POF 2017-2018: brasileiro ainda mantém dieta à base de arroz e feijão, mas consumo de frutas e legumes é abaixo do esperado

21/08/2020 10h00 | Última Atualização: 21/08/2020 10h00

Na análise do percentual de pessoas que consumiram qualquer quantidade dos alimentos informados nas 24 horas anteriores à entrevista, as maiores frequências de consumo alimentar foram do café (78,1%), arroz (76,1%) e feijão (60,0%).

Os alimentos com as maiores médias de consumo diário per capita foram café (163,2 g/dia), feijão (142,2 g/dia), arroz (131,4 g/dia), sucos (124,5 g/dia) e refrigerantes (67,1 g/dia).

De 2008-2009 a 2017-2018, a frequência de consumo de feijão caiu de 72,8% para 60,0%, de arroz de 84,0% para 76,1%, enquanto a salada crua passou de 16,0% para 21,4%. A queda do consumo do arroz foi observada no Sudeste, Sul e Centro-Oeste e foi mais acentuada no quarto de renda mais alto.

A frequência de consumo de frutas, verduras e legumes é menor entre adolescentes do que entre adultos e idosos, exceto para açaí e batata inglesa. Os adolescentes consomem o dobro de sanduíches, quatro vezes mais pizzas, nove vezes mais bebidas lácteas e 20 vezes mais salgadinhos que os idosos.

 A frequência de consumo para carne bovina diminuiu para adolescentes, adultos e idosos, no mesmo tempo em que houve aumento da frequência para aves e suínos nestes grupos etários.

A frequência de consumo da farinha de mandioca no Norte é duas vezes maior que a do Nordeste e dez vezes maior do que nas demais regiões. O consumo médio diário per capita de refrigerante no Sul é duas vezes maior do que o do Norte e Nordeste. O percentual de consumo de vinho fora de casa no Norte é cinco vezes maior que o do Sul. 

Tanto a frequência de consumo quanto o consumo diário médio per capita de arroz, feijão verde/corda, preparações à base de feijão, milho e preparações à base de milho, pão de sal, peixes frescos e farinha de mandioca foram maiores para os quartos de renda mais baixa, com acentuada diferença entre o primeiro e o último quartos de renda. 

A maior parte da quantidade consumida de cerveja (51,0% do total consumido) ocorre fora do domicílio. Alto percentual de quantidade consumida fora do domicílio, em relação ao total consumido, também foi observado para as bebidas destiladas (44,1%) e salgados fritos e assados (40,1%). A frequência de consumo de cerveja foi de 3,5% entre os adultos. Salgados fritos e assados tiveram frequência de 12,1% entre os adolescentes. 

Mais da metade (53,4%) das calorias consumidas vem dos alimentos in natura ou minimamente processados, 15,6% de ingredientes culinários processados, 11,3% de alimentos processados e 19,7% de alimentos ultraprocessados.

Alimentos ultraprocessados fornecem, em média, cerca de 27% do total de calorias diárias dos adolescentes, enquanto para a população com 60 ou mais de idade é de 15,1%.

A frequência do consumo alimentar fora do domicílio no Brasil caiu entre 2008-2009 e 2017-2018, passando de 40,2% para 36,5% da população. E a maior contribuição percentual para o consumo energético foi observada para a Região Centro-Oeste, com 16,0%.

A adição de sal a preparações prontas foi referida por 13,5% da população e era mais frequente em homens adultos (16,5%). A adição de açúcar foi referida por 85,4% da população e as mulheres idosas eram o grupo com a menor proporção (69,2%). 

A ingestão de sódio acima do limite aceitável foi referida por 53,5% da população. De 2008-2009 para 2017-2018, a participação das proteínas, carboidratos e gorduras na ingestão de energia da população pouco variou. Mas a participação das gorduras saturadas nessa ingestão recuou, provavelmente devido à redução do consumo de carne bovina.  

Essas informações fazem parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, que traz dados sobre a ingestão alimentar individual das pessoas de 10 anos ou mais de idade, por sexo, idade, renda familiar mensal, situação urbana ou rural e por Grandes Regiões. 

A pesquisa foi realizada em convênio com o Ministério da Saúde.

