Pintec 2014: taxa de inovação se mantém estável e apoio governamental aumenta

09/12/2016 10h32 | Atualizado em 25/05/2017 12h48

 

Entre 2012 e 2014, 36,0% das 132.529 empresas brasileiras com 10 ou mais trabalhadores fizeram algum tipo de inovação em produtos ou processos, taxa próxima da apresentada no triênio anterior (35,7%). É o que revela a Pesquisa de Inovação (Pintec) 2014, que destaca também como o percentual de empresas inovadoras beneficiadas com algum incentivo do governo cresceu de 2009-2011 (34,2%) para 2012 a 2014 (40,0%). Entre esses programas de incentivo está o de compras públicas de produtos inovadores, item pela primeira vez destacado no questionário, que incentivou 2,0% das empresas inovadoras.

A Pintec mostra ainda que em 2014 as empresas investiram R$ 81,5 bilhões em atividades inovativas, representando 2,54% da receita líquida total de vendas. Na indústria, essa relação foi de 2,12%, menor patamar histórico já registrado pela pesquisa. Do total de gastos feitos pelas empresas inovadoras, R$ 24,7 bilhões foram para atividades internas de pesquisa e desenvolvimento (P&D), atingindo 0,77% da receita líquida do ano.

Entre as novidades da Pintec 2014, está a análise sobre o quantitativo de mulheres atuando como pesquisadoras nas atividades internas de P&D nas empresas. O índice foi de 20,85% e a atividade que registrou a maior participação foi a de Fabricação de produtos farmoquímicos (75,3%).

A publicação completa da Pintec 2014 pode ser acessada aqui.

Mais de 47 mil empresas inovaram entre 2012 e 2014

No período de 2012 a 2014, das 132.529 empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas, 47.693 implementaram produtos ou processos novos ou significativamente aprimorados. A taxa geral de inovação foi de 36,0%, 0,3 ponto percentual acima do verificado no triênio de 2009 a 2011 (35,7%), o que indica uma situação de estabilidade.

A indústria contribuiu positivamente para esse resultado, principalmente as empresas extrativas, que tiveram 42,0% de inovadoras, contra 18,9% da edição anterior. Na indústria de transformação, o percentual subiu de 35,9% (2011) para 36,3% (2014). No total da indústria, a variação foi de 35,6% (2011) para 36,4% (2014). Entre as empresas de eletricidade e gás, 29,2% foram inovadoras e no âmbito dos serviços, 32,4%. No período anterior as taxas foram de 44,1% e 36,8% e respectivamente.

Na Pintec 2014, houve uma predominância de empresas que inovaram apenas em processo tanto na indústria (18,2%), quanto no setor de eletricidade e gás (22,1%). Nos serviços, predominaram as que inovaram tanto em produto quanto em processo (15,9%).

Investimentos nas atividades internas de P&D representaram 0,77% da receita líquida das empresas

Do total de R$ 81,5 bilhões investidos pelas empresas nas atividades inovativas em 2014, 30,3% (R$ 24,7 bilhões) foram gastos em atividades internas de P&D. O total dos dispêndios das empresas inovadoras representou 2,5% da receita líquida de vendas neste ano, já os gastos nas atividades internas de P&D representaram 0,77%.

Nas empresas industriais, o percentual do dispêndio no total das atividades inovativas em relação à receita líquida de vendas passou de 2,37% em 2011 para 2,12% em 2014, o menor patamar histórico já registrado pela pesquisa, e razoavelmente distante daquele registrado em 2008 (2,54%). Nas empresas de serviços, essa relação passou de 4,96% do faturamento em 2011 para 7,81% em 2014, acréscimo fortemente influenciado pelos serviços de telecomunicações, cujo valor subiu de 3,66%, em 2011, para 9,99%, em 2014. Nas empresas de eletricidade e gás, essa relação passou de 1,28% do total de sua receita em 2011 para 0,57% em 2014.

Aquisição de máquinas e equipamentos foi considerada a atividade mais importante para viabilizar as inovações industriais

Na indústria, a aquisição de máquinas e equipamentos foi considerada por 73,8% das empresas inovadoras a atividade mais relevante para viabilizar suas inovações. Na sequência vieram o treinamento (61,7%) e aquisição de software (31,7%). Nos serviços selecionados, a ordem ficou treinamento (67,5%), aquisição de máquinas e equipamentos (60,8%) e aquisição de software (52,6%). A aquisição externa de P&D foi considerada como a atividade menos importante tanto para a indústria (5,4%) quanto para os serviços (5,3%).

