IPCA-15 sobe 0,45% em setembro

23/09/2020 09h00 | Última Atualização: 23/09/2020 12h52

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,45% em setembro, 0,22 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de agosto (0,23%) e maior resultado para um mês de setembro desde 2012, quando o IPCA-15 foi de 0,48%. O IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado no trimestre, foi para 0,98%, acima da taxa de 0,26% registrada em igual período de 2019. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 1,35% e, em 12 meses, de 2,65%, acima dos 2,28% registrados nos 12 meses anteriores. Em setembro de 2019, a taxa foi de 0,09%.

Período Taxa
Setembro de 2020 0,45%
Agosto de 2020 0,23%
Setembro de 2019 0,09%
IPCA-E 0,98%
Acumulado no ano 1,35%
Acumulado nos 12 meses 2,65%

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, seis tiveram alta em setembro. A maior variação (1,48%) e o maior impacto (0,30 p.p.) no índice vieram do grupo Alimentação e bebidas, acelerando em relação ao resultado de agosto (0,34%). Transportes teve alta de 0,83% e contribuição de 0,16 p.p.. Artigos de residência teve alta de 0,79%, apesar da desaceleração em relação ao mês anterior (0,88%). Já a contribuição negativa mais intensa no índice do mês (-0,09 p.p.) veio de Saúde e cuidados pessoais (-0,69%). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,27% em Vestuário e a alta de 0,34% em Habitação.

Grupo Variação Mensal (%) Impacto (p.p.) Variação
Acumulada (%)
Julho Agosto Setembro Setembro Trimestre 12 meses
Índice Geral 0,30 0,23 0,45 0,45 0,98 2,65
Alimentação e Bebidas -0,13 0,34 1,48 0,30 1,69 9,93
Habitação 0,50 0,57 0,34 0,05 1,42 0,62
Artigos de Residência 0,68 0,88 0,79 0,03 2,37 -0,09
Vestuário -0,91 -0,63 -0,27 -0,01 -1,80 -2,18
Transportes 1,11 0,75 0,83 0,16 2,71 -0,85
Saúde e Cuidados Pessoais 0,40 0,62 -0,69 -0,09 0,33 2,05
Despesas Pessoais -0,23 0,03 0,09 0,01 -0,11 2,60
Educação -0,07 -3,27 -0,11 -0,01 -3,44 1,12
Comunicação 0,46 0,86 0,15 0,01 1,48 3,09
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

O resultado do grupo Alimentação e bebidas (1,48%) deve-se principalmente aos alimentos para consumo no domicílio, que aceleraram de 0,61% em agosto para 1,96% em setembro. A maior contribuição (0,09 p.p.) veio das carnes, com alta de 3,42%. Já a maior variação veio do tomate (22,53%), ante queda de 4,20% no mês anterior. O óleo de soja (20,33%), o arroz (9,96%) e o leite longa vida (5,59%) também subiram. Com isso, os três subitens acumulam no ano altas de 34,94%, 28,05% e 27,33%, respectivamente. No lado das quedas, os destaques foram a cebola (-19,09%), o alho (-11,90%) e a batata-inglesa (-8,20%).

A alimentação fora do domicílio passou de queda de 0,30% em agosto para alta de 0,36% em setembro. Já refeição variou 0,09%, frente à queda de 0,52% no mês anterior, o lanche acelerou para 0,89%, na comparação com agosto (0,06%).

O grupo com a segunda maior variação foi Transportes (0,83%). Os preços da gasolina (3,19%) subiram pelo terceiro mês seguido e contribuíram com o maior impacto individual (0,15 p.p.) no IPCA-15 de setembro. À exceção de Salvador (-2,66%), todas as áreas pesquisadas apresentaram alta nos preços desse combustível, entre 0,61% no Rio de Janeiro até 9,03% em Brasília. O óleo diesel (2,93%) e o etanol (1,98%) também apresentaram alta. Apenas o gás veicular recuou (-2,58%).

Ainda em Transportes, as passagens aéreas subiram 6,11%, após quatro meses consecutivos de quedas. Apesar da alta, o subitem acumula no ano queda de 55,18%.

Artigos de residência (0,79%) foi mais uma vez influenciado pelas altas nos itens TV, som e informática (2,04%) e eletrodomésticos e equipamentos (0,66%). Os preços do computador pessoal, subiram 17,99% de janeiro a setembro deste ano. O item mobiliário continua a ser o destaque entre as quedas, com recuo de 0,14%, mesma variação de agosto.

A contribuição negativa mais forte (-0,09 p.p.) e o resultado negativo mais intenso (-0,69%) em setembro vieram do grupo Saúde e cuidados pessoais. Esta queda deve-se ao item plano de saúde (-2,31%), que contribuiu com -0,10 p.p., devido à decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de suspender reajustes de planos de saúde até o fim de 2020. Com isso, todo o fator apropriado antecipadamente em maio, junho, julho e agosto, referente ao reajuste que seria anunciado em julho, foi descontado no IPCA-15 de setembro.

O grupo Vestuário também caiu (-0,27%) em setembro, embora menos intensamente do que em julho (-0,91%) e agosto (-0,63%). As roupas masculinas (-0,31%), femininas (-0,52%) e infantis (-0,59%) seguem em queda, assim como os calçados e acessórios (-0,32%). Já joias e bijuterias subiram 2,52% e acumulam no ano alta de 8,79%.

No grupo Habitação (0,34%), a taxa de água e esgoto subiu 1,00% por conta do reajuste de 3,40% nas tarifas em São Paulo (3,28%), desde 15 de agosto. No lado das quedas, o gás encanado (-1,65%) reflete as reduções de 5,16% no Rio de Janeiro (-2,99%), a partir de 1º de agosto, e de 8,88% em Curitiba (-7,35%), a partir de 19 de agosto. No item energia elétrica (-0,03%), houve reajuste de 2,86% em Belém (0,28%), vigente desde 7 de agosto.

Todas as regiões tiveram variação positiva em setembro. O maior resultado foi em Goiânia (1,10%), devido as altas nos preços da gasolina (8,19%) e do arroz (32,75%). Já a menor variação foi na região metropolitana de Salvador (0,18%), onde a queda nos preços da gasolina (-2,66%) contribuiu com -0,12 p.p. no resultado do mês.

Região Peso Regional (%) Variação Mensal (%) Variação
Acumulada (%)
Julho Agosto Setembro Trimestre 12 meses
Goiânia 4,96 0,39 0,15 1,10 1,65 2,69
Brasília 4,84 0,55 0,08 0,70 1,33 2,33
Fortaleza 3,88 0,31 0,11 0,57 0,99 3,30
Curitiba 8,09 0,76 0,17 0,52 1,46 2,17
Recife 4,71 0,62 0,28 0,50 1,41 3,06
São Paulo 33,45 0,19 0,25 0,44 0,88 2,74
Belo Horizonte 10,04 0,26 0,37 0,42 1,05 2,63
Porto Alegre 8,61 0,07 0,30 0,41 0,78 2,10
Belém 4,46 0,22 0,15 0,38 0,75 3,41
Rio de Janeiro 9,77 -0,07 0,20 0,19 0,32 2,52
Salvador 7,19 0,75 0,23 0,18 1,16 3,02
Brasil 100,00 0,30 0,23 0,45 0,98 2,65
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços, Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 14 de agosto a 11 de setembro de 2020 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 15 de julho a 13 de agosto de 2020 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.