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Índice de Preços ao Produtor (IPP) é de -0,30% em maio

Editoria: Estatísticas Econômicas

30/06/2026 09h00 | Atualizado em 30/06/2026 13h00

Em maio de 2026, os preços da indústria variaram -0,30% frente a abril de 2026, revertendo o sinal da variação de abril frente a março (2,62%). Nessa comparação, sete das 24 atividades industriais apresentaram queda de preços. O acumulado no ano foi de 4,80%. O acumulado em 12 meses ficou em 1,99%. Em maio de 2025, o IPP, na comparação mensal, havia sido de -1,21%.

Período Taxa
Maio de 2026 -0,30%
Abril de 2026 2,62%
Maio de 2025 -1,21%
Acumulado no ano 4,80%
Acumulado em 12 meses 1,99%

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas.

Em maio de 2026, os preços da indústria variaram -0,30% frente a abril de 2026 (2,62%). Sete das 24 atividades industriais investigadas na pesquisa apresentaram variações negativas de preço ante o mês imediatamente anterior, seguindo o sinal da variação no índice da indústria geral. Em comparação, três atividades haviam apresentado menores preços médios em abril em relação ao mês anterior, quando a variação deste mesmo indicador havia sido positiva para a indústria geral.

As quatro atividades com maiores variações foram: indústrias extrativas (-5,90%); borracha e plástico (4,80%); madeira (3,08%); e outros produtos químicos (2,14%).

Índice de Preços ao Produtor, segundo as Indústrias Extrativas e
de Transformação (Indústria Geral) e Seções, Brasil, últimos três meses

Indústria Geral e Seções Variação (%)
M/M₋₁ Acumulado no Ano M/M₋₁₂
Mar/2026 Abr/2026 Mai/2026 Mar/2026 Abr/2026 Mai/2026 Mar/2026 Abr/2026 Mai/2026
Indústria Geral 2,28 2,62 -0,30 2,43 5,12 4,80 -1,63 1,07 1,99
B - Indústrias Extrativas 16,43 4,86 -5,90 17,33 23,04 15,78 9,50 20,22 16,65
C - Indústrias de Transformação 1,64 2,50 -0,01 1,76 4,31 4,30 -2,14 0,22 1,36
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coord. de Estatísticas Conjunturais em Empresas

Alimentos foi a atividade industrial de maior destaque na composição do resultado agregado, na comparação entre os preços de maio e os de abril. O setor foi responsável por -0,48 ponto percentual (p.p.) de influência na variação de -0,30% da indústria geral. Ainda neste quesito, outras atividades que também sobressaíram foram indústrias extrativas, com -0,30 p.p. de influência; borracha e plástico (0,20 p.p.) e outros produtos químicos (0,19 p.p.).

O acumulado no ano foi de 4,80% em maio. No ano anterior (2025), a taxa acumulada até o mês de maio havia sido de -1,89%. O valor da taxa acumulada no ano até este mês de referência é o quarto maior já registrado para um mês de maio desde o início da série histórica, em 2014.

Entre as atividades que, em maio de 2026, tiveram as maiores variações no acumulado no ano, se destacaram: outros produtos químicos (20,28%), indústrias extrativas (15,78%), borracha e plástico (14,78%) e refino de petróleo e biocombustíveis (8,27%).

Na composição do resultado agregado da indústria, na perspectiva deste mesmo indicador (acumulado no ano), as principais influências registradas foram em outros produtos químicos: 1,57 p.p., refino de petróleo e biocombustíveis: 0,81 p.p., indústrias extrativas: 0,68 p.p. e borracha e plástico: 0,58 p.p.

No acumulado em 12 meses, calculado comparando os preços de maio de 2026 aos de maio de 2025, a variação foi de foi de 1,99% neste mês de referência. Em abril, este mesmo indicador havia registrado taxa de 1,07%.

Os setores com as quatro maiores variações de preços na comparação de maio com o mesmo mês do ano anterior foram: indústrias extrativas (16,65%); impressão (15,00%); borracha e plástico (14,93%); e outros produtos químicos (12,25%).

