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Geociências

Seminário sobre geoinformação celebra o Dia do Cartógrafo na Casa Brasil IBGE

Editoria: Geociências | Pedro Renaux

06/05/2026 09h45 | Atualizado em 07/05/2026 10h13

O IBGE reuniu, ontem (5), especialistas de instituições parceiras para o seminário Geoinformação: conectando saberes e transformando realidades, realizado na Casa Brasil IBGE, no Rio de Janeiro. Durante o encontro, que faz parte das comemorações do Dia do Cartógrafo (6), profissionais da Imagem Geosistemas e Environmental Systems Research Institute (ESRI) apresentaram mapas, tendências, tecnologias e aplicações no campo geoespacial.

Ambas as instituições trabalham em parceria com o IBGE em sistema de informações geográficas (GIS, na sigla em inglês), inteligência de localização e mapeamento.

Na abertura, a diretora de Geociências do IBGE, Maria do Carmo Bueno, ressaltou a diversidade do trabalho de geoinformação. “Neste último século houve uma expansão da geoinformação. Antes era um nicho de cartógrafos, mas com o geoprocessamento, se espalhou. Temos agora uma diversidade de profissionais que lidam com essa tecnologia, como jornalistas e médicos. Na medicina, a epidemiologia é muito ligada à informação geoespacial”, disse.

O executivo de negócios da Imagem, Caio Dias, ressaltou a parceria da empresa com o IBGE em projetos estratégicos. Na sequência, o diretor de Inovação da Imagem, Lúcio Graça, lembrou que as pessoas estão sempre perguntando onde estão seus clientes, onde estão seus concorrentes, onde estão os riscos. "O onde é tão importante que deveria ser tratado como uma ciência. Nesse contexto, instituições como o IBGE, a Imagem e a ESRI praticam a ‘ciência do onde’ com excelência”. Ele também afirmou que a empresa está investindo na GeoIA, que é aplicação de inteligência artificial combinada com dados geoespaciais, para ganhos de produtividade e empoderamento de quem consome a informação.

A palestra principal foi conduzida pela gerente de Desenvolvimento da ESRI, Kate Hess. Ela apresentou uma série de exemplos de como institutos nacionais de estatísticas estão implementando e se beneficiando do GIS e da IA por meio da plataforma geoespacial ArcGIS, que reúne um repertório de ferramentas relacionado a operação de campo, imagens, sensoriamento remoto, visualização 3D, visualização em tempo real, entre outros.
“Todas essas ferramentas têm um papel a desempenhar nas operações dos institutos de estatística. Desde a preparação de um Censo, passando pela coleta dos dados em campo, pela análise, até a disseminação ao público e tomadores de decisão”, disse Kate. Ela também mostrou como o GIS auxilia no planejamento, enumeração e disseminação, três das etapas fundamentais que fazem parte do processo estatístico.

Kate demonstrou as muitas possibilidades do trabalho com geoinformação utilizando a plataforma ArcGIS em diferentes locais do mundo. Por exemplo, como modelos treinados permitem diferenciar edifícios em uma área densamente agrupada a partir de imagens de satélite de um vilarejo na Índia, onde não seria possível distinguir visualmente esses locais. Ela apresentou ainda dados produzidos a partir de imagens de satélites que indicam a existência de rodovias no Kuwait e o acompanhamento da produção agrícola na Alemanha. Em outro exemplo, ilustrado em uma parcela do território da Califórnia, nos Estados Unidos, Kate mostrou funcionalidades que permitem agrupar no mapa pessoas falantes de um determinado idioma.

Caio Riebold, engenheiro de soluções da ESRI, abordou o uso de machine learning e deep learning, subcampos da IA focados em ensinar computadores a aprender com dados. Ele mostrou uma simulação de resposta a eventos migratórios na fronteira entre Colômbia e Venezuela. “Um desafio em operações como essa é uma resposta muito rápida, o que nem sempre é possível. Com o machine learning, conseguimos nos preparar melhor para o futuro e responder melhor o presente”.

Encontro fez parte das comemorações do Dia do Cartógrafo (6). - Fotos: Maria Eduarda Gonçalves
Encontro fez parte das comemorações do Dia do Cartógrafo (6). - Fotos: Maria Eduarda Gonçalves
Encontro fez parte das comemorações do Dia do Cartógrafo (6). - Fotos: Maria Eduarda Gonçalves
Encontro fez parte das comemorações do Dia do Cartógrafo (6). - Fotos: Maria Eduarda Gonçalves
Encontro fez parte das comemorações do Dia do Cartógrafo (6). - Fotos: Maria Eduarda Gonçalves
Encontro fez parte das comemorações do Dia do Cartógrafo (6). - Fotos: Maria Eduarda Gonçalves

Ele apresentou também a página Living Atlas of the World, oferecida pela ESRI, onde estão acessíveis pacotes de deep learning do ArcGIS. “Por aqui, você consegue organizar os parâmetros daquilo que quer extrair, como a contagem de automóveis entre cidades, por exemplo. São modelos desenvolvidos que devem ser treinados e aperfeiçoados para a sua realidade”, ressaltou.

Caio reforçou a necessidade da inteligência e experiência do IBGE no uso da plataforma ArcGIS. “Os senhores têm mais conhecimento do que nós sobre o que devemos extrair, como devemos extrair, quais são os melhores modelos de resposta de qualidade. Seria ótimo trazer os senhores para conversarem com nossos especialistas que estão fazendo essas ferramentas e esses modelos avançarem para sabermos onde precisamos melhorar. Fica aqui o meu convite”, disse.