Estatísticas de Gênero: ocupação das mulheres é menor em lares com crianças de até três anos

04/03/2021 10h00 | Atualizado em 05/03/2021 06h27

Em 2019, o nível de ocupação das mulheres de 25 a 49 anos vivendo com crianças de até 3 anos de idade foi de 54,6% e o dos homens foi de 89,2%. Em lares sem crianças nesse grupo etário, o nível de ocupação foi de 67,2% para as mulheres e 83,4% para os homens. As mulheres pretas ou pardas com crianças de até 3 anos de idade no domicílio apresentaram os menores níveis de ocupação: 49,7% em 2019. Em relação a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, as mulheres dedicaram quase o dobro de tempo que os homens: 21,4 horas contra 11 horas semanais. A proporção em trabalho parcial (até 30 horas semanais) também é maior: 29,6% entre as mulheres e 15,6% entre os homens.

Na população com 25 anos ou mais, 15,1% dos homens e 19,4% das mulheres tinham nível superior completo em 2019. No entanto, as mulheres representavam menos da metade (46,8%) dos professores de instituições de ensino superior no país. Em cursos de graduação, elas são minoria entre os alunos nas áreas ligadas às ciências exatas e à esfera da produção: apenas 13,3% dos alunos de Computação e Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) são mulheres, enquanto elas ocupam 88,3% das matrículas na área de Bem-Estar, que contempla cursos como Serviço Social.

Apesar de mais instruídas, as mulheres ocupavam 37,4% dos cargos gerenciais e recebiam 77,7% do rendimento dos homens.

Em 2020, as mulheres eram 14,8% dos deputados federais, a menor proporção da América do Sul e a 142ª posição de um ranking com dados para 190 países. No processo eleitoral de 2018, 32,2% das candidaturas para o cargo de deputado federal foram de mulheres. Entre as candidaturas que contaram com receita superior a R$ um milhão, apenas 18,0% foram femininas.

Em 2020, entre os vereadores eleitos, 16% eram mulheres. As mulheres eram apenas duas entre os 22 ministros. Na esfera estadual e distrital, 27,6% dos policiais civis e 11% dos policiais militares eram mulheres, em 2018.

Utilizada para a análise do fenômeno do feminicídio (definido na Lei n. 13.104/2015), a informação sobre local de ocorrência da violência mostra que em 2018, enquanto 30,4 % dos homicídios de mulheres ocorreram no domicílio, para os homens essa proporção foi de 11,2%. Em 2019, apenas 7,5% dos municípios tinham delegacias especializadas para atender mulheres.

Em 2019, 2,1% dos casamentos envolviam mulheres de até 17 anos. De 2011 para 2019 a taxa de fecundidade adolescente caiu de 64 para 59 nascimentos a cada mil mulheres, sendo a maior taxa na região Norte (84,5 nascimentos a cada mil mulheres) e, por UF, no Amazonas (93,2).

Essas são algumas das informações da segunda edição das Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil, que analisa as condições de vida das brasileiras a partir de um conjunto de indicadores proposto pelas Nações Unidas. O IBGE compilou informações de suas pesquisas e de fontes externas para elaborar o estudo.

Em lares com crianças de até 3 anos, mulheres têm menor nível de ocupação

Em 2019, a taxa de participação das mulheres na força de trabalho foi 54,5%. Entre os homens, esta medida chegou a 73,7% - uma diferença de 19,2 pontos percentuais. A taxa mede a parcela da população em idade de trabalhar (15 anos ou mais de idade) que está na força de trabalho (ou seja, trabalhando ou procurando trabalho e disponível para trabalhar).

Entre as mulheres de 25 a 49 anos que viviam em lares com crianças de até 3 anos de idade, pouco mais da metade (54,6%) estava efetivamente ocupada. Em lares sem crianças nessa faixa etária, o nível de ocupação das mulheres foi de 67,2% . Entre os homens, o nível de ocupação é superior tanto em lares com crianças com até 3 de idade (89,2%), quanto em lares sem crianças nesse grupo etário (83,4%).

As mulheres pretas ou pardas com crianças de até 3 anos de idade no domicílio apresentaram os menores níveis de ocupação: 49,7% em 2019. Entre as mulheres brancas, a proporção foi de 62,6%. Para aquelas sem a presença de crianças nesta faixa etária, os percentuais foram 63,0%, entre mulheres pretas e pardas, e 72,8% entre brancas.

