RBG

Nova edição da Revista Brasileira de Geografia analisa poluição de rios urbanos

Editoria: Geociências | Carlos Alberto Guimarães

28/09/2020 10h00 | Última Atualização: 28/09/2020 10h07

  • Resumo

  • Número 1 do volume 65 traz três artigos e a resenha de Azares y decisiones: recuerdos personales, autobiografia do geógrafo espanhol Horacio Capel.
  • Artigo sobre contaminação de canais fluviais urbanos, como Paraíba do Sul (RJ), Tietê (SP) e igarapés de Manaus (AM), debate gestão ambiental.
  • Livro Paris et Le Désert Français sobre o planejamento regional francês é tema de artigo de professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
  • Em outro artigo, duas pesquisadoras analisam a formação de cadeias produtivas em regiões de tríplices fronteiras brasileiras, que implicam em articulações espaciais nos níveis cotidiano, econômico e institucional.

O IBGE lança hoje (28) o primeiro número do volume 65 da Revista Brasileira de Geografia (RBG), de periodicidade semestral. Publicada em formato digital, a nova edição traz três artigos e uma resenha, discorrendo sobre temas como a intensa modificação e contaminação de rios que cruzam as grandes cidades, a formação de cadeias produtivas e o planejamento regional na França do século XX, entre outros.

“Nesta edição, também apresentamos a resenha da autobiografia de Horacio Capel, importante referência para todo profissional do campo da Geografia”, destaca a editora executiva Maria Lúcia Vilarinhos, citando o geógrafo e escritor espanhol, hoje com 79 anos. “Temos ainda dois artigos com foco na regionalização e um sobre a questão urbana, tão presentes neste momento”, acrescenta.

O texto Rios urbanos: contribuições da antropogeomorfologia e dos estudos sobre os terrenos tecnogênicos, de André Souza Pelech e Maria Naíse de Oliveira Peixoto, traz uma reflexão sobre a necessidade de novas abordagens para problemas relativos ao alto grau de modificação e poluição dos canais fluviais urbanos. O estudo dos autores, citando exemplos do Rio de Janeiro (Paraíba do Sul), São Paulo (Tietê) e Amazonas (igarapés de Manaus), enriquece o debate sobre a gestão ambiental e territorial brasileira.

Contaminado, Rio Tietê abre espaço para debate da gestão ambiental - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O impacto do livro Paris et Le Désert Français, de Jean-François Gravier, sobre o planejamento regional francês na segunda metade do século XX, foi analisado por Breno Viotto Pedrosa. O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apresenta as influências do autor, o contexto da produção do livro e as reações que se seguiram à sua publicação. Uma das preocupações de Gravier era justamente o processo de esvaziamento de regiões francesas em função da forte concentração industrial em Paris.

Gisela Pires do Rio e Maria Célia Nunes Coelho tratam da criação de cadeias produtivas em duas de nossas tríplices fronteiras. Em Formação de regiões transfronteiriças na América do Sul: um estudo comparado de cadeias produtivas em espaços trinacionais, as autoras analisam a articulação dos espaços transfronteiriços de trechos da bacia do rio Paraná envolvendo Brasil, Paraguai e Argentina, confrontando essa dinâmica com a que se estabelece entre Brasil, Bolívia e Peru, em trechos dos rios Acre, Madeira e Madre de Dios. Na visão das pesquisadoras, a formação de cadeias produtivas implica em articulações espaciais nos níveis cotidiano, econômico e institucional.

Conforme ressaltou a editora da revista, este número traz ainda a resenha de Azares y decisiones: recuerdos personales, autobiografia de Horacio Capel lançada em Madri, em 2019. A produção intelectual de Capel tem marcado a formação de profissionais do campo geográfico em todo o mundo, particularmente nos estudos de epistemologia da geografia, em que seu livro Filosofia y Ciencia en la Geografía Contemporanea, de 1988, tornou-se um clássico. Na obra resenhada por Francisco Magalhães, Capel faz um balanço de sua trajetória como geógrafo, assim como dos estudos dessa área de conhecimento na Espanha, além de reflexões mais intimistas.

Editada pelo IBGE, a RBG é uma publicação científica digital com dois lançamentos por ano, em abril e em setembro. A submissão de trabalhos é contínua e está aberta a pesquisadores de instituições nacionais e internacionais, inclusive do IBGE.