Índice de Preços ao Produtor (IPP) varia 0,41% em dezembro e fecha 2020 em 19,40%

29/01/2021 09h00 | Última Atualização: 01/02/2021 14h53

Os preços da indústria subiram 0,41% em dezembro, na comparação com novembro. Em dezembro, 17 das 24 atividades apresentaram variações positivas de preços, contra 18 no mês anterior. Em 2020, os preços da indústria acumularam crescimento de 19,40%, a maior alta da série histórica iniciada em 2014. 

Período Taxa (%)
Dezembro 2020 0,41
Novembro 2020 1,38
Acumulado no ano/12 meses 19,40
Dezembro 2019 0,65

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação mede a evolução dos preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange informações por grandes categorias econômicas, ou seja, bens de capital, bens intermediários e bens de consumo (duráveis e semiduráveis e não duráveis).

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Seções  - Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
M/M-1 Acumulado Ano M/M-12
OUT/20 NOV/20 DEZ/20 OUT/20 NOV/20 DEZ/20 OUT/20 NOV/20 DEZ/20
Indústria Geral 3,41 1,38 0,41 17,29 18,91 19,40 19,09 19,68 19,40
B - Indústrias Extrativas 9,71 -2,05 -1,28 50,31 47,23 45,35 53,64 43,52 45,35
C - Indústrias de Transformação 3,05 1,59 0,51 15,73 17,58 18,18 17,47 18,52 18,18
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria        

Em dezembro, os preços da indústria variaram 0,41 % em relação a novembro, número inferior ao observado na comparação entre novembro e outubro (1,38%). As quatro maiores variações observadas em dezembro foram em refino de petróleo e produtos de álcool (5,41%), outros equipamentos de transporte (-3,01%), borracha e plástico (2,75%) e fumo (-2,38%).

Em termos de influência no resultado geral, sobressaíram refino de petróleo e produtos de álcool (0,43 p.p.), alimentos (-0,31 p.p.), metalurgia (0,11 p.p.) e borracha e plástico (0,10 p.p.)

O acumulado no ano atingiu 19,40%, ante 18,91% em novembro. Entre as atividades que tiveram as maiores variações percentuais neste indicador, destaque para indústrias extrativas (45,35%), metalurgia (34,36%), madeira (32,71%) e alimentos (30,23%).

As maiores influências foram alimentos (7,11 p.p.), indústrias extrativas (2,04 p.p.), metalurgia (2,00 p.p.) e outros produtos químicos (1,83 p.p.).

Em dezembro, a variação de 0,41% frente a novembro repercutiu da seguinte maneira entre as Grandes Categorias Econômicas: -1,15% em bens de capital; 0,50% em bens intermediários; e 0,58% em bens de consumo, sendo que 1,08% foi a variação observada em bens de consumo duráveis e 0,48%, a em bens de consumo semiduráveis e não duráveis.  A influência das Grandes Categorias Econômicas foi: -0,09 p.p. de bens de capital, 0,28 p.p. de bens intermediários e 0,21 p.p. de bens de consumo. No caso de bens de consumo, 0,07 p.p. se deveu às variações de preços observadas nos bens de consumo duráveis e 0,15 p.p., nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

No acumulado no ano, as variações chegaram a 16,10% em bens de capital (com influência de 1,20 p.p.), 24,41% em bens intermediários (13,05 p.p.) e 13,18% em bens de consumo (5,15 p.p.). No último caso, este resultado foi influenciado em 0,77 p.p. pelos produtos de bens de consumo duráveis e 4,38 p.p., pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Grandes Categorias Econômicas  - Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
M/M-1 Acumulado Ano M/M-12
OUT/20 NOV/20 DEZ/20 OUT/20 NOV/20 DEZ/20 OUT/20 NOV/20 DEZ/20
Indústria Geral 3,41 1,38 0,41 17,29 18,91 19,40 19,09 19,68 19,40
Bens de Capital (BK) 2,61 0,09 -1,15 17,35 17,46 16,10 17,85 17,63 16,10
Bens Intermediários (BI) 5,05 1,48 0,50 21,98 23,79 24,41 22,56 23,98 24,41
Bens de consumo(BC) 1,19 1,49 0,58 10,87 12,52 13,18 14,45 14,12 13,18
Bens de consumo duráveis (BCD) 1,00 0,87 1,08 9,42 10,38 11,57 9,78 10,24 11,57
Bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND) 1,23 1,61 0,48 11,17 12,96 13,51 15,44 14,92 13,51
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria        

A seguir os principais destaques:

Indústrias extrativas: em dezembro, os preços do setor, em relação a novembro, tiveram uma variação de -1,28%, a segunda negativa consecutiva (-2,05%, em novembro), acumulando em 2020 uma variação de 45,35%. Vale dizer que, em outubro, o acumulado alcançou o ponto mais alto da série, 50,31%. Assim mesmo, no fechamento de ano, 2020 é o maior da série iniciada em dezembro de 2014.

