CEMPRE 2016: empresas e outras organizações perderam 2,1 milhões de ocupados entre 2015 e 2016

27/06/2018 10h00 | Atualizado em 27/06/2018 10h07

Em 2016, as 5,1 milhões de empresas e outras organizações ativas no país tinham 5,5 milhões de unidades locais e ocuparam 51,4 milhões de pessoas, das quais 44,5 milhões assalariadas, que receberam R$ 1,6 trilhão em salários e outras remunerações.

O pessoal ocupado nessas empresas e outras organizações caiu 4,0% (menos 2,1 milhões de pessoas) entre 2015 e 2016, a segunda queda seguida na série iniciada em 2007. Esse resultado foi puxado pelo recuo de 4,4% no pessoal assalariado (menos 2,0 milhões de pessoas), que também caiu pela segunda vez.

O número de sócios e proprietários, que já havia caído em 2014 e 2015, recuou 1,3% (-93 mil pessoas) em 2016. De 2015 para 2016, houve queda no total de salários e outras remunerações (-3,0%) e uma redução de 64,3 mil empresas e outras organizações (-1,3%). Entre as variáveis analisadas, a única alta foi no salário médio mensal, que subiu 0,7% em termos reais.

Sob a ótica da natureza jurídica, nas entidades empresariais, a atividade comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas concentrou 42,6% das empresas e outras organizações, 27,5% do pessoal assalariado e 20,4% dos salários e outras remunerações. Os serviços (exceto educação e saúde) concentraram 34,3% das entidades, 34,4% do pessoal assalariado e 36,1% dos salários e outras remunerações.

Houve quedas de unidades locais, pessoal assalariado e remunerações em todas as grandes regiões. O Sudeste concentrou 2,8 milhões (50,7%) das unidades locais do país, assim como 50,0% dos ocupados (25,7 milhões), 49,7% dos assalariados (22,1 milhões) e R$ 858,9 bilhões (53,3%) das remunerações.

Essas informações estão no Cadastro Central de Empresas (CEMPRE) do IBGE, que reúne dados de empresas e outras organizações (administração pública e entidades sem fins lucrativos) formalmente constituídas no país. O material de apoio do CEMPRE está disponível à direita desta página.

Número de empresas e outras organizações, pessoal ocupado total, salários e outras remunerações e salário médio mensal - Brasil - 2015/2016
Variáveis 2015 2016 Variação relativa (%)
Número de empresas e outras organizações 5.114.983 5.050.615 -1,3
Pessoal ocupado total 53.541.695 51.411.199 -4,0
Pessoal ocupado assalariado 46.557.150 44.519.619 -4,4
Sócios e proprietários 6.984.545 6.891.580 -1,3
Salários e outras remunerações (Mil Reais) 1.661.786.719 1.612.606.911 -3,0
Salário médio mensal (R$) 2.643,56 2.661,18 0,7
Salário médio mensal (Salários mínimos) 3,1 3,0 -
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Metodologia das Estatísticas de Empresas, Cadastros e Classificações, Cadastro Central de Empresas 2015-2016.

Salário médio mensal sobe 0,7% em 2016, e acumula alta de 7,6% em seis anos

Entre 2015 e 2016, o salário médio mensal subiu 0,7%, em termos reais, passando de
R$ 2.643,56 para R$ 2.661,18. Considerando o período 2010-2016, o salário médio mensal acumula aumento de 7,6%. Já o total de salários e outras remunerações, que caiu 3,0% em 2016, acumula alta de 18,4% entre 2010-2016.

A queda de 1,3% no número de empresas e outras organizações em 2016 contribuiu para o resultado negativo (-1,5%) da taxa acumulada entre 2010-2016. Já o pessoal ocupado total, o pessoal ocupado assalariado e o número de sócios e proprietários aumentaram, respectivamente, 3,4%, 3,5% e 2,4% desde 2010, apesar das quedas de 2016 (-4,0%, -4,4% e -1,3%, respectivamente).

Taxa de crescimento relativo e acumulado das empresas e outras organizações, do pessoal ocupado total, dos salários e outras remunerações e do salário médio mensal - Brasil - 2010 - 2016
Variáveis Taxa de crescimento
Relativo Acumulado 2010/2016
2010/2011 2011/2012 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016
Número de empresas e outras organizações 0,0 1,3 3,8 -5,4 0,2 -1,3 -1,5
Pessoal ocupado total 4,9 2,3 3,3 0,2 -3,1 -4,0 3,4
Pessoal ocupado assalariado 5,1 2,3 3,6 0,8 -3,6 -4,4 3,5
Sócios e proprietários 3,8 2,2 1,9 -3,9 -0,1 -1,3 2,4
Salários e outras remunerações 8,0 7,1 6,1 4,5 -4,8 -3,0 18,4
Salário médio mensal 2,4 2,1 3,7 1,8 -3,2 0,7 7,6
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Metodologia das Estatísticas de Empresas, Cadastros e Classificações, Cadastro Central de Empresas 2010-2016.

