Em maio, IBGE prevê alta de 1,8% na safra de grãos de 2020

09/06/2020 09h00 | Última Atualização: 09/07/2020 19h48

A estimativa de maio de 2020 para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas sofreu redução em relação à última estimativa (abril de 2019), mas manteve-se no patamar recorde na série histórica do IBGE, alcançando 245,9 milhões de toneladas. Em relação à safra obtida em 2019 (241,5 milhões de toneladas), a estimativa atual é 1,8% superior (mais 4,4 milhões de toneladas); já em relação ao mês anterior, 0,5% inferior (menos 1,1 milhão de toneladas).

Estimativa de Maio para 2020 245,9 milhões de toneladas
Variação safra 2020 / safra 2019 1,8% (241,5 milhões de toneladas)
Variação safra 2020 / 5ª estimativa 2020  -0,5% (-1,1 milhões de toneladas)

A área a ser colhida foi de 64,6 milhões de hectares, apresentando crescimento de 2,1% frente à área colhida em 2019, aumento de 1,4 milhão de hectares. Em relação ao mês anterior, o crescimento foi de 96,2 mil hectares (0,1%).

O arroz, o milho e a soja, os três principais produtos do grupo, somam 92,2% da estimativa da produção e 87,3% da área a ser colhida. Em relação a 2019, houve acréscimos de 1,7% na área do milho (aumentos de 4,7% na primeira safra de milho e de 0,5% na segunda) e de 2,9% na área da soja, mas declínios de 2,0% na área de arroz e de 0,2% na área do algodão herbáceo. Na produção, estimam-se altas de 5,2% para a soja, de 5,3% para o arroz e de 0,1% para o algodão herbáceo, e redução de 3,8% para o milho (mais 2,2% na primeira safra e menos 5,9% na segunda). 

 

Para a soja, foi obtida uma estimativa de produção de 119,4 milhões de toneladas; para o milho, de 96,7 milhões de toneladas (26,6 milhões de toneladas na 1ª safra e 70,2 milhões de toneladas na 2ª safra); para o arroz, de 10,8 milhões de toneladas e, para o algodão, de 6,9 milhões de toneladas.

Em relação ao mês anterior, houve crescimentos nas estimativas da produção da castanha-de-caju (16,1% ou 20,9 mil toneladas), do trigo (10,1% ou 628,0 mil toneladas), da aveia (4,3% ou 42,1 mil toneladas), do feijão 1ª safra (4,2% ou 56,7 mil toneladas), da cevada (3,6% ou 15,0 mil toneladas), do algodão herbáceo (2,2% ou 146,4 mil toneladas), do arroz (1,7% ou 181,3 mil toneladas), do café arábica (0,5% ou 12,3 mil toneladas), e declínios nas estimativas de produção do feijão 2ª safra (6,4% ou 73,7 mil toneladas), do café canephora (3,9% ou 36,4 mil toneladas), da batata 3ª safra (3,0% ou 28,4 mil toneladas), da batata 2ª safra (2,0% ou 23,0 mil toneladas), da batata 1ª safra (1,8% ou 30,9 mil toneladas), da soja (1,4% ou 1,7 milhão de toneladas), do milho 2ª safra (0,6% ou 398,5 mil toneladas) e do milho 1ª safra (0,0% ou 3,8 mil toneladas).

O Mato Grosso lidera como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 28,6%, seguido pelo Paraná (16,4%), Rio Grande do Sul (10,8%), Goiás (10,3%), Mato Grosso do Sul (8,0%) e Minas Gerais (6,1%), que, somados, representaram 80,2% do total nacional. As variações positivas nas estimativas da produção ocorreram no Mato Grosso (1,3 milhão de toneladas), em Minas Gerais (334,5 mil toneladas), no Ceará (291,2 mil toneladas), na Bahia (199,4 mil toneladas), no Rio Grande do Norte (11,7 mil toneladas) e no Amapá (3,5 mil toneladas). As variações negativas ocorreram no Rio Grande do Sul (1,8 milhão de toneladas), no Paraná (menos 972,8 mil toneladas), em Goiás (menos 283,5 mil toneladas), no Mato Grosso do Sul (menos 245,3 mil toneladas), em Pernambuco (26,6 mil toneladas), na Paraíba (15,3 mil toneladas), em Alagoas (586 toneladas), no Acre (387 toneladas), no Espírito Santo (248 toneladas) e no Rio de Janeiro (42 toneladas).