Café, arroz e feijão são os mais frequentes na mesa dos brasileiros

A análise da frequência de consumo alimentar (percentual de pessoas que consumiram qualquer quantidade dos alimentos informados, nas 24 horas anteriores à aplicação do questionário) observou que as maiores frequências foram do café (78,1%), arroz (76,1%) e feijão (60,0%), seguidos do pão de sal (50,9%) e óleos e gorduras (46,8%).

Na divisão por sexo, os homens apresentaram menores frequências de consumo de todas as verduras, legumes e frutas (exceto a batata inglesa) e as mulheres apresentaram maiores frequências de consumo para biscoitos, bolos, doces, leite e derivados, café e chá.

Homens consomem, em média, três vezes mais cerveja do que as mulheres

Os alimentos com maiores médias de consumo diário per capita foram o café (163,2 g/dia), feijão (142,2 g/dia), arroz (131,4 g/dia), sucos (124,5 g/dia) e refrigerantes (67,1 g/dia). As mulheres apresentaram médias mais altas para a maioria das verduras e frutas, enquanto os homens tiveram estimativas mais altas para quase todos os demais alimentos.

A média diária per capita de consumo de cerveja entre os homens é mais que o triplo da média feminina (54,5 g/dia contra 16,4 g/dia).

Mais da metade da quantidade consumida de cerveja fica fora do domicílio

A maior parte do consumo de cerveja é adquirida e consumida fora do domicílio (51,0%). Alto percentual de quantidade consumida fora do domicílio, em relação ao total consumido, também foi observado para as bebidas destiladas (44,1%), salgados fritos e assados (40,1%), outras bebidas não alcoólicas (40,1%), sorvete/picolé (37,2%), salgadinhos chips (32,7%), bolos recheados (32,6%) e refrigerantes (31,1%).

Os homens apresentaram maior percentual de quantidades consumidas fora do domicílio, em relação ao total consumido, para a maioria dos alimentos. As maiores diferenças foram encontradas no grupo das outras bebidas não alcoólicas, onde o consumo fora de casa dos homens era o dobro do das mulheres.

Área rural consome duas vezes mais peixes, farinha de mandioca e mortadela

As frequências de consumo de alimentos foram maiores na área urbana do que na área rural para a maioria dos alimentos. Já as frequências de consumo de feijão verde/corda, manga, farinha de mandioca, peixes frescos, outros tipos de carne e mortadela na área rural foi o dobro da observada na área urbana.

Na área urbana, os alimentos com maior percentual de consumo fora de casa foram: cerveja (50,1%), salgados fritos e assados (40,6%), outras bebidas não alcoólicas (40,4%), bebidas destiladas (39,1%), sorvete/picolé (37,8%), bolos recheados (31,7%) e salgadinhos chips (31,5%).

Na área rural, os alimentos com maior proporção de consumo fora de casa foram as bebidas destiladas (72,8%), cerveja (63,8%), bolos recheados (42,9%), salgadinhos chips (42,9%), outras bebidas não alcoólicas (38,8%), salgados fritos e assados (34,4%), sorvete/picolé (31,3%). O percentual de consumo fora do domicílio dos refrigerantes foi idêntico para as áreas urbanas e rurais (31,1%).

Frequência de consumo de farinha de mandioca no Norte é duas vezes a do Nordeste

Entre as principais diferenças regionais na frequência de consumo, destacam-se a farinha de mandioca (40,6% na Região Norte, 20,1% no Nordeste e, no máximo, 4% no Sul, Sudeste e Centro-Oeste), o açaí (12,4% da população no Norte e por até 1% nas demais regiões) e o peixe fresco (16,6% no Norte, 8,2% no Nordeste e menos de 4% nas demais regiões).

O consumo de milho e preparações à base de milho foi relatado por 25,8% da população, enquanto nas demais regiões o consumo variou entre 6,2% e 8,6%. O consumo de feijão foi mais frequente no Centro-Oeste (72,8%), contra 44,1% (Norte) e 64,9% (Sudeste).

