IPCA foi de 0,93% em março

09/04/2021 09h00 | Atualizado em 09/04/2021 09h23

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março foi de 0,93%, 0,07 ponto percentual acima da taxa de fevereiro (0,86%). Esse é o maior resultado para um mês de março desde 2015, quando foi registrada inflação de 1,32%. No ano, o IPCA acumula alta de 2,05% e, nos últimos 12 meses, de 6,10%, acima dos 5,20% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2020, a variação havia sido de 0,07%.

Período Taxa
Março de 2021 0,93%
Fevereiro de 2021 0,86%
Março de 2020 0,07%
Acumulado no ano 2,05%
Acumulado nos últimos 12 meses 6,10%

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, seis tiveram alta em março. Os Transportes tiveram a maior variação (3,81%), após já terem registrado alta de 2,28% em fevereiro, e o maior impacto (0,77 p.p.) no índice do mês. Em segundo lugar, ficou Habitação, com alta de 0,81% e impacto de 0,12 p.p. O grupo Alimentação e bebidas (0,13%), por sua vez, segue desacelerando e contribuiu com 0,03 p.p. no índice de março. No lado das quedas, o destaque foi o Educação, que registrou -0,52% após a alta de 2,48% observada no mês anterior. Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,07% em Comunicação e a alta de 0,69% em Artigos de residência.

Grupo Variação (%) Impacto (p.p.)
Fevereiro Março Fevereiro Março
Índice Geral 0,86 0,93 0,86 0,93
Alimentação e bebidas 0,27 0,13 0,06 0,03
Habitação 0,40 0,81 0,06 0,12
Artigos de residência 0,66 0,69 0,03 0,03
Vestuário 0,38 0,29 0,02 0,01
Transportes 2,28 3,81 0,45 0,77
Saúde e cuidados pessoais 0,62 -0,02 0,08 0,00
Despesas pessoais 0,17 0,04 0,02 0,00
Educação 2,48 -0,52 0,15 -0,03
Comunicação -0,13 -0,07 -0,01 0,00
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços

O resultado dos Transportes (3,81%) deve-se, principalmente, à alta nos preços dos combustíveis (11,23%). A gasolina (11,26%) foi o item que exerceu o maior impacto sobre o índice do mês (0,60 p.p.), com variações que foram desde 6,32% em São Luís até 14,45% no Rio de Janeiro. Os preços do etanol (12,59%) e do óleo diesel (9,05%) também subiram, contribuindo conjuntamente com mais 0,11 p.p. para o resultado geral de março.

Também subiram os preços dos pneus (3,27%), do seguro de veículo (2,62%) e dos automóveis usados (1,00%) e novos (0,68%). Porém, caiu o custo do aluguel de veículo (-14,02%) e do transporte por aplicativo (-3,42%).

Ainda em Transportes, o reajuste (6,38%) nas tarifas de trem no Rio de Janeiro concorreu para o resultado nacional do subitem (1,84%), bem como o reajuste (8,70%) nas passagens de ônibus urbano em Recife, que também influiu no resultado nacional desse subitem (0,11%).

O segundo maior impacto (0,12 p.p.) sobre o IPCA veio do grupo Habitação (0,81%), principalmente devido ao gás de botijão (4,98%), que acumula alta de 20,01% nos últimos 12 meses. Além disso, a energia elétrica (0,76%), que havia recuado 0,71% no mês anterior, também subiu, sendo que, em março, foi mantida a bandeira tarifária amarela e, no Rio de Janeiro (1,47%), houve, a partir de 15 de março, reajustes de 4,66% e 4,50% nas concessionárias de energia.

Ainda em Habitação, destaca-se a variação do gás encanado (1,09%), refletindo reajustes aplicados em fevereiro em Curitiba (8,91%), de 8,07% na primeira quinzena e 15,57% na segunda, e no Rio de Janeiro (0,32%), de 3,50%. A variação positiva da taxa de água e esgoto (0,13%), por sua vez, é consequência dos reajustes de 5,11% em Curitiba (1,08%) e de 5,36% em Aracaju (0,48%).

Já o grupo Alimentação e bebidas (0,13%) segue em desaceleração desde dezembro (com variações de 1,74%, 1,02% e 0,27% em dezembro, janeiro e fevereiro, respectivamente).

A alimentação no domicílio apresentou queda de 0,17%, influenciada principalmente pelo recuo nos preços do tomate (-14,12%), da batata-inglesa (-8,81%), do arroz (-2,13%) e do leite longa vida (-2,27%). Por outro lado, as carnes (0,85%) seguem em alta, embora a variação tenha sido inferior à de fevereiro (1,72%).

Por outro lado, a alimentação fora do domicílio (0,89%) teve comportamento distinto, acelerando em relação ao mês anterior (0,27%). Contribuíram para isso especialmente as altas do lanche (1,88%) e da cerveja (1,70%).