E, também na comparação do acumulado em 12 meses, os setores de maior influência no resultado agregado foram: alimentos (-2,00 p.p.); outros produtos químicos (0,99 p.p.); indústrias extrativas (0,69 p.p.); e borracha e plástico (0,57 p.p.).

Entre as grandes categorias econômicas, o resultado de maio repercutiu da seguinte maneira: -0,21% de variação em bens de capital (BK); -0,29% em bens intermediários (BI); e -0,34% em bens de consumo (BC), sendo que a variação observada nos bens de consumo duráveis (BCD) foi de 0,09%, ao passo que nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND) foi de -0,42%.

A principal influência dentre as Grandes Categorias Econômicas foi exercida por bens intermediários, cujo peso na composição do índice geral foi de 55,18% e respondeu por -0,16 p.p. da variação de -0,30% nas indústrias extrativas e de transformação

Completam a lista, bens de consumo, com influência de -0,12 p.p., além de bens de capital, com -0,02 p.p.. No caso de bens de consumo, a influência observada em maio se divide em 0,01 p.p., que se deveu à variação nos preços de bens de consumo duráveis, e -0,13 p.p. associada à variação de bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Indústria Geral e Grandes Categorias Econômicas Variação (%)
M/M₋₁ Acumulado no Ano M/M₋₁₂
Mar/2026 Abr/2026 Mai/2026 Mar/2026 Abr/2026 Mai/2026 Mar/2026 Abr/2026 Mai/2026
Indústria Geral 2,28 2,62 -0,30 2,43 5,12 4,80 -1,63 1,07 1,99
Bens de Capital (BK) -0,05 1,25 -0,21 -2,01 -0,78 -0,98 -1,34 -0,07 -0,25
Bens Intermediários (BI) 3,54 4,09 -0,29 3,85 8,10 7,78 -2,62 2,36 4,48
Bens de Consumo (BC) 0,98 0,78 -0,34 1,37 2,16 1,82 -0,22 -0,56 -1,04
Bens de Consumo Duráveis (BCD) -0,23 0,66 0,09 -0,34 0,32 0,40 1,48 1,93 1,73
Bens de Consumo Semiduráveis e Não Duráveis (BCND) 1,22 0,80 -0,42 1,71 2,53 2,10 -0,55 -1,03 -1,57
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coord. de Estatísticas Conjunturais em Empresas

No acumulado no ano, a variação chegou a -0,98%, no caso de bens de capital; 7,78% em bens intermediários; e 1,82% em bens de consumo – sendo que bens de consumo duráveis acumulou variação de 0,40%, enquanto bens de consumo semiduráveis e não duráveis, 2,10%.

Em termos de influência no resultado acumulado no ano, bens de capital foi responsável por -0,08 p.p. dos 4,80% verificados na indústria geral até maio deste ano. Bens intermediários, por seu turno, respondeu por 4,18 p.p., enquanto bens de consumo exerceu influência de 0,70 p.p. no resultado agregado da indústria, influência que se divide em 0,03 p.p. devidos às variações nos preços de bens de consumo duráveis e 0,67 p.p. causados pelas variações de bens de consumo semiduráveis e não duráveis

No acumulado em 12 meses, a variação de preços de bens de capital foi de -0,25% em maio/2026. Os preços dos bens intermediários, por sua vez, variaram 4,48% neste intervalo de um ano e a variação em bens de consumo foi de -1,04%, sendo que bens de consumo duráveis apresentou variação de preços de 1,73% e bens de consumo semiduráveis e não duráveis de -1,57%.

No que diz respeito às influências no resultado agregado, com peso de 55,18% no cálculo do índice geral, bens intermediários foi responsável por 2,41 p.p. dos 1,99% de variação acumulada em 12 meses na indústria, neste mês de referência. No resultado de maio de 2026, houve, ainda, influência de -0,02 p.p. de bens de capital e de -0,40 p.p. de bens de consumo.

O resultado de bens de consumo, em particular, foi influenciado em 0,11 p.p. por bens de consumo duráveis e em -0,51 p.p. por bens de consumo semiduráveis e não duráveis, este último com peso de 83,63% no cômputo do índice daquela grande categoria.

