PAIC 2019: indústria da Construção mostra avanço de Serviços especializados e queda em Obras de infraestrutura

17/06/2021 10h00 | Atualizado em 08/09/2021 16h36

A indústria da Construção gerou R$ 288,0 bilhões em valor de incorporações, obras e/ou serviços em 2019, sendo R$ 273,8 em obras e/ou serviços (95,1%) e R$ 14,2 bilhões em incorporações (4,9%). Entre 2010 e 2019, a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) mostrou a perda de participação das Obras de infraestrutura no valor gerado pelo setor: de 44,1% para 32,2%. Já Construção de edifícios avançou de 39,1% para 44,2% no período, assumindo o primeiro lugar no ranking. Mas a maior alta foi de Serviços especializados para construção: de 16,8% para 23,6%.

A indústria da Construção tinha 125,1mil, empresas ativas em 2019. Houve pequena alta (mais 481 empresas) frente a 2018, a primeira desde 2015. Já em relação a 2010, o número de empresas do setor cresceu 61,4%.

Em 2019, a indústria de Construção empregava 1,9 milhão de pessoas, com alta de 1,7% (mais 32,5 mil trabalhadores) frente a 2018, primeiro resultado positivo desde 2014. No entanto, de 2010 a 2019, o setor perdeu 22,5% de seus postos de trabalho (ou 554,1 mil trabalhadores a menos). No decênio analisado, o auge da ocupação foi em 2013, com 2,968 milhões de trabalhadores. De 2013 a 2019, a perda de postos de trabalho chegou a 35,9% (menos 1,1 milhão).

Em 2019, a maior parte (35,3%) dos trabalhadores da Construção estava nos Serviços especializados para construção. Essa participação era de 25,3% em 2010, a menor entre as três atividades do setor.

As empresas da Construção pagaram R$ 56,8 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações em 2019, a maior parte (35,9%) no segmento de Obras de infraestrutura. De 2010 para 2019, o salário médio mensal da indústria da Construção passou de 2,6 para 2,3 salários-mínimos. O único segmento que apresentou queda foi o de Obras de infraestrutura: de 3,5 para 2,8 salários-mínimos.

Em 2010, as oito maiores empresas da indústria da Construção concentravam 11,1% do valor de incorporações, obras e/ou serviços do setor, participação esta que caiu para 5,1% em 2019. A maior queda foi no segmento de Obras de infraestrutura: em 2010, as oito maiores empresas respondiam por 25,2% do valor de incorporações, contra 11,9% em 2019.

Entre 2010 e 2019, o número médio de pessoas ocupadas nas empresas de Construção caiu de 32, em 2010, para 15, em 2019. Essa média caiu para todos os segmentos, principalmente em Obras de infraestrutura: de 81 para 43.

No período analisado, a participação do setor público na indústria da construção caiu 11,1 p.p., saindo de 41,4% em 2010 para 30,3% em 2019. Nas Obras de infraestrutura, a queda foi de 8,4 p.p., passando de 59,7% para 51,3%.

Enquanto isso, em 2019, o setor privado respondeu pela contratação de 69,7% do valor de obras e/ou serviços da construção. A maior distância entre as participações dos setores público e privado ocorreu em Serviços especializados para construção (82,1% privada contra 17,9% pública), seguido por Construção de edifícios, com 79,5% do valor de obras contratados pelo setor privado e 20,5% pelo setor público, em 2019.

Entre os três segmentos do setor, construção de edifícios lidera desde 2012

Os três setores da indústria da construção contribuíram, em 2019, com os seguintes montantes em valor de incorporações, obras e/ou serviços da construção: Construção de edifícios (R$ 127,3 bilhões), Obras de infraestrutura (R$ 92,8 bilhões) e Serviços especializados para construção (R$ 67,9 bilhões).

De 2010 para 2019, entre as principais mudanças estruturais verificadas está a perda de espaço das Obras de infraestrutura, cuja participação passou de 44,1% em 2010 para 32,2% em 2019. Esta perda de relevância começou em 2012 e foi compensada pelo avanço do segmento de Construção de edifícios, que assumiu a liderança, com 44,2% do valor de incorporações, obras e/ou serviços da construção em 2019. Serviços especializados para construção ficou na terceira colocação, mas foi o que mais ganhou participação ao longo da década: mais 6,8 p.p., passando de 16,8% para 23,6%.

