Mais de 40 milhões de pessoas gostariam de fazer qualificação profissional, mas apenas 3,4 milhões frequentavam esse tipo de curso em 2014

23/03/2017 10h47 | Última Atualização: 02/06/2017 08h52

 

Mais de 40 milhões de pessoas tinham interesse em fazer curso de qualificação profissional, em 2014, no entanto apenas 2,2% das pessoas de 15 anos ou mais (3,4 milhões de pessoas) estavam frequentando esses cursos e 15,6% haviam frequentado anteriormente (24,7 milhões de pessoas). A qualificação profissional é a modalidade mais acessível à população uma vez que muitos desses cursos independem de uma escolaridade prévia para sua realização. Além dos cursos de qualificação profissional, integram a educação profissional, o curso superior de tecnologia e o técnico de nível médio. A demanda por cursos de qualificação profissional concentrava-se em um perfil jovem (45,4% das pessoas tinham entre 15 e 29 anos) e de alta escolaridade (48,1% tinham 11 anos ou mais de estudo), sendo 54,7% de mulheres, 59,6% pretas ou pardas e 68,7% de pessoas ocupadas.

Em 2014, apenas 6,6% dos estudantes universitários cursavam graduação tecnológica (cursos de curta duração), o que representava em números absolutos cerca de 477 mil pessoas. Esse percentual foi maior entre os homens (8,6%) do que entre as mulheres (5,0%), assim como entre os ocupados (7,6%) do que entre os não ocupados (4,6%).Destaca-se que 75,9% dos estudantes de graduação tecnológica conciliavam trabalho com estudo, 78,0% frequentavam cursos na rede privada de ensino e 77,0% assistiam as aulas no turno noturno.

A pesquisa mostra que 1,2 milhão de pessoas frequentaram anteriormente a 2014 a graduação tecnológica, o que corresponde a 5,8% do total de pessoas que já haviam frequentado o ensino superior. A rede privada foi responsável por 81,1% dos cursos frequentados e a conclusão do curso foi alcançada por 85,0% das pessoas que frequentaram essa modalidade. Dentre os que não concluíram, 31,9% apontaram como causa a dificuldade financeira e, 25,7%, a dificuldade no cumprimento do horário do curso. Entre as pessoas que concluíram cursos de graduação tecnológica, 68,8% trabalhavam ou haviam trabalhado na área de formação. Já entre aqueles que nunca trabalharam, 33,3% alegaram que havia falta de vagas na área.

No ensino médio, o percentual de estudantes frequentando curso técnico chegou a 9,0% (812 mil alunos), em 2014, com prevalência da rede pública (55,1%) e da dedicação ao estudo (71,4% não estavam ocupados). Os estudantes de nível técnico no Brasil tinham rendimento domiciliar per capita mais alto (R$ 822) do que o dos estudantes de ensino médio de cursos não técnicos (R$ 763). Entre as pessoas que anteriormente frequentaram o ensino médio, 9,3 milhões haviam cursado a modalidade técnica (12,3%), 93,1% concluíram esse curso e 40,3% nunca trabalharam na área de formação do curso concluído.

Essas e outras informações que integram o suplemento PNAD 2014 de Educação e Qualificação Profissional, realizado em convênio com o Ministério da Educação e com o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, estão disponíveis aqui.

Apenas 3,4 milhões estavam frequentando cursos de qualificação profissional

A pesquisa apontou que, em 2014, apenas 2,2% das pessoas de 15 anos ou mais (3,4 milhões) estavam frequentando cursos de qualificação profissional, mais acessíveis à população, uma vez que muitos desses cursos independem de uma escolaridade prévia para sua realização. A participação nesses cursos era de 2,3%, entre as mulheres, e 2,1% entre os homens. Já entre os pretos ou pardos era de 2,2% e entre os brancos, 2,1%.

40,1 milhões de pessoas tinham interesse em fazer algum curso de qualificação profissional. Prevaleceu nesse grupo um perfil jovem entre 15 a 29 anos (45,4%), 54,7% eram mulheres, 59,6% se declararam pretas ou pardas e 68,7% estavam ocupadas na semana de referência. Em termos de anos de estudo, 48,1% das pessoas com interesse em cursar a qualificação profissional tinham 11 anos ou mais de estudo, 24,8% tinham entre 8 e 10 anos e o restante possuía menos de 8 anos de estudo.

No grupo de 3,4 milhões de pessoas que frequentavam cursos, houve maior participação em cursos de qualificação profissional entre os ocupados (2,3%), em comparação aos não ocupados (1,9%). Constata-se que o percentual de pessoas em cursos dessa natureza profissional era maior entre o grupo de pessoas mais jovens, de 15 a 29 anos (3,7%) e entre as pessoas mais escolarizadas, com 11 anos ou mais de estudo (3,3%).

A pesquisa mostrou, também, que 2,1% dos estudantes frequentavam cursos em instituições beneficentes ou filantrópicas, 5,1% tinham a formação profissional no empreendimento que trabalhavam, 19,1% frequentavam a rede pública, 24,7% estavam em cursos vinculados ao Sistema S (Senac, Sesi, Sesc, Sebrae, outros) e 49,0% estavam em outras instituições particulares.