Consumo diário per capita de refrigerante no Sul é duas vezes o do Norte e Nordeste

O Centro-Oeste registrou o maior consumo médio per capita de arroz, feijão, carne bovina e leite integral. Sul e Sudeste concentraram as maiores médias de consumo per capita para a maioria das frutas e verduras, enquanto o Nordeste destacou-se por médias per capita mais altas de consumo de milho e preparações à base de milho e feijão verde/corda.

Já a Região Norte apresentou médias mais elevadas para o consumo de açaí, farinha de mandioca, peixe fresco e preparações à base de leite em comparação com as demais regiões. O consumo de refrigerante foi maior no Sul, sendo o dobro do consumo estimado para as Regiões Norte e Nordeste. A região Sul destacou-se também por médias elevadas de consumo per capita de massas, macarrão e preparações à base de macarrão, café e chá.

Frequência de consumo de frutas, verduras e legumes é menor entre adolescentes, exceto para açaí e batata inglesa

A frequência de consumo por grupos de idade mostrou que o percentual de adolescentes que relataram o consumo de frutas, verduras e legumes, em geral, foi menor em relação a adultos e idosos, com exceção do açaí e batata inglesa.

Já o consumo de macarrão instantâneo, biscoito recheado, biscoito doce, salgadinhos chips, linguiça, salsicha, mortadela, presunto, chocolates, achocolatados, sorvete/picolé, sucos, refrescos/sucos industrializados, refrigerantes, bebidas lácteas, pizzas, salgados fritos e assados e sanduíches foi maior em adolescentes do que em adultos e idosos. Além disso, o consumo de leite, café, chá e sopas e caldos foi mais frequente entre idosos, frente a adultos e adolescentes.

Adolescentes consomem nove vezes mais bebidas lácteas e 20 vezes mais salgados que os idosos

O consumo médio per capita da maioria das frutas, verduras e legumes o consumo foi menor entre adolescentes do que em adultos e idosos, assim como de leite desnatado, pão integral, café, chá e sopas e caldos.

Inversamente, o consumo per capita foi maior entre os adolescentes para marcadores de dieta de baixa qualidade nutricional, com destaque para: (a) biscoitos recheados, cuja média de consumo foi quase quatro vezes maior entre adolescentes (9,7 g/dia) do que em adultos (2,5 g/dia) e 16 vezes maior que a dos idosos (0,6 g/dia); (b) refrigerantes, para o qual a média de consumo foi 3,7 vezes maior entre adolescentes do que entre idosos; (c) bebidas lácteas, para as quais a média de consumo per capita em adolescentes foi 4 vezes a observada em adultos e quase 9 vezes maior que a estimada para idosos; (d) salgadinhos do tipo chips, cuja média de consumo entre adolescentes foi 4 vezes maior que a de adultos e 20 vezes a estimada para idosos; (e) sanduíches, para esse item, o consumo médio de adolescentes foi o dobro do observado para idosos; e (f) pizzas, cujo consumo médio estimado para adolescentes foi 4 vezes o de idosos.

Brasileiros com menor renda consomem mais arroz, feijão, milho, açaí e farinha

Tanto a frequência de consumo quanto o consumo diário médio per capita de arroz, feijão verde/corda, preparações à base de feijão, milho e preparações à base de milho, pão de sal, peixes frescos e farinha de mandioca foram maiores para os quartos de renda mais baixa, em comparação com os de renda mais alta, com acentuada diferença entre o primeiro e o último quartos de renda. A frequência de consumo de café diminuiu com o aumento do nível de renda, mas a média de consumo aumenta até o 3° quarto, com redução no último extrato.

Para a maioria das frutas, verduras e legumes observou-se incremento das frequências de consumo e valores per capita de consumo com as classes de renda, chegando a diferenças de até oito vezes maiores entre o último quarto em comparação com o primeiro quarto para a frequência de consumo de abacaxi e de mamão e de até dez vezes maiores para a média de consumo de pepino e abacaxi.

O consumo per capita de marcadores negativos da qualidade da dieta, como doces, pizzas, salgados fritos e assados e sanduíches também foi maior na faixa de renda mais elevada. Além disso, o consumo per capita de arroz, feijão e milho e preparações à base de milho foi maior na menor categoria de renda e o de açaí, farinha de mandioca, carnes salgadas e mortadela foi três vezes maior no primeiro quarto do que o do maior quarto de renda.

