PNAD Contínua

Centro-Oeste e Sudeste puxam queda da taxa de desocupação do país no 2º tri

Editoria: Estatísticas Sociais | Umberlândia Cabral

31/08/2021 09h00 | Atualizado em 31/08/2021 13h33

  • Resumo

  • A taxa de desocupação do Sudeste passou de 15,2%, no primeiro trimestre, para 14,5%. Já no Centro-Oeste, foi de 12,5% para 11,6%. Ambas as regiões impactaram na queda da taxa de desocupação do país, que foi de 14,1%.
  • Em São Paulo, a taxa desocupação ficou em 14,4%, enquanto, no Rio de Janeiro, caiu para 18,0%.
  • Em Pernambuco, a taxa de desocupação chegou a 21,6%, recorde na série histórica do estado.
  • A taxa de informalidade do Norte (56,4%) e do Nordeste (53,9%) ficou acima da média nacional, que foi de 40,6%.
  • As 15 maiores taxas de subutilização foram de estados do Norte ou do Nordeste. O Piauí registrou a maior (46,6%).
Ocupação na atividade de informação e comunicação cresceu 5,4% no Sudeste - Foto: Dênio Simões/Agência-Brasília

A taxa de desocupação recuou para 14,1%, no segundo trimestre deste ano, impactada, principalmente, pela redução do desemprego no Sudeste e no Centro-Oeste. As demais grandes regiões ficaram estáveis no período. No Sudeste, a taxa de desocupação passou de 15,2%, no primeiro trimestre, para 14,5%, enquanto no Centro-Oeste, o indicador caiu de 12,5% para 11,6%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada hoje (31) pelo IBGE.

“No Centro-Oeste, a queda da taxa de desocupação se deve à retração de 6,7% no número de pessoas procurando trabalho na região. Já no Sudeste essa queda foi principalmente impulsionada pelo aumento expressivo da população ocupada, ou seja, há um quantitativo maior de pessoas trabalhando do que havia no trimestre anterior”, explica a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

 

Em São Paulo, a população ocupada aumentou em cerca de 478 mil pessoas. Com isso, o nível de ocupação do estado chegou a 52,7%, o maior desde o início da pandemia, que foi registrado no primeiro trimestre do ano passado (58,0%). No Rio de Janeiro, a taxa de desocupação caiu 1,5 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e chegou a 18,0%. A população ocupada do estado cresceu 7,2% nesse período.

Por outro lado, dos dez estados com maior taxa de desocupação no país, nove são do Norte ou do Nordeste. Em Pernambuco, o indicador cresceu 6,5 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, chegando a 21,6%, recorde na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, e a maior taxa entre as unidades da Federação. Já frente ao primeiro trimestre deste ano, a taxa de desocupação e o número de ocupados e desocupados ficaram estáveis.

Dos 3,2 milhões de pessoas ocupadas no estado, 33,9% trabalham por conta própria. Além disso, a taxa de informalidade chegou a 51,4% no segundo semestre e quase metade da população do estado em idade de trabalhar (47,6%) está fora da força de trabalho. São 3,7 milhões de pessoas acima de 14 anos que não estão ocupadas nem procurando emprego.

A taxa de informalidade do Norte (56,4%) e do Nordeste (53,9%) também ficou acima da média nacional, que foi de 40,6%. Beringuy explica que o mercado de trabalho das duas regiões é marcado pelo grande percentual de trabalhadores informais, que são a soma dos trabalhadores sem carteira (incluídos os trabalhadores domésticos), trabalhadores por conta própria, empregadores sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

“Os estados das regiões Norte e Nordeste têm, historicamente, as maiores taxas de desocupação, de informalidade e de subutilização da força de trabalho. Ainda que eventualmente haja quedas nessas taxas, ou seja, uma melhoria nos números, eles partem de estimativas muito altas, fazendo com que essas regiões permaneçam com indicadores de mercado de trabalho mais desfavoráveis”, diz.

A população ocupada do país chegou a 87,8 milhões de pessoas no segundo trimestre e era composta por 65,1% de empregados, 4,3% de empregadores, 28,3% de pessoas que trabalharam por conta própria e 2,3% de trabalhadores familiares auxiliares. No Norte (34,3%) e no Nordeste (32,2%), o percentual de trabalhadores por conta própria foi superior ao das demais regiões. As duas regiões também tinham percentual menor de empregados do setor privado com carteira assinada em relação à média nacional (75,1%). No Norte, foi de 60,1% e no Nordeste, 58,4%.

“Todas as grandes regiões tiveram uma tendência de crescimento da informalidade no segundo trimestre. Quando observamos por grupamento de atividade, há expansão na ocupação na construção, por exemplo, em que há participação grande de trabalhadores informais, assim como nos serviços domésticos, em que a maior parte dos trabalhadores não tem carteira assinada”, destaca Beringuy.

No Norte, a maior expansão da ocupação, em termos percentuais, ocorreu na atividade de Outros Serviços (12,2%), que engloba, entre outros, as atividades de profissionais como cabeleireiros e esteticistas. Já no Nordeste, os maiores crescimentos em ocupação vieram de Alojamento e alimentação (16,3%) e Agricultura (6,2%). No Sudeste, houve expansão de 5,4% na atividade de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas.

Piauí tem maior taxa de subutilização entre as unidades da Federação

A taxa composta de subutilização da força de trabalho, que reúne os desocupados, os subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial, foi de 28,6% no segundo trimestre, o que representa 32,2 milhões de pessoas. No Norte, a taxa foi de 32,4% e no Nordeste, 41,7%. As demais ficaram abaixo da média nacional: no Sudeste foi 25,6%, no Centro-Oeste, 20,9%, e no Sul, 16,4%.

Entre as unidades da Federação, a maior taxa de subutilização foi do Piauí, que chegou a 46,6%, seguido de Maranhão (46,3%) e Sergipe (44,1%). As 15 maiores taxas nesse indicador foram de estados do Norte ou do Nordeste. Já as menores foram verificadas no Rio Grande do Sul (17,7%), Mato Grosso (15,0%) e Santa Catarina (10,6%).

 

Santa Catarina também é o estado com menor taxa de informalidade (26,9%), menor taxa de desocupação (5,8%) e maior percentual de trabalhadores com carteira no setor privado (90%).

Nível de ocupação aumenta entre pretos e pardos

O nível da ocupação apresentou expansão principalmente entre as pessoas de cor preta, cuja estimativa passou de 49,4% para 51,5% (2,1 pontos percentuais). Entre as pessoas de cor brancas (50,9%) e de cor parda (47,7%), o crescimento foi de 1,1 e 1,0 ponto percentual, respectivamente.

Já a taxa de desocupação entre as pessoas brancas (11,7%) ficou abaixo da média nacional, enquanto entre os pretos (16,6%) e pardos (16,1%) ficou acima.

 

Mais sobre a pesquisa

A PNAD Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho no país. A amostra da pesquisa por trimestre corresponde a 211 mil domicílios pesquisados. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na pesquisa, em 26 estados e no Distrito Federal, integrados à rede de coleta de mais de 500 agências do IBGE. As tabelas com os resultados completos estão disponíveis no Sidra.

Desde março do ano passado, a coleta de informações da pesquisa estava sendo realizada somente por telefone em função da pandemia. A partir de 5 julho deste ano, porém, a coleta deixou de ocorrer exclusivamente de forma remota, passando também a ser realizada presencialmente, conforme a portaria nº 207/2021 da Presidência do IBGE, que flexibilizou algumas atividades consideradas essenciais.