PNAD 2015: crianças menores de 4 anos que frequentavam creche moravam em domicílios com rendimento per capita maior

29/03/2017 10h18 | Atualizado em 25/05/2017 12h48

O rendimento médio mensal domiciliar per capita das crianças com menos de 4 anos que permaneciam, de segunda a sexta, de manhã e de tarde, no local onde moravam (R$ 550) representava 56,6% do daquelas que frequentavam creche ou escola (R$ 972) em 2015. É o que mostra o suplemento Aspectos dos cuidados das crianças de menos de 4 anos de idade, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015.

A pesquisa revelou que, em 2015, das 10,3 milhões de crianças de menos de 4 anos de idade, 84,4% (8,7 milhões) permaneciam o dia todo no mesmo local. O predomínio dessa permanência (74,5% ou 6,8 milhões) era próprio domicílio em que residiam, sob os cuidados de um dos seus responsáveis; enquanto 16,6% (1,4 milhão) delas ficavam em creche ou escola de manhã e de tarde.

A publicação mostra, ainda, que 61,8% dos responsáveis pelas 7,7 milhões de crianças nessa faixa etária que estavam fora da creche ou escola tinham interesse em conseguir uma vaga (4,7 milhões). Esse percentual era menor nas classes de rendimento médio domiciliar per capita mais altas, chegando a 54,4% naquela de 3 salários mínimos ou mais. Na classe sem rendimento a menos de ¼ do salário mínimo, essa proporção era de 61,5%. O interesse dos responsáveis por matrícula em creche ou escola crescia com o aumento da idade da criança. Enquanto para 49,1% das crianças de menos de 1 ano havia essa interesse, para aquelas de 3 anos, a proporção alcançava 78,6%.

Além disso, em 43,2% (2,1 milhões) dos casos os responsáveis tomaram alguma ação ou providência para conseguir uma vaga. Na região Norte, esse percentual era de 26,4%, enquanto na região Sul, chegou a 57,3%.

As crianças com menos de 4 anos (10,3 milhões) representavam 5,1% da população e estavam presentes em 13,7% (9,2 milhões) dos domicílios. Para 83,8% (8,6 milhões) delas, a principal pessoa responsável era do sexo feminino. Em relação à ocupação, 52,1% das crianças tinham a principal pessoa responsável ocupada na semana de referência. Quando essa pessoa era mulher, a proporção baixava para 45,0%, enquanto, entre os homens, a estimativa alcançava 89,0%. O rendimento médio domiciliar per capita também era menor nos domicílios com crianças de menos de 4 anos.

Rendimento domiciliar das crianças que permaneciam o dia todo no local onde moravam representava 56,6% do daquelas que frequentavam creche ou escola

Em 2015, o rendimento médio mensal domiciliar per capita das crianças com menos de 4 anos de idade que permaneciam durante todo o dia no domicílio em que residiam era de R$ 550, daquelas que ficavam em outro domicílio chegava a R$ 813 e o das crianças que permaneciam em creche ou escola alcançava R$ 972.

A menor diferença se dava na região Nordeste, onde o rendimento domiciliar per capita daquelas que permaneciam o dia todo em seu domicílio (R$ 370) representava 77,9% do daquelas que iam à creche ou escola (R$ 475). Além disso, essa região foi a única onde o rendimento domiciliar per capita das crianças que ficavam em outro domicílio (R$ 518) era superior ao daquelas que frequentavam creche ou escola. Por outro lado, no Norte, as crianças que permaneciam o dia todo no domicílio que moravam apresentavam rendimento médio domiciliar per capita (R$ 416) inferior à metade (49,0%) daquelas que ficavam em creche ou escola de manhã e de tarde (R$ 855).

Em relação aos motivos que levaram os responsáveis a deixarem as crianças sob a responsabilidade das pessoas e dos locais relacionados, na maioria dos casos (76,7%), a razão para a criança permanecer durante todo o dia em determinado local era o fato de que o ambiente escolhido oferecia as melhores condições de cuidados, alimentação, afeto e segurança para a criança. Isso, em conjunto com o fato de que, na maioria dos casos, as crianças de menos de 4 anos de idade permaneciam durante todo o dia no domicilio em que residiam com um dos seus responsáveis (74,5%), pode indicar que o próprio domicilio, na avalição dos responsáveis pelas crianças, oferece as melhores condições citadas para o cuidado de crianças dessa faixa etária.

Com proporções bem menores, foram apontados como motivo o local que oferecia as melhores condições de convivência com outras crianças e educação profissional (5,9%), o fato de que não havia membro do domicílio para cuidar da criança (4,3%) e de que essa era a única opção disponível (4,7%).

