IPCA-15 tem alta de 0,94% em outubro

23/10/2020 09h00 | Última Atualização: 24/11/2020 08h27

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve alta de 0,94% em outubro, 0,49 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada em setembro (0,45%) e maior resultado para um mês de outubro desde 1995, quando o IPCA-15 foi de 1,34%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,31% e, nos últimos 12 meses, a variação acumulada foi de 3,52%, acima dos 2,65% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2019, a taxa foi de 0,09%.

PERÍODO TAXA
Outubro de 2020 0,94%
Setembro de 2020 0,45%
Outubro de 2019 0,09%
Acumulado no ano 2,31%
Acumulado nos 12 meses 3,52%

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em setembro. A maior variação (2,24%) e o maior impacto (0,45 p.p.) vieram do grupo Alimentação e bebidas, que acelerou em relação ao resultado de setembro (1,48%). Transportes teve alta de (1,34%) a segunda maior contribuição no índice do mês (0,27 p.p.). Já a segunda maior variação veio dos Artigos de Residência (1,41%), cujos preços subiram pelo sexto mês consecutivo. O único grupo a apresentar queda em outubro foi Educação (-0,02%). Os demais ficaram entre as altas de 0,14% em Despesas Pessoais e de 0,84% em Vestuário.

IPCA-15 - Grupos - Variação e Impacto   
Grupo Variação Mensal (%) Impacto (p.p.)
Setembro  Outubro  Setembro  Outubro
 Índice Geral 0,45  0,94  0,45  0,94
Alimentação e Bebidas 1,48 2,24 0,30 0,45
Habitação 0,34 0,40 0,05 0,06
Artigos de Residência 0,79 1,41 0,03 0,05
Vestuário -0,27 0,84 -0,01 0,04
Transportes 0,83 1,34 0,16 0,27
Saúde e Cuidados Pessoais -0,69 0,28 -0,09 0,04
Despesas Pessoais 0,09 0,14 0,01 0,02
Educação -0,11 -0,02 -0,01 0,00
Comunicação 0,15 0,23 0,01 0,01
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.


A aceleração do grupo Alimentação e bebidas (2,24%) deve-se especialmente à alta dos alimentos para consumo no domicílio, que passaram de 1,96% em setembro para 2,95% em outubro. A maior contribuição (0,13 p.p.) veio das carnes (4,83%), cujos preços subiram pelo quinto mês consecutivo. Destacam-se também as altas do óleo de soja (22,34%), do arroz (18,48%), do tomate (14,25%) e do leite longa vida (4,26%). Por outro lado, houve queda nos preços da cebola (-9,95%) e da batata-inglesa (-4,39%).

Os alimentos para consumo fora do domicílio também registraram alta (0,54%), com destaque para a refeição, que acelerou de 0,09% em setembro para 0,93% em outubro.

No grupo dos Transportes (1,34%), a alta foi impulsionada pelo resultado das passagens aéreas, que subiram 39,90% e contribuíram com 0,13 p.p. no IPCA-15 do mês. Em todas as áreas pesquisadas houve altas nos preços desse subitem, variando desde os 21,66% de Porto Alegre até os 49,71% de Curitiba. O segundo maior impacto (0,04 p.p.) veio da gasolina (0,85%), sua quarta alta consecutiva, embora menos intensa que no mês anterior (3,19%).

Ainda no grupo dos Transportes, os preços do seguro voluntário de veículo subiram 2,46%, após sete meses consecutivos de quedas. Nesse grupo, os únicos subitens com variações negativas foram ônibus interestadual (-2,73%) e gás veicular (-1,36%).

Artigos de residência subiram 1,41%, acelerando em relação a setembro (0,79%). Todos os itens do grupo tiveram alta, com destaque para mobiliário (1,75%), que havia recuado (-0,14%) no mês anterior, e tv, som e informática (1,68%).

O grupo Vestuário teve alta de 0,84%, após recuar (-0,27%) em setembro. Enquanto as roupas masculinas e infantis subiram 1,31% e 1,07%, respectivamente, os preços das roupas femininas caíram 0,10%. As joias e bijuterias (1,73%), por sua vez, seguem em alta e acumulam, no ano, variação de 10,68%.

No grupo Habitação (0,40%), o maior impacto (0,02 p.p.) veio do gás de botijão, com alta de 2,07%. Já o gás encanado recuou 0,17%, com a redução de 8,88% nas tarifas em Curitiba (-1,64%), vigente desde 19 de agosto. Quanto à taxa de água e esgoto (0,16%), foram registrados dois reajustes: de 5,88% em uma das concessionárias de Porto Alegre (1,19%), a partir de 1º de outubro; e de 3,40% em São Paulo (0,11%), válido desde 15 de agosto. Por fim, a energia elétrica subiu 0,11%, com resultados que foram desde a queda de 0,80% em Salvador até a alta de 0,68% em Porto Alegre.

Em outubro, o IPCA15 aumentou em todas as regiões. O menor resultado foi o da região metropolitana de Salvador (0,43%), por conta da queda nos preços da gasolina (-5,87%). Já a maior variação foi na região metropolitana de Fortaleza (1,35%), influenciada pelas altas nos preços do arroz (23,02%), das carnes (4,79%) e da gasolina (2,78%).

IPCA-15 - Regiões     
Região Peso Regional (%) Variação Mensal (%)  Variação Acumulada (%) 
Setembro Outubro Ano 12 meses
Fortaleza 3,88 0,57 1,35 3,81 4,78
Belém 4,46 0,38 1,33 2,39 4,50
Recife 4,71 0,50 1,12 3,70 4,28
Belo Horizonte 10,04 0,42 1,05 2,48 3,55
Goiânia 4,96 1,10 1,04 1,79 3,52
São Paulo 33,45 0,44 0,96 2,45 3,66
Brasília 4,84 0,70 0,89 1,72 3,03
Curitiba 8,09 0,52 0,86 1,52 3,12
Rio de Janeiro 9,77 0,19 0,86 2,11 3,21
Porto Alegre 8,61 0,41 0,77 1,67 2,88
Salvador 7,19 0,18 0,43 2,27 3,26
Brasil 100,00 0,45 0,94 2,31 3,52
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor. 

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados de 12 de setembro a 13 de outubro de 2020 (referência) e comparados com aqueles vigentes entre 14 de agosto e 11 de setembro de 2020 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia é a mesma do IPCA, diferindo apenas no período da coleta e na abrangência geográfica.