Produção industrial avança 0,9% em dezembro e fecha 2020 com queda de 4,5%

02/02/2021 09h00 | Atualizado em 02/02/2021 13h59

Em dezembro de 2020, a produção industrial cresceu 0,9% frente a novembro, na série com ajuste sazonal. Após oito meses de alta, o setor acumulou crescimento de 41,8%, eliminando a perda de 27,1% registrada entre março e abril, que havia levado a produção ao nível mais baixo da série.  

Dezembro 2020 / Novembro 2020 0,9%
Dezembro 2020 / Dezembro 2019 8,2%
Acumulado em 2020 -4,5%
Média Móvel Trimestral 1,0%
4º Trimestre de 2020 3,4%

Mesmo com o desempenho positivo nos últimos meses, a indústria ainda se encontra 13,2% abaixo do seu nível recorde, alcançado em maio de 2011. Em relação a dezembro de 2019, na série sem ajuste sazonal, a indústria avançou 8,2%. Com isso, o setor acumula queda de 4,5% em 2020, o segundo resultado negativo seguido após a perda registrada em 2019 (-1,1%). No último trimestre do ano, o setor avançou 3,4%.

Indicadores da Produção Industrial por Grandes Categorias Econômicas - Brasil – Dezembro de 2020
Grandes Categorias Econômicas Variação (%)
Dezembro 2020 Novembro 2020* Dezembro 2020 Dezembro 2019 Acumulado Janeiro-Dezembro Acumulado nos últimos 12 meses
Bens de Capital 2,4 35,4 -9,8 -9,8
Bens Intermediários 1,6 8,2 -1,1 -1,1
Bens de Consumo 0,4 4,1 -8,9 -8,9
Duráveis 2,4 14,1 -19,8 -19,8
Semiduráveis e não Duráveis -0,5 1,8 -5,9 -5,9
Indústria Geral 0,9 8,2 -4,5 -4,5
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria  *Série com ajuste sazonal

A atividade industrial nacional teve oito meses seguidos de crescimento, acumulando uma alta de 41,8% até dezembro. Assim, eliminou a perda de 27,1% registrada em março e abril, momento de agravamento do isolamento social por conta da pandemia de Covid-19. Com esses resultados, o setor industrial se encontra 3,4% acima do patamar de fevereiro de 2020.

O avanço de 0,9% da atividade industrial na passagem de novembro para dezembro alcançou três das quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 26 ramos pesquisados.

Produção do setor de veículos automotores cresce pelo oitavo mês seguido

Entre as atividades, as influências positivas mais relevantes, na comparação com novembro (série com ajuste sazonal), foram da Metalurgia (19,0%), de Veículos automotores, reboques e carrocerias (6,5%) e das Indústrias extrativas (3,7%). Metalurgia avançou 58,6% entre julho e dezembro. Veículos automotores, reboques e carrocerias acumula expansão de 1.308,1% em oito meses consecutivos de crescimento na produção, eliminando, dessa forma, a perda de 92,3% registrada no período de março a abril. Já a Indústria extrativa interrompeu três meses de resultados negativos consecutivos, que acumularam redução de 12,3%.

Outras contribuições positivas importantes para a indústria vieram de Máquinas e equipamentos (6,0%), Produtos têxteis (15,4%), Confecção de artigos do vestuário e acessórios (11,5%), Produtos de borracha e de material plástico (4,8%), Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,4%), Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (4,7%) e Produtos de metal (2,9%).

Por outro lado, entre as nove atividades que tiveram queda na comparação com novembro, os principais impactos negativos vieram de Produtos alimentícios (-4,4%), que acumula redução de 11,0% em três meses de queda; Bebidas (-8,1%), que reverteu o crescimento de 1,7% registrado em novembro; e Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%), que acumula perda de 3,2% em três meses consecutivos de queda na produção, o que eliminou parte do avanço de 10,1% acumulado de julho a setembro.

Entre as grandes categorias econômicas, em relação a novembro de 2020, os Bens de capital (2,4%) e os Bens de consumo duráveis (2,4%) tiveram as maiores taxas positivas, com ambas marcando o oitavo mês seguido de expansão e acumulando, nesse período, avanços de 134,9% e 565,7%, respectivamente. Bens de capital e Bens de Consumo duráveis estão 14,9% e 5,1% acima do patamar de fevereiro.

O setor produtor de Bens intermediários (1,6%) também registrou crescimento em dezembro e acima da média da indústria (0,9%), revertendo os resultados negativos de outubro (-0,1%) e novembro (-0,2%). Por outro lado, o segmento de Bens de consumo semi e não-duráveis, com o recuo de 0,5%, apontou a única taxa negativa do mês e eliminou parte do avanço de 1,2% em novembro.

Média móvel avança 1,0% no trimestre encerrado em dezembro

Ainda na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral da indústria avançou 1,0% no trimestre encerrado em dezembro de 2020, frente ao nível do mês anterior, após também avançar nos meses de novembro (1,6%), outubro (2,4%), setembro (4,8%), agosto (7,1%) e julho (9,0%).

Entre as grandes categorias econômicas, Bens de capital (5,6%) e Bens de consumo duráveis (3,7%) tiveram os avanços mais intensos no mês, permanecendo com o comportamento positivo presente desde julho de 2020 e acumulando, nesse período, ganhos de 77,4% e 190,6%, respectivamente.

