Previsão da safra de grãos recua 0,5% em agosto, mas mantém recorde 12/09/2017

Editoria: Estatísticas Econômicas Produto: Levantamento Sistemático da Produção Agrícola

A estimativa de agosto para a safra nacional de grãos em 2017 teve um recuo de 0,5%, o que representa 1,2 milhão de toneladas a menos do que a produção prevista em julho. Mais da metade deste recuo – 829 mil toneladas – correspondem à revisão de estimativas para a segunda safra do milho, especialmente no estado de Goiás. Trigo e soja também tiveram suas estimativas revisadas para baixo em relação a julho.

Entretanto, a previsão da safra nacional ainda é de recorde: 240,9 milhões de toneladas, um aumento de 30,4% em relação a 2016, impulsionado pelas safras recordes de soja (115 milhões de toneladas) e milho (98,4 milhões de toneladas), segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, divulgado hoje.

 

O pesquisador do IBGE, Carlos Antonio Barradas, explica que os impactos da safra que o Brasil está colhendo são muito positivos tanto para o mercado interno quanto para o externo. No mercado interno, as safras recordes deste ano estão contribuindo para a redução da inflação, conforme apontou o IBGE na divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do Produto Interno Bruto (PIB) de agosto.

No IPCA, o início das colheitas gerou impacto na deflação dos preços do setor de alimentos, com destaque para o preço do feijão carioca, importante item na mesa dos brasileiros, que teve queda de 14,86%. No PIB, a agropecuária teve participação importante, com um crescimento de 14,9% em relação ao segundo trimestre de 2016. Este resultado pode ser explicado, principalmente, pelo desempenho de alguns produtos que possuem safra relevante no segundo trimestre e pela produtividade, conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de agosto.

Em relação ao mercado externo, a exportação de soja é recorde. Só em agosto deste ano foram exportadas seis milhões de toneladas, 56% a mais quando comparado com agosto de 2016. Além disto, Carlos Antonio Barradas explica que preços menores da soja e do milho beneficiam o segmento da produção de carne de frango e de suínos, que também são importantes na pauta das exportações do país. “O maior volume de produção também beneficia o setor de transporte (frete) e o segmento industrial envolvido na transformação desses produtos”.

Texto: Marília Loschi
Imagem: Pedro Vidal
Foto: Pixabay