No setor de eletricidade e gás, a aquisição externa de P&D apresentou-se como a mais relevante para 76,3% das empresas inovadoras, diferente dos 30,9% do período anterior. As atividades relacionadas a treinamento (71,8%) e aquisição de software (62,3%) aparecem na sequência.

Aumenta o número de trabalhadores em atividades de P&D, mas com migração de dedicação exclusiva para parcial

Segundo a Pintec 2014, aproximadamente 110 mil pessoas, em equivalência de dedicação total, estavam ocupadas em empresas inovadoras com dispêndios em atividades internas de P&D, sendo 76,2 mil na indústria, 33,2 mil nas empresas dos serviços selecionados e 531 nas empresas de eletricidade e gás. Em relação à edição anterior, houve acréscimo de 6,5% no total das pessoas ocupadas, sendo de 6,9% na indústria, de 6,5% nos serviços e uma diminuição de 29,0% nas empresas de eletricidade e gás.

Aproximadamente 63,4% das pessoas ocupadas nas atividades de P&D das empresas inovadoras possuíam ocupação de pesquisador, 28,0% de técnicos e 8,6% de auxiliares. Em comparação a 2011, houve uma diminuição na participação de pesquisadores (65,3%) e aumento na proporção de técnicos (26,4%) e auxiliares (8,4%).

Das pessoas que trabalhavam com as atividades de P&D, 71,5% possuíam nível superior, sendo 61,4% graduadas e 10,2% pós-graduadas, um aumento em relação ao ano de 2011, quando as participações foram de 69,2% nas pessoas com nível superior, sendo 58,5% graduadas e 10,7% com pós-graduação.

Observado também em 2014, o movimento de migração de trabalhadores em regime de dedicação exclusiva para parcial nas atividades industriais, o que acontece desde 2008. A participação das pessoas ocupadas de forma exclusiva foi de 76,3% em 2008, passando para 65,1% em 2011 e chegando a 61,4% em 2014.

Apenas uma em cada cinco pesquisadores são mulheres

Em 2014, do total de 94.277 pesquisadores nas atividades internas de P&D das empresas inovadoras no Brasil, apenas 19.660 eram mulheres (20,85%). A maior participação foi na indústria (22%), em seguida vinham os serviços selecionados (18,2%) e as empresas de eletricidades e gás (16,1%).

As atividades com maior percentual de mulheres foram todas dentro da indústria de transformação: Fabricação de produtos farmoquímicos (75,3%), Fabricação de sabões, detergentes, produtos de limpeza, cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal (66,2%) e Fabricação de produtos farmacêuticos (60,2%). As de menor percentual foram a de Fabricação de máquinas e equipamentos para a agropecuária (3,7%) e Fabricação de cabines, carrocerias, reboques e recondicionamento de motores (5,9%), igualmente dentro da indústria de transformação.

Percentual de empresas como principais responsáveis pelo desenvolvimento de inovações de produtos diminui para 78,1%

Houve uma diminuição do percentual de empresas na condição de principais responsáveis pelo desenvolvimento de inovações de produto de 2009-2011 (82,6%) para 2012-2014 (78,1%). Na Pintec 2008, o valor havia sido de 84,4%.

Por outro lado, em todos os grandes setores, houve um aumento de 2011 para 2014 no percentual de empresas cuja inovação de produto teve, como principal desenvolvedor, outras empresas ou institutos. Na indústria, passou de 9,1% para 11,7%; no setor de eletricidade e gás, de 9,2% para 20,9%; e nos serviços, de 2,7% para 10,2%.

Em relação a processos inovativos, outras empresas ou institutos apareceram como principais responsáveis na indústria (67,4%), no setor de eletricidade e gás (65,3%) e nos serviços (51,1%), refletindo em grande parte o peso representado pela aquisição de tecnologia incorporada em máquinas, equipamentos e em software produzidos por terceiros. A própria empresa foi apontada como principal desenvolvedora em 25,5% das situações na indústria, em 42,5% nos serviços e no setor de eletricidade e gás, apenas em 3,4%.

Na indústria, clientes passam a ser fonte de informações mais importante que fornecedores

As redes digitais continuaram representando a principal fonte de informação para inovar no âmbito da indústria (78,8%) e dos serviços (89,3%) e os fornecedores se sobressaíram para o setor de eletricidade e gás (83,9%).

Na Pintec 2014, chama atenção, em relação a 2011, o fato de que, na indústria, os clientes (73,3%) ultrapassaram os fornecedores (70,7%), assumindo a segunda posição nessa categoria.

