Em maio, IBGE prevê safra de 262,8 milhões de toneladas para 2021

10/06/2021 09h00 | Atualizado em 10/06/2021 11h45

Em maio, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas estimada para 2021 sofreu um declínio em relação ao mês anterior (-0,6%, ou 1,7 milhão de toneladas), mas continua representando um recorde na série histórica, devendo totalizar 262,8 milhões de toneladas, 3,4% superior à obtida em 2020 (254,1 milhões de toneladas), aumento de 8,6 milhões de toneladas. Além disso, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) aponta que a área a ser colhida é de 68,0 milhões de hectares, com alta de 3,9% frente a 2020 (mais 2,5 milhões de hectares). Frente ao mês anterior, a estimativa da área a ser colhida cresceu 119,7 mil hectares (0,2%).

O arroz, o milho e a soja, os três principais produtos deste grupo, representam 92,6% da estimativa da produção e respondem por 87,7% da área a ser colhida. Em relação a 2020, houve acréscimos de 6,2% na área do milho (aumentos de 2,7% na primeira safra e de 7,5% na segunda) e de 4,1% na da soja. Porém, houve declínios de 16,0% na área do algodão herbáceo e de 0,1% na do arroz.

Para a soja, a estimativa é de mais um recorde: 132,9 milhões de toneladas, com alta de 9,4% ante 2020. Nessa mesma comparação, espera-se alta, também, de 2,8%, para o arroz em casca, que deve chegar a 11,4 milhões de toneladas. Por outro lado, foi estimado declínio de 19,7% para o algodão herbáceo (-19,7%), com produção de 5,7 milhões de toneladas, e de 3,9% para o milho (-3,9%), com produção de 99,2 milhões de toneladas, sendo 25,8 milhões de toneladas na primeira safra (-2,8%) e 73,3 milhões de toneladas na segunda (-4,3%).

Estimativa de MAIO para 2021 262,8 milhões de toneladas
Variação MAIO 2021/ ABRIL 2021 (-0,6%) 1,7 milhão de toneladas
Variação safra 2021/ safra 2020 (3,4%) 8,6 milhões de toneladas

As regiões Sul (10,8%), Sudeste (6,0%), Nordeste (5,3%) e Norte (1,4%) tiveram altas em suas estimativas. A primeira deve produzir 81,0 milhões de toneladas (30,8% do total nacional); a segunda, 27,3 milhões de toneladas (10,4% do total); a terceira, 23,8 milhões de toneladas (9,1% do total) e a quarta, 11,1 milhões de toneladas (4,2%). Por outro lado, o Centro-Oeste, que é o maior produtor (45,5% da produção do país), teve redução de 1,8% em sua estimativa, devendo totalizar uma colheita de 119,5 milhões de toneladas.

Entre as unidades da Federação, o Mato Grosso lidera a produção nacional de grãos, com uma participação de 26,9%, seguido pelo Paraná (14,6%), Rio Grande do Sul (13,9%), Goiás (9,8%), Mato Grosso do Sul (8,4%) e Minas Gerais (6,5%). As variações positivas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, ocorreram no Rio Grande do Sul (1,3 milhão de toneladas), na Bahia (410,6 mil toneladas), no Ceará (50,2 mil toneladas), em Minas Gerais (8,8 mil toneladas), no Acre (2,2 mil toneladas), no Rio Grande do Norte (110 toneladas), no Espírito Santo (102 toneladas) e no Rio de Janeiro (47 toneladas).

Já as estimativas de queda ocorreram no Paraná (-2,0 milhões de toneladas), no Mato Grosso (-1,2 milhão de toneladas), em Goiás (-177,4 mil toneladas) no Maranhão (-125,1 mil toneladas), em Sergipe (-23,4 mil toneladas), em Pernambuco (-17,8 mil toneladas) e na Paraíba (-8,8 mil toneladas).

Destaques na estimativa de maio de 2021 em relação à de abril

Em maio, destacaram-se as variações positivas nas seguintes estimativas de produção em relação a abril: trigo (7,2% ou 527,2 mil toneladas), castanha-de-caju (7,2% ou 8,3 mil toneladas), café arábica (6,0% ou 114,0 mil toneladas), aveia (4,0% ou 39,2 mil toneladas), feijão 3ª safra (2,7% ou 15,5 mil toneladas), arroz (2,4% ou 270,0 mil toneladas), cevada (1,9% ou 8,2 mil toneladas), café canephora (0,9% ou 7,9 mil toneladas), soja (0,7% ou 982,5 mil toneladas) e milho 1ª safra (0,3% ou 73,0 mil toneladas).

Por outro lado, são esperados declínios na produção do feijão 2ª safra (-7,2% ou 80,3 mil toneladas), do milho 2ª safra (-4,4% ou 3,4 milhões de toneladas), do algodão (-3,4% ou 202,4 mil toneladas), do cacau (-1,5% ou 4,0 mil toneladas) e do feijão 1ª safra (-0,3% ou 4,0 mil toneladas).

ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – A quinta estimativa da produção de algodão foi de 5,7 milhões de toneladas, diminuição de 3,4% em relação à previsão de abril. A estimativa de área a ser colhida também sofreu redução (-4,5%). Como grande parte das áreas de algodão são plantadas depois da colheita da soja, que atrasou devido à escassez de chuvas, alguns produtores reduziram a área plantada de algodão, que é menos lucrativo.

Em Mato Grosso, maior produtor do país (67,9% do total), a estimativa de produção é de 3,9 milhões de toneladas, 5,1% menor que a última estimativa. A área plantada também sofreu redução de 5,7%, enquanto que a estimativa para o rendimento médio subiu 0,6%. A Bahia, segundo maior produtor do país (21,6% do total), estimou produzir 1,2 milhão de toneladas, aumento de 2,5% frente à estimativa de abril.

ARROZ (em casca) – A estimativa da produção do arroz foi de 11,4 milhões de toneladas, aumento de 2,4 % em relação ao mês anterior, devido ao crescimento da produtividade das lavouras. Essa produção será suficiente para abastecer o mercado interno brasileiro, possibilitando um maior equilíbrio nos preços do cereal, que alcançou patamares históricos em 2020. Comparado com o ano anterior, a produção nacional é 2,8% superior.

No Rio Grande do Sul, responsável por 70,2% da produção nacional, a estimativa mensal foi reavaliada com um acréscimo de 3,4% na produção.

CACAU (em amêndoa) – A estimativa de produção encontra-se em 269,1 mil toneladas, declínio de 1,5% em relação ao mês anterior. O Pará e a Bahia, maiores produtores do produto, devem responder por 93,0% da produção nacional este ano. No Pará, a estimativa da produção encontra-se em 144,2 mil toneladas. Na Bahia, a estimativa da produção foi de 106,0 mil toneladas, queda de 3,6% em relação ao mês anterior, devido às reavaliações na área cultivada e no rendimento das lavouras que decresceu 2,7%. Em relação ao ano anterior, a produção brasileira de cacau encontra-se 4,1% menor, havendo declínios de 0,3% no Pará e de 10,1% na Bahia.

CAFÉ (em grão) – A estimativa da produção brasileira de café para 2021, considerando-se as duas espécies, arábica e canephora, foi de 2,9 milhões de toneladas, crescimento de 4,3% em relação ao mês anterior e decréscimo de 21,0% em relação ao ano anterior. A área plantada apresenta declínio de 3,2% e a área a ser colhida redução de 3,4% no ano.

Para o café arábica, a produção estimada foi de 2,0 milhões de toneladas, crescimento de 6,0% em relação ao mês anterior, e declínio de 29,3% em relação ao ano anterior. Em 2021, a safra de arábica será de bienalidade negativa, o que deve resultar em uma retração expressiva da produção. Minas Gerais é o maior produtor, devendo responder, em 2021, por 69,8% da produção brasileira com sua colheita estimada em 1,4 milhão de toneladas –crescimento de 7,9% em relação ao mês anterior, mas declínio de 30,9% em relação a 2020.

Para o café canephora, mais conhecido como conillon, a estimativa da produção foi de 919,8 mil toneladas, crescimentos de 0,9% em relação ao mês anterior, e de 6,3% em relação à 2020. No Espírito Santo, maior produtor brasileiro, com cerca de 67,6% da produção total em 2021, a estimativa encontra-se em 621,3 mil toneladas, com crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior, e, na Bahia, a avaliação da produção foi de 126,2 mil toneladas, com declínio de 0,5% em relação à produção obtida em 2020.

CASTANHA-DE-CAJU (amêndoa) – A estimativa da produção apresenta crescimento de 7,2% em relação ao mês anterior, devido a maior expectativa de produção no Ceará que, aumentou sua produção em 13,7% em função do aumento no rendimento das lavouras, que deve atingir 252 quilos por hectare, um crescimento de 13,5%. Mesmo com essa melhora na produção cearense, a produção nacional deve ficar em 123,2 mil toneladas, um declínio de 11,2% no comparativo com 2020. Os maiores produtores brasileiros são Ceará (55,7%), Piauí (20,4%) e Rio Grande do Norte (13,9%), sendo que CE e RN estimam declínios em suas produções, de 19,4% e de 1,8%, respectivamente. Já o Piauí estima crescimento (8,7%).

CEREAIS DE INVERNO (em grão) – Os principais cereais de inverno produzidos no Brasil são o trigo, a aveia branca e a cevada.

