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IBGE e institutos do Mercosul negociam com Eurostat acordo inédito de estatísticas
26/06/2026 19h29 | Atualizado em 26/06/2026 19h37
Motivados pelo Acordo de Associação Mercosul–União Europeia, os presidentes dos Institutos Nacionais de Estatística (INEs) do Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina reuniram-se em Genebra para tratar, com o Serviço Europeu de Estatística (Eurostat), de um inédito e estratégico acordo de cooperação técnica voltado à harmonização e à padronização de indicadores econômicos entre os dois blocos de países.
O encontro ocorreu na cidade de Genebra e teve como foco a construção de um programa de trabalho conjunto que inclui contas nacionais, índices de preços ao consumidor, estatísticas de comércio exterior e novos indicadores de finanças verdes.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, destacou que a iniciativa representa um passo decisivo para a construção de uma infraestrutura estatística global mais integrada, capaz de sustentar políticas públicas em um ambiente econômico cada vez mais interdependente. “Estamos diante de uma mudança de paradigma, pois não se trata apenas de comparar estatísticas entre países, mas de construir uma linguagem comum para a economia contemporânea”, afirmou Pochmann.
Segundo ele, a harmonização de indicadores entre Mercosul e União Europeia deve ir além da padronização técnica e alcançar uma nova arquitetura de decisão baseada em dados comparáveis e interoperáveis, reduzindo possíveis distorções entre países e melhorando a comparabilidade internacional.

A reunião também avançou na discussão de instrumentos institucionais para viabilizar a cooperação, incluindo uma oficina rotativa entre países dos dois blocos, além da elaboração de um projeto conjunto com possível apoio financeiro da União Europeia.
Entre as propostas está, ainda, a criação de um visualizador estatístico integrado Mercosul–União Europeia, que permitiria a consulta comparada de indicadores harmonizados, fortalecendo a transparência e a coordenação de políticas econômicas.
A experiência da Eurostat foi apresentada como referência central para a construção de padrões metodológicos comuns, especialmente no campo das contas nacionais e dos índices de preços.
O encontro em Genebra reforça a tendência de consolidação de uma governança estatística internacional mais integrada, na qual a produção de dados deixa de ser apenas nacional e passa a compor uma infraestrutura global de decisão econômica compartilhada entre regiões.
“A qualidade da decisão pública no século XXI depende diretamente da capacidade de produzir estatísticas coerentes entre si, especialmente em áreas como inflação, contas nacionais e sustentabilidade”, disse Pochmann.
