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Relações internacionais

Rastreando o plástico: IBGE participa de esforço global por melhores dados ambientais

Editoria: IBGE | Jana Peters

12/06/2026 13h59 | Atualizado em 12/06/2026 14h37

Evento da ONU debate dados de plásticos e sustentabilidade. Foto: Divulgação
                    

A produção de estatísticas ambientais consistentes e comparáveis ganhou destaque no cenário internacional durante o workshop Desbloqueando os Dados sobre Plásticos ao longo do Ciclo de Vida por meio do Global Plastics Hub, realizado entre os dias 27 e 28 de maio de 2026, em Oslo, na Noruega. Representando o IBGE, André Assumpção, Chefe do Setor de Estatísticas e Indicadores Ambientais da Gerência de Contas e Estatísticas Ambientais da Coordenação de Meio Ambiente, participou do encontro promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que reuniu especialistas de diversos países para discutir avanços e desafios na mensuração dos fluxos de plástico no mundo.

O evento se insere em um contexto de crescente preocupação global com a poluição plástica e a necessidade de subsidiar políticas públicas com dados confiáveis. Nesse sentido, o IBGE reforça sua atuação estratégica ao integrar iniciativas internacionais voltadas ao fortalecimento das estatísticas ambientais, especialmente em temas diretamente relacionados à sustentabilidade.

Segundo André, o workshop foi fundamental para alinhar práticas e identificar desafios comuns entre os países: “O evento permitiu o intercâmbio de metodologias e a identificação de lacunas de dados e de indicadores comuns aos países representados”.

A programação foi estruturada em três eixos centrais (comércio global, gerenciamento de resíduos e presença de plástico no meio ambiente), refletindo a complexidade do tema ao longo de todo o ciclo de vida do material. As discussões evidenciaram a necessidade de integração de sistemas estatísticos e de desenvolvimento de indicadores comparáveis internacionalmente.

Um dos pontos altos do encontro foi a apresentação da publicação “Statistical Guideline for Measuring Flows of Plastic throughout the Life Cycle”, que propõe diretrizes para padronizar a produção de estatísticas sobre plásticos. O documento busca suprir a ausência de uma metodologia globalmente acordada, oferecendo definições, conceitos e orientações para mensurar produção, comércio, consumo e resíduos.

Para o Brasil, o diagnóstico apresentado durante o evento aponta avanços importantes, mas também lacunas a serem superadas. No campo do comércio internacional, por exemplo, André destacou a robustez das bases existentes:

“Temos um banco de dados consolidado da Secretaria de Comércio Exterior, no qual é possível discriminar os produtos plásticos a partir de códigos comuns internacionalmente e verificar o quanto exportamos e importamos.”

Esse conjunto de informações, combinado com dados da produção industrial, já permite estimativas relevantes sobre a entrada de plásticos no ciclo econômico nacional. No entanto, desafios persistem, sobretudo na área de resíduos sólidos.

“Os dados sobre o gerenciamento de resíduos no país têm o importante Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SINISA), do Ministério das Cidades, que já disponibiliza uma extensa série histórica sobre o lixo coletado. Falta, porém, informação sobre o lixo gerado”, explicou André.

A ausência desse dado limita análises mais precisas sobre a efetiva geração de resíduos plásticos e sua destinação. Embora existam estimativas sobre a proporção de plástico no lixo coletado, ainda é necessário avançar na mensuração desse percentual no total de resíduos gerados.

Outro ponto crítico refere-se à presença de plásticos no meio ambiente, tema que ainda carece de sistematização no Brasil.

“Há uma grande lacuna quando se trata de sistematizar informações a respeito do lixo plástico no meio ambiente, algo que pode, enquanto não temos um sistema mais completo, ser estimado a partir de modelos globais e pesquisas científicas”, ressaltou.

Foto: André Assumpção
Foto: André Assumpção
Foto: André Assumpção
Foto: André Assumpção
Foto: André Assumpção
Foto: André Assumpção
Foto: André Assumpção
Foto: André Assumpção

Parcerias e integração fortalecem agenda de dados ambientais

A participação do IBGE no workshop reforça seu compromisso com a produção de estatísticas ambientais alinhadas a padrões internacionais e com o apoio a políticas públicas voltadas à sustentabilidade. O evento também contribuiu para o fortalecimento de parcerias institucionais, fundamentais para o avanço dessa agenda.

“A participação no evento foi muito importante tendo em vista a necessidade de fortalecimento das parcerias para aprimoramento do sistema de estatísticas ambientais e a necessidade de abordarmos um assunto relevante para o país”, destacou André, ressaltando ainda o contexto das negociações internacionais em torno de um tratado global sobre poluição plástica.

A presença de representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima no evento abriu caminhos para uma articulação mais estreita entre órgãos nacionais na construção de uma base integrada de dados sobre plásticos. Essa cooperação é essencial para viabilizar a inserção do Brasil em iniciativas globais, como o Global Plastics Hub, plataforma voltada à centralização e validação de informações sobre o tema.

“É interessante manter o contato com a UNEP (United Nations Environment Programme) para verificação dos dados correspondentes ao Brasil na plataforma do Global Plastics Hub, havendo necessidade ainda da anuência dos parceiros produtores das informações e de articulação interna ao IBGE”, diz André, apontando um possível caminho futuro.

Ao participar ativamente de fóruns internacionais como esse, o IBGE reafirma seu papel como produtor e integrador de dados estratégicos para o desenvolvimento sustentável, contribuindo para que o Brasil avance na compreensão e no enfrentamento de um dos principais desafios ambientais da atualidade.