IPCA

Inflação fica em 0,25% em fevereiro, a menor para o mês desde 2000

Editoria: Estatísticas Econômicas | Umberlândia Cabral

11/03/2020 09h00 | Última Atualização: 11/03/2020 09h00

#PraCegoVer A foto mostra uma professora distribuindo material didático para sua turma de alunos, em sala de aula.
Preços do grupo educação subiram 3,70% e tiveram o maior impacto na inflação de fevereiro - Foto: Agência Brasília

A inflação do país foi a 0,25% em fevereiro, menor resultado para o mês desde 2000, quando o índice foi de 0,13%. A alta foi puxada pelos reajustes praticados no início do ano letivo, especialmente referentes aos cursos regulares (4,42%). O resultado de fevereiro foi acima da taxa de 0,21% em janeiro. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados hoje (11) pelo IBGE.

No acumulado do ano, a inflação acumula 0,46% e, nos últimos 12 meses, o índice registrou 4,01%. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco apresentaram alta em fevereiro. O principal destaque é o grupo educação, que apresentou a maior variação (3,70%) e o maior impacto (0,23 ponto percentual) no índice do mês.

 

“É comum a educação ter o maior impacto no mês de fevereiro, que é quando ocorrem os reajustes de mensalidade no início do ano letivo. Então tivemos essa alta nos cursos regulares, em que aparecem o ensino fundamental, médio, graduação e pós-graduação e também nos cursos diversos, que incluem os preparatórios e de idiomas, por exemplo”, explica o gerente de Índice de Preços do IBGE, Pedro Kislanov.

“Os cursos regulares têm grande impacto no índice porque tem um peso maior dentro do orçamento das famílias”, observa Kislanov. Os cursos regulares tiveram alta de 4,42% e foram o item responsável pela maior contribuição individual (0,20 p.p.) no IPCA de fevereiro, enquanto os cursos diversos registraram alta de 2,67%, com impacto de 0,02 p.p. Já o grupo Alimentação e bebidas desacelerou para 0,11%, afetado novamente pela queda nos preços das carnes (-3,53%), que haviam recuado 4,03% em janeiro.

“Com essa queda, o item carnes está devolvendo a alta de 32,40% no acumulado de 2019, embora ainda não tenha devolvido completamente. É importante destacar que a distribuição entre as áreas é diferente. No Rio de Janeiro, por exemplo, os preços das carnes têm caído mais”, comenta Kislanov. A deflação das carnes contribuiu para a desaceleração da alimentação no domicílio (0,06%, frente a 0,20% em janeiro). No lado das altas, os destaques foram o tomate (18,86%) e cenoura (19,83%).

A alimentação fora do domicilio (0,22%) também desacelerou em relação a janeiro (0,82%). A refeição (0,35%) e o lanche (0,02%) apresentaram variações menores na comparação com o mês anterior (1,05% e 0,42% respectivamente).

O grupo transportes (-0,23%) apresentou deflação em fevereiro, após apresentar alta de 0,32% em janeiro. A gasolina (-0,72%) e as passagens aéreas (-6,85%) foram os maiores impactos negativos no grupo. O grupo habitação (-0,39%) também registrou deflação em fevereiro, após alta de 0,55% no mês anterior. A queda foi puxada principalmente pelo item energia elétrica (-1,71%).

“A explicação para isso é a mudança da bandeira tarifária. Em janeiro estava em vigor a bandeira amarela, em que é cobrado um acréscimo para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em fevereiro passou a vigorar a bandeira verde, em que não há cobrança adicional”, comenta Kislanov.

INPC varia 0,17% em fevereiro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, referente às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimos, variou 0,17% em fevereiro, enquanto havia registrado 0,19% em janeiro. O resultado também é o menor para o mês de fevereiro desde 2000, quando o índice ficou em 0,05%. O acumulado do ano foi o de 0,36% e nos últimos 12 meses, o índice apresentou alta de 3,92%, abaixo dos 4,30% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Os produtos alimentícios variaram 0,13% em fevereiro, após registrar alta de 0,45% em janeiro. Já os não alimentícios variaram 0,18% em fevereiro, após alta de 0,12% em janeiro.