Vendas do varejo caem 0,7% em janeiro

30/03/2017 09h48 | Atualizado em 31/05/2017 11h39

 

Período Varejo Varejo Ampliado
Volume de vendas Receita nominal Volume de vendas Receita nominal
Janeiro/Dezembro*
-0,7
-0,8
-0,2
-0,9
Média móvel trimestral*
-0,6
-0,7
0,0
-0,4
Janeiro 2017 / Janeiro 2016
-7,0
-2,3
-4,8
-1,7
Acumulado 2017
-7,0
-2,3
-4,8
-1,7
Acumulado 12 meses
-5,9
4,2
-7,9
-0,4
* ajuste sazonal

O comércio varejista nacional iniciou o ano de 2017 com queda de 0,7% para o volume de vendas e -0,8% para receita nominal, ambas as taxas em relação a dezembro de 2016, na série ajustada sazonalmente. Quanto ao volume de vendas, o resultado é negativo pelo segundo mês consecutivo. Com isso, a variação da média móvel (-0,6%) amplia em janeiro o ritmo de queda do volume de vendas, em relação ao resultado obtido no mês anterior (-0,5%). Frente a janeiro de 2016, o varejo nacional recuou 7,0%, em termos de volume de vendas, 22ª taxa negativa consecutiva nessa comparação. O indicador acumulado dos últimos 12 meses, com queda de 5,9%, mantém sequência de taxas negativas desde maio de 2015 (-0,5%). Para esses mesmos indicadores, a receita nominal de vendas apresentou taxas de variação de -2,3% em relação a janeiro de 2016 e de 4,2% nos últimos 12 meses.

O comércio varejista ampliado, que inclui além do varejo as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção, voltou a registrar resultado negativo em relação ao mês anterior, na série ajustada sazonalmente, com variação de -0,2% para o volume de vendas e -0,9% para receita nominal de vendas. Em relação ao mês de janeiro do ano anterior, o comércio varejista ampliado apresentou queda de 4,8% para o volume de vendas e de 1,7% na receita nominal de vendas. No acumulado dos últimos 12 meses as perdas foram de -7,9% e -0,4% para o volume de vendas e para a receita nominal de vendas, respectivamente.

Com a divulgação de janeiro de 2017, o IBGE inicia série sobre o comércio varejista do país com base em 2014 e atualiza a amostra de informantes selecionados a partir da Pesquisa Anual do Comércio (PAC) 2014. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada aqui.

Seis das oito atividades pesquisadas apresentam queda

Na passagem de dezembro para janeiro, a redução de 0,7% no volume de vendas no varejo teve predomínio de resultados negativos, atingindo seis das oito atividades pesquisadas. Em ordem de magnitude, as taxas negativas foram: Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-4,8%); Combustíveis e lubrificantes (-4,4%), Livros, jornais, revistas e papelarias (-1,9%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico(-1,8%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,1%) e Móveis e eletrodomésticos (-0,1%).

Por outro lado, no mesmo confronto, Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, atividade de maior peso na estrutura do varejo, registrou variação próxima a estabilidade (0,2%) e Tecidos, vestuário e calçados, com variação de 4,1%, teve resultado em janeiro influenciado pelas promoções de queima de estoques do Natal.

O comércio varejista ampliado, ao registrar recuo de 0,2%, manteve variação próxima ao registrado no mês anterior (-0,1%). O resultado de janeiro teve influência, principalmente, do comportamento das vendas deVeículos e motos, partes e peças, que registrou variação próxima a estabilidade (0,3%), enquanto Material de construção mostrou queda de 0,8%, após avanço de 2,2% no mês anterior.



