Em janeiro, vendas no varejo variam -0,2%

12/03/2021 09h00 | Última Atualização: 12/03/2021 09h55

Em janeiro de 2021, o comércio varejista nacional teve teve variação de -0,2%, frente a dezembro, na série com ajuste sazonal, após o recuo de 6,2% em dezembro de 2020. A média móvel trimestral ficou em -2,2%. Na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista variou -0,3% frente a janeiro de 2020, primeira taxa negativa após sete meses consecutivos de altas. O acumulado nos últimos 12 meses ficou em 1,0%, próximo ao de dezembro (1,2%).

No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o volume de vendas recuou 2,1% em relação a dezembro de 2020, segundo mês consecutivo de variações no campo negativo. A média móvel do trimestre encerrado em janeiro (-1,6%) sinalizou redução no ritmo das vendas, quando comparada à média móvel no trimestre encerrado em dezembro (-0,3%).

Período Varejo (%) Varejo Ampliado (%)
Volume de vendas Receita nominal Volume de vendas Receita nominal
Janeiro / Dezembro* -0,2 0,7 -2,1 -0,1
Média móvel trimestral* -2,2 -1,3 -1,6 -0,3
Janeiro 2021 / Janeiro 2020 -0,3 8,7 -2,9 7,1
Acumulado 2021 -0,3 8,7 -2,9 7,1
Acumulado 12 meses 1,0 6,3 -1,9 3,4
*Série COM ajuste sazonal
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria

Na série com ajuste sazonal, entre os oito setores pesquisados pela Pesquisa Mensal do Comércio para o comércio varejista e os dez do comércio varejista ampliado, o desempenho foi heterogêneo: setores de Tecidos, Vestuário e Calçados, Móveis e eletrodomésticos e Livros, jornais, revistas e papelaria tiveram variações negativas com amplitude próxima de dois dígitos. Por outro lado, atividades como Outros artigos de uso pessoal e doméstico tiveram crescimento, na passagem de dezembro de 2020 para janeiro de 2021.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, na série sem ajuste sazonal, a variação de -0,3% interrompe o crescimento observado desde setembro de 2020. Regionalmente, as quedas nos indicadores do Amazonas tiveram influência da restrição da circulação de pessoas ocorrida a parte da última semana de janeiro, por conta do agravamento da Covid-19.

O acumulado nos últimos doze meses foi de 1,0%, próximo à taxa de dezembro (1,2%).

O comércio varejista ampliado, frente a janeiro de 2020, caiu 2,9%, primeiro resultado negativo após seis meses de alta. O acumulado nos últimos doze meses para o varejo ampliado intensificou a perda de ritmo na passagem de dezembro (-1,4%) para janeiro (-1,9%).

Em janeiro, cinco das oito atividades tiveram taxas negativas, na série com ajuste sazonal

A variação de -0,2% no volume de vendas do comércio varejista, em janeiro de 2021, na série com ajuste sazonal, teve taxas negativas em cinco das oito atividades pesquisadas: Livros, jornais, revistas e papelaria (-26,5%), Tecidos, vestuário e calçados (-8,2%), Móveis e eletrodomésticos (-5,9%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,6%) e Combustíveis e lubrificantes (-0,1%).

Por outro lado, houve altas nos setores de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,3%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (2,6%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,2%).

No comércio varejista ampliado, o decréscimo de 2,1% no volume, em janeiro, na série com ajuste sazonal, foi influenciado negativamente por Veículos, motos, partes e peças, que registrou -3,6% e, positivamente, por Material de construção com variação de 0,3%.

