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Começa, no Rio de Janeiro, o mais importante congresso de estatística do mundo

24/07/2015 10h46 | Atualizado em 25/05/2017 12h48

 

Na tarde de domingo, 26 de julho, será aberto oficialmente o 60º Congresso Mundial de Estatística doInternational Statistical Institute (ISI). Reunindo os especialistas mais respeitados da estatística, o ISI irá discutir como os diversos aspectos da nossa realidade econômica, social e ambiental serão medidos ao longo do século XXI. Com 130 anos de existência, o ISI é a mais antiga e mais importante associação de estatísticos do mundo. Em 2015, pela primeira vez, um brasileiro ocupará a sua presidência. O IBGE é o anfitrião do evento que, depois de 60 anos, volta a se realizar em nosso país. O ISI 2015 acontecerá no Riocentro, zona oeste do Rio de Janeiro, de 26 a 31/07, das 9h às 17:40h. Os jornalistas interessados em se credenciar devem procurar a Coordenação de Comunicação Social do IBGE.

 

 

Além da presidente do IBGE e de um representante do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, dirigentes dos principais órgãos de estatística do mundo estarão presentes à solenidade de abertura, que terá início às 16h de domingo, 26/07.

Cinquenta sessões por dia

1.600 inscritos. 1.300 artigos. 250 sessões convidadas ou especiais em cinco dias. Por trás desses números, o estado da arte em estudos estatísticos produzidos por 130 países.

Nas cinquenta sessões que acontecerão em cada um dos seis dias do ISI 2015 serão abordados os mais recentes avanços em diferentes áreas teóricas da estatística. É uma tradição dos congressos do ISI discutir aplicações estatísticas que abrangem todas as áreas do conhecimento e afetam profundamente a vida do cidadão comum.

Segunda-feira (27/07) - Estatísticas industriais e o futuro das pesquisas amostrais estão entre os temas discutidos pela manhã, além do uso de análise multivariada em Astronomia e das pesquisas conduzidas pelos bancos centrais de diferentes países. À tarde, os destaques são: neuroestatísticas; abordagens estatísticas em estudos sobre a corrupção; as mudanças nos padrões da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para estudos sobre desemprego e a evolução das pesquisas sobre deficiência física em adultos e crianças.

Terça-feira (28/07) - A privacidade e a confidencialidade na era do big data; mulheres nas estatísticas e o desequilíbrio entre os gêneros; desafios na comparabilidade internacional dos indicadores sobre deficiência física; estatísticas da dívida pública dos governos; como estamos medindo a urbanização e seus problemas; teoria e prática na quantificação das Smart Cities são alguns dos destaques do dia, quando também acontecerão quatro sessões sobre estatísticas e meio ambiente.

Quarta-feira (29/07) - Aplicações estatísticas em imagens de satélite; estimação em pequenas áreas com dados comerciais e econômicos; métodos quantitativos para investigar a fome e a pobreza são alguns dos temas discutidos nesse dia, quando também haverá uma sessão sobre como as estatísticas podem ajudar a tomar decisões e a prever resultados no esporte. Haverá, ainda, uma sessão organizada pelo Instituto Interamericano de Estatísticas sobre a implantação dos censos demográficos inteiramente digitais nas Américas, uma inovação adotada de forma pioneira pelo IBGE, ainda em 2010.

Quinta-feira (30/07) – A quantificação de populações indígenas nos diferentes países será tema nesse dia. Os desafios para a estatística na América Latina; o uso de dados obtidos através das mídias sociais no monitoramento epidemiológico e ambiental; o desenvolvimento de indicadores para direitos humanos também são destaques.

Sexta-feira (31/07) – As perspectivas na área das estatísticas genéticas; quantificando direitos humanos; o sensoriamento remoto em estatísticas agrícolas; engenharia estatística; o desafio do big data e as estatísticas oficiais; o índice da “economia verde” e os países em desenvolvimento; teoria e prática das estatísticas indo além das fronteiras nacionais, numa economia aberta e globalizada estão entre os destaques do último dia do ISI 2015.

