PNAD Contínua

Taxa de sindicalização cai para 12,5% em 2018 e atinge menor nível em sete anos

Editoria: Estatísticas Sociais | Umberlândia Cabral | Arte: Brisa Gil

18/12/2019 10h00 | Última Atualização: 18/12/2019 10h36

Número de sindicalizados caiu 11,9% de 2017 para 2018, a queda mais intensa desde o início da série - Foto: Fenasps

A quantidade de trabalhadores sindicalizados atingiu o menor patamar dos últimos sete anos. Dos 92,3 milhões de pessoas ocupadas em 2018 no país, 11,5 milhões estavam associadas a sindicatos. A taxa de sindicalização ficou em 12,5%, a menor desde 2012, quando atingiu 16,1%, de acordo com a Pesquisa Nacional de Domicílios (PNAD Contínua), divulgada hoje (18) pelo IBGE.

O estudo mostrou que a recuperação da população ocupada, com crescimento de 1,4% em 2018, não foi acompanhada do crescimento no número de sindicalizados. O movimento foi oposto, com redução de 11,9% dos sindicalizados de 2017 para 2018, representando 1,5 milhão de pessoas a menos e a queda mais intensa desde o início da série.

A pesquisa também analisou o número de pessoas sindicalizadas em relação ao grupamento por atividades. Nove das dez categorias apresentaram a menor taxa de sindicalização desde 2012.

O setor de Transporte, armazenagem e correio teve a maior perda, indo de 17,5%, em 2017, para 13,5%, em 2018. Outra atividade que apresentou queda de sindicalização foi o de Alojamento e Alimentação, de 6,8% para 5,7% em um ano.

“São as duas atividades que mais geraram ocupação: a de transporte por causa dos aplicativos e a de alimentação pelo fenômeno dos ambulantes de comida, como o pessoal que vende quentinha. As duas atividades cresceram com trabalhadores mais precarizados, normalmente sem carteira de trabalho ou por conta própria, que são trabalhadores que de fato não têm mobilização sindical”, explicou a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy.

“Então a queda de sindicalização nessas duas atividades, principalmente no caso dos transportes, pode estar associada a um processo de precarização dos trabalhadores nessas atividades”, completou.

Outro grupamento de atividades em que o número de trabalhadores associados a sindicatos diminuiu foi o de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, passando de 21,1%, em 2017, para 19,1%, em 2018. “A agricultura está empregando cada vez menos em função da mecanização e das pessoas que estão saindo da zona rural e isso tem refletido na taxa de sindicalização dessa atividade”, comentou Beringuy.

Já a indústria geral, grupamento de atividades tradicionalmente sindicalizado, diminuiu de 17,1% para 15,2% em um ano. “A gente não sabe até que ponto a precarização também está atingindo a Indústria, que sempre gerou trabalhos com carteira assinada. Então a diminuição da taxa de sindicalização pode ser por causa da perda de ocupação em si”, afirma a pesquisadora.

Sindicalização ainda é maior no setor público

A associação a sindicato também variou de acordo com a posição na ocupação e categoria do emprego. Apesar de 12% da população ocupada em 2018 ser de empregados no setor privado sem carteira assinada, essa categoria apresentou uma das menores estimativas de sindicalização (4,5%). Já os empregados no setor público registraram a maior (25,7%), embora também representem 12% da população ocupada. A taxa de sindicalização no setor público também diminuiu, de 27,3%, em 2017, para 25,7%, em 2018.

“No setor público temos trabalhadores mais escolarizados, e a sindicalização tende a crescer com o aumento da escolaridade. Outra questão é que esse setor tem os segmentos da saúde e da educação. Então são somados aqui os sindicatos de professores e médicos, que são categorias que têm bastante mobilização sindical”, explicou Beringuy.