Pesquisa Pulso EmpresaEstatísticas experimentais

Melhora percepção das empresas sobre impactos da Covid na 2ª quinzena de agosto

Editoria: Séries Especiais | Carmen Nery | Arte: Helga Szpiz e Jessica Cândido

01/10/2020 09h00 | Última Atualização: 16/10/2020 09h11

#PraCegoVer Após a retomada das vendas no comércio, a foto mostra uma pequena loja de balas, com alguns clientes de máscara sendo atendidos no balcão
Construção e comércio reportaram as maiores incidências de efeitos negativos na quinzena - Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília

De 3,4 milhões de empresas em funcionamento, na segunda quinzena de agosto, 33,5% perceberam impactos negativos decorrentes da pandemia em suas atividades. Na quinzena anterior, eram 38,6%. Mas para 37,9%, o impacto foi pequeno ou inexistente; e, para 28,6%, o efeito foi positivo.

A melhora na percepção atinge todos os portes de empresa, que sinalizaram maior incidência de efeitos pequenos ou inexistentes na quinzena do que impactos negativos. Isso fica evidenciado nas empresas de maior porte (52,6%) e de porte intermediário (43,3%) mas também entre as de pequeno porte (37,8%). Já as que mais perceberam efeitos positivos são as de porte intermediário (33,8%).

Os dados são da última edição da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid19 nas Empresas, divulgados hoje, 1, pelo IBGE. Flávio Magheli, coordenador de Pesquisas Conjunturais em Empresas, destaca que a Pulso inicialmente procurou avaliar a situação das empresas em relação ao período pré-pandemia e depois acompanhá-las ao longo dos últimos três meses.

“Num primeiro momento, percebemos impactos negativos correlacionados à demanda – vendas, produção e atendimento – devido ao fechamento das lojas e ao isolamento social. E, num segundo momento, o que passou a prevalecer foram os pontos relacionados à oferta e à cadeia de suprimentos, devido às dificuldades de acessar fornecedores”, analisa Magheli.

Segundo o pesquisador, verificou-se um processo de retomada gradual das atividades, influenciado pela abertura e flexibilização das ações de proteção nos estados e municípios. Com isso, as empresas foram percebendo os impactos cada vez menos negativos. “Mas os municípios tiveram ações diferenciadas e, apesar de avançarem no movimento de abertura, muitos ainda operam com controles e restrições de horário ou capacidade”, explica o coordenador. 

Entre as atividades, assim como na quinzena anterior, as empresas de construção (40,0%) e do comércio (36,0%) reportaram as maiores incidências de efeitos negativos na quinzena. Por outro lado, nas empresas industriais, 40,3% reportaram impactos pequenos ou inexistentes e no setor de serviços, a incidência foi de 43,2%, com destaque para os segmentos de serviços de informação e comunicação (68,7%) e serviços de transporte (48,8%). 

“Do ponto de vista setorial, no início da pesquisa, há uma incidência forte de dificuldades na indústria, na construção, nos serviços e principalmente no comércio, devido à grande dependência dos pequenos comércios em relação às lojas físicas. Ao longo desses três meses, ocorreu uma retomada gradual, mas no final de agosto 33,5% das empresas ainda sinalizam algum grau de dificuldade”, diz Magheli.

Regionalmente, os impactos gerais negativos perdem a predominância ao longo das quinzenas para a maior incidência de efeitos nulos ou positivos. Na segunda quinzena de agosto, o Sul foi o mais impactado negativamente (37,2%), seguido pelo Sudeste (35%). Os efeitos seguiram pequenos ou inexistentes para 37,4% das empresas na região Norte; 37,3% no Sudeste; 42,9% no Sul e 40,7% no Centro-Oeste.

“Destaque para a maior percepção de efeitos positivos para as empresas do Nordeste (45,0%). Diversas atividades voltaram a operar no Nordeste desde comércio de rua, transporte intermunicipal, além de ampliação dos horários de funcionamento”, explica Magheli.