O grupo Educação (-0,52%) recuou, após subir 2,48% em fevereiro. Se, por um lado, os cursos diversos tiveram alta de 0,69%, por outro, os preços dos cursos regulares caíram 0,79%, influenciados especialmente pelo resultado do ensino superior (-1,75%).

Região Peso Regional (%) Variação (%) Variação Acumulada (%)
Fevereiro Março Ano 12 meses
Goiânia 4,17 0,76 1,46 2,06 6,98
Brasília 4,06 1,18 1,44 2,69 6,19
Curitiba 8,09 0,92 1,33 2,71 6,48
Belo Horizonte 9,69 0,73 1,18 2,25 6,56
Vitória 1,86 1,00 1,10 2,55 7,03
Aracaju 1,03 1,05 1,09 2,54 5,25
Campo Grande 1,57 0,92 0,96 2,43 8,24
Rio Branco 0,51 1,05 0,96 2,48 8,44
Porto Alegre 8,61 0,86 0,95 2,06 6,36
Salvador 5,99 0,93 0,81 2,01 5,70
Belém 3,94 1,41 0,80 2,18 6,44
Rio de Janeiro 9,43 0,38 0,78 1,35 4,97
São Paulo 32,28 0,83 0,75 1,83 5,61
Fortaleza 3,23 1,48 0,72 2,59 7,10
São Luís 1,62 0,83 0,70 1,84 7,27
Recife 3,92 0,77 0,62 1,91 6,62
Brasil 100,00 0,86 0,93 2,05 6,10
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços

Todas as dezesseis localidades pesquisadas apresentaram variação positiva. O menor índice foi observado na região metropolitana do Recife (0,62%), principalmente por conta das quedas na energia elétrica (-2,23%) e no tomate (-21,03%). Já o maior resultado ficou com Goiânia (1,46%), onde pesaram as altas de 13,65% na gasolina e 18,43% no etanol.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de um a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 2 a 29 de março de 2021 (referência) com os preços vigentes no período de 29 janeiro a 1° de março de 2021 (base).

Cabe lembrar que, em virtude do quadro de emergência de saúde pública causado pela COVID-19, o IBGE suspendeu, no dia 18 de março de 2020, a coleta presencial de preços nos locais de compra. A partir dessa data, os preços passaram a ser coletados por outros meios, como pesquisas realizadas em sites de internet, por telefone ou por e-mail.

INPC varia 0,86% em março

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de março foi de 0,86%, ficando 0,04 p.p. acima do resultado de fevereiro (0,82%). Esse foi o maior índice para um mês de março desde 2015, quando INPC variou 1,51%. No ano, o indicador acumula alta de 1,96% e, em 12 meses, de 6,94%, acima dos 6,22% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2020, a taxa foi de 0,18%.

Os produtos alimentícios subiram 0,07% em março, abaixo do resultado de 0,17% observado no mês anterior. Já os não alimentícios tiveram alta de 1,11%, enquanto, em fevereiro, haviam registrado 1,03%.

Todas as áreas registraram alta em março. O maior índice foi observado em Brasília (1,38%), principalmente por conta da alta nos preços da gasolina (12,03%) e do gás de botijão (5,66%). O menor resultado, por sua vez, ocorreu na região metropolitana do Recife (0,57%), por conta das quedas na energia elétrica (-2,29%) e no tomate (-21,03%).

Região Peso Regional (%) Variação (%) Variação
Acumulada (%)
Fevereiro Março Ano 12 meses
Brasília 1,97 1,21 1,38 2,70 7,00
Curitiba 7,37 0,89 1,33 2,62 7,32
Belo Horizonte 10,35 0,58 1,11 2,13 7,21
Porto Alegre 7,15 0,85 1,09 2,25 7,46
Rio Branco 0,72 1,13 1,05 2,63 9,16
Goiânia 4,43 0,59 1,04 1,38 7,11
Vitória 1,91 0,85 0,97 2,24 8,06
Campo Grande 1,73 0,89 0,89 2,40 9,33
Aracaju 1,29 1,04 0,81 2,25 5,34
São Paulo 24,60 0,76 0,75 1,76 6,87
Belém 6,95 1,28 0,75 2,14 5,93
Rio de Janeiro 9,38 0,35 0,71 1,16 6,10
Salvador 7,92 0,90 0,71 1,92 6,18
Fortaleza 5,16 1,52 0,65 2,53 7,57
São Luís 3,47 0,83 0,65 1,70 6,91
Recife 5,60 0,75 0,57 1,95 7,35
Brasil 100,00 0,82 0,86 1,96 6,94
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços

O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 05 salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 2 a 29 de março de 2021 (referência) com os preços vigentes no período de 29 janeiro a 1° de março de 2021 (base).