Já a participação do setor público na indústria da construção caiu 11,1 p.p., indo de 41,4% em 2010 para 30,3% em 2019. O segmento de Obras de infraestrutura, que sempre contou com participação significativa do setor público, teve a queda mais acentuada, 8,4 p.p., passando de 59,7% para 51,3%, no período. Já a participação do segmento de Construção de edifícios recuou de 26,9% para 20,5%, enquanto a dos Serviços especializados para construção caiu 6,5 p.p., de 24,4% para 17,9%.

Entre 2010 e 2019, a indústria da construção perdeu mais de 20% dos postos de trabalho

As empresas da construção empregavam um total de 1.903.715 pessoas ao fim de 2019, contingente cerca 22,5% menor do que em 2010 (2.457.809). Nesse período, o setor perdeu cerca de 554,1 mil postos de trabalho.

Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) 2010 / 2019
Pessoal ocupado em 31/12 (Pessoas) - Brasil
Grupos e classes de atividades Ano
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
Total das empresas 2.457.809 2.658.643 2.858.180 2.968.136 2.891.141 2.439.997 2.000.884 1.901.554 1.871.243 1.903.715
Construção
de edifícios
999.478 1.011.366 1.182.717 1.230.690 1.200.651 977.458 795.291 704.036 708.299 665.056
Obra de infraestrutura 835.605 892.621 960.200 961.338 911.616 710.955 549.196 535.081 548.659 565.885
Serviços especializados para construção 622.726 754.656 715.263 776.108 778.874 751.584 656.397 662.437 614.285 672.774

O auge da ocupação no setor ocorreu em 2013, com cerca de 2,968 milhões de trabalhadores. Desse momento até 2019, a perda de postos de trabalho chegou a 35,9% (ou menos 1,1 milhão). Desde 2010, a queda foi mais intensa nos segmentos de Construção de Edifícios (33,5%, ou menos 334.422 postos) e no de Obras de Infraestrutura (32,3% ou 269.720 postos de trabalho a menos).

Já nos Serviços Especializados para Construção, a ocupação cresceu 8,0%, passando de 622,726 mil para 672,774 mil vagas, de 2010 a 2019.

Serviços especializados para construção assumem a liderança na ocupação

Entre 2018 e 2019, a indústria da construção ganhou 32.472 postos de trabalho, primeira alta desde 2014. As expansões se deram em Serviços especializados para a construção (9,5%, ou 58.489 postos a mais) e em Obras de infraestrutura (3,1% ou mais 17.226 postos de trabalho). A queda foi na Construção de edifícios: -6,1%, ou menos 43.243 vagas.

Em 10 anos, Serviços especializados para construção tornou-se a atividade com a maior parcela (35,3%) da população ocupada na indústria da construção, com Construção de edifícios (34,9%) e Obras de infraestrutura (29,8%) a seguir.

Remuneração média em obras de infraestrutura cai de 3,5 para 2,8 salários-mínimos

De 2010 a 2019, a remuneração média paga pela indústria da Construção oscilou entre 2,7 e 2,3 salários mínimos. O segmento de Obras de infraestrutura mostrou a remuneração média mais elevada e, também, a maior variação salarial, entre 3,7 a 2,8 salários mínimos mensais, no período de dez anos analisado.

Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) 2010 / 2019
Salários Médios Mensais (em salários mínimos) - Brasil
Grupos e classes de atividades Ano
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
Total de empresas 2,6 2,6 2,6 2,6 2,7 2,7 2,5 2,3 2,3 2,3
Construção de edifícios 2,1 2,3 2,2 2,2 2,3 2,4 2,3 2,2 2,1 2,1
Obras de infraestrutura 3,5 3,5 3,6 3,5 3,7 3,6 3,2 2,9 2,8 2,8
Serviços especializados da construção 2,1 2,1 2,1 2,1 2,2 2,3 2,2 2,0 2,1 2,1

Já os segmentos de Construção de edifícios e o de Serviços especializados para construção pagaram, em média, 2,1 s.m. em 2019 e mostraram variações bem menores ao longo do decênio analisado (respectivamente, de 2,1 a 2,4 e de 2,0 a 2,3 salários mínimos).

Desde 2015, mais de 6 mil empresas encerraram as atividades

O número de empresas no setor de construção passou de 77.509 em 2010 para 125.067 em 2019. O auge da série histórica foi em 2015 (131.318 empresas) e deste ano até 2019, houve uma queda de 4,8% (ou 6,3 mil empresas a menos na indústria da construção).

