Índice de Preços ao Produtor (IPP) sobe 3,40% em outubro

26/11/2020 09h00 | Última Atualização: 26/11/2020 09h00

Em outubro de 2020, os preços da indústria subiram 3,40% frente a setembro, a maior alta da série histórica, iniciada em janeiro de 2014. O acumulado no ano atingiu 17,29%, contra 13,42% em setembro/2020. O acumulado em 12 meses foi de 19,08%, ante 15,86% em setembro/2020. Em outubro, 23 das 24 atividades tiveram alta de preços, contra 21 em setembro.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas: bens de capital, bens intermediários e bens de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis).

Período Taxa
Outubro de 2020 3,40%
Setembro de 2020 2,34%
Outubro de 2019 0,60%
Acumulado no ano 17,29%
Acumulado em 12 meses 19,08%

Em outubro de 2020, os preços da indústria subiram, em média, 3,40% em relação a setembro de 2020. Essa foi a maior alta da série histórica deste indicador, que começa em janeiro de 2014. As quatro maiores variações foram nas atividades de indústrias extrativas (9,71%), metalurgia (4,93%), calçados e produtos de couro (4,64%) e alimentos (4,60%). As maiores influências foram: alimentos (1,17 p.p.), indústrias extrativas (0,53 p.p.), outros produtos químicos (0,36 p.p.) e metalurgia (0,31 p.p.).

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Seções  - Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
M/M-1 Acumulado Ano M/M-12
AGO/20 SET/20 OUT/20 AGO/20 SET/20 OUT/20 AGO/20 SET/20 OUT/20
Indústria Geral 3,31 2,34 3,40 10,83 13,42 17,29 13,77 15,86 19,08
B - Indústrias Extrativas 8,43 1,55 9,71 34,91 37,01 50,31 17,56 33,38 53,64
C - Indústrias de Transformação 3,02 2,39 3,04 9,69 12,31 15,73 13,55 14,99 17,46
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria 

O acumulado no ano atingiu 17,29% ante 13,42% em setembro/2020. Entre as atividades, as maiores variações foram: indústrias extrativas (50,31%), metalurgia (29,13%), madeira (29,12%) e alimentos (28,36%). Os setores de maior influência foram: alimentos (6,67 p.p.), indústrias extrativas (2,27 p.p.), outros produtos químicos (1,71 p.p.) e metalurgia (1,69 p.p.).

No acumulado em 12 meses, a variação de preços foi de 19,08%, contra 15,86% em setembro/2020. As quatro maiores variações de preços ocorreram em indústrias extrativas (53,64%), alimentos (35,89%), madeira (28,88%) e metalurgia (26,59%). Os setores de maior influência foram: alimentos (8,10 p.p.), indústrias extrativas (2,40 p.p.), metalurgia (1,60 p.p.) e outros produtos químicos (1,53 p.p.).

A variação de preços de 3,40% em relação a setembro repercutiu da seguinte maneira entre as grandes categorias econômicas: 2,69% em bens de capital; 5,01% em bens intermediários; e 1,22% em bens de consumo, sendo que 0,97% foi a variação observada em bens de consumo duráveis e 1,27% em bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

A influência das categorias econômicas sobre o IPP (3,40%) foi: 0,20 p.p. de bens de capital, 2,74 p.p. de bens intermediários e 0,46 p.p. de bens de consumo. No caso de bens de consumo, 0,06 p.p. se deveu às variações de preços observadas nos bens de consumo duráveis e 0,40 p.p. nos bens de consumo semiduráveis e não duráveis.

No acumulado no ano, as variações de preços da indústria atingiram, até outubro, variação de 17,29%, sendo 17,44% a variação de bens de capital (com influência de 1,30 p.p.), 21,93% de bens intermediários (11,72 p.p.) e 10,90% de bens de consumo (4,26 p.p.). No último caso, este resultado foi influenciado em 0,62 p.p. pelos produtos de bens de consumo duráveis e 3,64 p.p., pelos bens de consumo semiduráveis e não duráveis. 

Índices de Preços ao Produtor, segundo Indústrias Extrativas e de Transformação (Indústria Geral) e Grandes Categorias Econômicas  - Últimos três meses
Indústria Geral e Seções Variações (%)
M/M-1 Acumulado Ano M/M-12
AGO/20 SET/20 OUT/20 AGO/20 SET/20 OUT/20 AGO/20 SET/20 OUT/20
Indústria Geral 3,31 2,34 3,40 10,83 13,42 17,29 13,77 15,86 19,08
Bens de Capital (BK) 1,52 1,63 2,69 12,53 14,36 17,44 14,25 15,39 17,95
Bens Intermediários (BI) 4,02 2,17 5,01 13,65 16,11 21,93 14,70 16,67 22,51
Bens de consumo(BC) 2,64 2,74 1,22 6,64 9,57 10,90 12,34 14,79 14,48
Bens de consumo duráveis (BCD) 0,71 1,57 0,97 6,66 8,34 9,38 8,74 9,67 9,74
Bens de consumo semiduráveis e não duráveis (BCND) 3,05 2,98 1,27 6,64 9,82 11,22 13,10 15,88 15,48
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria 

Na comparação outubro 2020/outubro 2019, a variação de preços da indústria alcançou 19,08%, com as seguintes variações: bens de capital, 17,95% (1,36 p.p.); bens intermediários, 22,51% (12,16 p.p.); e bens de consumo, 14,48% (5,57 p.p.), sendo que a influência de bens de consumo duráveis foi de 0,65 p.p. e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis de 4,91 p.p.

