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Revista Retratos

ODS 13: resiliência e ação para mudanças climáticas

Editoria: Revista Retratos | Luiz Bello | Arte: Simone Mello

07/10/2019 10h00 | Atualizado em 08/10/2019 11h27

“Medidas Urgentes”. A expressão integra o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13 e demonstra a preocupação da comunidade científica internacional com as transformações climáticas. Suas causas, debatidas há décadas, estão ligadas ao aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera, após séculos de atividade industrial e crescimento acelerado das cidades. Suas consequências podem mudar tragicamente a vida da população mundial. Esse foi o tema da entrevista com Denise Kronemberger, coordenadora geral dos ODS no IBGE e responsável pela articulação do Objetivo 13 no Brasil.

A entrevista original foi publicada na última edição da Retratos nº 18, que deixa de ser produzida pelo IBGE em função das medidas adotadas pelo instituto de racionalização de gastos e redução de despesas.

 

Revista Retratos - “Medidas urgentes” é uma expressão incomum em relatórios dos organismos de cooperação internacional. Por que é usada no ODS 13?

Denise Kronemberger - O ODS 13 foca exatamente em adaptação e mitigação. Não tem mais jeito, a mudança climática está aí e o mundo tem que se preparar para aumentar a resiliência perante esses eventos extremos – como furacões mais frequentes e aumento de áreas com desertificação – que vão encontrar populações vulneráveis. Por isso o objetivo fala em “tomar medidas urgentes”.

Retratos - Qual a importância do Censo para esse ODS?

Denise - Para falar da nossa capacidade de adaptação a esses eventos extremos, precisamos das informações detalhadas do Censo. Com isso, a coordenação de Geografia pode georreferenciar as informações dos setores censitários e elaborar polígonos de áreas de risco. A escala mais local é o nível em que todos os países estão discutindo o ODS 13. Além disso, há as informações da Defesa Civil, sistematizadas pelo Ministério da Integração, que tem uma base de dados sobre o número de afetados e de mortos. E ainda há a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic).

Retratos - Foram definidos, até agora, três indicadores para o ODS 13. O primeiro vai mensurar o número de mortos, de desaparecidos e de afetados pelos desastres decorrentes das mudanças climáticas. Quais são as fontes para esse indicador no Brasil?

Denise - As Defesas Civis dos estados e municípios. Quem consolida é o Ministério da Integração. É um desafio que o IBGE enfrenta. Não temos todas as informações, tem que ser um trabalho colaborativo. Daí a relação com o ODS 17, que fala em parcerias e meios de implementação.

Retratos - O segundo indicador fala sobre o número de países que adotam e implementam estratégias nacionais de redução de risco de desastres. Quais seus principais aspectos?

Denise - Ele faz muito sentido para a ONU Desastres. Quais são os países que ainda não têm estratégia nacional, em linha com as últimas recomendações internacionais (Quadro de Sendai)? Esse é um primeiro aspecto. Mais tarde, será preciso avaliar a eficiência dessas estratégias, incluindo um sistema de monitoramento e alerta, como o que já é feito no Brasil pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O foco é sempre a redução do risco, e não é somente o de deslizamentos, mas também de aumentarem as doenças tropicais e de afetar a agricultura, por exemplo.

Retratos - O terceiro indicador é sobre as prefeituras que implementam estratégias locais de redução de risco, em linha com as estratégias nacionais. A principal fonte é a Munic?

Denise - Sim. E aí vemos, mais uma vez, a importância do IBGE na produção de informações para o ODS 13. Esse indicador foi construído com 25 variáveis, que mostram a estrutura do município para lidar com os desastres, como a existência de mapeamentos de áreas de risco e de programas habitacionais para realocar a população de baixa renda. Para aumentar a resiliência e a população ser capaz de, após sofrer uma inundação, por exemplo, conseguir adaptar-se e voltar ao equilíbrio inicial. A partir dessas informações, é possível avaliar onde investir os recursos públicos, que são cada vez mais escassos.

Retratos - Além desses, há outro indicador que poderia ser incluído no ODS 13?

Denise - As emissões de gases do efeito estufa. Grande parte dos países já tem informações disponíveis, pois se reportam à Convenção do Clima. No Brasil, o Ministério da Ciência e Tecnologia tem essa informação anual, além do Inventário Nacional de Gases do Efeito Estufa. Mas enquanto esse indicador não for considerado global, não iremos trabalhar com ele.

Retratos - As definições metodológicas de cinco indicadores do ODS 13 não foram concluídas. Como isso está sendo encaminhado?

Denise - Este ano, a Conferência da Mudança do Clima certamente vai propor alguns substitutos. É um processo demorado, que envolve especialistas e os vários institutos nacionais de estatísticas. O indicador de agricultura sustentável, por exemplo, continua sendo discutido junto à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O ODS 13 é formado por oito subindicadores. Alguns países nem têm todas essas informações. É um desafio. Estamos lidando com temas que nunca foram trabalhados. As informações ambientais são recentes, não têm a mesma tradição das informações sociais e das econômicas. E isso não somente no Brasil.

 


Palavras-chave: ODS, Clima, Atmosfera, Indústria, Cidades.