Tabela 1 - BRASIL - INDICADORES DO VOLUME DE VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA E COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO, SEGUNDO GRUPOS DE ATIVIDADES:
 Janeiro 2021
ATIVIDADES MÊS/MÊS ANTERIOR (1) MÊS/IGUAL MÊS DO ANO ANTERIOR ACUMULADO
Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%)
NOV DEZ JAN NOV DEZ JAN NO ANO 12 MESES
COMÉRCIO VAREJISTA (2) -0,1 -6,2 -0,2 3,6 1,3 -0,3 -0,3 1,0
1 - Combustíveis e lubrificantes -0,3 -1,5 -0,1 -6,6 -6,5 -8,2 -8,2 -10,3
2 - Hiper, supermercados, prods.  alimentícios, bebidas e fumo -2,9 -0,3 -1,6 -1,8 3,5 1,4 1,4 5,2
2.1 - Super e hipermercados -2,6 -0,5 -1,2 -0,4 4,6 2,7 2,7 6,5
3 - Tecidos, vest. e calçados 4,6 -13,2 -8,2 -3,5 -9,1 -21,1 -21,1 -24,2
4 - Móveis e eletrodomésticos -2,4 -3,6 -5,9 18,0 2,6 -5,4 -5,4 9,1
4.1 - Móveis - - - 21,5 9,2 -2,2 -2,2 10,8
4.2 - Eletrodomésticos - - - 16,3 -0,1 -6,9 -6,9 8,3
5 - Artigos farmaceuticos, med., ortop. e de perfumaria 2,6 -1,3 2,6 11,8 14,2 13,0 13,0 8,8
6 - Livros, jornais, rev. e papelaria 4,1 -2,7 -26,5 -15,4 -37,4 -53,1 -53,1 -38,6
7 - Equip. e mat. para escritório, informatica e comunicação 0,4 -6,4 2,2 -10,7 -11,8 -12,9 -12,9 -16,7
8 - Outros arts. de uso pessoal e doméstico 1,5 -13,4 8,3 16,2 1,6 9,8 9,8 2,7
COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO (3) 0,5 -3,1 -2,1 4,2 2,8 -2,9 -2,9 -1,9
9 - Veículos e motos, partes e peças 3,2 -3,3 -3,6 0,8 2,3 -15,3 -15,3 -15,6
10- Material de construção -2,1 -1,6 0,3 17,0 19,1 12,3 12,3 11,6
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio. 
(1) Séries com ajuste sazonal.
(2) O indicador do comércio varejista é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 8.
(3) O indicador do comércio varejista ampliado é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 10

Cinco das oito atividades do varejo recuaram frente janeiro de 2020

Na comparação com janeiro de 2020, o comércio varejista variou -0,3%, com quedas negativas em cinco das oito atividades. O setor de Tecidos, vestuário e calçados, com queda de 21,1% em janeiro de 2021 com relação a janeiro de 2020, exerceu a maior contribuição, no campo negativo, para o comércio varejista (-1,6 p.p, de um total de -0,3% do varejo). Para o indicador interanual, a atividade registra seu décimo primeiro mês consecutivo de taxas negativas, o que coincide com o período em que se iniciou restrições de circulação de pessoas e fechamento de lojas físicas por conta de pandemia. Nos últimos doze meses, a variação acumulada foi de -24,2%, maior amplitude, no campo negativo, da série, que se mantém em queda desde fevereiro de 2020.

A atividade de Combustíveis e lubrificantes, na comparação mês contra mesmo mês do ano anterior, mostrou decréscimo de 8,2%, contabilizando 11 meses de quedas, para este indicador. Para o indicador geral do comércio varejista, o segmento exerceu a segunda maior contribuição negativa (-0.8 p.p.). O setor também tem sido um dos mais impactados pelas medidas de restrição de circulação, que diminuíram a demanda por combustíveis a partir de março de 2020. O acumulado dos últimos doze meses intensificou o ritmo de queda, passando de -9,7% em dezembro de 2020 para -10,3% em janeiro de 2021.