Entidades empresariais pagam os salários médios mais baixos

Na análise por natureza jurídica em 2016, a proporção de entidades empresariais atingiu 90,1%, e concentrou 75,1% do pessoal ocupado total e 71,9% do pessoal ocupado assalariado. Essas entidades pagaram 62,1% dos salários e outras remunerações, porém eram os salários médios mensais mais baixos (R$ 2.327,57). Os órgãos da administração pública, por sua vez, pagaram os salários médios mensais mais elevados (R$ 3.779,43), seguidos das entidades sem fins lucrativos (R$ 2.535,75).

Os órgãos da administração pública detinham 18,1% do pessoal ocupado total, 20,9% do pessoal assalariado e 31,2% dos salários e outras remunerações. Já as entidades sem fins lucrativos tinham participação de 9,5% no total de empresas e outras organizações, 6,8% do pessoal ocupado, 7,2% do pessoal assalariado e 6,7% nos salários e outras remunerações.

Atividades econômicas são mais diversificadas entre as entidades empresariais

Pela primeira vez, o CEMPRE traz uma análise que faz a relação da atividade econômica com cada natureza jurídica. Entre os órgãos da administração pública, a atividade econômica de administração pública, defesa e seguridade social apresentou as maiores participações em todas as variáveis analisadas, com 87,5% das empresas e outras organizações, 80,7% do pessoal ocupado assalariado e 77,5% dos salários e outras remunerações. As seções educação e saúde também se mostraram importantes.

Nas entidades empresariais, a atividade comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas concentrou 42,6% das empresas e outras organizações, 27,5% do pessoal assalariado e 20,4% dos salários e outras remunerações. Os serviços (exceto educação e saúde) concentraram 34,3% das entidades, 34,4% do pessoal assalariado e 36,1% dos salários e outras remunerações. Já as atividades industriais responderam por 9,5% das entidades, 24,7% do pessoal assalariado e 31,2% dos salários e outras remunerações.

Nas entidades sem fins lucrativos, destaque para os serviços, que incluem educação e saúde. Eles responderam por 82,1% das empresas e outras organizações, 43,7% do pessoal assalariado e 37,9% dos salários e outras remunerações. No segmento educação estavam 14,7% das empresas e outras organizações, que absorveram 22,8% do pessoal ocupado assalariado e pagaram 28,0% dos salários e outras remunerações. Na saúde, apesar de representar somente 2,7% das empresas e outras organizações, absorveu 32,8% do pessoal assalariado e 33,2% dos salários e outras remunerações.

Distribuição percentual do número de empresas e outras organizações, pessoal ocupado assalariado em 31.12 e salários e outras remunerações, segundo natureza jurídica e os segmentos econômicos - Brasil - 2016
Segmentos econômicos Seções agregadas da CNAE 2.0 Administração pública Entidades empresariais
Número de empresas e outras organizações Pessoal ocupado assalariado Salários e outras organizações Número de empresas e outras organizações Pessoal ocupado assalariado Salários e outras organizações
Agricultura, Pecuária A 0,0 0,0 0,0 2,2 1,3 1,1
Indústria B, C, D, E 2,6 0,5 0,4 9,5 24,7 31,2
Construção F 0,1 0,1 0,1 5,3 6,2 6,1
Comércio G 0,0 0,0 0,0 42,6 27,5 20,4
Serviços H a N, R, S 4,0 0,6 0,9 34,3 34,4 36,1
Administração Pública O 87,5 80,7 77,5 0,0 0,1 0,2
Educação P 2,9 13,8 16,6 2,2 3,1 2,5
Saúde Q 2,9 4,4 4,4 3,9 2,8 2,4
Organismos internacionais U 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Segmentos econômicos Seções agregadas da CNAE 2.0 Entidades sem fins lucrativos   
Número de empresas e outras organizações Pessoal ocupado assalariado Salários e outras organizações   
Agricultura, Pecuária A 0,2 0,0 0,0
Indústria B, C, D, E 0,1 0,1 0,2
Construção F 0,0 0,1 0,1
Comércio G 0,1 0,0 0,0
Serviços H a N, R, S 82,1 43,7 37,9
Administração Pública O 0,0 0,3 0,4
Educação P 14,7 22,8 28,0
Saúde Q 2,7 32,8 33,2
Organismos internacionais U 0,1 0,1 0,2
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Metodologia das Estatísticas de Empresas, Cadastros e Classificações, Cadastro Central de Empresas 2016.

Indústrias de transformação e construção tiveram as maiores reduções em pessoal ocupado

De 2010 a 2016, 1,5 milhão de novos vínculos empregatícios assalariados foram gerados nas empresas e outras organizações formais. Entre 2014 e 2016, houve redução de cerca de 3,7 milhões de assalariados, sendo 1,7 milhão em 2015, e 2,0 milhões em 2016, com maior contribuição negativa das atividades de indústria de transformação (27,7%), construção (25,9%), atividades administrativas (9,8%) e administração pública, defesa e seguridade social (8,4%). 