94,5% dos estudantes cursavam a qualificação de forma presencial. Já o formato a distância se mostrou mais importante entre as pessoas ocupadas, 7,1%, do que entre as não ocupadas, 2,3% dos estudantes. Entre os estudantes que realizavam o curso presencialmente, o turno unicamente noturno apresentou o maior percentual entre os estudantes ocupados (42,8%), enquanto entre os estudantes não ocupados, o turno unicamente diurno concentrou 67,4% dessas pessoas.

15,2% dos estudantes ocupados e 14,4% daqueles não ocupados declararam a existência de alguma dificuldade para frequentar o curso. As principais dificuldades foram a financeira, declarada por 5,6% dos estudantes não ocupados e 3,5% dos ocupados, assim como a dificuldade de acesso ao local do curso, respectivamente de 5,1% e 4,1%. A dificuldade para cumprir o horário do curso também se mostrou importante entre o grupo de estudantes ocupados, totalizando 4,0%.

O rendimento domiciliar médio per capita entre as pessoas que frequentavam cursos de qualificação foi de R$ 1.203, enquanto entre aquelas que não frequentavam, esse valor foi de R$ 1.104, uma diferença pequena em relação a média do rendimento para o total de pessoas(R$ 1.106).

24,7 milhões de pessoas frequentaram anteriormente cursos de qualificação profissional no Brasil

No grupo de 24,7 milhões de pessoas que frequentaram anteriormente curso de qualificação profissional, 15,7 milhões (9,9%) iniciaram o curso até 2010 e 9,0 milhões começaram no período 2011 a 2014. Nesses últimos 4 anos, o número de pessoas que cursaram a qualificação profissional correspondeu a quase 60% daquelas que frequentaram a modalidade até 2010.

Para as pessoas que frequentaram a modalidade após 2011, apenas 7,1% não concluíram o curso, por dois motivos principais: dificuldade no cumprimento do horário do curso (24,7%) e dificuldade financeira (21,1%).

A pesquisa mostrou que mais da metade das pessoas (52,3%) que concluíram o curso exerceram, em algum momento, trabalho na área da sua formação. E dentre o total de pessoas, 39,8% estavam trabalhando nessa área. Entre os homens, 59,6% exerceram algum trabalho na área, sendo que 46,7% continuavam ocupados na sua área de formação.

47,7% das pessoas que concluíram um curso de qualificação profissional nunca trabalharam na área desse curso, e entre as mulheres esse percentual foi ainda maior, 54,8%. Segundo a cor ou raça, observa-se que as pessoas que se declararam pretas ou pardas apresentaram um percentual maior de não exercício de trabalho na área de formação profissional (53,3%) do que entre as pessoas brancas (40,7%). A permanência em trabalho na área do curso foi maior entre os brancos, 47,7%, do que entre os pretos e pardos, 33,5%.

Dentre as cerca de 4 milhões de pessoas que concluíram curso mas nunca trabalharam na área, 31,1% alegaram a falta de vagas para trabalhar na área como motivo mais importante, e 16,2% relataram ter conseguido emprego em outra área. A falta de interesse foi declarada por 15,3% e 13,2% das pessoas nunca trabalharam na área da formação, porque decidiram continuar os estudos.

6,6% dos estudantes de nível superior cursavam graduação tecnológica

Em 2014, dos 7,3 milhões de estudantes do ensino superior brasileiro, 477 mil (6,6%) estavam cursando a graduação tecnológica. Esse percentual foi maior entre os homens (8,6%) do que entre as mulheres (5,0%), assim como entre os ocupados (7,6%) do que entre os não ocupados (4,6%).Destaca-se que 75,9% dos estudantes de graduação tecnológica conciliavam trabalho com estudo, 78,0% frequentavam cursos na rede privada de ensino e 77,0% assistiam as aulas no turno noturno.

A frequência nos cursos de graduação tecnológica concentrava-se na rede particular (78,0% das pessoas), sendo o restante (22,0%) na rede pública, e o curso presencial foi o escolhido por 82,2%. Dentre os estudantes investigados, 20,4% declararam que tinham alguma dificuldade para realizar tais cursos. Eles alegaram a dificuldade financeira (27,9%), de acesso ao local do curso (25,9%) e de cumprimento do horário do curso (25,0%) como os principais motivos.

Houve leve predomínio de estudantes de curso superior tecnológico nas faixas de 1 a 5 salários mínimos de rendimento domiciliar per capita, enquanto nos cursos não tecnológicos, os alunos pertenciam a classes de rendimento inferiores a 1 salário ou a classes de rendimento domiciliar superiores a 5 salários mínimos per capita.

Razão financeira foi a principal causa de desistência do curso superior tecnológico

A pesquisa mostra 1,2 milhão de pessoas frequentaram anteriormente a graduação tecnológica, o que corresponde a 5,8% do total de pessoas que já haviam frequentado o ensino superior.