O segmento de Móveis e Eletrodomésticos, na comparação com janeiro de 2020, registrou em janeiro de 2021 o primeiro resultado negativo (-5,4%) após sete meses de taxas positivas. O setor contribuiu com -0,6 p.p. no total de -0,3% do varejo, terceira maior influência negativa. Nos últimos doze meses, o setor acumula 9,1% em janeiro de 2021, abaixo do valor de dezembro de 2020 (10,6%), sinalizando, assim, redução no ritmo de crescimento.

No caso de Livros, jornais, revistas e papelaria, janeiro de 2021 registrou queda de 53,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, sendo a mais intensa queda desde abril de 2020 (-70,3%) e a décima segunda taxa no campo negativo. Em termos do acumulado dos últimos doze meses, a atividade registra 83 meses consecutivos de taxas negativas, fechando janeiro de 2021 com -38,6%.

O decréscimo de 12,9% em janeiro de 2021 em relação a janeiro de 2020 para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação é o décimo terceiro no campo negativo: o setor vem registrando taxas negativas, para este indicador, desde o início de 2020. No caso da variação acumulada dos últimos dozes meses, o valor de -16,7% em janeiro se adiciona aos 11 meses consecutivos anteriores de queda.

Por outro lado, o setor de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, registrou, na comparação de janeiro de 2021 com janeiro de 2020, 1,4%, segunda alta consecutiva (3,5% em dezembro de 2020). A atividade apresentou, desde fevereiro de 2020, um único recuo (novembro de 2020, -1,8%). O acumulado dos últimos dozes meses (5,2%) está acima do registrado nos últimos 94 meses, indicando que o segmento foi afetado de maneira distinta, pois não teve suas lojas físicas fechadas durante a pandemia.

A atividade de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, para janeiro de 2021, frente ao mesmo mês de 2020, fechou em alta de 13,0%, exercendo a maior contribuição positiva para este indicador (1,3 p.p.), juntamente com o setor de Outros artigos de uso pessoal e doméstico. Nos últimos dozes meses, o segmento acumula 8,8%, maior valor desde dezembro de 2014, comportamento similar do setor de hiper e supermercados.

Para o segmento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos etc., o indicador interanual apresentou alta de 9,8%, oitava consecutiva e a maior, em termos de magnitude, desde novembro de 2020 (16,2%). Como apontado anteriormente, o setor exerceu o maior impacto positivo para esta comparação (1,3 p.p.) contribuição igual à atividade farmacêutica.

No comércio varejista ampliado, a queda de 2,9% frente a janeiro de 2021, teve, como maior contribuição, o resultado de Veículos, motos, partes e peças (-3,8 p.p.). que caiu -15,3% frente a janeiro de 2020, após dois meses consecutivos de valores positivos. O acumulado dos últimos 12 meses teve nove resultados negativos consecutivos, e o de janeiro de 2021 (-15,6%) foi o mais intenso.