O destaque dado ao setor se deve ao fato de ter sido a variação mais intensa entre todos os setores das indústrias extrativas e de transformação no acumulado no ano (que, em dezembro, se confunde com o acumulado dos últimos 12 meses). Já, em termos de influência, no mesmo acumulado, é o segundo (2,04 p.p.), em 19,40%.

O resultado negativo esteve ligado em grande parte a diminuição de preços do segundo produto de maior peso no setor (37,68%), “minérios de ferro e seus concentrados, em bruto ou beneficiados, exceto pelotizados ou sinterizados”, haja vista que o de maior peso, “óleos brutos de petróleo” (40,54%), teve variação positiva de preços.

Alimentos: em dezembro, os preços do setor variaram em média -1,17%, primeiro resultado negativo desde junho (-0,73%) e o terceiro observado ao longo do ano (em janeiro, -1,91%). Assim, em 2020, os preços do setor variaram em 30,23%, recuo em relação ao acumulado até novembro, 31,78%. De toda forma, é a maior variação positiva da série num fechamento de ano, superando a de dezembro de 2010, 21,24%.

O destaque dado ao setor se deve ao fato de ter sido a quarta maior variação acumulada no ano (que, em dezembro, se iguala a do acumulado em 12 meses), a segunda maior influência no mês (-0,31 p.p., em 0,41%) e a maior influência no acumulado no ano, ou em 12 meses (7,11 p.p., em 19,40%).

Os quatro produtos com maior variação de preços estão na pauta de exportação brasileira. Nesse sentido, a apreciação do real frente ao dólar em 5,0% explica em parte a redução de preços observadas em três deles. No caso do aumento de preços de “carnes e miudezas de aves congeladas”, a justificativa encontra-se na maior demanda, particularmente em época de festividade natalina.

No que tange aos grupos abertos do setor, seja a taxa dezembro contra novembro, seja a de dezembro 2020/dezembro de 2019, três grupos têm taxas mais intensas que a média do setor. No caso do indicador mensal, “abate e fabricação de produtos de carne” (-1,34%), “fabricação de óleos e gorduras vegetais e animais” (-1,70%) e “fabricação e refino de açúcar” (-2,72%). No caso do acumulado, "fabricação de óleos e gorduras vegetais e animais" (63,82%),  “moagem, fabricação de produtos amiláceos e de alimentos para animais” (40,17%) e “fabricação e refino de açúcar” (30,81%).

Na explicação dos resultados de 2020, não se pode perder de vista o problema de abastecimento de arroz, o câmbio (cuja depreciação do real frente ao dólar foi de 25,2%), além das particularidades no comportamento do mercado internacional para os derivados de soja e de cana-de-açúcar e as carnes de modo geral.

Refino de petróleo e produtos de álcool: na comparação com o mês anterior, os preços do setor subiram, em média, em 5,41%, terceira variação positiva consecutiva. Apesar disso, no ano, os preços variaram em -5,47%, segundo ano na série em que o fechamento é negativo (dezembro de 2016, -2,44%). No acumulado no ano, porém, a variação negativa mais intensa ocorreu em maio de 2020, -36,26%, sendo a maior da série, quer se compare com o mesmo mês de outros anos, quer se compare com qualquer outro mês.

O destaque ao setor se deveu  ao fato  de  ter sido  a maior  variação e a maior influência, 0,43 p.p., em 0,41%, no resultado mensal. Foi também o segundo setor de maior contribuição ao resultado do mês, 8,92%, contra 27,14% de alimentos.

Entre os produtos destacados entre as mais intensas variações e influências, todos são derivados de petróleo, incluindo-se entre eles aqueles dois que têm o maior peso no cálculo setorial, “óleo diesel” (40,74%) e “gasolina, exceto para aviação” (23,05%).

Outros produtos químicos: a indústria química no mês de dezembro apresentou uma variação média de preços, em relação a novembro, de 0,43%, sexto aumento consecutivo, mas a menor variação positiva no ano. O setor acumulou uma variação positiva de 23,71% em 2020, superior em cerca de 30 p.p. ao fechamento dos resultados em dezembro de 2019, que havia sido de -6,55%. A variação de preços em 2020 é a maior em toda a série do IPP. Em relação ao acumulado em 12 meses, o valor de 23,71% é o maior valor desde outubro de 2018, quando chegou a 33,24%.

