IPCA-15 varia 0,02% em março

25/03/2020 09h00 | Última Atualização: 01/04/2020 10h56

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 0,02% em março, o menor resultado para o mês de março desde o início do Plano Real (1994), e ficou 0,20 ponto percentual (p.p.)abaixo da taxa de fevereiro (0,22%). Em 2019, a taxa para março havia sido de 0,54%. O índice acumula no ano alta de 0,95% e, nos últimos 12 meses, de 3,67%. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, quatro tiveram deflação em março. Já o IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado trimestralmente, ficou em 0,95%, abaixo da taxa de 1,18% registrada em março de 2019.

Período TAXA
Março de 2020 0,02%
Fevereiro de 2020 0,22%
Março de 2019 0,54%
Acumulado no ano 0,95%
Acumulado nos últimos 12 meses 3,67%

Transportes (-0,80%) foi o grupo responsável pela maior contribuição negativa no IPCA-15 de março, com -0,17 p.p. Além disso, o grupo Habitação (-0,28%) também registrou variação negativa, contribuindo com -0,04 p.p. No lado das altas, o grupo Saúde e cuidados pessoais apresentou a maior variação (0,84%) e o maior impacto positivo (0,11 p.p.) no índice do mês. Destacam-se, ainda, os grupos Alimentação e bebidas (0,35% e 0,07 p.p.) e Educação (0,61% e 0,04 p.p.). Os demais grupos ficaram entre o -0,22% de Vestuário e o 0,33% de Comunicação.

IPCA-15 e IPCA-E - Variação e impacto nos grupos
Grupo Variação Mensal (%) Impacto Variação Acumulada (%)
(p.p.)
Janeiro Fevereiro Março Março Trimestre 12 meses
Índice Geral 0,71 0,22 0,02 0,02 0,95 3,67
Alimentação e Bebidas 1,83 -0,10 0,35 0,07 2,08 4,32
Habitação -0,14 0,07 -0,28 -0,04 -0,35 3,53
Artigos de Residência -0,01 0,17 -0,05 0,00 0,11 -0,58
Vestuário 0,10 -0,83 -0,22 -0,01 -0,95 1,31
Transportes 0,92 0,20 -0,80 -0,17 0,32 2,97
Saúde e Cuidados Pessoais 0,35 -0,29 0,84 0,11 0,90 5,11
Despesas Pessoais 0,47 0,31 0,03 0,00 0,80 4,42
Educação 0,23 3,61 0,61 0,04 4,48 5,10
Comunicação 0,02 0,02 0,33 0,02 0,37 1,44
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

A queda no grupo dos Transportes (-0,80%) ocorreu principalmente por conta das passagens aéreas (-16,88%), que tiveram queda de preços pelo terceiro mês consecutivo (-6,45% em janeiro e -6,68% em fevereiro). Os combustíveis, que haviam apresentado alta de 0,49% em fevereiro, registraram variação de -1,19% no mês de março, com as quedas da gasolina (-1,18%), do etanol (-1,06%), do óleo diesel (-1,95%) e do gás veicular (-0,89%). A partir de 13 de março, passou a valer a redução anunciada pela Petrobras, nas refinarias, de 9,50% nos preços da gasolina e de 6,50% nos preços do diesel. 

Ainda em Transportes, destacam-se os reajustes nas passagens dos ônibus intermunicipais (1,26%) nas seguintes áreas: Rio de Janeiro (4,80%) – reajuste médio de 4,74%, a partir de 17 de fevereiro; Salvador (1,50%) – reajustes entre 0,60% e 1,20% no valor das tarifas de embarque, a partir de 7 de fevereiro; São Paulo (1,55%) – reajustes variando entre 4,85% e 6,47% nas passagens, vigentes desde 26 de janeiro.

A variação no subitem ônibus urbano (0,06%), por sua vez, decorre do reajuste de 5,00% no preço das passagens em Salvador (0,75%), com vigência a partir de 12 de março. Já o resultado do subitem trem (0,49%) é consequência do reajuste de 2,17% nas passagens no Rio de Janeiro (1,29%), válido desde 2 de fevereiro.