Mulheres dedicam quase o dobro do tempo em cuidados e/ou afazeres domésticos

No Brasil, em 2019, as mulheres dedicaram aos cuidados de pessoas ou afazeres domésticos quase o dobro do tempo que os homens: 21,4 horas contra 11 horas semanais.

Embora na Região Sudeste as mulheres dedicassem mais horas a estas atividades (22,1 horas), a maior desigualdade se encontrava na Região Nordeste: 21,8 para elas e 10,5 para eles, ou seja, 11,4 pontos percentuais.

As mulheres pretas ou pardas estavam mais envolvidas com os cuidados de pessoas e afazeres domésticos, com o registro de 22,0 horas semanais em 2019, ante 20,7 horas para mulheres brancas.

Também há diferenças marcantes por classes da população em ordem crescente de rendimento domiciliar per capita: as mulheres que fazem parte dos 20% com os menores rendimentos trabalham em média 24,1 horas nas atividades de cuidados e afazeres domésticos, enquanto as que se encontram nos 20% com os maiores rendimentos trabalham 18,2 horas.

29,6% das mulheres e 15,6% dos homens trabalham em tempo parcial

Mulheres que necessitam conciliar trabalho remunerado com os afazeres domésticos e cuidados, em muitos casos, aceitam ocupações com carga horária reduzida. Em 2019, cerca de um terço das mulheres (29,6%) estavam ocupadas em tempo parcial (até 30 horas semanais de trabalho), quase o dobro do verificado para os homens (15,6%).

As mulheres pretas ou pardas eram as que mais exerciam o trabalhado parcial, que representava 32,7% do total, contra 26,0% das mulheres brancas. Os homens em trabalho parcial eram 17,2% entre pretos e pardos e 13,5% entre brancos. As regiões Norte e Nordeste apresentaram as maiores proporções de mulheres ocupadas em trabalho parcial: 39,2% e 37,5%, respectivamente.

Mulheres recebem 77,7% do rendimento dos homens

Em 2019, as mulheres receberam 77,7% (ou pouco mais de ¾) do rendimento dos homens. Enquanto o rendimento médio mensal dos homens era de R$2.555, o das mulheres era de R$1.985.

A desigualdade é maior entre as pessoas nos grupos ocupacionais com maiores rendimentos. Nos grupos de Diretores e gerentes e Profissionais das ciências e intelectuais, as mulheres receberam, respectivamente, 61,9% e 63,6% do rendimento dos homens.

Nas Regiões Sudeste e Sul as mulheres recebiam em média, 74,0% e 72,8%, respectivamente, do rendimento dos homens. Nas Regiões Norte e Nordeste, onde os rendimentos médios foram mais baixos para homens e mulheres, as desigualdades eram menores (92,6% e 86,5%, respectivamente).

Pretos e pardos têm maior proporção de atraso ou abandono escolar

Embora a frequência à escola ou creche seja semelhante para homens e mulheres em todas as faixas etárias, o atraso escolar atinge mais o sexo masculino, especialmente os pretos e pardos. Isso é percebido a partir da taxa de frequência escolar líquida ajustada, que considera a frequência escolar no nível de ensino adequado a sua faixa etária, ou a conclusão desse nível.

Em 2019, ambos os sexos registraram a mesma taxa (95,8%) no ensino fundamental. No nível superior, porém, as mulheres registraram uma taxa de 29,7%, contra 21,5% dos homens. Uma mulher de 18 a 24 anos tinha, em 2019, cerca de 38% mais chances de estar frequentando ou já ter terminado o ensino superior do que um homem da mesma faixa etária.

Embora as mulheres apresentem índices superiores aos dos homens, o acesso à educação se dá de forma desigual entre as mulheres. Em 2019, mulheres pretas ou pardas entre 18 e 24 anos apresentavam uma taxa ajustada de frequência líquida ao ensino superior de 22,3%, quase 50% menor do que a registrada entre brancas (40,9%) e quase 30% menor do que a taxa verificada entre homens brancos (30,5%). A menor taxa ajustada de frequência escolar líquida se verificou entre os homens pretos ou pardos (15,7%).

Apesar de mais instruídas, mulheres ainda são minoria na docência superior

Entre a população com 25 anos ou mais, 15,1% dos homens e 19,4% das mulheres tinham nível superior completo em 2019. Na população mais jovem, no recorte de 25 a 34 anos, essa diferença chega a 6,8 pontos percentuais: 25,1% das mulheres possuíam nível superior completo, contra 18,3% dos homens.

