IBGE
Genebra atualiza modelo de gestão estatística e reforça agenda de modernização seguida pelo IBGE
25/06/2026 15h04 | Atualizado em 25/06/2026 15h09
A 74ª Sessão Plenária da Conferência de Estatísticos Europeus (Conference of European Statisticians – CES), realizada entre os dias 24 e 26 de junho, em Genebra, aprovou a atualização do Modelo Genérico de Atividades das Organizações Estatísticas (GAMSO) – Versão 2.0, documento de referência internacional que orienta a organização e a gestão dos institutos nacionais de estatística em todo o mundo. Estranhamente, somente a representação dos Estados Unidos discordou da aprovação do GAMSO.
A nova versão do modelo representa uma das mais importantes revisões institucionais das últimas décadas, ao incorporar temas que passaram a definir a produção estatística no século XXI, como inteligência artificial, governança e custódia de dados, ecossistemas digitais, comunicação estratégica, segurança da informação e integração de múltiplas fontes de dados.
As mudanças aprovadas refletem o reconhecimento de que as instituições estatísticas estão diante de uma transformação estrutural provocada pela digitalização das sociedades, pela explosão dos dados produzidos por plataformas digitais e pela crescente necessidade de integrar censos, pesquisas, registros administrativos, informações geoespaciais e novas fontes de informação.
Entre as principais inovações do GAMSO 2.0 estão a incorporação de uma estratégia institucional para a inteligência artificial e de mecanismos de gestão de dados voltados ao uso de IA; a introdução dos conceitos de data stewardship e de ecossistemas de dados, atribuindo aos institutos nacionais de estatística um papel central na coordenação e governança das informações públicas; o fortalecimento da comunicação estratégica, reconhecendo que, em um ambiente marcado pela desinformação e pela disputa de narrativas, a credibilidade estatística tornou-se um ativo institucional decisivo; e a inclusão da gestão de classificações estatísticas, da otimização da aquisição de dados e do aperfeiçoamento das práticas de segurança da informação, gestão de mudanças e gestão de riscos.
A aprovação do GAMSO 2.0 sinaliza que a produção estatística mundial ingressa em uma nova etapa histórica, com a transição de um modelo baseado predominantemente em levantamentos tradicionais para um sistema orientado pela governança de dados, pela inteligência artificial e pela soberania informacional.
Em convergência com a agenda de modernização do IBGE, as diretrizes aprovadas em Genebra estão em plena sintonia com o processo de recuperação institucional e modernização do Instituto iniciado em 2023.
Nos últimos anos, o Instituto vem promovendo uma ampla agenda de transformação, voltada à integração de registros administrativos, à modernização tecnológica, à incorporação de inteligência artificial, ao fortalecimento da governança de dados e à construção de uma infraestrutura nacional de informações estatísticas e geográficas adequada aos desafios da sociedade digital. Essa convergência internacional ganha expressão concreta no Plano Geral de Informações Estatísticas e Geográficas (PGIEG) 2026–2032, que atualiza o modelo de organização das estatísticas e das geociências brasileiras.
O novo Plano propõe uma arquitetura institucional baseada na integração de múltiplas bases de dados, na produção de estatísticas experimentais, na ampliação do uso de geotecnologias, na articulação entre estatística e geografia e no fortalecimento da soberania nacional sobre os dados estratégicos.
Ao longo de seus 90 anos de existência, o IBGE construiu uma trajetória singular ao unir geografia e estatística para compreender as transformações do território, da população e da economia brasileira. Agora, diante da revolução digital e da generalização da inteligência artificial, essa missão ganha uma nova dimensão: coordenar sistemas de informação capazes de transformar dados em conhecimento estratégico para o desenvolvimento do país. A atualização do GAMSO pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) reforça, portanto, a pertinência da agenda brasileira de modernização institucional. Mais do que uma atualização técnica, o novo modelo internacional reconhece que os institutos nacionais de estatística deixaram de ser apenas produtores de pesquisas e censos para se tornarem instituições centrais da governança pública de dados.
Nesse contexto, a experiência recente do IBGE coloca o Brasil em sintonia com as principais transformações do sistema estatístico internacional, demonstrando que a produção de estatísticas e geociências de qualidade, integrada às novas tecnologias e orientada pela soberania dos dados, constitui um elemento estratégico para o planejamento do desenvolvimento, a formulação de políticas públicas e o fortalecimento da democracia.
