IPCA-15 fica em 0,78% em janeiro

26/01/2021 09h00 | Última Atualização: 26/01/2021 09h00

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) cresceu 0,78% em janeiro, contra 1,06% em dezembro. É o maior resultado para um mês de janeiro desde 2016, quando o índice foi de 0,92%. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,30%, acima dos 4,23% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2020, a taxa foi de 0,71%.

Janeiro 2021 0,78%
Dezembro 2020 1,06%
Janeiro 2020 0,71%
Acumulado em 12 meses 4,30%

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito apresentaram alta em janeiro. O maior impacto (0,32 p.p.) veio de Alimentação e bebidas (1,53%), que desacelerou em relação ao resultado de dezembro (2,00%). Na sequência, veio Habitação, com alta de 1,44% e 0,22 p.p. de contribuição. Juntos, os dois grupos responderam por cerca de 69% do índice de janeiro. A terceira maior variação veio dos itens de Vestuário (0,85%), que apresentaram deflação no mês anterior (-0,44%). Outros destaques foram as altas de Artigos de residência (0,81%) e Saúde e cuidados pessoais (0,66%). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,01% em Comunicação e a alta de 0,40% em Despesas Pessoais.

Grupo Variação Mensal (%)  Impacto (p.p.) 
Dezembro Janeiro Dezembro Janeiro
Índice Geral 1,06 0,78 1,06 0,78
Alimentação e bebidas 2,00 1,53 0,42 0,32
Habitação 1,50 1,44 0,23 0,22
Artigos de residência 1,35 0,81 0,05 0,03
Vestuário -0,44 0,85 -0,02 0,04
Transportes 1,43 0,14 0,29 0,03
Saúde e cuidados pessoais 0,03 0,66 0,00 0,09
Despesas pessoais 0,39 0,40 0,04 0,04
Educação 0,34 0,11 0,02 0,01
Comunicação 0,46 -0,01 0,03 0,00
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

A desaceleração em Alimentação e bebidas (1,53%) ocorreu principalmente por conta dos alimentos para consumo no domicílio, que passaram de 2,57% em dezembro para 1,73% em janeiro. As carnes (1,18%), o arroz (2,00%) e a batata-inglesa (12,34%) apresentaram altas menos intensas na comparação com o mês anterior (quando variaram 5,53%, 4,96% e 17,96%, respectivamente). Já as frutas subiram 5,68%, frente à alta de 3,62% no mês anterior, e contribuíram com o maior impacto (0,06 p.p.) entre os itens pesquisados. No lado das quedas, o destaque foi o recuo nos preços do tomate (-4,14%).

Os alimentos para consumo fora do domicílio seguiram movimento inverso, acelerando de 0,58% para 1,02% na passagem de dezembro para janeiro. Enquanto a refeição (0,81%) apresentou variação próxima à do mês anterior (0,86%), o lanche passou de um recuo de 0,11% para alta de 1,45%, contribuindo decisivamente para o resultado observado em janeiro.

No grupo Habitação (1,44%), a energia elétrica (3,14%) exerceu novamente o maior impacto individual (0,14 p.p.) no IPCA-15, embora a variação tenha sido menor que a do mês anterior (4,08%). Após a vigência da bandeira vermelha patamar 2 em dezembro, passou a vigorar em janeiro a bandeira tarifária amarela, em que há acréscimo de R$ 1,34 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. As áreas apresentaram variações que foram desde o 1,18% de Goiânia até os 4,68% de Fortaleza. O segundo maior impacto no grupo (0,03 p.p.) veio do gás de botijão (2,42%), cujos preços subiram pelo oitavo mês consecutivo.

Ainda em Habitação, cabe ressaltar que a variação positiva da taxa de água e esgoto (0,03%) se deve ao reajuste de 2,40% nas tarifas no Recife (0,83%), vigente desde 3 de janeiro.

Nos Transportes, grupo com o segundo maior peso no IPCA-15, a desaceleração de 1,43% em dezembro para 0,14% em janeiro ocorreu principalmente por conta da queda nos preços das passagens aéreas (-20,49%), que haviam subido 28,31% no mês anterior; e da alta menos intensa da gasolina, que passou de 2,19% em dezembro para 0,95% em janeiro. Destacam-se, ainda, as variações positivas dos automóveis novos (0,92%) e usados (0,88%), bem como dos transportes por aplicativo (8,72%).

No grupo Vestuário (0,85%), houve alta nos preços das roupas masculinas (1,17%), femininas (0,89%) e infantis (0,63%), bem como dos calçados e acessórios (0,58%). Todos esses itens haviam apresentado variação negativa em dezembro.

Em Artigos de residência (0,81%), as maiores contribuições vieram dos eletrodomésticos e equipamentos (1,51%) e de mobiliário (0,69%), com 0,01 p.p. em ambos os casos.

No grupo Saúde e cuidados pessoais (0,66%), o destaque foi a alta dos itens de higiene pessoal (1,20%), que contribuíram com 0,05 p.p. no resultado do mês. Além disso, no item plano de saúde (0,66%), foi incorporada, pela primeira vez, a fração mensal do reajuste anual suspenso em 2020.

No que diz respeito aos índices regionais, todas as regiões pesquisadas apresentaram variação positiva em janeiro. O maior índice foi observado na região metropolitana do Recife (1,45%), especialmente por conta das altas nos preços da gasolina (5,85%) e da energia elétrica (4,55%). Já o menor resultado foi verificado em Brasília (0,33%), onde pesou a queda nos preços das passagens aéreas (-29,20%).

Região Peso Regional (%) Variação Mensal (%)  Variação Acumulada (%) 
Dezembro Janeiro Ano 12 meses
Recife 4,71 1,00 1,45 1,45 5,76
Porto Alegre 8,61 1,53 1,11 1,11 4,49
Fortaleza 3,88 1,24 0,97 0,97 5,91
Belo Horizonte 10,04 1,13 0,97 0,97 5,15
Rio de Janeiro 9,77 1,28 0,95 0,95 4,38
Goiânia 4,96 0,93 0,89 0,89 4,42
Belém 4,46 0,91 0,78 0,78 3,79
São Paulo 33,45 0,86 0,63 0,63 4,02
Curitiba 8,09 1,27 0,62 0,62 3,92
Salvador 7,19 1,18 0,38 0,38 3,60
Brasília 4,84 0,65 0,33 0,33 3,11
Brasil 100,00 1,06 0,78 0,78 4,30
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 12 de dezembro de 2020 a 14 de janeiro de 2021 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 13 de novembro a 11 de dezembro de 2020 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.