Indústrias extrativas: após dois resultados positivos consecutivos, as indústrias extrativas registraram, em maio de 2026, o segundo resultado negativo do ano, com queda de 5,90% em relação a abril. O setor se destacou entre as atividades analisadas, seja em termos de variação, seja pela sua influência sobre os resultados agregados.

Na comparação mensal, a variação de -5,90% foi a maior entre todas as atividades, em termos absolutos, sendo também a única queda entre as quatro maiores variações registradas no mês. Esse resultado contribuiu com -0,30 p.p. em um total de -0,30%. No acumulado do ano, o setor apresentou variação de 15,78%, a segunda maior entre as atividades, contribuindo com 0,68 p.p. para o resultado agregado de 4,80%. Por fim, na comparação interanual, observou-se variação de 16,65%, com influência de 0,69 p.p. em um total de 1,99%, configurando, respectivamente, o primeiro e o terceiro resultados mais relevantes entre as atividades nesses indicadores.

O resultado de curto prazo foi influenciado principalmente pelos produtos “óleos brutos de petróleo” e “min. ferro e seus concentrados, exc. pelotizado/sinterizado”. Em sentido oposto, os produtos “minérios de cobre e seus concentrados, bruto ou beneficiado” e “gás natural, liquefeito ou no estado gasoso” atuaram para conter a queda observada no setor. Por fim, destaca-se que, de modo geral, os resultados observados encontram-se alinhados ao comportamento do mercado internacional.

Alimentos: depois de dois meses com variações positivas na comparação mensal, na passagem de abril para maio os preços médios dos alimentos recuaram em 2,05%. Com isso, o acumulado no ano, que era de 2,37% em abril, chegou a 0,27%. A variação anual, como tem ocorrido durante nove meses consecutivos, manteve-se no campo negativo, passando de -6,96% em abril para -7,84% em maio.

O destaque dado ao setor se deve à influência sobre o resultado geral, tendo sido a primeira tanto na comparação mensal (-0,48 p.p., em -0,30%) quanto no acumulado em 12 meses (-2,00 p.p., em 1,99%). Vale lembrar também que é o setor de maior peso na indústria brasileira e, no caso do IPP, sua contribuição em maio foi de 23,09%.

Na passagem de abril para maio, há uma coincidência de três produtos listados tanto entre as maiores variações quanto entre as maiores influências; são eles: “açúcar VHP (very high polarization)”, “leite esterilizado / UHT / Longa Vida” e “café torrado e moído, inclusive aromatizado e em cápsulas (mesmo descafeinado)”, todos com recuo de preços. O quarto produto entre os mais influentes é “açúcar cristal”, também apresentando preços médios menores em maio na comparação com abril. A influência desses quatro produtos foi de -2,02 p.p., em -2,05%. Em termos de variação, o quarto produto, e único com variação positiva de preços, é “peles/couros de bovinos e equídeos, frescos/salgados/secos”.

O recuo nos preços dos açúcares está em linha com o avanço da safra da cana de açúcar, mas também não se pode perder de vista a apreciação do real frente ao dólar (de 1,0% na comparação de maio contra abril; de 8,6%, no acumulado no ano; e de 12,1%, na perspectiva interanual). O período da colheita do café, novamente conjugado com a apreciação do real, explica também a queda no preço de “café torrado e moído, inclusive aromatizado e em cápsulas (mesmo descafeinado)”. No caso de “leite esterilizado / UHT / Longa Vida”, o comportamento espalhado de redução dos preços entre as empresas foi justificado ora por uma baixa no preço do leite cru, ora por oportunidades específicas de mercado.

Refino de petróleo e biocombustíveis: depois de dois meses consecutivos com aumento de preços frente ao mês anterior, na passagem de abril para maio os preços do setor apresentaram uma variação de -1,27%. Com isso, no acumulado no ano, os preços, que variaram 9,67% em abril, passaram a variar 8,27% em maio. Na comparação anual, a variação de 5,30% é a maior desde março de 2025 (8,11%).