Entre as regiões, o Centro-Oeste tem 47,2% (116,0 milhões de toneladas); o Sul, 29,8% (73,4 milhões de toneladas); o Sudeste, 9,9% (24,4 milhões de toneladas); o Nordeste, 8,8% (21,5 milhões de toneladas) e o Norte, 4,3% (10,5 milhões de toneladas). Apresentaram aumento na produção: Centro-Oeste (4,0%), Norte (7,0%), Nordeste (12,2%) e Sudeste (2,9%). Apenas o Sul apresentou declínio (4,9%).

Destaques na estimativa de maio de 2020

ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – A estimativa de produção de 6,9 milhões de toneladas foi 2,2% superior à anterior. O Mato Grosso, que é responsável por 69,0% da produção nacional, aumentou sua estimativa de produção em 3,0%, impulsionado pela maior produtividade das lavouras, que subiu 4,3% em maio. Houve reavaliação da área plantada em maio. Já Mato Grosso do Sul (-6,3%), Mato Grosso (-1,3%) e Goiás (-3,7%) tiveram estimativas reduzidas devido ao atraso no plantio e colheita da soja, devido ao clima desfavorável na época do plantio e à desistência de alguns produtores.
Na Região Nordeste, as principais reavaliações na produção foram observadas na Bahia (1,4%), Paraíba (83,8%) e Alagoas (248,8%). Cabe observar que, a Bahia é o 2º maior produtor do País, responsável por 20,4% da produção nacional, e suas lavouras também foram beneficiadas pelo clima.

ARROZ (em casca) – A produção de 10,8 milhões de toneladas apresenta um crescimento de 1,7% em relação a abril, devido à reavaliação no rendimento médio, que alcançou 6,5 mil kg/ha. A região Sul, que concentra cerca de 83,0% da produção nacional, apresentou um incremento de 2,6%, devido ao aumento de 2,4% na produtividade da cultura.

Em relação ao ano anterior, a produção de arroz aumentou 5,3%, apesar de a área plantada ter declinado em 2,8%. O rendimento médio ficou 7,4% maior.

BATATA-INGLESA – A produção, estimada em 3,7 milhões de toneladas, representa declínio de 2,2% em relação ao mês anterior. Destaque negativo para Goiás, que teve redução de 23,2% em relação à estimativa do mês anterior, e para o Rio Grande do Sul, com queda de 10,1% na estimativa. Em relação à 2019, a estimativa de produção total de batata-inglesa apresenta declínio de 4,3%. Contribuem para esse resultado, principalmente, o Rio Grande do Sul (-19,9%), Santa Catarina (-9,9%) e Goiás (-29,6%).

A 1ª safra, com uma produção de 1,6 milhão de toneladas, apresentou declínio de 1,8% em relação ao mês anterior. O rendimento médio encontra-se 1,7% menor. O resultado foi influenciado pela redução de 9,2% na estimativa no Rio Grande do Sul. Em relação ao ano anterior, a redução é de 3,0% e, os destaques negativos, para essa safra, são: Santa Catarina (-11,9%) e Rio Grande do Sul (-19,8%).

Para a 2ª safra está estimada produção de 1,1 milhão de toneladas, declínio de 2,0% em relação ao mês anterior. O Paraná (-4,1%) e o Rio Grande do Sul (-14,8%) foram os que mais contribuíram para esse resultado, devido a uma estiagem prolongada. Comparada ao ano anterior, a estimativa é 5,5% inferior, sendo Minas Gerais (-11,3%), Paraná (-3,8%) e Rio Grande do Sul (-20,5%) os responsáveis por esse declínio. Já em São Paulo houve aumento da estimativa (5,0%).

Com relação a 3ª safra, a estimativa da produção encontra-se em 914,1 mil toneladas, 3,0% menor que a do mês anterior e 4,8% menor que a obtida em 2019. Goiás, com redução de 23,2%, em relação a abril, e de 29,6%, em relação à 2019, foi o destaque negativo nesta estimativa e Minas Gerais, com aumentos de 7,1% frente ao mês anterior e 15,6% em relação à última safra, o destaque positivo.

CAFÉ (em grão) – A estimativa da produção brasileira de café foi de 3,4 milhões de toneladas, ou 57,3 milhões de sacas de 60 kg, declínio de 0,7% em relação ao mês anterior. Em relação ao ano anterior, a estimativa da produção foi 14,7% maior.