Desde 2010, comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas é a atividade que concentra a maior parte do pessoal ocupado assalariado, registrando, em 2016, 8,8 milhões de pessoas (19,8%). Esta seção também se destacou com 38,4% das empresas e outras organizações e com 22,3% do pessoal ocupado total. Porém, em salários e outras remunerações, o comércio ficou na terceira colocação, com 12,7%. A seção com maior participação em salários e outras remunerações foi administração pública, defesa e seguridade social com 24,4%.

Atividades com os menores salários médios empregam 33,9% dos assalariados

Em 2016, o salário médio mensal do total das atividades econômicas era R$ 2.661,18. Os menores salários médios foram pagos por alojamento e alimentação (R$ 1.363,30), atividades administrativas e serviços complementares (R$ 1.652,44) e comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas (R$ 1.753,80). As atividades com salários médios mensais menores absorveram, juntas, 33,3% do pessoal ocupado assalariado.

Os maiores salários médios mensais foram pagos por eletricidade e gás (R$ 7.263,19), seguida por atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (R$ 5.916,33) e organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais (R$ 5.033,15). Apesar de pagarem salários médios mensais mais elevados, essas atividades absorveram juntas somente 2,5% do pessoal ocupado assalariado.

Unidades locais, pessoal assalariado e remunerações caem em todas as regiões

Na comparação com 2015, houve redução no número de unidades locais, no pessoal ocupado total e assalariado e no total de salários e outras remunerações em todas as regiões geográficas. A redução no número de unidades locais foi mais significativa no Sudeste (1,8%) e no Norte (1,1%). No pessoal ocupado assalariado, as maiores reduções foram observadas no Norte (6,0%) e no Nordeste (5,5%), seguidos por Sudeste (4,6%), Sul (3,2%) e Centro-Oeste (2,1%). Já as quedas mais intensas nos salários e outras remunerações ocorreram no Norte (5,3%) e no Sudeste (4,1%). 

Em 2016, o Sudeste concentrou 2,8 milhões (50,7%) das unidades locais do país, e 50,0% das pessoas ocupadas (25,7 milhões), 49,7% das pessoas assalariadas (22,1 milhões) e R$ 858,9 bilhões (53,3%) dos salários e outras remunerações. O Sul foi o segundo colocado em participação no número de unidades locais (22,2%), pessoal ocupado (18,2%) e salários e outras remunerações (16,6%), mas ficou na terceira posição em assalariados (17,5%).

A segunda colocação em pessoal ocupado assalariado foi o Nordeste (18,5%), que ficou na terceira colocação em número de unidades locais (15,5%), em pessoal ocupado total (18,0%) e em salários e outras remunerações (14,7%). O Centro-Oeste ficou na quarta colocação em todas as variáveis, e o Norte, na quinta colocação.

Diferença salarial entre homens e mulheres recua para 22,2%

Em 2016, no âmbito empresarial, 55,6% do pessoal ocupado assalariado eram homens e 44,4%, mulheres. Em relação a 2015, houve um recuo maior no número de homens (-5,0%) do que no de mulheres (-3,6%), fazendo com que a proporção de homens decrescesse 0,4 p.p., enquanto houve aumento, nesta mesma proporção, na participação das mulheres. Em relação a 2010, a participação feminina cresceu 2,3 p.p.

Em termos salariais, em 2016, os homens receberam, em média, R$ 2.895,56 e as mulheres, R$ 2.368,98, de modo que as mulheres receberam, em média, o equivalente a 81,8% dos salários e outras remunerações dos homens. Assim, o salário dos homens era 22,2% maior que o das mulheres, uma diferença que já foi de 25,3% em 2012, de 25,8% em 2013, de 25,0% em 2014 e de 23,6% em 2015.

A administração pública e as entidades sem fins lucrativos apresentaram maior participação feminina no pessoal ocupado assalariado. Em contrapartida, nas entidades empresariais, predominava o pessoal ocupado assalariado masculino em todo o período considerado.

Pessoal assalariado com nível superior cresce 1,6% e mantém trajetória ascendente

Por escolaridade, o pessoal ocupado assalariado com nível superior cresceu 1,6% entre 2015 e 2016, enquanto o pessoal sem nível superior recuou 5,9%. Consequentemente, a participação relativa do pessoal ocupado assalariado com nível superior passou de 20,4% para 21,7%, enquanto o pessoal sem nível superior recuo de 79,6% para 78,3%. Em relação a 2010, o aumento foi de 5,1 p.p.

Houve aumento do pessoal com nível superior em 14 das 20 seções, com destaque para indústrias de transformação (14,0%), eletricidade e gás (11,4%), atividades administrativas e serviços complementares (10,9%), organismos internacionais e instituições extraterritoriais (7,2%) e atividades imobiliárias (6,4%).

O pessoal assalariado com nível superior (R$ 5.507,82) recebeu quase o triplo do pessoal sem nível superior (R$ 1.866,89), o equivalente a 195,0% a mais.

A administração pública e as entidades empresariais apresentaram a maior proporção de assalariados com nível superior, 44,7% e 45,6%, respectivamente. Já o pessoal sem nível superior predominou nas entidades empresariais, com participação de 79,3%, enquanto eram 14,3% na administração pública e 6,5% nas entidades sem fins lucrativos.