O destaque dado ao setor está ligado ao acumulado no ano: o resultado de maio foi o quarto mais intenso (no caso, positivo) entre todas as atividades industriais e, com isso, a segunda maior influência (0,81 p.p., em 4,80%).

No confronto entre maio e abril, os quatro produtos destacados em termos de variação apresentaram preços maiores em maio. Já, no caso da influência, em dois produtos os preços de maio foram menores (a influência líquida dos quatro produtos foi de -1,42 p.p., em -1,27%). Esses produtos, por sua vez, estão entre os de maior peso no cálculo do setor: “óleo diesel” (o de maior peso) e “álcool etílico (anidro ou hidratado)” (o terceiro de maior peso). No caso do álcool, o avanço da safra da cana de açúcar é um fator importante para explicar o movimento observado.

Outros produtos químicos: os preços médios da indústria química avançaram 2,14% em maio frente a abril, ainda fortemente influenciados pelo choque nos preços internacionais determinado pelo cenário geopolítico no Oriente Médio.

A taxa é a quarta mais intensa registrada no IPP nesse mês de referência. O aumento de preços respondeu por influência de 0,19 p.p. no índice geral da indústria, colaborando para que o recuo no agregado não tenha sido mais intenso que o -0,30% observado na média das indústrias extrativas e de transformação.

No acumulado no ano, a inflação dos químicos na porta da fábrica avançou para 20,28% após os 17,76% de abril – reflexo da intensidade e continuidade das pressões externas sobre os produtos e insumos negociados pelo setor.

O avanço dos preços frente ao mês imediatamente anterior pode ser diretamente associado ao comportamento na cadeia petroquímica, desde os insumos mais básicos até os produtos de segunda geração, movimento de continuidade em relação ao que se vem percebendo nos últimos meses.

Os segmentos seguiram com preços internacionais pressionados, indicando não apenas o efeito de repasse do custo da nafta, mas também desafios no escoamento nos mercados globais e forte tomada de posições defensivas na recomposição de estoques das cadeias consumidoras. Em alguma medida, produtos de segunda geração também podem ter indicado a internalização do choque ao mercado doméstico.

No caso dos fertilizantes, o mercado indicou certa estabilidade após sofrer, simultaneamente, choque similar ao da petroquímica. O grupo econômico dos produtos inorgânicos, com forte presença de fertilizantes, registrou recuo de 0,42% nos preços. Itens como “adubos ou fertilizantes à base de NPK” exerceram influência negativa nos preços do mês, enquanto, por exemplo, a “ureia” contribuiu de forma positiva para o resultado da cadeia.

Borracha e plástico: a atividade apresentou variação de 4,80% na passagem de abril para maio, após alta de 7,47% em abril, acumulando, assim, uma elevação de 12,62% nos últimos dois meses. Vale ressaltar que, com esse resultado, o setor alcançou 14,78% de variação acumulada em 2026, posicionando-se entre as quatro maiores variações no ano entre as atividades investigadas. No indicador de 12 meses, a variação foi de 14,93%, também situando a atividade entre as quatro maiores, reforçando o impacto recente das altas observadas em abril e maio.

Observa-se que o setor segue refletindo os efeitos da instabilidade no Oriente Médio, que continua pressionando os custos ao longo da cadeia de insumos petroquímicos, com impactos diretos sobre os preços de produção de plásticos. Esse ambiente contribui para a manutenção de variações positivas, ainda que em ritmo menor do que o observado no mês imediatamente anterior.

Destacaram-se entre os produtos com maiores variações e influências nos três indicadores (mensal, acumulado em 12 meses e acumulado no ano), os itens “chapa/semelhante de plástico não alveolares e não reforçadas” e “filmes de material plástico (inclusive BOPP) para embalagem”, sendo este último também aquele de maior peso relativo dentro da atividade.

Por fim, nota-se que todos os produtos que mais contribuíram em termos de variação e influência apresentaram altas, evidenciando um movimento disseminado de elevação de preços dentro da atividade no mês de maio, em linha com a continuidade das pressões sobre os insumos industriais.