Para o café arábica, a produção estimada foi de 2 550,1 mil toneladas, ou 42,5 milhões de sacas de 60 kg, crescimento de 0,5% em relação ao mês anterior e de 23,0% frente ao ano anterior (devido à bienalidade positiva da safra). Em Minas Gerais, principal produtor brasileiro, devendo responder por 74,1% da produção em 2020, a estimativa da produção, de 1,9 milhão de toneladas, ou 31,5 milhões de sacas de 60 kg, apresenta crescimento de 27,4%, devendo o rendimento médio aumentar em 19,6% em relação ao ano anterior.

Para o café canephora, mais conhecido como conillon, a estimativa da produção, de 885,6 mil toneladas, ou 14,8 milhões de sacas de 60 kg, apresenta declínios de 3,9% em relação a abril e de 4,0% frente a 2019. A produção capixaba, que representa 67,4% do total nacional, encontra-se 5,7% menor, em decorrência do declínio de 6,0% no rendimento médio. Outros produtores importantes, como Rondônia e Bahia, mantiveram as produções levantadas em abril.

CASTANHA-DE-CAJU (amêndoa)– Com crescimento de 16,1% em relação à estimativa do mês anterior, a produção deve totalizar 151,2 mil toneladas, sendo 8,5% acima da produção de 2019. Os maiores produtores brasileiros são Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. A produção do Ceará, de 95,4 mil toneladas, representa 63,1% do total nacional; a do Piauí, de 24,7 mil toneladas, 16,3% e a do Rio Grande do Norte, de 17,2 mil toneladas, 11,4%. Comparando-se com 2019, estimam-se crescimentos de 8,8% para o Ceará; de 14,3% para o Piauí e de 1,8% para o Rio Grande do Norte.  

CEREAIS DE INVERNO (em grão) – Os principais cereais de inverno produzidos no Brasil são o trigo, a aveia branca e a cevada. A estimativa da produção do trigo encontra-se em 6,9 milhões de toneladas, crescimento de 10,1% em relação ao mês anterior. Em relação ao ano anterior, a estimativa encontra-se 31,4% maior.

A região Sul deve responder, em 2020, por 89,4% da produção tritícola nacional. No Paraná, maior produtor desse cereal, com participação de 51,5% no total nacional, a produção foi estimada em 3,5 milhões de toneladas, crescimentos de 1,1% em relação ao mês anterior e de 65,9% em relação a produção de 2019. O Rio Grande do Sul, segundo maior produtor (35,7% do total nacional), deve produzir 2,5 milhões de toneladas, crescimento de 7,2% em relação ao ano anterior e, Santa Catarina, 155,1 mil toneladas, crescimento de 5,5%.  

A estimativa da produção da aveia foi de 1,0 milhão de toneladas, crescimento de 4,3% em relação ao mês anterior. Os maiores produtores do cereal são Rio Grande do Sul, com 699,3 mil toneladas, e Paraná, com 216,8 mil toneladas. Em maio, a produção gaúcha foi revisada com crescimento de 10,5% em relação a abril e 11,2% frente a 2019.  

Para a cevada, a produção estimada encontra-se em 433,6 mil toneladas, crescimento de 3,6% em relação ao mês anterior. Os maiores produtores do cereal são Paraná, com 299,3 mil toneladas, e Rio Grande do Sul, com 119,3 mil toneladas. Em relação ao ano anterior, a produção brasileira da cevada deve apresentar crescimento de 8,3%. 

FEIJÃO (em grão) – A estimativa da produção nacional total foi de 3,0 milhões de toneladas, crescimento de 0,6% em relação ao mês anterior. Neste levantamento, os maiores produtores, somadas as três safras, são Paraná com 19,9%, Minas Gerais com 16,9% e Goiás com 11,3% de participação na produção nacional. Com relação à variação anual, a estimativa para a área plantada e para a produção foi reduzida em 3,6% e 1,3%, respectivamente. Já o rendimento médio cresceu 1,9%.

A 1ª safra de feijão deve participar com 47,2% da produção nacional, enquanto que a 2ª deve participar com 36,2% e a 3ª safra com 16,6%. A 1ª safra de feijão foi estimada em 1,4 milhão de toneladas, aumento de 4,2% frente à estimativa de abril, o que representa 56 698 toneladas. Os destaques positivos couberam ao Ceará (aumento de 38,4% na produção), ao Rio Grande do Norte (22,9%), a Pernambuco (65,0%) e a Minas Gerais (2,9%). Os destaques negativos ficaram com a Paraíba (-12,4%) e o Rio Grande do Sul (-6,7%). Em relação ao ano anterior, houve crescimentos de 10,2% na produção, de 8,3% no rendimento médio e declínio de 1,2% na área plantada.