Tabela 6 - Frequência de consumo alimentar, consumo alimentar médio per capita e percentual de consumo fora do domicílio, por quartos de rendimento total e variação patrimonial mensal familiar per capita de alimentos e preparações - Brasil - período 2017-2018 (1)
Alimentos e Preparações Frequência de consumo alimentar (%) Consumo alimentar médio per capita (g/dia)
1° quarto 2° quarto 3° quarto 4° quarto 1° quarto 2° quarto 3° quarto 4° quarto
Arroz 81,2 78,8 74,8 67,1 154,0 138,6 124,2 99,0
Milho e preparações à  base de milho 17,0 11,7 9,7 7,7 24,3 17,4 12,7 9,2
Feijão 60,7 64,3 61,7 51,8 154,4 159,4 143,7 102,4
Feijão verde/corda 7,8 3,9 2,0 1,4 18,6 8,0 3,4 2,3
Preparações à  base de feijão 13,8 11,3 11,2 11,2 34,7 27,8 24,6 24,1
Salada crua 14,7 21,4 24,0 29,8 14,3 19,4 22,7 29,0
Pepino 0,5 0,9 1,6 2,7 0,2 0,4 1,1 2,0
Tomate 2,8 4,5 6,1 7,8 2,4 3,4 5,0 6,7
Outros legumes 3,9 7,8 10,7 13,3 3,6 6,3 8,9 9,7
Batata doce 1,7 2,3 2,9 2,9 5,2 6,7 7,7 7,1
Batata inglesa 5,0 7,0 8,9 13,0 6,5 8,4 12,7 17,0
Abacaxi 0,2 0,4 0,6 1,6 0,3 0,7 1,0 3,0
Açaí 2,4 1,3 1,0 0,9 8,7 4,1 3,3 2,3
Mamão 0,9 1,7 3,4 7,5 1,9 3,4 7,0 14,6
Farinha de mandioca 16,3 10,2 7,0 5,9 13,2 7,8 5,2 4,2
Pão de sal 50,9 52,1 51,7 48,4 52,8 51,9 49,8 41,0
Peixes frescos 8,5 4,5 3,9 5,5 21,3 10,7 8,1 10,5
Cerveja 0,8 2,0 3,2 5,9 11,1 30,8 41,5 64,4
Café 80,8 78,2 77,0 75,6 161,7 166,8 169,4 154,0
Pizzas 1,0 1,9 3,4 4,6 1,8 4,9 9,0 12,5
Salgados fritos e assados 6,8 9,0 11,0 15,7 5,5 6,7 9,8 14,4
Sanduíches 8,3 12,4 15,3 21,4 13,7 19,9 23,1 29,9
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018. 
  (1) Referente ao primeiro dia de recordatório de 24 horas.

Há uma tendência de aumento de consumo fora do domicílio com o aumento da renda para muitos itens, com destaque para algumas verduras e frutas, refrigerantes (40,7% entre os de maior renda, enquanto as demais faixas de renda apresentaram percentuais inferiores a 30%); carnes bovinas e biscoitos salgados (consumo mais que o dobro entre os de maior renda comparados aos de menor renda) e peixes frescos (consumo seis vezes maior entre os de maior renda comparados aos de menor renda). Porém, o consumo fora de casa foi maior nas primeiras faixas de renda para presunto, iogurtes, salgadinhos chips e pizza.

Mais da metade das calorias consumidas vem de alimentos in natura ou minimamente processados

Considerando a classificação NOVA, que classifica os alimentos segundo o grau de processamento, pouco mais da metade (53,4%) das calorias consumidas pela população de 10 ou mais anos de idade foi proveniente de alimentos in natura ou minimamente processados, 15,6% de ingredientes culinários processados, 11,3% de alimentos processados e 19,7% de alimentos ultraprocessados.

