IPCA-15 fica em 0,44% em maio

25/05/2021 09h00 | Última Atualização: 25/05/2021 09h00

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 0,44% em maio, 0,16 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de abril (0,60%). Esse foi o maior resultado para um mês de maio desde 2016 (0,86%). O acumulado no ano foi de 3,27% e, nos últimos 12 meses, de 7,27%, acima dos 6,17% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2020, a taxa havia sido -0,59%.

Período Taxa (%)
Maio de 2021 0,44
Abril de 2021 0,60
Maio de 2020 -0,59
Acumulado no ano 3,27
Acumulados nos últimos 12 meses 7,27

Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram alta em maio. O maior impacto (0,16 p.p.) veio de Saúde e cuidados pessoais (1,23%), que acelerou em relação a abril (0,44%). Os grupos Habitação (0,79%) e Alimentação e bebidas (0,48%) também tiveram variações superiores às de abril (0,45% e 0,36%, respectivamente), contribuindo conjuntamente com mais 0,22 p.p. no índice de maio. Já a maior variação ficou com Vestuário (1,42%) e a menor, com os Transportes (-0,23%), único grupo a recuar em maio. Os demais grupos ficaram entre o 0,03% de Comunicação e o 0,89% dos Artigos de Residência.

Grupo Variação Mensal (%) Impacto (p.p.)
Abril Maio Abril Maio
Índice Geral 0,60 0,44 0,60 0,44
Alimentação e bebidas 0,36 0,48 0,08 0,10
Habitação 0,45 0,79 0,07 0,12
Artigos de residência 0,55 0,89 0,02 0,03
Vestuário 0,17 1,42 0,01 0,06
Transportes 1,76 -0,23 0,36 -0,05
Saúde e cuidados pessoais 0,44 1,23 0,06 0,16
Despesas pessoais 0,05 0,09 0,00 0,01
Educação 0,00 0,08 0,00 0,01
Comunicação -0,04 0,03 0,00 0,00

O resultado de Saúde e cuidados pessoais (1,23%) foi influenciado pela alta nos preços dos produtos farmacêuticos (2,98%), com o reajuste de 10,08% nos medicamentos a partir de 1º de abril, com destaque para os remédios antialérgicos e broncodilatadores (5,16%), dermatológicos (4,63%), anti-infecciosos e antibióticos (4,43%) e hormonais (4,22%).

Em Habitação (0,79%), a alta da energia elétrica (2,31%) foi o maior impacto individual no índice do mês (0,10 p.p.). Em maio, passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos, depois de quatro meses seguidos da bandeira amarela, cujo acréscimo é menor, de R$ 1,343. Além disso, houve aumentos nas contas de luz de Fortaleza (8,27%) e Salvador (5,83%), onde houve reajustes de 7,74% e 7,47%, respectivamente, e no Recife (5,40%), com reajuste de 7,86%.

Ainda em Habitação, o gás de botijão (1,45%) subiu pelo 12º mês consecutivo, embora menos do que em abril (2,49%). A alta de 2,03% no gás encanado se deve aos reajustes de 13% no Rio de Janeiro (5,64%) e de 7,04% em Curitiba (3,04%). A variação positiva da taxa de água e esgoto (0,29%) veio do reajuste de 7,10% nas tarifas em São Paulo (0,94%).

A aceleração do grupo Alimentação e bebidas (0,48%) ocorreu, principalmente, por conta da alimentação no domicílio, que passou de 0,19% em abril para 0,50% em maio. Entre as maiores altas destacam-se as carnes (1,77%), que acumulam alta de 35,68% nos últimos 12 meses, e o tomate (7,24%), que havia recuado 3,48% no mês anterior. No lado das quedas, o impacto negativo mais intenso (-0,06 p.p.) veio das frutas (-6,45%).

Na alimentação fora do domicílio (0,43%), tanto o lanche (0,72%) quanto a refeição (0,16%) desaceleraram ante abril, quando haviam subido 1,34% e 0,57%, respectivamente.

Em maio, a maior alta entre os nove grupos foi de Vestuário (1,42%), que contribuiu com um impacto de 0,06 p.p. no resultado final. Todos os itens pesquisados tiveram alta em maio, com destaque para as joias e bijuterias (2,35%) e as roupas femininas (2,00%).

A deflação do grupo dos Transportes (-0,23%) foi resultado da queda de 28,85% nos preços das passagens aéreas, que recuaram em todas as áreas pesquisadas: desde os -10,90% de Belém até os -37,10% de Brasília. Além disso, também houve recuos nos preços dos transportes por aplicativo (-9,11%) e do seguro voluntário de veículo (-3,18%).

O maior impacto positivo (0,03 p.p.) nos Transportes veio dos automóveis novos (1,16%), seguidos do conserto de automóvel (1,05%) e da gasolina (0,29%), que acumula alta de 41,55% nos últimos 12 meses. Também houve altas nos subitens metrô (0,46%) e ônibus urbano (0,25%) que, no primeiro caso, decorre do reajuste de 16% no preço das passagens no Rio de Janeiro (1,60%) e, no segundo, do reajuste de 4,76% em Salvador (2,86%).

Nos índices regionais, a única área com variação negativa foi Brasília (-0,18%), onde pesaram as quedas nos preços das passagens aéreas (-37,10%), da gasolina (-1,42%) e das frutas (-10,03%). O maior índice foi observado em Fortaleza (1,08%), por conta das altas da energia elétrica (8,27%) e dos produtos farmacêuticos (3,51%).

Região Peso Regional (%) Variação Mensal (%)  Variação Acumulada (%) 
Abril Maio Ano 12 meses
Fortaleza 3,88 0,52 1,08 4,65 8,99
Belém 4,46 0,39 0,83 4,20 7,99
Recife 4,71 0,48 0,65 3,89 8,00
Goiânia 4,96 0,49 0,60 3,39 8,68
Belo Horizonte 10,04 0,57 0,49 3,68 8,04
Curitiba 8,09 0,88 0,44 3,93 8,66
Rio de Janeiro 9,77 0,83 0,40 3,03 6,36
São Paulo 33,45 0,47 0,40 2,65 6,43
Salvador 7,19 0,58 0,37 2,90 6,49
Porto Alegre 8,61 0,63 0,32 3,51 7,56
Brasília 4,84 0,98 -0,18 3,23 7,05
Brasil 100,00 0,60 0,44 3,27 7,27

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 14 de abril a 13 de maio de 2021 e comparados com aqueles vigentes de 16 de março a 13 de abril de 2021 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.