A 2ª safra foi estimada em 1,1 milhão de toneladas, redução de 6,4% frente à estimativa de abril, refletindo o rendimento médio que ficou 3,9% menor, e de 6,9% em relação a 2019. Devido a uma forte estiagem, o Paraná informou declínio de 19,0% em sua estimativa de produção, reduzindo em 63,5 mil toneladas, assim como o Rio Grande do Sul (-17,0%) e Pernambuco (-81,1%). As maiores estimativas de produção, para esta safra, foram do Paraná (24,9%), Bahia (17,0%) e Minas Gerais (16,1%).

Com relação à 3ª safra, a estimativa de produção foi de 498,0 mil toneladas, aumento de 7,3% frente a abril, mas redução de 15,4% frente a 2019. Destaque para o Mato Grosso que prevê aumentos de 34,0% para a estimativa de produção e de 27,8% para a área plantada.

MILHO (em grão) – A estimativa da produção decresceu 0,4%, totalizando 96,7 milhões de toneladas, frente à última estimativa e 3,8% (3,9 milhões de toneladas) frente a 2019. A primeira safra deve participar com 27,5% da produção brasileira de 2020 e, a segunda, com 72,5%.

Na 1ª safra de milho, a produção alcançou 26,6 milhões de toneladas, e ficou praticamente estável em relação à informação do mês anterior. Houve aumento na produção do Ceará (50,7% ou 245,7 mil toneladas), em decorrência do clima mais favorável. Outros crescimentos da produção foram verificados no Rio Grande do Norte (28,9% ou 7,7 mil toneladas), em Pernambuco (14,9% ou 10,1 mil toneladas), na Bahia (3,3% ou 50,0 mil toneladas). Já os declínios mais relevantes foram verificados no Rio Grande do Sul (9,2% ou 426,3 mil toneladas), na Paraíba (11,1% ou 10,8 mil toneladas) e no Mato Grosso do Sul (7,8% ou 10,7 mil toneladas). Em relação a 2019, a produção foi 2,2% maior.

Para a 2ª safra, a estimativa da produção foi de 70,2 milhões de toneladas, declínio de 0,6% em relação ao mês anterior. As reduções mais significativas na estimativa da produção foram informadas pelo Paraná (7,9% ou 971,9 mil toneladas), pelo Mato Grosso do Sul (2,9% ou 265,2 mil toneladas) e por Goiás (3,2% ou 300,8 mil toneladas). Os maiores crescimentos nas estimativas de produção, em relação ao mês anterior, foram verificados no Mato Grosso (3,6% ou 1,1 milhão de toneladas). Na comparação com o ano anterior, a produção do milho 2ª safra apresenta declínio de 5,9%, com o rendimento médio decrescendo 6,4%.
Houve declínios na produção do Paraná (16,1%), Goiás (9,4%), Mato Grosso do Sul (9,5%), Minas Gerais (9,7%) e São Paulo (14,6%), tendo crescido 0,8% no Mato Grosso. Na comparação com o ano anterior, a produção do milho 2ª safra apresenta declínio de 5,9%, com o rendimento médio decrescendo 6,4%.

SOJA (em grão) – A quinta estimativa de produção de soja, para 2020, totalizou 119,4 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 5,2% em relação à safra anterior. Na atualização mensal, registrou-se uma retração de 1,4% no volume colhido. Contudo, mesmo com este declínio, a produção nacional deve superar o recorde de volume de soja produzido no país em 2018.  

A produção gaúcha, estimada em 11,2 milhões de toneladas, declinou 16,1% em relação ao mês de abril, ou o equivalente a 2,1 milhões de toneladas. Em relação ao ano anterior, o declínio na produção foi de 39,3%, ou 7,3 milhões de toneladas. O estado vem sofrendo com uma forte seca desde dezembro de 2019, e que se estendeu até o mês de maio, prejudicando grande parte das áreas produtoras de soja. A escassez de chuvas influenciou diretamente o rendimento médio do grão, que deve ficar próximo de 1,9 toneladas por hectare, uma queda de 40,7% na comparação com a média estadual de 2019.