Dentre os alimentos in natura e minimamente processados, o arroz correspondeu a 11,1% das calorias totais, vindo, a seguir, com 7,4%, a carne bovina, com 6,6% o feijão e com 5,4% carne de aves. Dentre os ingredientes culinários processados, o óleo vegetal correspondeu a 7,7% das calorias totais, seguido pelo açúcar, com 5,8%. Dos alimentos processados, o grupo de maior contribuição para as calorias totais foi o de pães (8,2%), seguido de queijos (1,6%). Já entre os alimentos ultraprocessados, a margarina correspondeu a 2,8% das calorias totais, vindo, a seguir, com 2,5%, biscoito salgado e salgadinho "de pacote" e com 2,1% os pães.

Na avaliação por faixa etária, observou-se que a participação dos alimentos in natura ou minimamente processados, assim como de ingredientes culinários processados e de alimentos processados, foi menor entre adolescentes, intermediário entre adultos e mais elevado entre idosos. Por outro lado, os alimentos ultraprocessados representaram 26,7% do total de calorias em adolescentes, 19,5% em adultos e 15,1% em idosos.

85,4% da população adicionam açúcar a café, sucos e outras preparações prontas

Além da avaliação detalhada do consumo alimentar, também foram avaliadas características gerais do consumo alimentar da população brasileira, como a adição de sal às preparações prontas, o uso de açúcar ou edulcorante artificial para adoçar alimentos, o uso de suplementos alimentares no período de trinta dias anteriores à pesquisa e a realização de algum tipo de restrição alimentar.

A adição de sal a preparações prontas foi referida por 13,5% da população e foi mais frequente em homens adultos (16,5%) e o açúcar de adição por 85,4% da população e as mulheres idosas eram o grupo que referiram o uso do açúcar em menor proporção (69,2%).

De modo geral, 19,2% das pessoas referiram o uso de pelo menos um suplemento alimentar no período de trinta dias anteriores à pesquisa, sendo 10,1% entre adolescentes, 19,2% em adultos e 34,0% em idosos. As mulheres apresentaram maior consumo, particularmente, as mulheres idosas (41,0%) que referiram em maior proporção o uso de suplementos com cálcio (21,3%) e com vitaminas (19,5%). Suplementos à base de proteínas e outros suplementos para atleta foram referidos por 1,7% da população geral.

Cerca de 13,9% da população estavam em restrição alimentar, e as prevalências mais altas eram as do sexo feminino. Restrições alimentares para emagrecer foram mais frequentes nas mulheres adultas (9,4%) e restrições alimentares relacionadas às doenças crônicas ou distúrbios metabólicos (hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes mellitus ou doença cardiovascular) foram referidas por 26,8% das mulheres idosas e 19,1 % dos homens idosos.

Em dez anos, cai o consumo de feijão e arroz, e aumenta o de salada crua e sanduíches

Na comparação entre o consumo alimentar individual registrado na POF 2008-2009 e na atual pesquisa, observou-se que o consumo de feijão variou de 72,8% para 60,0%, enquanto as preparações à base de feijão variaram de 3,0% para 12,0%. A frequência de consumo de arroz variou de 84,0% para 76,1% e as preparações à base de arroz variaram de 1,4% para 2,8%. Houve aumento expressivo na frequência de consumo de salada crua, que passou de 16,0% para 21,8%, e para sanduíches, que variou de 8,3% para 13,8%. Aumentos de menor magnitude ocorreram para outros legumes (de 4,4% para 8,5%), aves (de 27,0% para 30,8%) e preparações à base de aves (de 0,6% para 3,6%). A frequência de consumo de carne bovina passou de 48,7% para 38,2% e a de refrigerantes caiu de 23,0% para 15,4%.

As diferenças de consumo entre as áreas urbanas e rurais, observadas em 2008-2009, se repetiram em 2017-2018. Nos dois períodos, a frequência de consumo de farinha de mandioca foi quase três vezes maior na zona rural do que na zona urbana. O consumo de salada crua aumentou tanto na zona urbana (de 17,1% para 23,0%), como na rural (de 10,2% para 14,7%). A frequência de consumo de pão integral foi de 2,1% para 4,2% na zona urbana e de 0,9% para 1,1% na zona rural. Houve aumento na frequência de consumo para a carne suína de 3,7% para 6,2% na zona urbana e de 6,3% para 9,9% na zona rural, enquanto a carne bovina teve queda de frequência de consumo em ambas as áreas.