A seguir os principais destaques:

Indústrias extrativas: em outubro, a variação média de preços foi de 9,71%, sétimo resultado positivo consecutivo no ano. Com isso, até outubro os preços em 2020 variaram 50,31% e, na comparação com o mesmo mês de 2019, a variação foi de 53,64%. Esses resultados estão influenciados pelo câmbio, uma depreciação do real frente ao dólar de 4,2% (outubro contra setembro), de 36,9% (entre dezembro de 2019 e outubro de 2020) e de 37,6% (no acumulado em 12 meses), mas refletem também o movimento dos preços internacionais de “óleo bruto de petróleo” e “minérios de ferro e seus concentrados”.

O destaque dado ao setor se deve ao fato de ter sido a principal variação (em módulo) nas três perspectivas (variação mensal, acumulado no ano e acumulado em doze meses) e a segunda maior influência nesses três casos (0,53 p.p., em 3,40%, na variação mensal; 2,27 p.p., em 17,29%, no acumulado no ano; e 2,40 p.p., em 19,08%, nos últimos 12 meses).

Alimentos: em outubro, os preços do setor, na comparação com o mês anterior, cresceram em média 4,60%, mantendo-se as variações positivas consecutivas observadas desde julho. No acumulado no ano a variação foi de 28,36% e, em 12 meses, 35,89%, ambas são as maiores de suas séries. No caso do acumulado no ano, não só nunca houve um outubro dessa magnitude, como nunca houve outro mês qualquer. Vale a pena observar que até dezembro de 2019, a maior taxa anual havia sido a de dezembro de 2010, 21,24%, e que os resultados acumulados em 12 meses de julho a outubro são todos maiores que aquele (julho, 23,69%; agosto, 27,60%; setembro, 32,51% e outubro, 35,89%).

O destaque dado ao setor se deveu ao fato de ter sido, em termos de variação e entre todas as atividades que compõem as indústrias extrativas e de transformação, a quarta maior na variação mensal e no acumulado do ano e a segunda no acumulado em 12 meses. Por outro lado, foi a principal influência nas três perspectivas de análise: 1,17 p.p., em 3,40% (mensal); 6,67 p.p., em 17,29% (acumulado no ano); e 8,10 p.p., em 19,08% (últimos 12 meses).

Em termos de grupo, os preços dos produtos de “fabricação de óleos e gorduras vegetais e animais” e “fabricação e refino de açúcar” tiveram, considerando a comparação outubro contra setembro, variações médias maiores que a do setor, 13,48% e 4,98%, respectivamente.

Outros produtos químicos: a indústria química, no mês de outubro, apresentou variação média de preços, em relação a setembro, de 4,52%, quarto aumento consecutivo e o segundo maior resultado do ano. Desta forma, o setor acumulou alta de 22,08% em 2020, superior em cerca de 27 p.p. à taxa acumulada até outubro de 2019 (-4,10%). Em toda a série do IPP, o valor de 2020 só é inferior ao de outubro de 2018 (29,55%). O acumulado em 12 meses alcançou 18,96%, maior valor desde dezembro de 2018 (19,25%).

Em relação aos grupos econômicos da atividade, os destaques foram as variações ocorridas em “fabricação de resinas e elastômeros”, com 10,87%, desta forma acumulando 46,43% de variação no ano e 41,88% no acumulado nos últimos 12 meses. Outro grupo econômico que merece destaque no mês é o de “fabricação de produtos químicos inorgânicos”, com 3,49% de variação. No ano, o grupo acumula variação de 19,51%, ao passo que, nos últimos 12 meses, acumula um resultado de 14,14%. Finalmente, o grupo “fabricação de defensivos agrícolas e desinfetantes domissanitários”, com variação no mês de 2,78%; no ano de 15,24% e de 15,47% em 12 meses.

Quanto aos quatro produtos que mais influenciaram o resultado no mês (2,48 p.p. em 4,52%), houve aumento de preços em todos eles, a saber: “policloreto de vinila (PVC)”, “adubos ou fertilizantes à base de NPK”, ”polietileno linear, com densidade inferior a 0,94)” e “polietileno de alta densidade (PEAD)”.

Metalurgia: frente a setembro, houve uma alta de 4,93%, segunda maior da série do IPP, perdendo apenas para a de sete meses atrás, que foi igual a 5,74%. Com esse resultado a atividade acumulou, no ano, uma variação de 29,13% e, nos últimos 12 meses, 26,59%.

Os dois valores de acumulado são os maiores desta atividade em toda a série do IPP, iniciada em janeiro de 2010. Uma análise dos números-índices indica que, entre dezembro de 2018 (base da série atual) e outubro de 2020, os preços do setor acumulam alta de 26,95%.

Considerando os grupos econômicos da atividade, o siderúrgico apresentou uma variação de 5,35%, desta forma acumulando 27,06% de variação no ano e 23,04% no acumulado nos últimos 12 meses.

Do ponto de visto dos quatro produtos que mais influenciaram o resultado no mês (1,96 p.p. em 4,93%), houve aumento de preços em todos eles, a saber: “bobinas a quente de aços ao carbono, não revestidos”, “lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono”, ”óxido de alumínio (alumina calcinada)” e “ouro para usos não monetários”.