Interesse em matrícula em creche ou escola crescia com o avanço da idade da criança

Em 2015, das 10,3 milhões de crianças de menos de 4 anos, 74,4% (7,7 milhões) não frequentavam creche ou escola em nenhum turno. Na região Norte essa proporção chegava a 90,2%, enquanto no Sul ocorria a menor estimativa (65,9%). Do contingente de não matriculados, os responsáveis por essas crianças demonstravam interesse em matriculá-las em 61,8% (4,7 milhões) dos casos. Para menos da metade das crianças de menos de 1 ano (49,1%), o responsável tinha esse interesse. Contudo, essa estimativa crescia com o avanço da idade da criança, chegando a 78,6% para aquelas de 3 anos de idade. Essa tendência era observada em todas as regiões do país, sendo que o maior percentual de interesse por vaga foi observado para as crianças de 3 anos de idade no Nordeste (82,8%).

O percentual de crianças cujos responsáveis tinham interesse em matriculá-la em creche ou escola diminuía nas classes de rendimento médio domiciliar per capita mais altas. Na classe sem rendimento a menos de ¼ do salário mínimo, essa proporção era de 61,5% e crescia até a de ½ a menos de 1 salário mínimo (63,9%). A partir da classe de 1 a menos de 2 salários mínimos se verificava redução, com estimativa de 60,1%, e chegava a 54,4% na classe de rendimento domiciliar per capita de 3 salários mínimos ou mais.

Das 4,7 milhões de crianças de menos de 4 anos que não eram matriculadas em creche ou escola, mas cujos responsáveis tinham interesse em matriculá-las, em 43,2% (2,1 milhões) dos casos os responsáveis tomaram alguma ação ou providência para conseguir uma vaga. Na região Norte, para 73,6% dessas crianças não houve qualquer ação por parte de seus responsáveis, enquanto na região Sul esse percentual era de 42,7%.

Dentre as medidas adotadas entre aqueles que tomaram alguma providência, as mais recorrentes eram o contato com creche, prefeitura ou secretaria para informação sobre existência de vagas (58,7%) e a inscrição em fila de espera para vagas (37,3%). Nas regiões Norte (76,1%) e Nordeste (78,1%) havia um predomínio do contato com creche, prefeitura ou secretaria para informação sobre existência de vagas e proporção mais baixas para inscrição em fila de espera para vagas, 17,3% e 14,5%, respectivamente.

Tabela 2 - Distribuição das crianças de menos de 4 anos de idade que não eram matriculas em creche ou escola, mas cujos responsáveis tinham interesse em matriculá-las em creche ou escola, por Grandes Regiões, segundo a ocorrência e a tomada de alguma ação para conseguir vaga em creche ou escola - 2015

Ocorrência e tomada de alguma ação para conseguir vaga em creche ou escola
Distribuição das crianças de menos de 4 anos de idade que não eram matriculas em creche ou escola,
mas cujos responsáveis tinham interesse em matriculá-las em creche ou escola (%)
Brasil Grandes Regiões
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Centro-Oeste
Total
100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Não tomaram qualquer ação 56,8 73,6 69,0 45,4 42,7 52,8
Tomaram alguma ação 43,2 26,4 31,0 54,6 57,3 47,2
Contato com creche, prefeitura ou secretaria para informações sobre existência de vagas 58,7 76,1 78,1 49,2 52,7 51,6
Inscrição em fila de espera para vagas 37,3 17,3 14,5 48,3 45,9 43,4
Contato com parentes, conhecidos ou amigos que poderiam ajudar a conseguir vaga 3,8 6,3 7,3 2,4 0,8 4,8
Ação judicial solicitando vaga 0,2 0,2 0,1 0,1 0,6 0,2
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2015.

Rendimento domiciliar per capita quase dobra quando não há crianças de menos de 4 anos no domicílio

Em 2015, as crianças de menos de 4 anos (10,3 milhões) representavam 5,1% da população residente no Brasil. A presença de crianças desse grupo etário foi registrada em 13,7% (9,3 milhões) dos domicílios do país, atingindo proporção maior na região Norte (18,2%) e na área rural (14,7%). Dos domicílios onde residiam crianças de menos de 4 anos, 89,9% possuíam apenas um morador nessa faixa etária.

A maior diferença entre os domicílios com e sem crianças com menos de 4 anos foi relativa ao rendimento. Nos domicílios onde havia crianças nessa idade, o rendimento médio mensal domiciliar per capita era de R$ 715, o que representava 53,0% do rendimento dos domicílios sem crianças (R$ 1.348). Além disso, enquanto 40,9% dos domicílios sem crianças estavam na classe de menos de 1 salário mínimo, entre os domicílios com crianças de menos de 4 anos, essa proporção era de 74,0%.