Em Habitação (-0,28%), a queda é explicada principalmente pelo item energia elétrica
(-1,30%). Em março, permanece em vigor a bandeira tarifária verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz. Houve reajuste nas tarifas de duas concessionárias de energia no Rio de Janeiro (-0,99%), a partir de 15 de março. As áreas apresentaram variações que foram desde a queda de 3,50% em Goiânia, onde houve redução de PIS/COFINS e da contribuição de iluminação pública, até a alta de 0,83% em Fortaleza.

A variação positiva do item gás encanado (0,06%) é consequência da alta de 5,26% em Curitiba, por conta do reajuste a partir de 3 de fevereiro, que não havia sido apropriado no IPCA-15 do mês anterior. No Rio de Janeiro (-0,74%) e em São Paulo (-0,40%), houve reduções tarifárias. No primeiro caso, a redução foi de -1,20%, válida a partir de 1º de fevereiro e, no segundo, o reajuste foi de -0,85%, com vigência a partir de 2 de março.

No lado das altas, a maior contribuição positiva (0,11 p.p.) veio do grupo Saúde e Cuidados pessoais (0,84%), refletindo altas nos itens de higiene pessoal (2,36% e 0,09 p.p.). Os perfumes e os produtos para pele subiram 5,10% e 4,37%, respectivamente. O item plano de saúde variou 0,60% e contribuiu com 0,02 p.p. no IPCA-15 de março.

O grupo Alimentação e Bebidas (0,35%) também apresentou alta em março, após queda de 0,10% no mês anterior. A alimentação no domicílio, que havia registrado queda em fevereiro (-0,32%), subiu 0,49% em março, influenciada pelas altas da cenoura (23,92%), do ovo de galinha (5,10%), do tomate (4,93%) e do leite longa vida (1,37%). Além disso, as carnes (-1,81%) apresentaram queda menos intensa em relação a fevereiro (-5,04%).

No que diz respeito à alimentação fora do domicílio (0,03%), observou-se desaceleração na comparação com o mês anterior (0,38%). Enquanto o lanche apresentou alta de 0,39%, a refeição apresentou queda de 0,08%, após alta de 0,66% no IPCA-15 de fevereiro.

Cinco das onze regiões pesquisadas apresentaram deflação em março. Conforme mostra a tabela a seguir, o menor índice foi registrado no município de Goiânia (-0,50%), influenciado pelas quedas da energia elétrica (-3,50%) e da gasolina (-3,11%). O maior índice foi registrado na região metropolitana de Fortaleza (0,44%), em função das altas de 2,33% dos itens de higiene pessoal e de 24,57% nos preços do tomate.

IPCA-15 e IPCA-E - Variação nas regiões
Região  Peso Regional (%)  Variação Mensal (%)  Variação Acumulada (%) 
Janeiro Fevereiro Março Trimestre 12 Meses
Fortaleza 3,88 0,86 0,48 0,44 1,79 4,78
Belo Horizonte 10,04 0,52 0,42 0,23 1,17 3,50
Porto Alegre 8,61 0,60 0,38 -0,20 0,78 3,73
Goiânia 4,96 0,52 0,29 -0,50 0,30 3,40
São Paulo 33,45 0,90 0,28 -0,03 1,15 4,12
Brasília 4,84 0,29 0,19 -0,02 0,46 3,28
Recife 4,71 0,78 0,13 0,32 1,24 3,34
Salvador 7,19 0,89 0,07 0,10 1,07 3,63
Belém 4,46 1,13 0,03 0,05 1,20 4,55
Curitiba 8,09 0,53 -0,03 0,13 0,63 3,76
Rio de Janeiro 9,77 0,47 -0,03 -0,03 0,42 2,41
Brasil 100,00 0,71 0,22 0,02 0,95 3,67
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 12 de fevereiro a 16 de março de 2020 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 15 de janeiro a 11 de fevereiro (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.