TABELA 1
BRASIL - INDICADORES DO VOLUME DE VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA E COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO
SEGUNDO GRUPOS DE ATIVIDADES: PMC - Janeiro 2017
ATIVIDADES MÊS/MÊS ANTERIOR (*) MÊS/IGUAL MÊS DO ANO ANTERIOR ACUMULADO
Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%)
NOV
DEZ
JAN
NOV
DEZ
JAN
NO ANO
12 MESES
COMÉRCIO VAREJISTA
0,9
-1,9
-0,7
-3,8
-4,9
-7,0
-7,0
-5,9
Combustíveis e lubrificantes
-0,2
2,6
-4,4
-7,9
-5,5
-9,0
-9,0
-8,8
Hiper, supermercados, prods. alimentícios, bebidas e fumo
0,9
-3,0
0,2
-1,6
-2,9
-7,0
-7,0
-3,2
Tecidos, vest. e calçados
-1,4
0,4
4,1
-9,8
-8,8
-6,3
-6,3
-10,4
Móveis e eletrodomésticos
1,8
-2,0
-0,1
-7,9
-8,9
-3,5
-3,5
-10,6
Artigos farmaceuticos, med., ortop. e de perfumaria
0,1
0,1
-1,1
-3,6
-5,6
-6,0
-6,0
-2,6
Livros, jornais, rev. e papelaria
-0,3
-1,1
-1,9
-11,4
-12,5
-17,0
-17,0
-16,7
Equip. e mat. para escritório informatica e comunicação
5,6
1,3
-4,8
-9,0
-1,2
-5,9
-5,9
-10,7
Outros arts. de uso pessoal e doméstico
4,6
-4,7
-1,8
-0,4
-4,8
-5,8
-5,8
-8,8
COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO
0,2
-0,1
-0,2
-5,3
-6,7
-4,8
-4,8
-7,9
Veículos e motos, partes e peças
-1,5
1,8
0,3
-9,3
-13,5
-4,6
-4,6
-12,6
Material de Construção
8,3
2,2
-0,8
-4,3
-1,6
-0,3
-0,3
-9,2
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio.
(*) Séries com ajuste sazonal.
(3) O indicador do comércio varejista ampliado é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 10

Na comparação com janeiro de 2016, o volume do comércio varejista mostrou recuo de 7,0%, 22ª taxa negativa seguida, acentuando o recuo dos meses de dezembro (-4,9%) e novembro (-3,8%). Todas as atividades registraram variações negativas. Por ordem de contribuição à taxa global os resultados foram: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-7,0%); Combustíveis e lubrificantes (-9,0%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-5,8%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-6,0%); Móveis e eletrodomésticos (-3,5%); Tecidos, vestuário e calçados (-6,3%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-17,0%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-5,9%).

TABELA 3
BRASIL - COMPOSIÇÃO DA TAXA MENSAL DO COMÉRCIO VAREJISTA,
POR ATIVIDADES: PMC - Janeiro 2017
(Indicadores de volume de vendas)
Atividades COMÉRCIO VAREJISTA COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO
Taxa de variação (%) Composição absoluta da taxa (p.p.) Taxa de variação (%) Composição absoluta da taxa (p.p.)
      Taxa Global
-7,0
-7,0
-4,8
-4,8
1 - Combustíveis e lubrificantes
-9,0
-0,9
-9,0
-0,5
2 - Hiper, supermercados, prods. alimentícios, bebidas e fumo
-7,0
-4,0
-7,0
-2,1
3 - Tecidos, vest. e calçados
-6,3
-0,4
-6,3
-0,2
4 - Móveis e eletrodomésticos
-3,5
-0,4
-3,5
-0,2
5 - Artigos farmaceuticos, med., ortop. e de perfumaria
-6,0
-0,5
-6,0
-0,3
6 - Livros, jornais, rev. e papelaria
-17,0
-0,2
-17,0
-0,1
7 - Equip. e mat. para escritório informatica e comunicação
-5,9
-0,1
-5,9
0,0
8 - Outros arts. de uso pessoal e doméstico
-5,8
-0,6
-5,8
-0,3
9 - Veículos e motos, partes e peças
-
 
-4,6
-1,0
10- Material de Construção
-
 
-0,3
0,0
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio.
Nota: A composição da taxa mensal corresponde à participação dos resultados setoriais na formação da taxa global.

O setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com redução de -7,0% no volume de vendas sobre janeiro de 2016, foi a atividade que exerceu o maior impacto negativo no desempenho global do varejo. No acumulado de 12 meses, a atividade recuou 3,2%, desempenho acima dos -5,9% registrados pelo varejo. A redução da massa de rendimentos real habitualmente recebida foi o principal fator responsável pelo desempenho negativo do setor.

A atividade de Combustíveis e lubrificantes, com -9,0% de variação do volume de vendas em relação a janeiro de 2016, foi responsável pelo segundo maior impacto na formação do resultado global. No acumulado dos últimos 12 meses, o recuo foi de 8,8%.

