas (82,5%) e do Transporte, armazenagem e correio (80,5%).

Em relação às mulheres, a Administração pública, defesa e seguridade social retinha a maior parcela da mão de obra feminina (19,7%), seguida do Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (18,0%) e Saúde humana e serviços sociais (11,2%). Em termos de participação no setor, Saúde humana e serviços sociais apresentam uma maior participação de mulheres no seu quadro (75,0%), seguida da Educação (67,6%), e Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (57,6%) junto com Alojamento e alimentação (57,6%).
“A participação feminina vem crescendo especialmente nos setores que empregam mais mulheres. A Saúde apresentou um crescimento bem forte nesses últimos anos, principalmente em 2024, por conta da necessidade de maior demanda por esse serviço. Quando vemos o emprego nesses setores, a maior parte tem mão de obra feminina. Então, houve um crescimento setorial muito favorável ao setor que emprega mais mulheres. E em outros setores, como Educação, que também empregam mais mulheres”, destaca Francisco.
Quem tem nível superior recebe o triplo do salário de quem não tem
A pesquisa também analisou o nível de escolaridade e verificou que 76,4% do pessoal ocupado assalariado não tinha curso de nível superior em 2024, o que representa uma estabilidade em relação ao ano anterior.
Por outro lado, os 23,6% que possuíam nível superior tinham um salário médio mensal de R$ 7.776,59, aproximadamente o triplo do valor daqueles que não tinham nível superior, os quais recebiam, em média, R$ 2.742,41.

Assim, em 2024, um trabalhador assalariado sem nível superior recebia, em média, aproximadamente 35,3% da remuneração paga a um trabalhador com curso superior.
"Os assalariados sem nível superior obtiveram um aumento real maior nos salários médios do que aqueles com nível superior. Assalariados sem nível superior, que ganhavam aproximadamente 34,6% do salário daqueles com nível superior, em 2023, passaram a ganhar 35,3%, em 2024", pontua Caroline Santos, gerente de Análise e Disseminação do IBGE.
Três seções apresentam maioria de pessoal com nível superior: Educação (64,6%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (58,7%) e Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais (58,2%). Administração pública, defesa e seguridade social também teve destaque com uma elevada participação de pessoal assalariado com nível superior (45,8%).
Ainda em 2024, em termos de distribuição, 31,5% da mão de obra com nível superior estava na Administração Pública, defesa, e seguridade social, 19,9% na Educação, e 8,8% na Saúde humana e serviços sociais. Por outro lado, 21,8% da mão de obra sem nível superior estava alocada no Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas, seguido das Indústrias de transformação (17,6%) e das Atividades administrativas e serviços complementares (12,8%).
Entidades empresariais são maioria, enquanto administração pública paga maiores salários
Em 2024, 89,4% das empresas e outras organizações eram de entidades empresariais; 10%, de entidades sem fins lucrativos; e 0,6% de entidades da administração pública. No entanto, a administração pública absorveu 17,1% do pessoal ocupado total e 21,5% do pessoal ocupado assalariado, e pagou 30,3% dos salários e outras remunerações. Já as entidades sem fins lucrativos registraram as menores participações nas variáveis econômicas analisadas, com 6,6% do pessoal ocupado total; 7,0% do pessoal ocupado assalariado; e 6,5% dos salários e outras remunerações pagos no ano.
Os maiores salários médios foram pagos pela administração pública, tanto para homens (R$ 6.058,19) quanto para mulheres (R$ 4.967,51). As entidades empresariais pagaram R$ 3.838,67 e R$ 2.996,79, respectivamente, para homens e mulheres. Já as entidades sem fins lucrativos foram as que registraram menor distância salarial entre homens e mulheres, com R$ 3.768,81 e R$ 3.589,82, respectivamente.
Sudeste tem maior concentração de empresas e paga maiores salários
Em 2024, as 10,6 milhões de empresas e outras organizações ativas do país possuíam 11,9 milhões de unidades locais. A Região Sudeste é onde se concentrava a maior parte delas, com 6,1 milhões das unidades locais (51,4%). Em seguida, o Sul, com 2,3 milhões (19,6%); Nordeste, com -1,9 milhão (15,6%); Centro-Oeste, com 1,0 milhão (8,7%), e Norte, com 559,7 mil (4,7%).
O Sudeste também concentrou o maior quantitativo de pessoal ocupado total, 33,3 milhões (49,0%), e assalariado, 26,1 milhões (48,2%), e pagou a maior massa de salários e outras remunerações, R$ 1,5 trilhão (52,3%).
Já o Sul apresentou 17,8% do pessoal ocupado total (12,1 milhões), 17,2% do pessoal assalariado (9,3 milhões) e pagou 17,0% dos salários e outras remunerações (R$ 472,1 bilhões).
A Região Nordeste concentrou 18,0% do pessoal ocupado total (12,3 milhões), 18,9% dos assalariados (10,2 milhões) e 14,8% dos salários e outras remunerações (R$ 412,1 bilhões). Por fim, Centro-Oeste e Norte apresentaram as menores distribuições nas três variáveis: 9,3% e 5,9%, do pessoal total; 9,4% e 6,3%, do pessoal assalariado; e 10,3% e 5,6%, da massa salarial.
“Analisando a série histórica, que se inicia em 2022, a região Sudeste manteve-se com as maiores participações relativas, embora tenha havido uma redução em ambas as variáveis no período, de 0,2 ponto percentual no número de unidades locais, que passou de 51,6% para 51,4%, e de 0,6 ponto percentual no pessoal ocupado assalariado, que passou de 48,9% para 48,2% do total. No mesmo intervalo de tempo, a região Centro-Oeste aumentou suas participações em ambas as variáveis. Ganhos de 0,3 ponto percentual no número de unidades locais e 0,6 ponto percentual no pessoal ocupado assalariado. Contudo, à luz dos dados disponíveis, não é possível concluir que o movimento observado reflita uma alteração de natureza estrutural na distribuição da atividade econômica, podendo se tratar apenas de uma flutuação de curto prazo", explica Caroline.
Entre as unidades da federação, São Paulo teve a maior concentração de pessoal ocupado total (28,9%), pessoal assalariado (27,8%) e salários e outras remunerações (32,3%). Minas Gerais apresentou a segunda maior concentração de pessoal total e assalariado (10,2% em ambas as variáveis), porém a terceira maior concentração de massa salarial (9,0%). Já o Rio de Janeiro apresentou a terceira maior concentração de pessoal total e assalariado (8,1% e 8,3%, respectivamente) e a segunda maior concentração de massa salarial (9,2%). O maior salário médio mensal foi pago no Distrito Federal (4,1 salários mínimos), seguido por São Paulo (3,3) e Rio de Janeiro (3,1).
