Revista Retratos

Conheça os fatos que marcaram a história de cada censo demográfico

Editoria: Revista Retratos | Mônica Marli | Arte: Simone Mello

14/10/2019 14h00 | Última Atualização: 25/10/2019 10h04

O Censo 2020 será o 13º feito no Brasil e o nono realizado pelo IBGE. A grandiosidade da operação – que vai a todos os domicílios do país – e a relevância dos seus resultados – que servem de base para diversas políticas públicas – são alguns dos motivos pelo qual os recenseamentos, desde 1872, mobilizam a sociedade como um todo.

Resgatar os fatos que marcaram os censos do país é também uma forma de contar a história do Brasil.

Realizado pela Diretoria Geral de Estatística – órgão criado em 1871 – o Censo Geral do Império foi o primeiro da história do Brasil. Além de contar a população, também investigou cor, sexo, estado de livres ou escravos, estado civil, nacionalidade, ocupação e religião.

Com o fim da Diretoria Geral de Estatística em 1879, a realização do Recenseamento de 1880 foi transferida para 1887, mas ficou apenas como projeto.

Os trabalhos de apuração do I Censo da República foram marcados pela lentidão. Cinco anos depois da coleta de dados, nenhum estado do país havia concluído as apurações. Só em 1900, às vésperas da próxima operação, é que foram publicados os últimos resultados. 

O Recenseamento de 1900 foi o terceiro do país e o primeiro após a promulgação da Constituição da República. A operação começou no dia 31 de dezembro de 1900. Os primeiros resultados – em janeiro do ano seguinte – foram os do Rio de Janeiro, mas a operação na então capital teve que ser refeita por deficiências dos dados. Os resultados finais saíram em 1907.

A conjuntura política e o cerceamento da autonomia da Diretoria Geral de Estatística impediram a realização do Censo de 1910. 

Cobrado pela sociedade e, principalmente, pela imprensa, o Recenseamento Geral de 1920 foi marcado pela correria, pois apenas em janeiro daquele ano a lei para a sua realização foi aprovada. Os resultados foram apresentados na Exposição Universal comemorativa do aniversário da Independência do Brasil, em 1922.

Motivos de ordem política, como a Revolução de 1930, impediram a realização do Censo nesta década.

O Recenseamento Geral de 1940 foi o primeiro feito pelo IBGE. Houve intensa campanha para incentivar a população a responder o Censo. Devido à Segunda Guerra Mundial, o maquinário encomendado não chegou e os dados foram processados nas mesmas máquinas usadas em 1920. Foram sete anos entre coleta e divulgação dos resultados.

Visando ao desenvolvimento e à comparabilidade das estatísticas oficiais, o Recenseamento Geral de 1950 integrou o Censo das Américas, em atendimento à ONU. Nos estados e municípios foram criadas comissões censitárias para auxiliar na divulgação da operação. O número de quesitos do questionário baixou de 45 (1940) para 25.

O Recenseamento Geral de 1960 foi o primeiro censo brasileiro a usar a técnica de amostragem, que investigou, através de nove quesitos, as características das pessoas e dos domicílios. Para a apuração dos dados, o IBGE importou um computador de grande porte, o Univac 1105, que foi chamado de “cérebro eletrônico”.

Os questionários do Recenseamento Geral de 1970 foram definidos e impressos em 1968. O personagem Julinho, o recenseador, foi criado para a campanha de divulgação, que também contou com personalidades como Pelé. Os primeiros dados saíram em 1971. No meio da década todo o Censo já estava divulgado. 

O Recenseamento Geral de 1980 teve como slogan O país que a gente conta. Um sistema informatizado de acompanhamento da coleta, que permitia conhecer, semanalmente, o número de setores concluídos e de pessoas recenseadas, foi uma das grandes inovações da operação. Pela primeira vez, os resultados preliminares de um censo foram divulgados no mesmo ano de realização da pesquisa.

O planejamento do X Recenseamento Geral do Brasil começou em 1987, mas ele só aconteceu em 1991, porque a autorização para contratar os servidores temporários demorou a sair. Com o slogan "Ajude o Brasil a ter um bom censo", a operação trouxe novidades como a Comissão Consultiva, o Projeto Escola e a divulgação dos resultados em disquetes.

O Censo Demográfico 2000 foi marcado pela inovação tecnológica, como a digitalização dos questionários – que ainda eram de papel – e o reconhecimento óptico de caracteres. Para ajudar na mobilização da sociedade, foi criada a revista Vou te Contar. Os resultados preliminares foram divulgados no dia 21 de dezembro, em um evento em Brasília.

No vídeo a seguir, Zelito Viana e Marcos Palmeira, pai e filho, relembram como foi a experiência de fazer o documentário "O país é este", lançado em 2002, que mostra o Brasil através dos dados do Censo 2000. Confira!

No Censo 2010, o questionário em papel foi substituído inteiramente pelo modelo eletrônico desenvolvido em PDA, o computador de mão usado pelos recenseadores. Os PDAs eram equipados com GPS e neles havia mapas digitais com os endereços a serem visitados pelos recenseadores. Essa inovação foi possível devido à unificação e migração da Base Territorial do modo analógico para o digital. O questionário também pode ser respondido pela Internet. Os primeiros resultados foram divulgados em dezembro do mesmo ano. A presença do IBGE no Twitter inaugurou a participação do instituto nas redes sociais.


Essa foi a última edição da revista Retratos, que deixa de ser produzida pelo IBGE em função das medidas adotadas pelo instituto de racionalização de gastos e redução de despesas.

De maio de 2017 a outubro de 2019, em suas 18 edições, a Retratos mostrou reportagens que abordam temas atuais, ligados ao trabalho do instituto na missão de retratar a realidade do país para o exercício da cidadania.

Para conferir todas as edições da revista clique aqui.


Palavras-chave: Censo, História, Décadas, Brasil, Revista Retratos.