Censo da População em Situação de Rua
IBGE lança primeira prova piloto do Censo Nacional da População em Situação de Rua em MG
26/06/2026 15h02 | Atualizado em 26/06/2026 15h13
Matéria em atualização.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou, nesta sexta-feira (26), em Belo Horizonte (MG), o evento de lançamento da primeira prova piloto do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua. A iniciativa marca o início de uma etapa inédita, que será realizada no segundo semestre em cinco municípios de cada região do país.
Considerado um marco histórico, o levantamento será a primeira operação estatística nacional dedicada exclusivamente à população em situação de rua, permitindo a produção de dados abrangentes, comparáveis e padronizados em todo o território brasileiro.
A prova piloto permitirá testar instrumentos de coleta, a composição das equipes técnicas — que contarão, de forma inédita, com facilitadores — e a lógica de percurso nos territórios selecionados. Os resultados dessa fase serão fundamentais para o aprimoramento metodológico da pesquisa.
Durante a cerimônia, a superintendente da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Rubia Lenza, destacou o caráter inovador da operação. “Hoje damos início a uma etapa importante que vai marcar as estatísticas do nosso país, com essa iniciativa inédita conduzida pelo IBGE, permitindo um retrato abrangente, comparado e padronizado dessa população no cenário nacional. Por isso, esse Censo representa um novo patamar, construído com metodologia única”, afirmou.
Para o representante do CIAMP-Rua Nacional, Samuel Rodrigues, o levantamento representa um avanço na inclusão dessa população nas estatísticas oficiais. “Ver um evento como esse, em que se discute a inclusão da população em situação de rua nas estatísticas nacionais, é motivo de alegria. É a partir desses números que poderemos transformar realidades em políticas públicas. Se não soubermos quem é essa parcela da população, será impossível pensar em ações”, ressaltou.
Já o secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Belo Horizonte, André Reis, enfatizou o caráter formativo da prova piloto. “Este será um período de aprendizado, fundamental para aprimorar a metodologia e orientar os próximos passos. Com esses dados, poderemos repensar estratégias e avançar na construção de políticas que garantam mais dignidade a essa população”, disse.
O representante do Fórum Municipal de Trabalhadoras e Trabalhadores do SUAS de Belo Horizonte (FMTSUAS-BH), Fabiano Siqueira, destacou a recepção positiva da iniciativa por parte da sociedade civil. “A sociedade civil recebeu com alegria essa notícia. O fenômeno da situação de rua é complexo e, a todo momento, precisamos melhorar as políticas públicas, tanto qualitativa quanto quantitativamente, e os dados são necessários para isso. A gente precisa receber de braços abertos esse projeto para combater essas vulnerabilidades”, afirmou.
Já o representante da Frente Popular em Defesa das Pessoas em Situação de Rua de Minas Gerais, Daniel Cruz, enfatizou a importância de um levantamento que reflita a realidade dessa população e garanta sua participação no processo. “Não adianta ter palpites que mostram o básico, mas não retratam a realidade. Esse censo também traz a participação da população em situação de rua na produção dos dados. Trabalhando assim, existe inclusão de verdade”, disse.
O diretor de Pesquisas do IBGE, Gustavo Junger, ressaltou a responsabilidade institucional diante da demanda social. “O IBGE completou 90 anos de serviços ao país e exerce uma liderança internacional, o que traz uma responsabilidade grande. Diante de demandas sociais legítimas como essa, o Instituto precisa responder com um processo técnico consistente, orçado e apresentado para discussão de viabilidade. Conseguimos entregar isso ao governo. É um momento histórico, uma resposta a essa demanda, e tenho certeza de que o projeto será relevante para o país e referência internacional”, concluiu.