Durante a semana, várias sessões do ISI discutirão os desafios e o futuro do ensino de estatísticas, além dos diversos aspectos da cooperação internacional entre os órgãos oficiais de estatística. Veja a programação completa aqui. O idioma oficial do evento é o inglês.

130 anos de estatísticas e cidadania

Fundado em 1885, o International Statistical Institute é a mais antiga e mais importante associação de estatísticos do mundo. Sua missão é promover a compreensão, o desenvolvimento e as boas práticas nas diversas áreas da estatística. Tem cerca de quatro mil membros originários de 130 países, dos quais mais de dois mil são eleitos em função de suas contribuições científicas.

Vários de seus integrantes participaram da elaboração dos Princípios Fundamentais das Estatísticas Oficiais, adotados por diversos institutos nacionais de estatísticas (inclusive o IBGE) e recentemente endossados pela Assembleia Geral da ONU. Os congressos bienais do ISI vêm se realizando desde 1887 (Roma), com duas breves interrupções durante as duas guerras mundiais. O Brasil estava entre os 11 países representados no primeiro congresso do ISI.

Pela primeira vez o ISI será presidido por um brasileiro

Em 2015, o professor Pedro Luis do Nascimento Silva, pesquisador-titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE), foi eleito presidente do ISI. É a primeira vez que um brasileiro recebe essa responsabilidade, o que traduz o reconhecimento internacional da estatística produzida em nosso país e, também, do IBGE, anfitrião dessa edição do congresso mundial.

Doutor em Estatística pela University of Southampton (1996), o professor Pedro é considerado o mais importante especialista do Brasil na área das pesquisas amostrais. No IBGE, há mais de 30 anos desempenha importante papel no desenvolvimento de métodos estatísticos. No exterior, foi professor da Universidade de Southampton e consultor do Office for National Statistics, no Reino Unido. Também presidiu a International Association of Survey Statisticians e o Instituto Interamericano de Estatística. Em 2014, foi eleito fellow da American Statistical Association, titulação concedida anualmente e limitada a menos de 1% dos membros dessa associação.

Há 60 anos, os grandes nomes da Estatística visitavam Petrópolis

Essa não é a primeira vez que o congresso do ISI acontece no Brasil. Em 1955, o país foi sede do 29º Congresso Mundial de Estatística, que reuniu os ‘grandes’ desse campo científico, cujos nomes estão, hoje, associados a métodos, equações ou teoremas fundamentais. Há exatos 60 anos, a cidade de Petrópolis recebeu mais de cem cientistas, oriundos de 40 países, entre os quais estavam o inglês Ronald Fisher (fundador da estatística moderna, que também deu enorme contribuição à genética), o indiano Calyampudi Radhakrishna Rao (teórico da inferência estatística, ainda ativo), os estadunidenses Walter Willcox (estatística não-paramétrica e o teste que leva seu nome) e Gertrude Cox (planejamento de experimentos estatísticos), o francês Émile Borel (introdutor do teorema do macaco infinito e do lema de Borel–Cantelli) e o italiano Corrado Gini (criador do famoso índice que mede a desigualdade de renda).

O então ministro das Relações Exteriores, Raul Fernandes, abriu o evento. A delegação brasileira foi chefiada por Teixeira de Freitas (idealizador do IBGE, que organizou a estatística brasileira através da integração das três esferas de governo) e também contou com o italiano Giorgio Mortara (pai da demografia brasileira, que coordenou os dois primeiros censos populacionais do IBGE). Durante o congresso, o Hotel Quitandinha (um dos mais luxuosos do país, na época) abrigou uma exposição aberta ao público, com diversos painéis sobre a realidade social e econômica do Brasil, além de uma coleção de publicações produzidas pelos institutos oficiais de estatística de diversos países.