A estimativa da produção do trigo foi de 7,9 milhões de toneladas, crescimentos de 7,9% em relação ao mês anterior e de 26,8% em relação ao ano anterior, com o rendimento médio devendo aumentar 19,5%. A região Sul deve responder por 89,3% da produção tritícola nacional em 2021. No Paraná, maior produtor (48,5% do total nacional), a produção foi estimada em 3,8 milhões de toneladas, crescimento de 22,4% no ano. O Rio Grande do Sul, segundo maior produtor (38,9% do total), deve colher 3,1 milhões de toneladas, crescimentos de 19,3% em relação ao mês anterior e de 45,6% em relação ao ano anterior.

Já a estimativa da produção da aveia foi de 1,0 milhão de toneladas, crescimento de 4,0% em relação ao ano anterior. Enquanto que, para a cevada, a produção estimada encontra-se em 440,0 mil toneladas, aumento de 1,9% em relação ao mês anterior, e crescimento de 16,1% em relação ao ano anterior.

FEIJÃO (em grão) – A quinta estimativa da produção total nacional de feijão em 2021 foi de 2,9 milhões de toneladas, sendo 2,3% menor que a de abril e muito próxima da safra de 2020. Mas área a ser colhida foi reduzida em 0,8% e o rendimento médio em 1,6%. Paraná (19,7%), Minas Gerais (20,0%) e Goiás (11,1%) são os maiores produtores.

A 1ª safra de feijão foi estimada em 1,3 milhão de toneladas, diminuição de 0,3% em relação à estimativa de abril. A área a ser colhida também sofreu redução, de 0,8%. Destaques negativos para as produções da Paraíba (-9,1%), de Pernambuco (-10,7%) e do Mato Grosso (-32,8%). Houve aumento na estimativa de produção do Ceará (4,2%). Em relação ao ano anterior, houve reduções de 2,5% na estimativa da produção; de 1,4% na estimativa do rendimento médio e de 1,1% para a área a ser colhida.

A 2ª safra de feijão foi estimada em 1,0 milhão de toneladas, um recuo de 7,2% frente à estimativa de abril, havendo também diminuições de 1,5% na estimativa da área a ser colhida e de 5,8% no rendimento médio. Destaques positivos para o Ceará, com aumento de 7,7% e Bahia com aumento de 3,1% em suas estimativas de produção. Destaques negativos para o Paraná (-21,5%), Rio Grande do Sul (-2,8%) e Paraíba (-5,7%).

Com relação à 3ª safra de feijão, a estimativa de produção foi de 578,4 mil toneladas, aumento de 2,7% frente à previsão de abril. A área a ser colhida também teve sua estimativa aumentada em 2,7%. Minas Gerais foi destaque positivo, com aumento de 9,0% e, Mato Grosso, destaque negativo, com uma retração de 2,4% em relação a abril.

MILHO (em grão) – Com uma área a ser colhida de 19,4 milhões, a estimativa da produção declinou 3,2% em relação à última informação e 3,9% frente a 2020, tendo totalizado. 99,2 milhões de toneladas.

Na 1ª safra de milho, a produção estimada foi de 25,8 milhões de toneladas, crescimento de 0,3% em relação ao mês anterior. Houve aumento nas estimativas de produção, principalmente, em Minas Gerais (1,8%), Ceará (6,0%) e Bahia (2,7%), e declínios em Pernambuco (-21,0%) e Rio Grande do Sul (-1,8%). Quanto à variação anual, a estimativa da produção encontra-se 2,8% menor que em 2020.

Para a 2ª safra, a estimativa da produção foi de 73,3 milhões de toneladas, declínio de 4,4% em relação ao mês anterior. Paraná (-15,8%), Mato Grosso (-3,5%), Goiás (-1,8%) e Maranhão (-11,9%) tiveram as principais quedas. Já a Bahia (12,7%) se destacou com alta. Em relação ao ano anterior, a estimativa para a segunda safra encontra-se 4,3% menor.

SOJA (em grão) – A estimativa da produção da soja foi de 132,9 milhões de toneladas, aumento de 0,7% em relação ao mês anterior. Em relação ao ano anterior, a estimativa da produção encontra-se 9,4 % maior, o equivalente a 11,4 milhões de toneladas. A área plantada aumentou 4,2%, o equivalente a 1,5 milhão de hectares; a produtividade cresceu 5,1%, o que representa um aumento de 166 kg/ha (2,7 sacas).

Com a colheita concluída na maioria das unidades da federação, a cultura se desenvolveu de maneira satisfatória, apesar do atraso na época do plantio. As maiores reavaliações em maio foram realizadas no Rio Grande do Sul (3,1%), Bahia (3,9%) e Ceará (88,2%). Vale ressaltar, que o Rio Grande do Sul recupera sua produção que foi muita afetada pela estiagem em 2020, resultando em um crescimento de quase 80,0%, em termos anuais, e atingindo um recorde de 20,3 milhões de toneladas. O estado torna-se o segundo maior produtor nacional de soja, ultrapassando o Paraná onde a cultura foi afetada pela estiagem que reduziu sua produção em 4,7% frente a 2020.