Os setores de Bens intermediários (0,4%) e de Bens de consumo semi e não-duráveis (0,1%) também mostraram taxas positivas em dezembro. Bens intermediários avançou pelo sexto mês consecutivo, acumulando crescimento de 20,5%. Bens de consumo semi e não-duráveis prosseguiu com a trajetória ascendente iniciada em maio.

Indústria avança 8,2% em relação a dezembro de 2019

Na comparação com igual mês de 2019 (série sem ajuste sazonal), o setor industrial avançou 8,2% em dezembro de 2020, com resultados positivos em todas as quatro grandes categorias econômicas, 19 dos 26 ramos, 62 dos 79 grupos e 68,9% dos 805 produtos pesquisados. Dezembro de 2020 teve 22 dias, um a mais do que o mesmo mês do ano anterior (21 dias).

Entre as atividades, as principais influências no total da indústria foram registradas veículos automotores, reboques e carrocerias (22,6%), Máquinas e equipamentos (37,4%) e Metalurgia (28,9%).

Outros impactos positivos importantes foram assinalados pelos ramos de Produtos de metal (23,6%), Produtos de borracha e de material plástico (18,6%), Produtos de minerais não-metálicos (17,5%), Outros produtos químicos (9,9%), Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (28,8%), Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (18,8%), Produtos têxteis (29,7%), Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (17,5%), Couro, artigos para viagem e calçados (21,5%), Confecção de artigos do vestuário e acessórios (11,8%), Produtos de madeira (16,8%) e Móveis (16,3%).

Por outro lado, ainda na comparação com dezembro de 2019, entre as sete atividades que apontaram redução na produção, Indústrias extrativas (-3,9%) e Impressão e reprodução de gravações (-49,8%) exerceram as maiores influências negativas na formação da média da indústria.

Destaca-se ainda as contribuições negativas assinaladas pelos ramos de Produtos alimentícios (-1,7%), Outros equipamentos de transporte (-12,6%) e Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-8,0%).

Entre as grandes categorias econômicas, Bens de capital (35,4%) e Bens de consumo duráveis (14,1%) assinalaram, em dezembro de 2020, os avanços mais acentuados. Os segmentos de Bens intermediários (8,2%) e de Bens de consumo semi e não-duráveis (1,8%) também mostraram expansão na produção, enquanto Bens intermediários repetiu o resultado do total da indústria (8,2%), Bens de consumo semi e não-duráveis teve crescimento mais moderado entre as grandes categorias econômicas.

No último trimestre do ano, setor avança 3,4%

A indústria avançou 3,4% no último trimestre de 2020, na comparação com igual período do ano anterior, interrompendo resultados negativos desde o último trimestre de 2018 (-1,3%). Esse aumento na intensidade da produção, na passagem do terceiro (-0,4%) para o quarto trimestre (3,4%), vem do ganho de ritmo nas quatro grandes categorias econômicas, com destaque para Bens de capital (de -10,3% para 14,8%), puxada pela maior fabricação de bens de capital para equipamentos de transporte (7,1%) e para fins industriais (14,9%), e Bens de consumo duráveis, impulsionada por automóveis (-8,4%).

Os setores produtores de Bens de consumo semi e não-duráveis (de -3,1% para -1,1%) e de Bens intermediários (de 3,2% para 4,9%) também mostraram maior dinamismo entre os dois períodos, mas com o primeiro ainda permanecendo com a sequência de taxas negativas iniciada de janeiro a março de 2020; e o último apontando o segundo trimestre consecutivo de crescimento.

Indústria acumula redução de 4,5% no ano

No índice acumulado no ano, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial mostrou redução de 4,5%, com resultados negativos em todas as quatro grandes categorias econômicas, 20 dos 26 ramos, 53 dos 79 grupos e 60,6% dos 805 produtos pesquisados.

Entre as atividades, Veículos automotores, reboques e carrocerias (-28,1%) exerceu a influência negativa mais intensa sobre a indústria, pressionada, em grande medida, pelos itens automóveis, caminhão-trator para reboques e semirreboques, caminhões e autopeças.

Outras contribuições negativas vieram dos ramos de Confecção de artigos do vestuário e acessórios (-23,7%), Indústrias extrativas (-3,4%), Metalurgia (-7,2%), Couro, artigos para viagem e calçados (-18,8%), Outros equipamentos de transporte (-29,1%), Impressão e reprodução de gravações (-38,0%), Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-16,0%), Produtos diversos (-16,7%), Máquinas e equipamentos (-4,2%), Produtos têxteis (-6,6%), Produtos de borracha e de material plástico (-2,5%) e Produtos de minerais não-metálicos (-2,3%).

Já entre as seis atividades em alta, as principais influências vieram de Produtos alimentícios (4,2%) e Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (4,4%).

Entre as grandes categorias econômicas, destacam-se as quedas em Bens de consumo duráveis (-19,8%), pressionado pela redução na fabricação de automóveis (-34,6%), e Bens de capital (-9,8%), por conta de bens de capital para equipamentos de transporte (-22,7%) e para fins industriais (-5,1%).

Os setores Bens de consumo semi e não-duráveis (-5,9%) e de Bens intermediários (-1,1%) também acumularam taxas negativas no ano, com o primeiro apontando queda mais acentuada do que a média nacional (-4,5%); e o segundo registrando a perda menos intensa entre as grandes categorias econômicas.