Consumo de arroz cai no Centro-Oeste, Sul e Sudeste

Na análise por região, no Centro-Oeste, Sul e Sudeste houve uma redução na frequência de consumo de arroz de aproximadamente oito pontos percentuais, com aumento das preparações à base de arroz de 3,3% para 6,1% no Sul e de 1,5% para 4,0% na Região Centro-Oeste. O consumo do feijão verde/corda no Nordeste aumentou de 9,8% para 13,5%. A frequência de consumo de açaí no Norte foi de 9,0% para 12,4% no período, com as outras regiões apresentando ligeiro aumento, exceto a região Sudeste, que manteve o percentual. A carne bovina teve redução em todas as regiões. Para as aves houve aumento nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, com redução no Sul e Centro-Oeste.

Consumo de frutas cai entre adolescentes

Na análise por faixas de idade, destaca-se a redução no consumo de feijão, frutas, leite e derivados, carne bovina, refrescos e refrigerantes e o incremento do consumo de aves e suínos, salada crua e sanduíches e pizzas nos três grupos etários. A diminuição no consumo de feijão e carne bovina foi similar para todos os grupos. A diminuição no consumo de frutas foi mais acentuada entre os adolescentes. Para leite, laticínios e preparações leite e derivados a queda mais significativa na frequência foi entre os adultos e a diminuição mais intensa no consumo de refrescos e refrigerantes foi observada para os idosos.

Queda no consumo de arroz é mais acentuada no extrato mais alto de renda

Houve redução na frequência de consumo de arroz em todos os quartos de renda, mas a redução mais acentuada foi no último quarto de renda: de 79,9% para 67,1%. O consumo de arroz integral também se reduziu nos três primeiros quartos de renda, mas aumentou de 4,7% para 5,2% no último quarto de renda. Algumas hortaliças como alface, tomate e batata inglesa apresentaram reduções em todas as faixas de renda, mas para repolho, batata-doce, salada crua e outros legumes houve alta em todos os extratos.

Houve redução de consumo em todas as faixas de renda para abacaxi, laranja, maçã e tangerina e aumento em todos os quartos de renda para o açaí. Para banana, mamão e outras frutas, o consumo cresceu somente nos dois quartos de renda mais alta e, para manga, somente no último quarto. Para o pão de sal houve redução geral de consumo e a mais expressiva foi na faixa de renda mais alta: de 67,3% para 48,4%. Para pão integral, a frequência quase dobrou no quarto de renda mais alta, passando de 5,2% para 9,6%.

Carne suína e aves apresentaram aumento de frequência de consumo em todas as faixas de renda. Já para o peixe fresco e os ovos só houve aumento da frequência de consumo no último quarto de renda, com redução nas demais faixas. A frequência de consumo de sucos aumentou nos dois menores quartos de renda e se reduziu nos dois maiores quartos de renda. A frequência de consumo de refrigerantes se reduziu em todas as faixas de renda, mas a redução foi mais intensa nas faixas de renda mais elevada, passando de 31,2% para 17,7% no último quarto, enquanto no primeiro quarto passou de 14,4% para 11,5%.

Cai a frequência do consumo alimentar fora de casa

O consumo alimentar fora do domicílio caiu no Brasil entre 2008-2009 e 2017-2018, passando de 40,2% para 36,5% da população. A maior redução foi observada no Norte, onde o percentual do consumo alimentar fora de casa passou de 42,6% para 30,5%. No Sudeste, a redução foi de 43,7% para 36,1% e no Sul, de 40,7% para 38,5%. Já na região Centro-Oeste, houve aumento de 42,0% para 47,7% e no Nordeste, de 33,5% para 34,8%. A contribuição média do consumo alimentar fora de casa para a ingestão diária de energia no país caiu 22% entre 2008-2009 e 2017-2018, com quedas em todas as grandes regiões.

Tanto em 2008-2009 como em 2017-2018, o consumo alimentar fora de casa foi maior entre adolescentes do que entre adultos e idosos. Os idosos apresentaram as menores proporções, ainda que tenham aumentado em cerca de 20% o consumo. Adolescentes e adultos tiveram quedas (10% e 8%, respectivamente). Além disso, a contribuição do consumo alimentar fora de casa para a ingestão diária de energia sofreu diminuição nos três estratos etários, sendo mais elevada em adultos (redução de 21%) do que em adolescentes (18%) e idosos (14%).

