Sinapi

Custos da construção desaceleram em maio com menor pressão da mão de obra

Editoria: Estatísticas Econômicas | Carmen Nery

10/06/2020 09h00 | Última Atualização: 09/07/2020 19h47

Com pressão menor da mão de obra, custos da construção desaceleram - Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

 O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado hoje (10) pelo IBGE, subiu 0,17% em maio, mas ficou 0,08 ponto percentual abaixo da taxa de abril, que foi de 0,25%. Este é o segundo menor índice para o mês de maio (depois dos 0,11% de maio de 2019) desde o início da série histórica em 2014. O resultado mostra desaceleração na taxa mensal, no acumulado no ano e nos últimos 12 meses. De janeiro a maio, o índice acumula 1,33%. Nos últimos doze meses, a taxa soma 3,74%.

“Durante muito tempo maio era o mês em que ocorria a homologação dos acordos coletivos, que agora acontecem espaçados ao longo do ano e exigem muito mais negociação. Em maio deste ano, apenas Maranhão teve acordo coletivo, com alta de 1,57%, mas é um estado com pouco peso no total. A mão de obra tem um peso de 40% e, com o desaquecimento da construção civil, não há pressão de alta devido à perda do poder de barganha dos trabalhadores, comparado aos anos de expansão das obras de infraestrutura”, explica Augusto Oliveira, gerente da pesquisa Sinapi. 

 O custo nacional da construção, por metro quadrado, que em abril fechou em R$ 1.172,05, passou em maio para R$ 1.174,02, sendo R$ 615,56 relativos aos materiais e R$ 558,46 à mão de obra.

No mês de maio de 2020, o custo da mão de obra teve pouca variação (0,14%), registrando queda de 0,28 p.p. em relação ao mês anterior (0,42%). Em relação a maio de 2019 (- 0,21%), houve aumento de 0,35 p.p..  

 Materiais sobem 0,19% em maio

 O gerente da pesquisa explica que a alta no índice geral foi impactada, principalmente, pelo custo de materiais especialmente nos estados do Amapá, Roraima e Paraná. A parcela dos materiais apresentou variação de 0,19%, registrando alta de 0,10 ponto percentual em relação ao mês anterior (0,09%), enquanto em relação a maio de 2019 (0,39%), houve queda de 0,20 ponto percentual.

“Captamos alta em diversos materiais em estados do Norte como Amapá e Roraima e no Paraná, na Região Sul. A parcela dos materiais é a mais importante na avaliação final desses estados, onde o custo da mão de obra se manteve estável. Aliás, a mão de obra se manteve estável - com pequenas quedas ou pequenas altas - em todos os estados exceto o Maranhão”, explica Oliveira.

Nordeste tem maior índice da construção em maio  

Ele ressalta que o Nordeste registrou a maior variação regional em maio (0,27%). A taxa no Nordeste foi impactada pelo aumento observado nas categorias profissionais observada no Maranhão. As demais regiões apresentaram os seguintes resultados: 0,16% (Norte), 0,11% (Sudeste), 0,22% (Sul) e 0,03% (Centro-Oeste). Os custos regionais, por metro quadrado, foram: R$ 1.181,52 (Norte); R$ 1.089,44 (Nordeste); R$ 1.222,84 (Sudeste); R$ 1.230,98 (Sul) e R$ 1.176,20 (Centro-Oeste).

 Este é o segundo mês de coleta não presencial. Mas Oliveira diz que ainda não é possível apurar o impacto da pandemia nos custos do setor.

 “Precisaríamos de uma série mais longa para realmente ter essa mensuração, com dois meses ainda não é possível. Várias obras se mantêm, sem falar de outras obras que foram iniciadas para combate ao Covid-19. Em maio, o resultado é decorrente da redução da pressão da mão de obra e o aumento dos custos dos materiais em três estados”, conclui Oliveira.