O grupamento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba lojas de departamentos, joalheria, artigos esportivos e brinquedos, recuou 5,8% na comparação com janeiro de 2016, 18º resultado negativo consecutivo, situando-se acima da média global para o varejo. Com o desempenho de janeiro, esse setor exerceu a terceira maior influência negativa sobre a taxa global. A taxa acumulada para os últimos 12 meses foi de -8,8%.

O volume de vendas do segmento de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticosmostrou queda de 6,0% em relação a janeiro de 2016. Vale destacar que, embora com caráter de uso essencial, o setor farmacêutico registrou, em janeiro, a décima taxa de negativa consecutiva, mantendo o setor em trajetória descendente desde abril de 2016, período que os preços de produtos farmacêuticos foram reajustados oficialmente acima da média do índice geral de preços.

O segmento de Móveis e eletrodomésticos registrou variação de -3,5% no volume de vendas em relação a janeiro do ano passado, sendo esse o recuo menos acentuado desde janeiro de 2015 (-3,4%). Em termos de resultado acumulado nos últimos 12 meses, a taxa ficou em -10,6%. Com a dinâmica de vendas associada à disponibilidade de crédito, o resultado de janeiro de 2017, abaixo da média geral, foi influenciado pela menor variação da taxa de juros dos últimos dois anos.

A atividade de Tecidos, vestuário e calçados, com recuo de 6,3% em relação a janeiro de 2016, registrou a 26ª taxa negativa consecutiva. Nos últimos 12 meses, a variação ficou em -10,4%. Mesmo com os preços de vestuário se posicionando abaixo do índice geral de inflação, a atividade apresenta desempenho inferior à média geral do comércio varejista, refletindo a perda de poder de compra das famílias.

A atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria apresentou variação no volume de vendas de -17,0% sobre janeiro de 2016 e taxa acumulada de -16,7% nos últimos 12 meses. Além da redução da renda real, a trajetória declinante desta atividade vem sendo influenciada, em especial no que tange a jornais e revistas, por certa substituição dos produtos impressos pelos de meio eletrônico.

A atividade de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com queda de 5,9% no volume de vendas em comparação com igual mês do ano anterior, registrou o 19º recuo consecutivo nessa comparação, porém a valorização do real frente ao dólar nos últimos três meses de 2016 vem contribuindo para a redução da magnitude de queda das vendas do setor. A taxa acumulada em últimos 12 meses ficou em -10,7%.

O comércio varejista ampliado registrou, para o volume de vendas, uma variação de -4,8% sobre janeiro de 2016. Esse comportamento ocorre, principalmente, em função do desempenho negativo de Veículos, motos, partes e peças com resultado interanual de -4,6%, enquanto o segmento de Material de construção (-0,3%), com menor peso na estrutura do varejo ampliado, registrou vendas próximas à estabilidade. No acumulando em 12 meses, o varejo ampliado registrou recuo de 7,9%, com redução de 12,6% e 9,2%, respectivamente paraVeículos, motos, partes e peças e Material de construção.

Volume de vendas cai em 14 das 27 unidades da federação

Na passagem de dezembro de 2016 para janeiro de 2017, na série com ajuste sazonal, as vendas no varejo recuam em 14 das 27 unidades da federação, com variações negativas a dois dígitos observadas em Roraima (-16,8%); Distrito Federal (-14,2%) e Goiás (-11,6%). Nessa mesma comparação, Bahia registrou estabilidade no volume de vendas.

Frente a janeiro de 2016, o comércio varejista registrou queda no volume de vendas em 24 das 27 unidades da federação, com destaque negativo, em termos de magnitude da taxa, para Distrito Federal, com -20,9%. Por outro lado, Alagoas (1,5%) e Santa Catarina (0,4%) registraram avanços no volume de vendas, enquanto Rio Grande do Sul mostrou estabilidade (0,0%). Quanto à participação na composição da taxa negativa do varejo, destacaram-se, pela ordem: São Paulo (-8,4%) e Rio de Janeiro (-6,6%).

Considerando o comércio varejista ampliado, 25 das 27 unidades da federação apresentaram variações negativas no volume de vendas na comparação com o mesmo período do ano anterior, destacando-se Goiás (-20,4%) e Rondônia (-18,9%). Quanto à participação na composição da taxa negativa do varejo ampliado, destacaram-se, pela ordem: São Paulo (-5,7%) e Rio de Janeiro (-4,1%).