O acesso aos serviços de saneamento básico era menor nos domicílios com a presença de crianças de menos de 4 anos. Tanto o abastecimento de água por rede geral (83,7% x 85,7%), quanto a existência de rede coletora de esgoto (77,1% x 81,2%) e coleta direta de lixo (81,8% x 83,7%) apresentavam menor cobertura entre domicílios com crianças de menos de quatro anos do que entre os domicílios sem a presença delas.

Em relação à existência de rede coletora de esgoto ou fossa séptica, a região Norte apresentou a maior diferença, com cobertura de 56,1% nos domicílios onde havia crianças e de 62,8% naqueles sem a presença delas.

Mulher era a principal responsável por 83,8% das crianças de menos de 4 anos

A maioria das crianças com menos de 4 anos (87,9%) tinha duas pessoas como responsáveis. Para 83,8% (8,6 milhões) delas, a primeira pessoa responsável era do sexo feminino. A região Sul foi a que apresentou a maior proporção de homens nessa condição (20,7%), enquanto a Nordeste registrou a menor (11,9%).

A distribuição das crianças de acordo com a faixa etária do responsável principal se concentrava nos grupos de 18 a 29 anos (48,4%) e de 30 a 39 anos de idade (37,2%), percentuais maiores do que os observados na distribuição etária do total população de 15 anos ou mais (23,3% e 19,8%, respectivamente).

Ao se desagregar o sexo da primeira pessoa responsável por grupos de idade, verificou-se para o grupo de 15 a 17 anos uma participação de 2,9% para as mulheres e de 0,2% para os homens, apontando uma maior incidência dessa atribuição entre adolescentes do sexo feminino. Entretanto, quando se tratava de pessoas de 40 anos ou mais, a proporção dos homens (21,6%) era mais que o dobro da observada entre as mulheres (10,1%).

Em relação à escolaridade da pessoa responsável, a maior proporção foi de crianças cujo principal responsável tinha 11 anos ou mais de estudo (52,2%). O predomínio nessa faixa também foi observado na população de 15 anos mais de idade (43,1%). No grupo dos sem instrução e menos de 4 anos e no grupo de 4 a 7 anos de estudo, a proporção de responsáveis por crianças é inferior à observada na população de 15 anos ou mais. Por outro lado, nas faixas de 8 a 10 anos e a de 11 anos ou mais de estudo, a relação se inverte, com os responsáveis apresentando valores superiores aos da população em geral.

45,0% das crianças com menos de 4 anos tinham como principal responsável uma mulher ocupada

Em relação à ocupação, 52,1% das crianças de menos de 4 anos de idade tinham como principal responsável pessoa que estava ocupada na semana de referência. Quando essa pessoa era mulher, a proporção baixava para 45,0%, enquanto que, para os homens, a estimativa alcançava 89,0%.

Essa distribuição, na população de 15 anos ou mais, era de 48,0% para mulheres e 70,2% para homens. Ou seja, quando a estimativa envolvia a condição de responsável por crianças, a diferença era mais acentuada, com o percentual de crianças de menos de 4 anos de idade cuja principal pessoa responsável era homem ocupado mostrando-se praticamente o dobro do observado entre as crianças que tinham mulheres ocupadas nesta condição.

16,6% das crianças menores de 4 anos frequentavam creche em período integral em 2015

Em 2015, das 10,3 milhões de crianças de menos de 4 anos, 84,4% (8,7 milhões) normalmente permaneciam, de segunda a sexta-feira, de manhã e de tarde, no mesmo local e com a mesma pessoa.

Quanto mais nova a criança, maior o percentual de permanência no mesmo lugar e com a mesma pessoa ao longo do dia. Para aquelas com menos de 1 ano, esse valor alcançava 95,1%, enquanto que, entre as de 3 anos, essa proporção baixava para 70,1%.

Das 8,7 milhões de crianças de menos de 4 anos que normalmente permaneciam, de segunda a sexta-feira, de manhã e de tarde, no mesmo local e com a mesma pessoa, 78,6 % (6,8 milhões) ficavam no domicílio em que residiam, 4,4% (380 mil) ficavam em outro domicílio, 17,1% (1,5 milhão) ficavam em outro local, sendo creche ou escola com 16,6% (1,4 milhão) e outra instituição ou local com 0,5% (42 mil).

Além da maior parte das crianças ficarem durante todo o dia no domicílio em que residiam, seus cuidados eram principalmente exercidos por uma das pessoas apontadas como responsável por ela (74,5% ou 6,8 milhões). Outras 314 mil (3,6%) crianças ficavam em outro domicílio sob os cuidados de um parente e 216 mil (2,5%) permaneciam no domicílio em que residiam sob os cuidados de uma pessoa não moradora desse domicilio. Apenas 1,4 milhões de crianças (16,6%) permaneciam sob os cuidados oferecidos em creche ou escola no período da manhã e da tarde.