De 2015 para 2019, houve quedas no número de empresas das atividades de Construção de edifícios (-3,7% ou menos 1,9 mil empresas) e de Serviços especializados (-8,1% ou menos 5,5 mil empresas), enquanto o segmento de Obras de infraestrutura teve expansão de 10,1%, ou cerca de 1,2 mil empresas a mais.

Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC) 2010 / 2019
Número de empresas ativas (Unidades) - Brasil
Grupos e classes de atividades Ano
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
Total das empresas 77.509 93.375 104.534 116.720 127.933 131.318 126.943 126.283 124.586 125.067
Construção de edifícios 28.543 32.516 43.338 49.203 53.142 51.514 49.723 47.058 47.545 49.597
Obras de infraestrtutura 10.314 9.117 10.388 11.240 11.477 11.829 12.036 12.781 12.806 13.029
Serviços especializados para construção 38.652 51.742 50.808 56.277 63.314 67.975 65.184 66.444 64.235 62.441

Entre 2018 e 2019, a Indústria da Construção ganhou 481 empresas, alta de 0,4%. Foi a primeira alta desde 2015. Entre os segmentos, houve queda apenas em Serviços especializados para a construção (-2,8%, ou menos 1.794 empresas). Ocorreram altas no segmento da Construção de edifícios 4,3%, ou mais 2.052 empresas,) e em Obras de infraestrutura (1,7%, ou mais 223 empresas).

De 2010 a 2019, indústria da Construção mostra desconcentração

Em 2010, as oito maiores empresas da indústria da Construção concentravam 11,1% do valor das incorporações, obras e/ou serviços do setor. Essa participação caiu 6,0 p.p., chegando a 5,1% em 2019.

A tendência de desconcentração é persistente na PAIC e foi mais intensa em Obras de infraestrutura, atividade em que as oito maiores empresas concentravam 25,2% do valor de incorporações em 2010, contra 11,9% em 2019, com uma redução de 13,3 p.p. no período.

No setor de Construção de edifícios, a redução do indicador R8 foi menor, de apenas 1,7 p.p., com as oito maiores empresas concentrando 7,2% do valor gerado na construção em 2019. Já nos Serviços especializados para construção, a concentração se manteve relativamente estável, com aumento de 1,0 p.p. no decênio analisado, atingindo 7,5% de concentração em 2019.

Gastos com pessoal representam 31,1% das despesas da indústria da construção

A principal despesa da atividade de Construção, tanto em 2010 quanto em 2019, foi o gasto de pessoal, cuja participação no custo total do setor cresceu 1,4 p.p., passando de 29,7% para 31,1%, no período. As participações dos gastos com materiais de construção (21,2%) e com obras e serviços contratados a terceiros (9,2%) vieram a seguir. Já no segmento das Construção de edifícios, os gastos com material de construção lideravam, com 28,0%.

Região Sul foi a que mais cresceu, ultrapassando o Nordeste

Na análise de empresas com 5 ou mais pessoas ocupadas, entre 2010 e 2019, a região Sudeste permaneceu liderando em participação (49,6%) no valor de incorporações, obras e/ou serviços da construção. Porém, houve uma mudança estrutural relevante: a Região Sul (18,0%) ultrapassou o Nordeste (17,5%) e passou para a segunda posição neste ranking. O Centro-Oeste (8,9%) e o Norte (6,0%) permaneceram na quarta e quinta posições, respectivamente.

O setor mostra progressiva desconcentração regional, com redução nas participações do Sudeste, Nordeste, Norte e do Centro-Oeste em favor da Região Sul, cuja participação cresceu 5,5 p.p. no decênio analisado.

O Sudeste ocupava 49,3% dos trabalhadores da construção em 2019. Em 10 anos, o Nordeste foi a região com a retração mais intensa na sua participação de mão de obra (3,0 p.p.), que caiu de 22,7% para 19,7%, acompanhando o movimento de redução na participação do valor gerado em obras no período. O Norte também perdeu participação, caindo de 7,0% para 5,6%. O Sul teve o maior avanço (3,9 p.p.) entre 2010 e 2019, com sua participação na ocupação do setor passando de 13,4% para 17,3%, enquanto a participação do Centro Oeste manteve-se praticamente estável: 8,3%, em 2010, e 8,1%, em 2019.