Contas Regionais

PIB cai em três estados em 2017; Rio de Janeiro tem queda mais intensa

Editoria: Estatísticas Econômicas | Umberlândia Cabral | Arte: Helena Pontes

14/11/2019 10h00 | Última Atualização: 14/11/2019 13h50

Setor da Construção puxou a queda de 1,6% do PIB do Rio de Janeiro em 2017 - Foto: Simone Mello/Agência IBGE Notícias

Rio de Janeiro, Sergipe e Paraíba foram os únicos estados com queda no Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e acumularam o terceiro ano seguido negativo, de acordo com o Sistema de Contas Regionais, divulgado hoje (14) pelo IBGE. Na semana passada, o instituto revisou o PIB nacional de 1,1% para 1,3%.

Os resultados dos três estados são explicados de formas diferentes. O Rio de Janeiro, com recuo de 1,6%, foi o único estado com recuo na Agropecuária (-2,0%), na Indústria (-3,1%) e nos Serviços (-1,5%).

“No Rio, a queda em volume está ancorada nas atividades de construção civil e de comércio e serviços de informação e comunicação. Temos que lembrar que em 2016 houve Olimpíadas, então a base de comparação é elevada. Isso também corrobora para essa queda”, explicou a gerente de Contas Regionais do IBGE, Alessandra Poça.

As variações negativas do PIB de Sergipe (-1,1%) e da Paraíba (-0,1%) são explicadas pela retração da Indústria, também puxada pelo setor da Construção. “Sergipe tem uma influência direta da atividade de eletricidade, em que pese que a usina de Xingó reduziu a produção em 2017, por causa da redução da vazão. Na Paraíba, a explicação está na atividade nas indústrias de transformação”, afirmou Alessandra.  

Entre as demais 24 unidades da federação, a alta de 2017 é a primeira após dois anos de quedas seguidos, com exceção de Roraima e Distrito Federal, que não tiveram variações negativas em 2016.

Em São Paulo, estado com a maior economia do Brasil, o PIB variou 0,3%, com influência dos resultados negativos da Construção (-8,5%), Atividade financeira, seguros e serviços relacionados (-3,3%) e Serviços de Informação e comunicação (-1,4%).

Os resultados na Construção seguiram o panorama nacional (-9,2%) e o estado acumulou queda de 23,4% desde 2014. A queda em volume na atividade financeira está vinculada à diminuição nas operações de crédito pelo segundo ano consecutivo e também à redução da taxa Selic. São Paulo é responsável por mais de 50% da atividade financeira do país.

São Paulo perde participação em 2017

As regiões Sudeste e Centro-Oeste perderam participação no PIB nacional entre 2016 e 2017, uma consequência das perdas de participação de São Paulo (-0,3 ponto percentual), e do Mato Grosso (-0,1 p.p.) e Distrito Federal (-0,1 p.p.).

A perda na participação de São Paulo é explicada principalmente pela Atividade Financeira, seguro e serviços relacionados, por causa da sua redução nas operações de crédito e de depósitos no Brasil.

Outro setor que influenciou a queda na participação foi o da Construção. “São Paulo é responsável por 30% da atividade brasileira. Então quando a gente observa a atividade da construção no Brasil, ela já perde 0,8 ponto percentual em relação a 2016. E a participação de São Paulo se mantém, entre 2016 e 2017. Então com isso a economia vai perder participação no total do PIB do país”, afirmou.

PIB per capita do Distrito Federal continua sendo o maior

Em 2017 o Distrito Federal se manteve como o maior PIB per capita do Brasil, com o valor de R$ 80.502, cerca de 2,5 vezes maior que o brasileiro. Depois do Distrito Federal, os maiores PIB per capita foram São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná, enquanto Maranhão e Piauí foram os menores. Desde o início da série analisada, em 2002, esses dois estados se alternam nas últimas posições do ranking.


Palavras-chave: PIB, Estados, Regional, Rio de Janeiro, Paraíba, Sergipe, 2017.