TABELA 2

Tabela 2 - BRASIL - INDICADORES DA RECEITA NOMINAL DE VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA E COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO, SEGUNDO GRUPOS DE ATIVIDADES:
Janeiro 2021
ATIVIDADES MÊS/MÊS ANTERIOR (1) MÊS/IGUAL MÊS DO ANO ANTERIOR ACUMULADO
Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%)
NOV DEZ JAN NOV DEZ JAN NO ANO 12 MESES
COMÉRCIO VAREJISTA (2) 1,0 -5,4 0,7 11,7 9,3 8,7 8,7 6,3
1 - Combustíveis e lubrificantes 2,2 0,2 1,6 -5,0 -6,7 -7,6 -7,6 -12,0
2 - Hiper, supermercados, prods.  alimentícios, bebidas e fumo -1,0 0,1 -1,9 14,2 18,5 17,3 17,3 15,6
2.1 - Super e hipermercados -1,2 0,4 -2,2 15,3 19,5 18,3 18,3 16,8
3 - Tecidos, vest. e calçados 5,0 -13,4 -7,1 -5,2 -10,3 -21,4 -21,4 -24,8
4 - Móveis e eletrodomésticos 0,4 -13,5 -1,9 23,7 10,5 2,5 2,5 10,8
4.1 - Móveis - - - 17,0 8,1 -1,9 -1,9 5,8
4.2 - Eletrodomésticos - - - 26,2 11,5 4,5 4,5 12,9
5 - Artigos farmaceuticos, med., ortop. e de perfumaria 3,7 -1,6 2,8 10,8 13,2 12,2 12,2 8,6
6 - Livros, jornais, rev. e papelaria 32,2 -26,7 -10,9 -13,6 -37,1 -52,7 -52,7 -36,8
7 - Equip. e mat. para escritório, informatica e comunicação 1,1 -5,1 3,5 -0,3 0,2 -1,4 -1,4 -11,5
8 - Outros arts. de uso pessoal e doméstico 1,5 -13,3 8,3 19,3 4,7 14,2 14,2 5,0
COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO (3) 1,8 -2,5 -0,1 12,4 11,1 7,1 7,1 3,4
9 - Veículos e motos, partes e peças 5,4 -2,1 -3,0 6,7 8,8 -7,7 -7,7 -12,8
10- Material de construção 1,0 0,9 3,1 32,2 36,9 30,4 30,4 18,8
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Serviços e Comércio.
(1) Séries com ajuste sazonal.

Ainda no âmbito do varejo ampliado, o setor de Material de Construção tem apresentado trajetória de crescimento nos últimos meses. Em relalçao ao indicador interanual, o mês de janeiro de 2021 registrou o oitavo mês seguido de taxas positivas (12,3%) sendo a menos intensa do período. Em relação à variação acumulada dos últimos dozes meses, o resultado de 11,6% para janeiro de 2021 é o oitavo consecutivo e o de maior amplitude.

Vendas caem em 23 das 27 Unidades da Federação na comparação com dezembro

De dezembro de 2020 para janeiro de 2021, na série com ajuste sazonal, a taxa média nacional de vendas do comércio varejista mostrou variação de -0,2%, com predomínio de resultados negativos em 23 das 27 UFs, com destaque para: Amazonas (-29,7%), Rondônia (-9,1%) e Ceará (-4,9%). Por outro lado, influenciando positivamente, figuram quatro das 27 UFs, sendo as principais, em termos de magnitude: Minas Gerais (8,3%), Tocantins (3,7%) e Acre (1,1%).

Na mesma comparação, o comércio varejista ampliado, entre dezembro e janeiro, também teve predomínio de resultados negativos: 25 das 27 UFs apresentaram variações negativas, sendo as mais intensas registradas para Amazonas (-33,9%), Rondônia (-5,8%) e Distrito Federal (-4,7%). Vale ressaltar que a amplitude, no campo negativo, para o Amazonas, tanto no varejo quanto no varejo ampliado, teve influência da restrição de circulação de pessoas, adotada a partir da última semana de janeiro de 2021.

Frente a janeiro de 2020, a variação das vendas do comércio varejista foi de -0,3%, com resultados negativos em 14 das 27 UFs, com destaque para Amazonas (-24,3%), Rondônia (-8,6%) e Distrito Federal (-8,3%). Pressionado positivamente, no entanto, figuram 13 das 27 Unidades da Federação, destacando-se: Amapá (17,7%), Minas Gerais (11,9%) e Pará (9,8%).

Considerando o comércio varejista ampliado, no confronto com janeiro de 2020, a queda de 2,9% teve predomínio em 14 Unidades da Federação, assim como no comércio varejista. Os destaques, no campo negativo, ficaram por conta de: Amazonas (-26,9%), Distrito Federal (-10,9%) e Rio Grande do Sul (-9,2%). Positivamente, das 13 UFs que registraram variações nessa direção, os destaques foram: Amapá (13,4%), Minas Gerais (7,5%) e Roraima (7,5%).