IBGE divulga Relatório Metodológico das Pesquisas Estruturais em Empresas
21/05/2026 10h00 | Atualizado em 21/05/2026 10h00
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga, nesta quinta-feira (21), o primeiro relatório metodológico unificado das pesquisas estruturais em empresas, mais um importante instrumento para garantir transparência sobre o processo de produção de estatísticas econômicas pelo Instituto. Antes publicado de forma individualizada para cada uma das pesquisas, essa nova publicação do relatório metodológico reúne, de forma integrada, os fundamentos históricos, conceituais e operacionais que orientam a produção de informações sobre os setores de indústria, comércio, serviços e construção no País.
O conjunto de pesquisas — formado pela Pesquisa Anual de Comércio (PAC), Pesquisa Anual de Serviços (PAS), Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), Pesquisa Industrial Anual – Empresa (PIA-Empresa) e Pesquisa Industrial Anual – Produto (PIA-Produto) — constitui a base das estatísticas econômicas estruturais do IBGE. Essas informações são utilizadas por órgãos governamentais, empresas e instituições acadêmicas para análises setoriais, planejamento e acompanhamento da dinâmica econômica brasileira.
De acordo com o Instituto, o principal objetivo dessas pesquisas é fornecer dados sistematizados e comparáveis que sirvam de insumo para o Sistema de Contas Nacionais (SCN) e para a formulação de políticas públicas. Entre os indicadores produzidos estão estimativas de valor adicionado, pessoal ocupado, remunerações e formação bruta de capital fixo, calculadas em diferentes níveis de detalhamento da Classificação Nacional de Atividades Econômicas.
Além disso, as pesquisas estruturais desempenham papel central na atualização do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), registro estatístico que orienta a seleção de amostras e a organização das pesquisas econômicas do IBGE. O sistema também serve como base para a incorporação de investigações temáticas e estudos complementares sobre segmentos específicos da atividade produtiva.
A publicação destaca ainda a evolução histórica dessas estatísticas. Inicialmente baseadas em censos econômicos realizados a cada cinco anos, as pesquisas passaram por uma mudança estrutural a partir de 1996, com a implantação do Programa de Modernização das Estatísticas Econômicas do IBGE. O modelo atual, apoiado em levantamentos anuais por amostragem, permitiu maior agilidade na produção dos dados e redução de custos operacionais.
Nos anos recentes, o IBGE avançou na integração metodológica das pesquisas, consolidando uma arquitetura comum de produção estatística. Embora mantenham suas identidades setoriais, as pesquisas passaram a adotar conceitos, questionários e procedimentos harmonizados. Esse processo inclui o uso de desenho amostral padronizado, infraestrutura comum baseada no CEMPRE e gestão integrada das operações por meio do Sistema Integrado de Pesquisas em Empresas Anuais (SIPEA).
O relatório também aborda mudanças recentes nas fontes administrativas utilizadas pelo Instituto. A substituição da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) pelo eSocial, em 2022, provocou impactos temporários nas séries de dados, com redução no número de empresas captadas em algumas atividades. Para garantir a consistência das estimativas, o IBGE implementou ajustes de calibração em 2023. Já em 2024, a introdução de novos indicadores provenientes de registros da Receita Federal marcou uma quebra definitiva em parte das séries históricas.
Segundo o IBGE, o documento metodológico busca ampliar a transparência do processo estatístico e oferecer aos usuários uma visão completa das etapas envolvidas na produção das informações, desde a definição das unidades de investigação e construção das amostras até os processos de coleta, crítica, tratamento e disseminação dos resultados.
A publicação pode ser acessada no seguinte link: IBGE | Biblioteca
