Caraterísticas dos domicílios

Um em cada três domicílios não tinha ligação com rede de esgoto em 2019

Editoria: Estatísticas Sociais | Caio Bellandi | Arte: Helga Szpiz

06/05/2020 10h00 | Última Atualização: 06/05/2020 10h26

País tinha 9 milhões de domicílios que despejavam dejetos de maneira inadequada em 2019 - Foto: Tania Rêgo/ABR

A quantidade de domicílios ligados à rede geral de esgotamento sanitário ou com fossa ligada à rede cresceu em 2019 na comparação com o ano anterior, chegando a 49,1 milhões de domicílios (68,3%). Mesmo assim, quase um terço dos lares não tinha saneamento adequado. As regiões com menor índice do serviço tiveram crescimento maior e puxaram o resultado nacional. No Norte, a taxa aumentou 5,6 pontos percentuais, mesmo assim chegando a apenas 27,4%. Já no Centro-Oeste atingiu 60% (aumento de 4,4 p.p.). O Nordeste também apresentou crescimento, de 2,6 p.p., mas permanece com menos da metade da população com acesso à rede de esgoto: 47,2%.

Os números estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Características dos Domicílios e dos Moradores, divulgada hoje (06/05) pelo IBGE. "Há uma tendência lenta de crescimento desde 2016. Nota-se uma variação um pouco maior este ano, muito em função do crescimento nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste", explica a pesquisadora do IBGE, Adriana Beringuy.

Em relação aos domicílios com fossa séptica não ligada à rede geral, o número alcançava 19,1%, indicando que, aproximadamente, 9 milhões de domicílios no Brasil despejavam dejetos de maneira inadequada, como em fossa rudimentar, vala, rios, lagos e mar. Nas regiões Norte e Nordeste, o percentual foi ainda maior, de 42,9% e 30,7%, respectivamente. Já no Sudeste, essa modalidade era utilizada somente por 5,5% dos domicílios.

Distribuição de água permanece estável; coleta de lixo cresce

Dos 72,4 milhões de domicílios estimados pela pesquisa em 2019, 97,6% (70,7 milhões) possuíam água canalizada e 88,2% (63,8 milhões) tinham acesso à rede geral de abastecimento de água. Em 85,5% dos lares, a rede geral de distribuição de água era a principal fonte de abastecimento. No Norte, o índice cai consideravelmente, para 58,8%, enquanto 21,3% dos domicílios tinham abastecimento de água através de poço profundo ou artesiano e 13,4% recorriam ao poço raso, freático ou cacimba.

Em relação a 2018, Norte e Centro-Oeste apresentaram avanço na disponibilidade diária de água, principalmente esta última, onde a cobertura passou de 87,1% para 94,9% em 2019, recuperando o patamar de 2016, de 94,7% dos domicílios. "Com o racionamento de água em 2016, principalmente no Distrito Federal devido à estiagem, os números mostraram queda em 2017, e uma pequena recuperação em 2018. Só agora, em 2019, eles voltam ao patamar de antes da crise hídrica", explica Adriana Beringuy.

Quanto à distribuição de água por período, 88,5% dos domicílios no Brasil recebiam água diariamente, índice que cai para 69% no Nordeste, onde a frequência é menor. Na região, há sistemas de abastecimento por cisternas, que se enchem em tempos de chuva para redistribuição em períodos de seca.

Já no que diz respeito à coleta de lixo, o índice segue apresentando aumento desde 2016 e chegou ao seu maior valor em 2019: 84,4%. Na comparação por região, Norte e Nordeste ainda têm percentuais elevados de domicílios que queimam o lixo na própria propriedade 17,6% e 15,1%, respectivamente, um número que significa 3,8 milhões de domicílios nessa condição.