A rede privada foi responsável por 81,1% dos cursos frequentados e a conclusão do curso foi alcançada por 85,0% das pessoas que frequentaram essa modalidade. Dentre os que não concluíram, 31,9% apontaram como causa a dificuldade financeira e 25,7% a dificuldade no cumprimento do horário do curso. Entre as pessoas que concluíram cursos de graduação tecnológica, 68,8% trabalhavam ou haviam trabalhado na área de formação. Já entre aqueles que nunca trabalharam, 33,3% alegaram que havia falta de vagas na área como principal motivo, 29,9% disseram ter conseguido emprego em outra área e 11,8% relataram falta de interesse em trabalhar na área de formação.

Verifica-se ainda que pessoas que frequentaram curso superior de tecnologia tinham, em 2014, um rendimento médio domiciliar per capita menor do que entre as pessoas que frequentaram anteriormente cursos não tecnológicos (bacharelado ou licenciatura), respectivamente R$2.294 e R$2.933.

9,0% dos estudantes de nível médio frequentam curso técnico

Em 2014, dos 9,0 milhões de estudantes do ensino médio, 812 mil frequentavam curso técnico de nível médio (9,0%). Apesar de existirem cursos técnicos de nível médio realizados a distância, essa forma ainda era pouco utilizada em 2014 (1,1%). Com relação ao turno, 58,9% dos estudantes não ocupados frequentavam cursos exclusivamente diurnos e 51,4% dos ocupados frequentavam cursos exclusivamente noturnos.

No grupo de estudantes de nível técnico, 71,4% não estavam ocupados na semana de referência. Desse percentual, 60,8% frequentavam cursos técnicos oferecidos pela rede pública e 39,2% na da rede privada. Entre os ocupados, a rede particular foi predominante (59,1%). Os cursos particulares vinculados ao Sistema S (Senac, Sesi, Sesc, Sebrae, outros) representavam 20,7% dos estudantes ocupados e 17,8% dos não ocupados. As frequências a outras instituições particulares, segundo a situação ocupacional, foram, respectivamente, 37,5% e 20,8%.

Entre as pessoas que frequentavam essa modalidade de ensino, 67,2% não estavam vinculados ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), 20,5% estavam e 12,3% não souberam responder.

Os estudantes de cursos técnicos residiam em domicílios cujo rendimento domiciliar per capita era mais alto (R$ 822) do que o dos estudantes de ensino médio de cursos não técnicos (R$ 763).

59,7% das pessoas que frequentaram curso técnico de nível médio haviam trabalhado na área da sua formação profissional

Dos 75,4 milhões de pessoas que possuíam os requisitos mínimos para frequentar o curso técnico de nível médio e que não estavam frequentando o ensino médio regular ou técnico em qualquer uma das suas três modalidades, 9,3 milhões haviam cursado essa modalidade anteriormente (12,3%). Desse total, 93,1% haviam concluído com aprovação tal curso. Entre os que não concluíram, 23,3% alegaram dificuldade em cumprir o horário do curso, 19,5%, falta de tempo para estudar e 18% dificuldades financeiras.

Do total de pessoas que haviam frequentado um curso técnico antes de 2014, 77,7% estavam ocupadas na semana de referência, 59,7% dos que concluíram com aprovação essa modalidade já haviam trabalhado na área de sua formação e 35,0% estavam trabalhando nessa área. Das pessoas que, em algum momento, trabalharam na área do seu curso de formação profissional, 48,2% alegaram que o conteúdo aprendido no curso foi determinante para conseguir um trabalho na área de formação e 28,0% disseram que o diploma do curso fez esse diferencial. Já entre aqueles que nunca trabalharam na área de formação (40,3%), 26,6% declararam terem conseguido emprego em outra área, 25,4% relataram falta de vagas para trabalhar nesta área, 20,4% disseram não ter interesse e 9,8% decidiram continuar os estudos.

Em média, as pessoas que frequentaram anteriormente curso técnico de nível médio tinham, em 2014, um rendimento domiciliar per capita de R$ 1.841, enquanto aquelas que não frequentaram tinham um rendimento domiciliar per capita de R$ 1.537.

11,5% das pessoas que fizeram curso técnico de nível médio, entre 2011 e 2014, estavam vinculadas ao Pronatec

A pesquisa buscou investigar se o curso técnico realizado anteriormente teve início após a criação do Pronatec em 2011, ou antecedeu a normatização desse Programa. Constatou-se que 63,0% das pessoas que realizaram anteriormente cursos técnicos de nível médio o fizeram até o ano de 2006; 18,1%, entre 2007 e 2010; e 18,9%, entre 2011 e 2014. Com relação aos quatro anos que antecederam o início do Programa, houve um ligeiro crescimento do percentual de pessoas que cursaram essa modalidade de educação profissional. Das pessoas que fizeram curso técnico de nível médio entre 2011 e 2014, 78,9% não estavam vinculadas ao Pronatec, 11,5% disseram estar vinculadas; e 9,6% declararam não saber responder.