Percepção de redução nas vendas afetou mais setor da construção

Em relação às vendas, há um equilíbrio nas percepções de redução nas vendas (32,9% das empresas); impactos pequenos ou inexistentes (34,7%); e aumento nas vendas (32,2%). Somando-se efeitos nulos e positivos, chega-se a 66,9%.

A maior incidência de efeitos inexistentes e/ou de aumento das vendas atingiu todos os portes de empresa. Entre as de porte intermediário, 79,9% sinalizaram efeito nulo e/ou de aumento nas vendas enquanto 19,8% sinalizaram diminuição. Já entre as de menor porte, 66,7% reportaram efeito nulo e/ou de aumento nas vendas e 33,1% sinalizaram percepção de redução nas vendas.

Por setores, a percepção de redução nas vendas afetou mais a construção (42,7%). Mas para 38,3% das empresas industriais e 43,6% de serviços, prevaleceu a incidência de efeitos pequenos ou inexistente sobre as vendas. Para 40,7% das empresas do comércio, ressalta-se a maior incidência de efeitos positivos, com destaque para o comércio varejista (43%) e comércio de veículos, peças e motocicletas (46,6%).

Regionalmente registrou-se percepção de aumento de vendas nas regiões Norte (44%), Nordeste (58,6%) e Centro-Oeste (40,5%). No Sul (40,6%) e no Sudeste (36%) houve maior incidência de diminuição.

Mais da metade das empresas não percebe impacto negativo na fabricação de produtos ou na capacidade de atendimento a clientes

Para 54,4% das empresas não houve alteração significativa na capacidade de fabricar produtos ou atender clientes; enquanto que 31,4% tiveram dificuldades e 13,9%, facilidade. Além disso, 46,8% tiveram dificuldades no acesso aos seus fornecedores e 44,1% não perceberam alteração.

Cerca de 40,3% das empresas tiveram dificuldades em realizar pagamentos de rotina na segunda quinzena de agosto, enquanto 53,0% consideraram que não houve alteração significativa nesse item.

9 em cada 10 empresas mantiveram empregos

Quanto ao pessoal ocupado, desde o início da série, a maior parte das empresas buscou manter os funcionários. Na segunda quinzena de agosto, 85% das empresas em funcionamento (2,9 milhões) mantiveram o número de colaboradores em relação à quinzena anterior; 8,1% indicaram redução; e 6,3% (218 mil) ampliaram o quadro.

Entre as 280 mil empresas estimadas que demitiram, 56,8% reportaram que diminuíram em até 25% seu pessoal, com destaque para as empresas de menor porte (55,8%).

A realização de campanhas de informação e prevenção, e a adoção de medidas extras de higiene seguem como as principais iniciativas para enfrentar a pandemia, sendo adotadas por 93,1% das empresas. Outras 28,6% alteraram o método de entrega de produtos ou serviços; 25,7% adotaram o trabalho remoto; 20,1% anteciparam férias dos funcionários; e 23,8% adiaram o pagamento de impostos.

“Ao longo dessas seis quinzenas (três meses) a percepção das empresas melhorou, mas o efeito de diminuição sobre as vendas, redução na capacidade de fabricar produtos ou atender clientes, dificuldades em acessar fornecedores e insumos e realizar pagamentos ainda faz parte da rotina das empresas”, resume Magheli.

Nesta sexta e última edição da Pulso Empresa: Impacto da Covid19 nas Empresas, que integra as Estatísticas Experimentais do IBGE, Flavio Magheli destaca que a pesquisa foi planejada para ter seus resultados divulgados num período oportuno e de forma a complementar outros indicadores conjunturais com informações adicionais relevantes para se possa ter um entendimento sobre a atividade empresarial e os efeitos da pandemia.

“Tradicionalmente nas pesquisas conjunturais do IBGE são pesquisadas informações quantitativas mensais, para apresentar o desempenho. Com a Pulso, o IBGE conseguiu investigar, quinzena a quinzena, a percepção das empresas sobre os efeitos da pandemia, o impacto nas vendas, a capacidade de atender os clientes, fabricar produtos, realizar pagamentos de rotina, mudanças nos processos, e acesso fornecedores. Assim como as principais medidas para mitigar os efeitos da pandemia” conclui Magheli.