O consumo fora de casa na área rural foi menor do que na área urbana, entretanto, a diferença que era de 15 p.p em 2008-2009 passou a ser de 10 p.p. Essa redução se deu porque, entre os dois períodos, praticamente não houve mudança na área rural, enquanto na área urbana houve redução da ordem de 11%, tendo diminuído de 42,8% para 38,0%. O mesmo comportamento se observou quanto à contribuição percentual do consumo fora de casa para a ingestão energética total.

 

População ingere menos gordura saturada, mas também menos fibras

A ingestão energética média da população foi similar nos dois períodos analisados. Para a população masculina, em 2017-2018, variou de 1.709,0 kcal a 2.022,7 kcal e de 1.680,0 kcal a 1.996,6 kcal em 2008-2009, segundo os grupos de idade. Na população feminina, essa variação foi de 1.409,8 kcal a 1.681,8, em 2017-2018, e de 1.410,0 kcal a 1.752,0 kcal, em 2008-2009.

A contribuição percentual das proteínas, carboidratos e gorduras para a ingestão total de energia também foi similar nos dois períodos, variando entre 17% e 19% para proteínas, 53% e 57% para carboidratos e 28% e 30% para gorduras em ambos os sexos.

Destaca-se a redução do conteúdo em fibra da dieta, com maior intensidade entre as mulheres idosas, passando de 20,5g em 2008-2009 para 15,6g em 2017-2018. Essa redução pode indicar a deterioração da qualidade da alimentação, sendo compatível com a diminuição de consumo de feijão, que é um dos alimentos da dieta brasileira que proporciona grande parte das fibras alimentares.

Por outro lado, observou-se mudança positiva no consumo de ácidos graxos saturados cuja contribuição para a ingestão de energia apresentou redução e permaneceu abaixo de 10% nos dois sexos e nas três faixas etárias. Essa redução pode ser atribuída à redução no consumo de carne bovina.

Já o consumo médio diário de açúcar de adição (açúcar de mesa e o adicionado a preparações e alimentos processados e ultraprocessados) aumentou na comparação dos dois períodos nos três grupos etários em ambos os sexos, tanto em valores absolutos quanto proporcional ao consumo de energia, sendo mais elevado entre os adolescentes.

No entanto, a proporção de pessoas que disse usar açúcar caiu de 85,4% para 80,3%. Nesse período, aumentou de 1,6% para 6,1% da população a referência a não usar nem açúcar nem adoçante para adoçar alimentos e bebidas e o uso de edulcorantes artificiais aumentou de 7,6% para 8,5%.

Mais da metade da população ingere sódio acima do limite aceitável

A frequência da ingestão de sódio acima do limite aceitável foi de 53,5% em 2017-2018, mais elevada em homens adultos (74,2%) e reduzida em mulheres idosas (25,8%).

A POF também analisou o percentual de indivíduos com consumo abaixo da necessidade média para os minerais cálcio, magnésio, fósforo, ferro, cobre e zinco e as vitaminas A, tiamina (B1), riboflavina (B2), piridoxina (B6), cobalamina (B12), D, E, C e folato.

Cerca de 85% dos adolescentes de ambos os sexos consumiam pouco cálcio, vitamina D e vitamina E, e entre 50% e 85% deles ingeriam pouco magnésio, fósforo, vitamina A e piridoxina.

Entre os adultos, os nutrientes com inadequação maior que 85% foram cálcio, vitamina A, piridoxina, vitamina D e vitamina E, para ambos os sexos. Magnésio, vitamina A, tiamina e riboflavina apresentaram inadequação entre 50% e 85%.

Para os idosos de ambos os sexos, os nutrientes com prevalências de ingestão inadequada acima de 50% foram cálcio, magnésio, vitamina A, tiamina, piridoxina, vitamina D e vitamina E. Para idosos do sexo masculino, em 2017-2018, a prevalência de inadequação de ingestão de magnésio também foi expressiva (80,5%), e, para as mulheres idosas, chama atenção a ingestão inadequada de folato, que chegou a 50,2%.