Entretanto, as mulheres representavam 46,8% dos professores de instituições de ensino superior no Brasil. Essa proporção vem crescendo, ainda que lentamente, nas últimas duas décadas. A proporção mais alta é na Bahia (51,8%) e a mais baixa, em São Paulo (43,4%).

Na graduação, apenas 13,3% dos alunos de Computação e TIC são mulheres

As mulheres são minoria em cursos de graduação nas áreas ligadas às ciências exatas e à esfera da produção. Em 2019, elas correspondiam a apenas 13,3% das matrículas nos cursos presenciais de graduação na área de Computação e Tecnologias da Informação e Comunicação, e 21,6% na área de Engenharia e profissões correlatas. Já nas áreas relacionadas ao cuidado, a participação feminina é muito maior. Na área de Bem-Estar, que inclui cursos como Serviço social, a participação feminina nas matrículas foi de 88,3% em 2019. Em Direito e Medicina, duas áreas tradicionais, as mulheres também constituíam uma maioria das matrículas de graduação, embora por margens mais estreitas – 55,2% e 59,7%, respectivamente.

Tabagismo ainda é mais frequente entre homens e a obesidade, entre mulheres

Em 2019, enquanto 15,7% dos homens de 15 anos de idade ou mais responderam consumir algum produto de tabaco, o percentual foi de 9,4% para as mulheres. Em comparação com 2013, quando a faixa etária investigada foi a partir de 18 anos, o tabagismo diminuiu para ambos os sexos, quando as taxas eram de 18,9% para os homens e 11,0% para as mulheres, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).

A obesidade, por sua vez, cresceu entre 2013 e 2019. Considerando a população a partir de 20 anos de idade, a incidência de obesidade entre os homens aumentou de 17,5% para 22,8%. Entre as mulheres, aumentou de 25,2% para 30,2% em 2019.

Esperança de vida aumenta e taxa de mortalidade na infância diminui entre as mulheres

A esperança de vida das mulheres aos 60 anos era maior do que a dos homens e aumentou entre 2011 e 2019. Em 2011, a esperança de vida de uma mulher de 60 anos no Brasil era de 23,1 anos e passou para 24,4 em 2019. Já a dos homens subiu de 19,6 para 20,7 anos. Uma mulher de 60 anos na Região Sul tinha quase 3 anos a mais de expectativa de vida que uma mulher da mesma idade na Região Norte: 25,3 e 22,4 anos, respectivamente.

A mortalidade na infância (probabilidade de uma criança morrer antes dos cinco anos de idade) entre os meninos passou de 20,6 em cada mil nascidos vivos, em 2011, para 15,1, em 2019. Entre as meninas, o indicador passou de 17,2 para 12,8, em cada mil nascidas vivas. Enquanto na Região Norte uma menina nascida em 2019 tinha 17,2‰ de chances de morrer com menos de 5 anos, na Região Sul as chances eram de 9,0‰.

Em 2020, mulheres eram 14,8% dos deputados, 16% dos vereadores e 7,1% dos ministros

No Brasil, o percentual de parlamentares mulheres na Câmara dos deputados passou de 10,5%, em dezembro de 2017, para 14,8%, em setembro de 2020. Apesar do aumento, o Brasil era o país da América do Sul com a menor proporção e encontrava-se na 142ª posição de um ranking com dados para 190 países.

O processo de candidatura ao cargo de deputado federal indica o descompasso entre homens e mulheres na Câmara. Em 2018, 32,2% das candidaturas para o cargo de deputado federal foram de mulheres, em comparação a 31,8%, em 2014. Essas proporções estão ainda próximas à cota mínima de 30% de candidaturas para cada sexo, por partido ou coligação partidária, como previsto em lei. Em 2018, entre as candidaturas para o cargo de deputado federal que contaram com receita superior a R$ um milhão, apenas 18,0% eram de mulheres. Estudos apontam que candidaturas com maior volume de recursos financeiros são mais propensas ao sucesso eleitoral.

Nos ministérios a desigualdade é ainda maior: em 25 de setembro de 2020, dos 22 ministros de Estado, apenas dois eram mulheres (ou 7,1%).

Na esfera municipal, somente 16,0% dos vereadores eleitos em 2020 eram mulheres, um aumento de menos de 3 pontos percentuais em relação a 2016. O estado com a menor proporção foi o Rio de Janeiro, com 9,8%; a maior, o Rio Grande do Norte, com 21,8%.