Cooperação volta a decrescer na indústria

Na indústria, em 2014, 14,3% das empresas inovadoras cooperaram para a inovação com pelo menos um de seus parceiros (clientes, fornecedores, outras empresas etc). Em 2011, esse índice havia atingido 15,9%, 5,8 pontos percentuais (p.p.) a mais do que o verificado na Pintec 2008 (10,1%).

Os níveis tendem a ser mais expressivos no setor de eletricidade e gás: 55,0% do total de empresas inovadoras cooperaram, sendo que, na faixa com 500 ou mais pessoas ocupadas, essa taxa chega a 95,0%.

Capacidade de manutenção da participação da empresa no mercado foi o principal impacto das inovações industriais

Na indústria, em 2014, o principal impacto das inovações esteve relacionado à capacidade de manutenção da participação da empresa no mercado (81,5%), seguido por inovações que melhoraram a qualidade dos bens e serviços (80,1%). Os impactos menos relevantes foram ligados ao meio ambiente como o consumo de água (19,5%), de energia (28,4%), e de matérias primas (34,1%).

A melhoria na qualidade de bens e serviços foi o principal impacto nos serviços selecionados (87,8%) e nas empresas de eletricidade e gás (75,5%).

Aumenta o percentual de empresas que receberam apoio do governo para inovar

Entre 2012 e 2014, 40,0% das empresas inovadoras receberam algum apoio do governo para suas atividades inovativas, proporção maior que a observada no período 2009-2011 (34,2%). Entre as empresas inovadoras industriais, essa taxa vem apresentando crescimento desde 2006-2008 (22,8%), ficou em 34,6% no período de 2009-2011 e na Pintec 2014 alcançou 40,4%.

O principal mecanismo utilizado no intervalo 2012-2014 foi o financiamento para compra de máquinas e equipamentos, contemplando 29,9% das empresas inovadoras, 4,3 pontos percentuais acima do constatado no triênio anterior. Os incentivos fiscais à P&D e inovação tecnológica, dispostos na Lei do Bem (Lei nº 11.196, de 21.11.2005), atingiram 3,5% das empresas inovadoras entre 2012 e 2014, ante 2,7% registrados entre 2009 e 2011.

As compras públicas de produtos inovadores, programa pela primeira vez destacado no questionário da pesquisa, incentivaram 2,0% do total das empresas inovadoras e 1,4% das empresas inovadoras industriais.

Apesar do aumento de empresas inovadoras que utilizaram ao menos um instrumento de apoio governamental, a principal fonte de financiamento das atividades inovativas realizadas pelas empresas foram os recursos próprios. Para as atividades de P&D interno, o percentual financiado pelas próprias empresas foi de 84,0% (87,0% em 2011), enquanto para as demais atividades (inclusive aquisição de P&D externo), 85,0% dos recursos originaram-se das próprias empresas (78,0% em 2011).

Os principais obstáculos à inovação foram econômicos

Na Pintec 2014, o elevado custo, como em todas as outras edições da pesquisa, ocupou o primeiro posto como obstáculo à inovação na indústria (86,0%), seguido pelos riscos (82,1%) e pela escassez de fontes de financiamento (68,8%). A falta de pessoal qualificado vinha avançando posições no ranking, chegando a aparecer, em 2011, como o segundo maior entrave na indústria (72,5%). Em 2014, esta categoria passou a ocupar a quarta colocação (66,1%). Os elevados custos também foram os obstáculos mais relevantes nos serviços (88,5%), enquanto no setor de eletricidade e gás, a primeira posição foi assumida pelos riscos (69,9%).

Na edição 2014 da Pintec, 17,0% das empresas inovadoras informaram ter utilizado pelo menos um dos métodos estratégicos para proteger suas inovações. O principal foi o segredo industrial (10,7%) seguido pelo tempo de liderança sobre os competidores (6,5%) e a complexidade no desenho (5,7%).

Em 2014, das 47,7 mil empresas inovadoras em produto ou processo, 86,7% realizaram ao menos uma inovação organizacional ou de marketing, sendo 79,1% introduzindo ao menos uma inovação organizacional e 62,3% alguma inovação de marketing. Comparando com o período anterior (2009-2011), esta proporção aumentou para todas as atividades. Naquele período, os mesmos percentuais haviam sido, respectivamente, 85,9%, 77,2% e 60,7%.

A Pintec mostra que 3,4% das empresas inovadoras (2.583 empresas) engajaram-se em atividades da biotecnologia em 2014. Para a nanotecnologia, este percentual foi de 1,8% (975 empresas). Deste modo, registra-se, em relação ao período anterior (2011), um aumento de 41,9% no número de empresas com atividades em biotecnologia e uma queda de 13,8% em nanotecnologia.