Os resultados observados nos últimos meses estão ligados principalmente aos preços internacionais e ao aumento do preço de diversas matérias-primas importadas, em grande parte devido à depreciação do real frente ao dólar ao longo do ano e que atingiu em 2020 o resultado de 25,2%.

Em relação aos grupos econômicos da atividade, os destaques foram as variações ocorridas em “fabricação de resinas e elastômeros”, com 2,28% no mês, desta forma acumulando 56,51% de variação no ano. Os demais grupos econômicos que são detalhadas na pesquisa obtiveram resultados negativos no mês. “Fabricação de produtos químicos inorgânicos” com -1,14% no mês e 18,11% no ano, e “fabricação de defensivos agrícolas e desinfetantes domissanitários” com -0,55% no mês, e 12,48% no ano.

Em relação aos quatro produtos que mais influenciaram o resultado no mês (0,49 p.p. em 0,43%), houve aumento de preços em dois deles: “policloreto de vinila (PVC)” e “poliestireno (cristal ou de alto impacto)”. Entretanto, “adubos ou fertilizantes à base de NPK” e “polietileno linear, com densidade inferior a 0,94” tiveram, em média, queda de preços. Os demais 35 produtos da atividade apresentaram um valor acumulado de -0,06 p.p.

Borracha e Plástico: com a variação de 2,75% dos preços de dezembro contra novembro, o setor acumulou uma variação anual de 19,33%, a maior da série, superando assim o fechamento de 2018, quando os preços aumentaram, em média, em 10,75%.

O destaque dado ao setor se deveu ao fato de ter sido, na comparação dezembro contra novembro, a terceira maior variação entre todas as atividades das indústrias extrativas e de transformação e, na mesma comparação, a quarta maior (em módulo) influência, 0,10 p.p., em 0,41%.

Os seis produtos em destaques — dois são ao mesmo tempo destaque em termos de variação e em termos de influência — são todos do grupo “fabricação de produtos de material plástico”.  Vale dizer que os dois de maior peso neste grupo, “filmes de material plástico (inclusive BOPP) para embalagem” e “sacos de material plástico para embalagem ou transporte” aparecem apenas entre os mais influentes. Os quatro mais influentes respondem por 1,33 p.p., em 2,75%, ou seja, 1,42 p.p. é a influência dos demais 17 produtos de plástico e dos dez de borracha.

Na abertura por grupos, as variações em “fabricação de produtos de material plástico” estiveram acima da média do setor, tanto no indicador mensal (3,09% contra 2,75%) quanto no acumulado no ano (22,98% contra 19,33%). O comportamento do setor esteve pautado por aumento de custo, via câmbio, e pela dificuldade de obter matéria-prima frente aos problemas desencadeados pela pandemia.

Metalurgia: ao comparar os preços médios de dezembro contra novembro, houve uma variação de 1,65%, sexta variação positiva seguida na atividade. Com esse resultado o setor de metalurgia acumulou, no ano, uma variação de 34,36%, maior valor acumulado tanto para fechamento de ano quanto na série acumulada em 12 meses, em toda a pesquisa do IPP, iniciada em janeiro de 2010. Uma outra informação de destaque é que entre dezembro de 2018 (base da série atual) e dezembro de 2020, os preços do setor tiveram uma variação acumulada de 32,09%.

Do ponto de vista dos produtos que mais influenciaram o resultado no mês, houve uma influência de 0,11 p.p. dos quatro mais relevantes e de 1,54 p.p. nos demais 20 produtos analisados. A influência quase nula dos quatro produtos de maior influência, ocorreu devido à queda de preços médios de “ouro para usos não monetários” e de “óxido de alumínio (alumina calcinada)”, queda que foi equilibrada pelo aumento de preços de “chapas e tiras, de alumínio, de espessura superior a 0,2 mm” e de “bobinas a quente de aços ao carbono, não revestidos”.

No acumulado no ano, destacam-se: “bobinas a quente de aços ao carbono, não revestidos”, “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono”, “ouro para usos não monetários” e “vergalhões de aços ao carbono”, todos com resultados positivos.

O setor metalúrgico se destacou, na comparação com as 24 atividades da pesquisa, por ter a segunda maior variação de preços no ano e a terceira maior influência nos resultados do mês e no acumulado no ano.