Plano de trabalho
No Paraná, IBGE apresenta Plano de Trabalho 2026 e busca soberania na gestão de suas bases de dados
22/01/2026 17h28 | Atualizado em 27/01/2026 15h16
Soberania na gestão das bases de dados, com uso de plataformas de softwares livres e criação de ambientes de cooperação com gestores públicos são alguns dos pilares da área de tecnologia das informações presentes no Plano de Trabalho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2026, apresentado hoje (22/01), em Curitiba (PR), na Superintendência Estadual do instituto.
O evento é o terceiro da série de cinco encontros regionais que estão detalhando aspectos do Plano de Trabalho 2026 do IBGE. Na terça-feira (20), o plano foi apresentado em São Francisco do Conde (BA) e na quarta-feira (21), em Brasília (DF). A próxima edição será na sexta-feira (23), em Belo Horizonte (MG), e vai ter como foco os projetos da Diretoria de Pesquisas. O último encontro acontecerá na segunda-feira (26/01), em Macapá (AP), onde serão apresentadas as ações do Plano de Trabalho da Diretoria de Geociências.
De acordo com Marcos Mazoni, diretor de Tecnologia da Informação do IBGE, além de continuar apoiando o trabalho das cerca de 340 pesquisas anuais que o IBGE realiza, a diretoria vai priorizar o desenvolvimento de estruturas e parcerias para o instituto garantir a soberania de suas informações e sistemas: “Hoje o IBGE tem uma estrutura tecnológica própria que chegou a um certo esgotamento em sua capacidade de atendimento diante do crescimento das demandas. E, evidentemente, a introdução de novas tecnologias deve ser pensada nesse processo”.
A primeira aplicação já está em curso: o uso da nuvem soberana do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para armazenamento de dados, com replicação na nuvem de um fornecedor que trabalha com bancos de dados abertos e não está sob o controle de outros países. “O contrato com o Serpro tem por objetivo suprir nossas carências, mas não se apoiando nos fornecedores tradicionais, e sim na própria estrutura do Estado brasileiro, o que nos permitirá continuidade nos aspectos técnicos e financeiros”, explica Mazoni.
Outro ponto é a migração dos circuitos internos de comunicação dos dados para o sistema de transmissão de dados de longa distância da Telebras. “A comunicação dos dados protegidos do IBGE estará na nuvem da Telebras, dentro dos sistemas de comunicação e de proteção de uma empresa pública. Isso diminui o tráfico malicioso e dará mais velocidade aos nossos circuitos. O processo começou agora, com a assinatura do contrato com a Telebras, e devemos terminar todas as migrações até o final de fevereiro”, esclarece o diretor.
O plano de trabalho também prevê a criação de ambientes de cooperação com gestores públicos, com o uso de plataformas de softwares livres. Essa inovação possibilitará a utilização mais adequada dos dados do IBGE para políticas públicas em todo o país, ressalta Mazoni: “Há desigualdades entre os estados na capacidade de geração e de gestão de políticas públicas no Brasil. Muitas vezes, as novas informações estão colocadas no ambiente, mas eles não têm a capacidade do uso dessas informações. Por isso, teremos que criar ferramentas, na lógica da informação aberta, que possam ser replicadas e reutilizadas, com código livre e replicável”.
Na apresentação, Mazoni também falou sobre o acesso a bases de dados de outros órgãos e ministérios para que o IBGE possa aprimorar suas ferramentas de pesquisa e checagem, por meio do cruzamento de informações.
Em apoio aos projetos da Diretoria de Tecnologia e Informação (DTI), o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, ressaltou que atualmente não é mais possível o IBGE realizar grandes investimentos apenas em tecnologia em períodos censitários, pois as estruturas tecnológicas precisam de uma atenção constante. Um passo importante, segundo ele, é perceber que hoje 80% das empresas que processam os dados do país estão no exterior. Nesse sentido, o presidente do IBGE defende o esforço para que os dados do instituto fiquem sob a guarda de empresas nacionais e públicas.
O evento também contou com a participação do reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcos Sunye; do futuro Superintendente Estadual do IBGE no Paraná, Tobias Augusto Rosa Faria, recém-aprovado em processo seletivo interno; e do atual superintendente, Elias Guilherme Ricardo.
Assista à apresentação do Plano de Trabalho 2026 em Curitiba na íntegra: