PEVS 2020: com crescimento de 17,9%, valor da produção de silvicultura e extração vegetal chega a R$ 23,6 bilhões

Editoria: Estatísticas Econômicas | Marília Loschi

06/10/2021 10h00 | Atualizado em 06/10/2021 10h00

A alta de 17,9% ante 2019 reflete recuperação do setor, que havia recuado 2,7% no ano anterior. São informações da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2020, que investiga 44 produtos do extrativismo e da silvicultura em todos os municípios do país.

Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2020 Participação (%)
Valor da Produção da silvicultura (mil reais) 18.807.045 79,8
Valor da Produção da extração vegetal (mil reais) 4.749.548 20,2
Valor da produção total da produção florestal (mil reais) 23.556.593 100,0
Área de Eucalipto (ha) 7.431.761 77,3
Área de Pinus (ha) 1.830.372 19,0
Área de Outras Espécies (ha) 354.024 3,7
Área Total de Florestas Plantadas (ha) 9.616.157 100,0
Número de municípios com produção florestal 4.868   
Número de municípios com área florestal plantada 3.514

Em 2020, a silvicultura contribuiu com 79,8% (R$ 18,8 bilhões) do valor da produção florestal (R$ 23,6 bilhões), com crescimento de 21,3% em relação a 2019. Já a participação da extração vegetal (coleta de produtos em matas e florestas nativas) foi de 20,2% (R$ 4,8 bilhões), com alta de 6,3% frente a 2019. Dos nove grupos de produtos que compõem a exploração extrativista, seis tiveram aumento no valor de produção.

A madeira representa 90,1% do valor da produção florestal. Houve alta de 21,7% no valor da produção dos produtos madeireiros da silvicultura e queda de 0,6% no da extração vegetal. Entre os produtos madeireiros da silvicultura, houve crescimento do valor da produção em todos os grupos, com destaque para o carvão vegetal (37,8%).

Os produtos madeireiros representam 60,3% da extração vegetal, com alimentícios (31,6%), ceras (5,3%) e oleaginosos (2,2%) a seguir. Entre os produtos extrativos não-madeireiros, destacam-se as altas no valor de produção do pequi (122,7%) e pinhão (44,5%).

A área de floresta plantada do país soma 9,6 milhões de hectares. A produção de eucalipto para a indústria de papel ocupa 7,4 milhões de hectares, enquanto o pinus está em 1,8 milhão de ha, e outras espécies em 354 mil ha. Enquanto 44,3% das áreas de eucalipto concentraram-se no Sudeste, 84,6% das florestas de pinus estão na região Sul.

Minas Gerais continua a ter o maior valor da produção (R$ 6,0 bilhões) que representa 32,1% do valor nacional da silvicultura, com o Paraná (R$ 4,2 bilhões) a seguir. Telêmaco Borba (PR) teve o maior valor da produção em 2020 (R$ 568,0 milhões).

Valor da produção da silvicultura cresce 21,3%

O valor da produção da silvicultura atingiu R$ 18,8 bilhões, com alta anual de 21,3%, uma recuperação após a retração de 5,0% em 2019. Todos os grupos cresceram, com destaque para madeira em tora para papel e celulose (25,6%) e carvão vegetal (37,8%).

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a celulose ocupou o sétimo lugar no ranking das exportações do Brasil em 2020 (2,9%). O setor da madeira em tora para papel e celulose recuperou a produção após cair 14,2% em 2019, com alta de 10,7%. O valor da produção subiu 25,6% e alcançou R$ 5,8 bilhões, principalmente pelo câmbio favorável.

Segundo maior valor da produção da silvicultura, o carvão vegetal cresceu 37,8%, atingindo R$ 5,4 bilhões, resultado do aumento dos preços, já que a produção cresceu apenas 2,7%.

A madeira em tora para outras finalidades tem o terceiro maior valor da silvicultura: R$ 4,9 bilhões ou 26,7% do total do setor, com alta 10,8% ante 2019). Já o volume produzido cresceu 7,5%. A lenha foi o único produto madeireiro da silvicultura com queda (-1,1%) na quantidade produzida, embora o valor da produção tenha crescido 6,3%.

O valor de todos os produtos não-madeireiros da silvicultura cresceu, em 2020. A resina, o mais representativo desse grupo, teve alta de 7,5%, com R$ 400,4 milhões, cabendo a São Paulo uma participação de 61,2% no volume nacional. A casca de acácia-negra teve aumento de 7,9%, mesmo com queda de 2,2% na quantidade produzida. O Rio Grande do Sul foi o responsável por toda a produção. Também houve queda na produção de folhas de eucalipto (-4,7%) embora o valor da produção tenha crescido 1,2%. Minas Gerais concentra 86,0% da produção nacional. 

Minas Gerais tem o maior valor de produção na Silvicultura

Minas Gerais segue com o maior valor da produção da silvicultura, com R$ 6,0 bilhões (32,1% do valor no setor). É também o maior produtor de carvão vegetal, com 87,5% do volume nacional.

Em seguida, vinha o Paraná, com R$ 4,2 bilhões em valor de produção, um incremento de 34,8%, tornando-se o maior produtor de madeira em tora para papel e celulose, sendo responsável por 17,2% da produção nacional. A produção cresceu 25,0%, alcançando 15,1 milhões de metros cúbicos, e o valor da produção subiu 66,8%, chegando a R$1,5 bilhão. O estado também lidera a produção de madeira em tora para outras finalidades, atingindo 21,7 milhões de metros cúbicos, o que representa 39,4% do total nacional. O Paraná também foi destaque na produção de lenha com origem em florestas plantadas, com quantidade estimada de 12,6 milhões de metros cúbicos, o que corresponde a 24,8% do total nacional.

Telêmaco Borba (PR) é o município com maior valor de produção na silvicultura

Telêmaco Borba (PR) liderou o ranking de valor da produção da silvicultura (R$ 568,0 milhões), com destaque para os crescimentos da produção de madeira em tora para papel e celulose (113,0%), principalmente a madeira advinda do pinus, que cresceu 276,5%. Boa parte desse crescimento é fruto da melhoria no cadastro de informantes da pesquisa.

Em segundo lugar, vinha João Pinheiro (MG) foi destaque na produção de carvão vegetal, com 436,2 mil toneladas gerando R$ 479,8 milhões, crescimento de 93,5%.

Sudeste é a única região onde a área de florestas plantadas cresceu

Em 2020, de um total de 9,6 milhões de hectares de florestas plantadas no país, houve redução de 0,7% (70,9 mil hectares) de cobertura. Todas as regiões reduziram a área plantada, exceto a Sudeste, que cresceu 1,3%. A região representa 37,2% das áreas de florestas plantadas no país, com destaque para o eucalipto, que predomina em 91,0% da área.

Ranking dos municípios com maiores áreas de florestas plantadas, por grupo de espécies
Posição Municípios  Eucalipto (ha) Pinus (ha) Outras espécies (ha) TOTAL (ha)
1 Três Lagoas (MS) 263.921 0 0 263.921
2 Ribas do Rio Pardo (MS) 218.130 2.870 0 221.000
3 Água Clara (MS) 134.478 264 0 134.742
4 Brasilândia (MS) 133.959 0 0 133.959
5 João Pinheiro (MG) 108.250 0 0 108.250
6 Selvíria (MS) 89.859 0 0 89.859
7 Caravelas (BA) 89.728 0 0 91.100
8 Buritizeiro (MG) 82.500 3 0 82.503
9 Encruzilhada do Sul (RS) 28.000 25.060 22.900 75.960
10 Itamarandiba (MG) 71.500 0 0 71.500

Juntos, eucalipto e pinus foram responsáveis pela cobertura de 96,3% das áreas de florestas plantadas para fins comerciais. As áreas de eucalipto somaram 7,4 milhões de hectares.

Em 2020, quase todos os grupos de madeireiros pesquisados indicaram predomínio da produção à base de madeira de eucalipto no território nacional. A exceção é a utilização de toras de pinus para outras finalidades, que atingiu 50,1% do total, contra 45,3% do eucalipto.

O Sudeste tem a maior área de florestas plantadas do País, com 3,6 milhões de hectares (37,2%), ampliando a diferença para a Região Sul, com 3,1 milhões de hectares (32,6%).

Com crescimento de 1,4% em relação a 2019, Minas Gerais segue com a maior área de florestas plantadas do país (2,1 milhões de hectares), quase totalmente com eucalipto. O Paraná vem a seguir, com 1,5 milhão de hectares, dos quais 55,8% destinados ao pinus.

Entre os dez municípios com as maiores áreas de florestas plantadas do Brasil, cinco estão em Mato Grosso do Sul, três em Minas Gerais, um no Rio Grande do Sul e um na Bahia.

Extrativismo cresce 6,3% e alcança R$ 4,7 bilhões

Em 2020, o valor de produção da extração vegetal cresceu 6,3%, totalizando R$ 4,7 bilhões. Houve altas em seis dos nove grupos de produtos extrativistas.

O grupo dos produtos madeireiros teve a maior participação no valor da produção do extrativismo (60,3%), mas recuou 0,6% frente ao ano anterior. Ao longo dos últimos anos, a exploração extrativista de madeira vem perdendo espaço para as florestas cultivadas.

Em 2020, observaram-se pequenas variações na produção da lenha (0,6%) e do carvão vegetal (0,3%). A exceção foi a madeira em tora, que caiu 6,1%. O valor da produção do grupo (R$ 2,9 bilhões) caiu 0,6%, com o recuo de 4,2% na madeira em tora. Mas houve aumento de 14,0% para o carvão vegetal e de 5,2% para a lenha.

Mato Grosso ultrapassou o Pará e passou a ser o maior produtor de madeira em tora, com 3,8 milhões de metros cúbicos e alta 2,3% no volume e de 3,7% no valor da produção.

O Maranhão lidera a produção de carvão vegetal extrativo, com uma produção de 103,1 mil toneladas representou 28,0% do total nacional em 2020. O valor de produção do estado cresceu 7,4%, atingindo R$ 107,7 milhões.

Açaí segue com o maior valor da produção (R$ 694,3 mi) entre não-madeireiros

Em 2020, o valor da produção extrativa não-madeireira cresceu 18,6%, totalizando R$ 1,9 bilhão. Essa atividade é importante para as comunidades tradicionais. O destaque foi o grupo dos alimentícios, com alta de 22,0% no valor da produção, totalizando R$ 1,5 bilhão. O açaí continuou com a maior participação (46,3%) no valor de produção desse grupo.

O açaí tem 91,9% de sua extração concentrada na Região Norte. Em 2020, essa produção foi de 220,5 mil toneladas, 1,0% abaixo da obtida em 2019. Ainda assim, o valor de produção subiu 17,8%, totalizando R$ 694,3 milhões.

O Pará é o maior produtor de açaí, com 149,7 mil toneladas, ou 69,7% do total nacional. Apesar da queda no volume de 1,4%, o valor da produção cresceu 22,3%, alcançando R$ 569,1 milhões. No ranking dos dez municípios maiores produtores, em 2020, oito são paraenses e o líder é Limoeiro do Ajuru (PA), com 19,5% do total nacional e alta de 2,4% em relação a 2019.

Valor de produção da erva-mate cresce 38,8% e alcança R$ 559,7 milhões

A extração da erva-mate, que se concentra na Região Sul, chegou a R$ 559,7 milhões, com alta de 38,8% ante 2019. A produção chegou a 426,0 mil toneladas, com alta anual de 14,6%. Os 10 municípios de maior produção são do Paraná, liderados por Cruz Machado, que concentra 15,5% do total nacional. Atualmente, a maior parte da produção de açaí e erva-mate têm origem em áreas cultivadas, acompanhadas pela Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE.

O valor da produção da castanha-do-pará, ou castanha-do-brasil, caiu 27,4%, totalizando R$ 98,6 milhões, apesar da pequena variação positiva na safra (0,7%). O Amazonas segue na liderança nacional, com 11,7 mil toneladas do produto. Entre os municípios, Humaitá (AM) lidera, concentrando 14,0% do volume total registrado no país.

Pequi tem crescimento de 127,9% no volume e 122,7% no valor da produção

Outro destaque entre os não-madeireiros foi o pequi, tanto em volume, com aumento de 127,9%, quanto em valor, com 122,7% de acréscimo. Minas Gerais foi o principal produtor, respondendo por 51,8% do volume nacional, acompanhado pelo Tocantins, com 39,7%. Entre os municípios, o maior produtor foi Paraíso de Tocantins (TO), com 6,6 mil toneladas.

O pinhão também se destacou entre os não-madeireiros, com altas tanto em volume (13,1%), quanto em valor (44,5%). Paraná foi o principal produtor, respondendo por 34,6% do volume nacional, acompanhado de Minas Gerais, com 33,4%. Na primeira colocação ficou o município de Virgínia (MG), com 1,6 mil toneladas, ou 15,1% da produção nacional.