Mulheres pretas e mulheres pardas encontravam-se sub-representadas entre as vereadoras eleitas. Embora representassem 9,2% e 46,2% das mulheres na população em 2019, alcançaram 5,3% e 33,8% das cadeiras obtidas pelas mulheres nas eleições de 2020.

Mulheres eram 27,6% do efetivo das polícias civis em 2019

O percentual de policiais mulheres é um indicador que, além de atender à meta de integrar as mulheres à vida pública, compõe as medidas de assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar. Esse atendimento se dá no âmbito das polícias civis, subordinadas aos governos estaduais. Segundo a Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic), em 2019, as mulheres representavam 11% do efetivo ativo da polícia militar e 27,6% da polícia civil das Unidades da Federação. No efetivo total, elas correspondiam a 14,6%, sendo a menor participação de mulheres no Rio Grande do Norte, com 5,3%, e a maior participação no Amapá, com 24,3%.

Mulheres ocupavam 37,4% dos cargos gerenciais em 2019

No Brasil, 62,6% dos cargos gerenciais eram ocupados por homens e 37,4% pelas mulheres, em 2019. A maior desigualdade por sexo foi encontrada nos 20% da população ocupada com os maiores rendimentos do trabalho principal (77,7% para os homens contra 22,3% para as mulheres). Do mesmo modo, a desigualdade se aprofunda nas faixas etárias mais elevadas: entre pessoas de 60 ou mais anos de idade, 78,5% dos cargos gerenciais eram ocupados por homens e 32,6% pelas mulheres.

Em 2019, 2,1% dos casamentos envolviam mulheres de até 17 anos

Segundo as Estatísticas do Registro Civil, em 2019, 21.769 casamentos foram realizados com cônjuges de até 17 anos do sexo feminino, o que corresponde a 2,1% do total de casamentos em 2019. Do sexo masculino, foram 2.203 (0,2% do total).

A incidência do fenômeno vem se reduzindo desde 2011, quando 48.637 casamentos foram registrados com mulheres de até 17 anos, ou 4,7% do total de casamentos do ano. Rondônia, porém, apresentou, em 2019, proporção superior à do Brasil de oito anos antes, com 6,4%.

Maior taxa de fecundidade adolescente está na região Norte

No Brasil, em 2019, a taxa de fecundidade adolescente (entre mulheres de 15 a 19 anos) era de 59 nascimentos a cada mil mulheres. Em 2011, a taxa era de 64‰.

Nas regiões Sudeste e Sul as taxas de fecundidade adolescente eram de 49,4 e 50,0, respectivamente; no Centro-Oeste e Nordeste, eram de 62,7 e 65,2, respectivamente. Já na Região Norte, a taxa era de 84,5 nascimentos a cada mil mulheres de 15 a 19 anos de idade. A maior taxa foi encontrada no Amazonas (93,2) e a menor, no Distrito Federal (42,7). No mundo, a menor taxa, em 2018, foi apresentada pela União Europeia (8,9) e a maior, pela África Subsaariana (101,2).

30,4 % dos homicídios de mulheres ocorrem no domicílio

Utilizada para a análise do fenômeno do feminicídio (definido na Lei n. 13.104/2015 como o homicídio contra a mulher por razões da condição do sexo feminino – violência doméstica ou familiar e menosprezo ou discriminação à condição de ser mulher), a informação sobre local de ocorrência da violência mostra que a proporção de homicídios cometidos no domicílio tem maior vulto entre as mulheres. Em 2018, enquanto 30,4 % dos homicídios de mulheres ocorreram no domicílio, para os homens a proporção foi de 11,2%.

Entre as mulheres, as pretas ou pardas tinham maiores taxas de homicídio que as mulheres brancas, tanto no domicílio, quanto fora dele. No domicílio, a taxa para as mulheres pretas ou pardas (1,4) era 34,8% maior que para as mulheres brancas (1,1); fora do domicílio, era 121,7% maior (3,8 e 1,7, respectivamente).

Apenas 7,5% dos municípios têm delegacias especializadas para atender mulheres

Dentre as medidas previstas para o atendimento às mulheres em situação de violência, a Lei Maria da Penha determina a criação de serviços de atendimento às vítimas. Em 2018, a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) identificou que 2,7% dos municípios brasileiros possuíam casa-abrigo de gestão municipal, 20,9% dispunham de serviços especializados de enfrentamento à violência contra mulheres e 9,7% ofereciam serviços especializados de atendimento à violência sexual. Em 2019, 7,5% municípios contavam com delegacia especializada, patamar que não aumentou desde 2012.